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A Confissão de Pecados – Parte 4 Janeiro 21, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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Algumas Ilustrações

A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. Se Satanás puder usar a culpa (que Deus já levou de nós), como um grilhão para restringir a nossa liberdade, para nos separar de Deus, é segura a sua estratégia de nos levar como cativos na batalha. Para ele não faz diferença se a culpa, separação e cativeiro são imaginários ou reais. Isto é muito bem descrito pelo escritor Hal Lindsey, num dos seus livros:

“Uma das tácticas dos demónios que têm mais sucesso em neutralizar os seus inimigos (os crentes), é fazê‑los insistir em todas as suas falhas. Assim que eles começam a sentir‑se culpados, em relação ao seu desempenho na vida cristã, deixam de ser uma ameaça para o programa de Satanás.

As tácticas de Satanás não têm mudado muito. Porque mudariam? Têm tido sucesso.
Não há nada de que Satanás goste mais de alcançar do que um crente entrar numa jornada de culpa.

Ao olhar para trás na minha vida, compreendo que a culpa é um manípulo a que o Diabo tenta constantemente deitar a mão para me conduzir. Uma ilustração clássica que me vem à mente é a de algo que me aconteceu enquanto estudava. Tinha um colega muito chegado. Passámos três anos de bons momentos. Depois pedi‑lhe algum dinheiro emprestado, dizendo‑lhe que lhe pagaria passadas duas semanas.

Passada uma semana, comecei a ficar um pouco preocupado pois não sabia de onde viria o dinheiro para lhe pagar. Mas ainda faltava uma semana e por isso não estava muito preocupado.

Passou‑se a segunda semana e não conseguia arranjar o dinheiro. Sentia alguma tensão, mas não puxava o assunto porque esperava que ele se tivesse esquecido do prazo.

À medida que os dias passavam, parecia que ele me olhava de uma maneira acusadora sempre que o via e fazia os possíveis para o evitar. Depois de passadas duas semanas sobre o prazo, comecei a planear o meu dia de forma a não me cruzar com ele. Foi horrível. Senti‑me muito mal por ter perdido um amigo tão bom como ele, mas por outro lado não percebia como ele não era mais compreensivo em relação ao meu problema. Não houve sequer uma palavra que fosse em relação ao dinheiro, mas eu sentia‑me tão culpado que estava certo de que ele me tinha eliminado como amigo.
Finalmente chegou o dia que eu tanto temia. Vi‑o a caminhar na minha direcção no corredor. Não tinha hipótese de me esconder! Ele encurralou‑me e disse: ‘OK, Hal, o que se passa contigo?’

‘Bem, é por causa do dinheiro que te devo’, respondi‑lhe na defensiva.
Ele riu, pôs a sua mão no meu ombro e disse: ‘Amigo, eu pensei que fosse isso. Olha, eu não mudei. Não houve qualquer mudança na consideração que tenho por ti nas últimas semanas. Se tivesses o dinheiro, sei que me pagarias. Mas o dinheiro não significa assim tanto para mim. A tua amizade significa muito mais e ainda sou teu amigo.’

Durante três semanas vivi pensando que ele me condenava. Mas isso não era verdade, pois ele era continuava a ser o meu melhor amigo.
Isto ensinou‑me uma lição inesquecível. Se pensamos que alguém tem algo contra nós, afastamo‑nos e tornamo‑nos hostis para com ele. É uma reacção inevitável, é um mecanismo de defesa.

Creio que esta é a principal razão pela qual os crentes falham na sua relação com Deus. Visto que estamos sempre cientes de que falhamos de muitas maneiras na vida cristã, é natural supormos que Deus deve estar desagradado com o nosso desempenho. Quanto mais desapontamos Deus, mais supomos que ele está zangado connosco. Isto até ao ponto que esse esfriamento da relação torna‑se tão real nas nossas mentes, que se torna quase impossível desfrutar de uma relação vital com Deus.

A verdadeira tragédia é que isto acontece apenas no interior das nossas mentes. Deus não está zangado connosco!”

Outra ilustração que poderá ajudar a tornar mais claro o nosso entendimento do perdão e da nossa relação com Deus encontra‑se no livro “Dictionary of the Gospel” (“Dicionário do Evangelho”) de Thomas Bruscha.

“Não seria incómodo se dissesses a alguém “Eu perdoo‑te” e depois, todos os dias durante o resto da sua vida, viesse dizer‑te “Perdoa‑me, por favor”?
Não só seria incómodo, como impediria o crescimento da vossa relação. Em vez de deixar o pecado para trás e criar maior intimidade no relacionamento, o pecado é trazido de novo para a conversa, uma e outra vez, impedindo tanto o crescimento assim como o gozo do relacionamento. Da mesma forma, muitas pessoas que dizem acreditar que os seus pecados estão perdoados, passam a maior parte do seu tempo de oração pedindo a Deus para as perdoar. O crescimento e o gozo são impedidos porque se recusam a acreditar que lhes foi oferecido perdão completo para todos os seus pecados.

Os meus pecados (passados, presentes e futuros) foram tirados por Deus para sempre a partir do momento em que cri. Agora, em vez de Lhe pedir perdão todos os dias, agradeço‑lhe por isso e prossigo para crescer na minha relação com o meu Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

Se sabemos que recebemos a salvação que nos é dada através de Cristo por meio da fé apenas, e sabemos que foi pago o preço pelos nossos pecados, mas ainda vivemos carregando a culpa dos nossos pecados, ainda não chegamos a desfrutar e a alegrarmo-nos da nossa salvação. Façamos o que Paulo diz em Filipenses 3:13: ‘esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim…’ ”

A nossa comunhão com o nosso Senhor Jesus Cristo nunca será quebrada, mas o nosso gozo dela poderá ser, devido a uma percepção errada. Se como crentes ainda lutamos com o fardo da culpa, há boas notícias para nós. Deus é por nos; Ele não está contra nos, não importa as circunstâncias (Romanos 8:31-39). Não há nada entre cada um de nós e o Senhor Jesus Cristo que não tenha sido resolvido na Cruz. Agora cada um de nós é um filho de Deus com todos os respectivos direitos e privilégios. Todos os nossos pecados, falhas e imperfeições foram previstos por ele e completamente redimidos pelo Seu precioso sangue. Agora, qual deve ser a resposta do nosso coração a essa verdade? Será “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde”? ou “Graças a Deus! Esta é a coisa mais maravilhosa que já ouvi. Senhor, eu creio. Ajuda a minha incredulidade.” É esta uma resposta sincera ao Seu amor e que motiva o serviço cristão ou é uma ocasião para a carne? Bem precisamos de recordar o que a graça de Deus nos ensina na vida de fé (Tito 2:11-12).

Caro amigo perdido. Procura a culpa vergar‑te até à perdição eterna? Vem ao pé da Cruz e com os olhos da fé vê aquele que foi ferido pelas tuas transgressões e moído pelas tuas iniquidades. Se creres no teu coração que o Senhor Jesus Cristo morreu por ti e ressuscitou, a autoridade da Palavra de Deus garante que passas da morte para a vida. Como filho de Deus podes cantar com o teu coração voltado para o Céu:

“Meu mal, oh, que gozo a verdade saber!
Meu mal, em seu fruto e raiz,
Jesus sobre a cruz com Seu sangue expiou
Ele mesmo na Bíblia mo diz.”

O que deve o crente fazer quando peca?

Uma questão final deve ser respondida. Se I João 1:9 não é um versículo de restauração à comunhão, o que devem fazer os crentes quando pecam? Temos um padrão paulino que é muito mais eficaz em lidar com o pecado na vida do crente. Em primeiro lugar, devemos reconhecer que não precisamos de pecar. Em cada situação, temos à disposição poder espiritual para vencer o pecado. Deus providenciou um programa de vitória total sobre o pecado para cada membro do Corpo de Cristo. Romanos 6 é a chave do conhecimento da santificação prática. Consideremos em especial as palavras “sabei”, “considerai” e “apresentai” nos versículos 3, 11 e 13. Outras passagens de vitória são: Romanos 8:1-11, 12:1-2, 13:8-14, I Coríntios 6:9-20, 9:24-27, 10:13, 13:4-7, II Coríntios 3:17-18, 6:14-7:1, 10:4-5, 12:21, Gálatas 5:13-26, Efésios 4:17-24, 5:1-21, 6:10-18, Filipenses 2:5-11, 3:10-14, 4:5-9, Colossenses 3:1-17, I Tessalonicenses 2:13, 5:22-23, I Timóteo 3:1-13, 4:11-16, 5:2, Tito 2:6-8, 2:11-14.

Se o pecado tiver vantagem sobre nós, a razão é exclusivamente nossa, e não porque Deus nos deixou sem preparação.

No entanto, por causa da enfermidade da nossa carne, mesmo os crentes mais maduros pecam. Quando isto acontece, a primeira coisa a lembrarmo-nos é o perdão completo que possuímos em Cristo Jesus. Isto impedir‑nos‑á de entrar noutra jornada de culpa e produzirá, isto sim, gratidão, amor e estabilidade. Em vez de tal resultar numa licença para pecar, a motivação adequada (Graça de Deus) e a capacidade que nos foi dada (a Vida de Cristo) encontram-se em posição de tomar o controlo sobre nossas vidas.

Além disso, uma atitude de auto-análise deve caracterizar o crente arrependido (I Coríntios 11:31). A tristeza segundo Deus opera arrependimento (II Coríntios 7:10), mas a tristeza segundo o mundo opera a morte (Mateus 27:5, Hebreus 12:16-17). Por vezes, os anciãos da Igreja local podem ser úteis (Gálatas 6:1-2, II Timóteo 2:24-26).
Intimamente associado com o auto analise está o mandamento de Paulo de “despojar” do velho homem e “revestir” do novo homem (Romanos 8:13, 13;14, Gálatas 5;16-25, Efésios 4:22‑24, Colossenses 3:5‑10). Dizemos “não” à velha natureza que herdámos de Adão e dizemos “sim” à nova natureza que herdámos de Cristo. Não há aqui nada de complicado ou misterioso, apenas obediência ao mandamento de Deus. Embora Paulo não fale da confissão de pecados nas suas epístolas, Lucas dá‑nos um relato inspirado disso em relação ao seu ministério (Actos 19;18). Muitos dos mandamentos de Paulo não podem ser obedecidos sem auto-análise que inclui necessariamente a confissão de pecados (I Coríntios 5:2, 11:31-32, II Coríntios 7:1, II Timóteo 2:21).

Quando um crente peca, deve concordar com a Palavra de Deus que está errado (confessar) e abandonar o comportamento ou atitude, despojando‑se do velho homem e revestindo‑se do novo homem. Assim, confessamos os nossos pecados, não para receber perdão, mas porque queremos estar em harmonia com a graça e assim glorificar aquele que perdoou todos os nossos delitos. O pecado provoca desarticulação no Corpo de Cristo. Quando nos vemos “em Cristo” e compreendemos que o pecado é contrário à nossa posição exaltada como filhos de Deus, podemos tomar medidas de forma a ajustarmos a nossa conduta para sermos mais conformes à imagem de Cristo.

Finalmente, a separação é absolutamente essencial para uma vida agradável a Deus (II Coríntios 6:14 ‑7:1). Isto envolve separação mas não isolamento. Devemos separar‑nos de influências nocivas e profanas (incluindo religião mundana) e cultivar amizades com crentes com fé igualmente preciosa, que nos encorajarão a viver de forma mais piedosa.

Estes não devem ser vistos como passos isolados, mas como parte de todo um programa de vitória sobre o pecado. A Palavra de Deus actua como nosso professor, alimentador e disciplinador (II Timóteo 3:16-17, 4:2).

Em conclusão, I João 1:9 é um versículo de salvação que encaixa “que nem uma luva” com o programa da Profecia do evangelho do Reino. É o “Efésios 2:8-9” da dispensação do Reino. É errado e uma perversão grosseira usá‑lo para “perseguir” crentes sinceros ao longo das suas vidas cristãs por causa dos seus pecados, para os quais o nosso Salvador já providenciou perdão na Cruz. Deus já não perdoa pecados às prestações ou aos bocados.

À luz desta “revelação” do perdão completo, total e incondicional de pecados, o ciclo infindável de

  • pecado,
  • culpa,
  • quebra de comunhão,
  • confissão e
  • perdão

acaba por tornar‑se numa tarefa rotineira para a carne. Prende a pessoa a um sistema de desempenho pessoal (obras) e desonra o Cristo da Cruz que morreu para nos libertar dele.

Somos agora membros de uma Nova Criação em Cristo e vivemos num estado de perdão perpétuo. Aqueles que fizeram a transição da Lei para a presente verdade das epístolas de Paulo nunca terminarão uma oração dizendo “… e perdoa os nossos pecados por amor de Jesus”.

Foi grande a minha alegria quando me tornei crente em Jesus Cristo e soube que os meus pecados não mais poderiam separar‑me de Deus e de um lar no céu. Mas ainda maior se tornou a minha alegria quando comecei a compreender que todos os meus pecados (incluindo aqueles que cometi depois de pertencer à família de Deus) foram perdoados por amor de Jesus. Não consideramos apropriado curvar agora nossas cabeças, louvá‑lO e agradecer‑Lhe pela Sua graça? E estas coisas vos escrevemos para que o vosso gozo seja completo. Possa o Deus de toda a Graça conduzir‑nos da dúvida e medo até ao gozo e paz de crer para louvor da Sua glória. Amén.

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dEle” (Eclesiastes 3:14).

(por Ken Lawson)

A Confissão de Pecados – Parte 3 Janeiro 21, 2010

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No versículo 7 encontramos pela quarta vez a palavra “comunhão”. Como compreender esta passagem no contexto? Isto é importante, pois trata‑se do assunto principal no capítulo. A palavra original grega traduzida por comunhão é “koinonia”, que tem o sentido de “ter em comum”, “partilha” e de “adoração em conjunto”. Tal como a palavra bíblica “santificação”, há tanto um aspecto de posição como um de prática.

Nas epístolas de Paulo, a comunhão é mencionada como:

  1. Contribuir para os crentes pobres (II Coríntios 8:4, Romanos 15:26-27).
  2. Contribuir para os servos do Senhor no ministério (Filipenses 1:5, 4:15-19, Gálatas 6:6).
  3. A comunicação das aflições de Cristo (Filipenses 3:10, II Coríntios 11:23-33).
  4. A Ceia do Senhor (I Coríntios 10:16).

Estes são exemplos de comunhão prática. Isto é, podemos recusar contribuir para os crentes pobres, negligenciar na contribuição para as necessidades dos servos do Senhor, evitar sofrer afronta e desprezo pelo Seu nome e Evangelho e escolher não participar no memorial da morte de Cristo por nós. No entanto, creio que as escrituras do Novo Testamento falam de uma comunhão posicional, permanente e pertencente a todo o crente em Cristo Jesus. Tal comunhão pertence a todos os verdadeiros crentes, independentemente do crescimento espiritual ou dedicação. Se há crentes na Bíblia que viveram num estado de quebra de comunhão, eram os Coríntios:

  1. Existiam dissensões carnais e contendas entre eles (I Coríntios 1:10-13, 3:1-3).
  2. Estavam seduzidos pela sabedoria do mundo (I Coríntios 1:18-2.5, 3:18-23).
  3. Estavam a julgar coisas que não deviam e falhavam em julgar as que deviam (I Coríntios 4:1-5; 5; 6).
  4. Permitiam imoralidade sexual na Igreja local e orgulhavam‑se disso (I Coríntios 5:1-2).
  5. Levavam os irmãos a tribunais perante os descrentes (I Coríntios 6:1-12).
  6. Visitavam prostitutas (I Coríntios 6:13-20).
  7. Orgulhavam‑se do seu conhecimento e causavam a queda de irmãos mais fracos (I Coríntios 8).
  8. Questionavam a autoridade e o apostolado de Paulo (I Coríntios 9:1-6).
  9. Inclinavam‑se para a idolatria, cobiçando o que era mau (I Coríntios 10).
  10. Comportavam‑se desordenadamente na Igreja, incluindo zombarem da Ceia do Senhor (I Coríntios 11).
  11. Estavam enamorados com os dons espirituais, mas não os exerciam em amor (I Coríntios 12-14).
  12. Duvidavam da ressurreição (I Coríntios 15:12-19).
  13. Como se não bastasse, eram avarentos na sua contribuição para os crentes pobres (II Coríntios 8 e 9).

Com todo este pecado na Igreja, poderíamos pensar que eles nem eram salvos. Mas Paulo, pelo Espírito de Deus, dirige‑se a eles como “a Igreja de Deus” e “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (I Coríntios 1:2). Além disso, não encontramos qualquer mandamento para eles confessarem os seus pecados para receberem o perdão e restaurar a sua comunhão com Deus. Pelo contrário, Paulo garante‑lhes que “fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (I Coríntios 1:9). É uma comunhão baseada na fidelidade de Deus.

Apesar de todos os pecados, falhas e defeitos da Igreja de Corinto, eles estavam “em Cristo” e como tal faziam parte “comunhão de Seu Filho”. O que tinham eles em comum com Jesus Cristo? Eles partilhavam da Sua vida, da Sua justiça, da Sua aceitação perante Deus Pai (II Coríntios 5:21, Efésios 1:6 e Colossenses 3:4). Tudo isto faz parte da dádiva da graça sem obras para todos os crentes em Cristo e que forma a comunhão que sustém a nossa posição nEle.

Em várias outras passagens das epístolas de Paulo, em relação a este assunto, não é dada a devida importância. Por exemplo, lemos em Efésios 3:12: “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nEle.” A palavra grega para fé (“pistos”) muitas vezes tem o significado de fidelidade, lealdade ou fidedignidade como em Romanos 3:3,22, Gálatas 2:16, 3:22, 5:22, Filipenses 3:9, Colossenses 2:12, I Timóteo 4:12, 6:11, II Timóteo 2:22, Tito 2:10, sendo que é o próprio contexto que determina qual a palavra. Nesta passagem de Efésios, a expressão “nossa fé nEle” deveria ser “Sua fidelidade”, como noutras versões. O nosso acesso a Deus depende apenas de Jesus Cristo. Deus quer que tenhamos ousadia e confiança nisto. O sistema de “pequenas contas” (em comunhão, fora de comunhão) serve apenas para semear a dúvida e assim tirar a nossa ousadia e confiança. Não nos deveríamos alegrar no facto de que estas bênçãos dependem da fé (fidelidade) de Cristo e não da nossa fé? Outras passagens falam do acesso a Deus, como Efésios 2:18, Romanos 5:1-2 e Hebreus 10:19-20.

A comunhão de I João 1 deve ser considerada à luz disto. De acordo com o contexto, o que tinham estes crentes em comum com “o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”? Vida eterna (versículos 1 e 2). Jesus Cristo como a Palavra da Vida é a personificação dessa vida.

Há um paralelismo verdadeiramente admirável entre os versículos 7 e 9. Vejamos:

Versículo 7:

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

Versículo 9:

Se confessarmos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
E nos purificar de toda a injustiça.

Ambos os versículos apresentam a mesma verdade, mas de perspectivas diferente. Estes crentes judeus do Reino andavam na luz ao confessar os seus pecados em relação à salvação inicial. Ter comunhão com Deus baseava‑se no facto de que Deus é fiel e justo para perdoar os seus pecados. E quantas vezes poderiam eles ser purificados de todo o pecado? Se a resposta for até que pecassem de novo, então não eram purificados de todo o pecado. Da mesma forma, eles apenas poderiam ser purificados de toda a injustiça uma única vez (versículo 9). Isto é confirmado mais tarde quando se dirige aos crentes e lhes garante que os seus pecados já estão perdoados.

“Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo Seu nome vos são perdoados os pecados”. (I João 2:12)

A confissão de pecados estava intimamente relacionada com a religião de Israel. Confissão, bem como a sua equivalente grega (“homologia”), significa falar a mesma coisa, admitir, concordar, reconhecer. Moisés, escrevendo profeticamente, traçou o plano para a confissão sob a Lei.

“Então confessarão a sua iniquidade, e a iniquidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra Mim; como também eles andaram contrariamente para comigo. Eu também andei para com eles contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se então o seu coração incircunciso se humilhar, e então tomarem por bem o castigo da sua iniquidade, também eu me lembrarei da Minha aliança com Jacob, e também da Minha aliança com Isaac, e também da Minha aliança com Abraão Me lembrarei, e da terra Me lembrarei. (Levítico 26:40-42; comparar com Neemias 9:1-3).

É exactamente aqui que Israel se encontrava quando João Baptista entra em cena. Embora ainda estivesse numa relação do Concerto com Deus, eles tinham‑se tornado moral e espiritualmente corruptos. E assim João Baptista foi enviado como pregador da justiça para chamar a nação apóstata ao arrependimento. Isso fazia parte da preparação para receber o seu Messias, Jesus Cristo.

“E, naqueles dias, apareceu João Baptista pregando no deserto da Judeia, E dizendo: ‘Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus’… Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:1-2; 3:5-6).

“Apareceu João baptizando no deserto, e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão dos pecados.” (Marcos 1:4).

Aqui está. Arrependimento, confissão de pecados e baptismo na água para a remissão (perdão) de pecados estavam juntos no evangelho do Reino anunciado a Israel (Mateus 4:23, 9:35). O nosso versículo chave de I João 1:9 é um versículo de salvação para o Israel que esperará o regresso de Cristo para estabelecer o seu reino milenial, davídico e terreno.

Poderá ser colocada a objecção que este versículo não pode referir-se a salvação, porque fé em Jesus Cristo não é mencionado. No entanto, outros versículos de salvação também não a mencionam. Alguns exemplos são Romanos 4:5-8, Gálatas 3:11, Efésios 2:8-9 e Tito 3:5. Quando isto acontece, todo o resto da epístola torna bastante claro (como em I João) que Jesus Cristo é o objecto da fé (I João 2:22-23, 3:23, 4:2,9-10, 4:14-15, 5:1,5,11-13).

A expressão “Se dissermos” repetida nos versículos 6, 8 e 10 refere-se à falsa profissão de comunhão, quando na verdade a pessoa em questão não possui a vida eterna. Estes eram judeus descrentes que tinham um problema espiritual duplo: acreditavam ser justos em si mesmo e rejeitavam o seu Messias. Eles justificavam‑se a eles mesmos perante os homens. Eles confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros. Pensavam que, como eram descendentes de Abraão, Deus era seu Pai. Ignorando a justiça de Deus e estabelecendo a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus (Mateus 9:10-13, 21:31-32, Lucas 16:15, 18:9, João 8:39-44, Romanos 10:1-4).

Numa graciosa demonstração de amor piedoso, João abre a sua epístola com um apelo evangelístico aos seus irmãos judeus para abandonar a falsa comunhão das trevas e vir ao Salvador e desfrutar da genuína comunhão da luz. Isto não aconteceria enquanto eles confiassem na sua genealogia, religião e méritos pessoais, e continuassem a rejeitar “a Luz do mundo”.

Como é possível um versículo, retirado de uma epístola que não de Paulo, ser deturpado em relação ao seu contexto e enquadramento dispensacional, ser torcido e transformado num sistema de bênçãos condicionais e depois ser usado pelo nosso Adversário para roubar o povo de Deus daquilo que faz a vida cristã valer a pena? A razão só pode ser tradição religiosa e o falhanço em “manejar [dividir] correctamente a Palavra da verdade” (Mateus 15:3,6,9, II Timóteo 2:15). 

Muitas vezes agimos como ovelhas e gostamos de seguir líderes. Quando um magnífico pregador ensina algo, muitos de nos temos a tendência de seguir sem uma mente crítica. Embora Deus tenha dado ensinadores para a Igreja, cada crente é responsável perante Deus para estudar os assuntos por si mesmo e desenvolver convicções pessoais em relação a eles. De outro modo estaremos firmes na opinião de outros. O homem, mesmo no seu melhor, é homem e portanto falível. Que sempre possamos ter o espírito do crentes de Bereia e “examinar cada dia nas Escrituras se estas coisas são assim” (Actos 17:10,11).

A Confissão de Pecados – Parte 2 Janeiro 17, 2010

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Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Comunhão

A variante 2.b) também fala de restauração, não para salvação ou mesmo para a manter, mas antes para comunhão. Aqueles que vêem desta forma tal versículo compreendem claramente o ensinamento da segurança eterna e da preservação dos santos. Só que agora o assunto é a intimidade com o nosso Pai celestial. A nossa relação é como o Rochedo de Gibraltar, firme e que não se pode mover. Por outro lado, a nossa comunhão (dizem-nos) é como um fino fio que mesmo o mais pequeno pecado em pensamento, palavra ou acto pode quebrar. Talvez a melhor ilustração desta visão é a da comunhão entre um pai e um filho. Se o filho pecar contra o seu pai, a intimidade anteriormente gozada por ambos é quebrada e o prazer de cada um da companhia do outro é colocado em risco. A relação de sangue entre pai e filho mantém‑se intacta, mas a comunhão deve ser restaurada através de confissão do erro. Da mesma forma, os crentes têm uma relação de sangue com o nosso Pai celestial através do Seu Filho Jesus Cristo. Embora nada possa quebrar a nossa relação como filhos de Deus, a comunhão apenas pode ser restaurada reconhecendo o pecado e pedindo perdão, de preferência com o compromisso de não repetir a ofensa. Isto restabelece a doçura da comunhão e do prazer com o quais tanto o Pai como o filho podem relacionar‑se um com o outro.

Crentes que procuram praticar isto falam frequentemente de “manter contas pequenas com Deus”, ou seja, procurar confessar pecados com regularidade de forma a que a nossa conta não se acumule com pecados por confessar. Salmos 32 e 51 e João 13:1-20 são muitas vezes citados para confirmar esta posição.

Esta visão de I João 1:9 tem mais motivos para ser elogiada do que a anterior. “A confissão faz bem à alma” é uma verdade evidente que se aplica a todas as eras e dispensações. De facto, Provérbios 28:13 diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”.

(Nem vale a pena nos determos muito tempo com a tradição católica de confissão auricular, pois apenas I Timóteo 2:5 basta para mostrar o erro desta tradição: “Porque há… um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”)

Como crente, em tempos esta visão parecia‑me ser lógica, equilibrada e correcta. Eu conhecia muitos respeitáveis ensinadores da Bíblia que ensinavam isto. Contudo, ao longo dos anos, creio que o Espírito de Deus estava a “picar” a minha consciência para me mostrar coisas que revelavam as falhas desta abordagem. Entre elas estavam:

  1. Baseia‑se num sistema de desempenho com bênçãos condicionais, que desviam o meu olhar de Cristo e da Sua graça para a minha própria fidelidade (ou geralmente falha) em confessar.
  2. Se aquilo em que eu acreditava em relação à confissão estava certo, provavelmente eu estava “fora de comunhão” a maior parte do tempo, bem como a maior parte dos crentes.
  3. Há muitas coisas em I João 1 que são inconsistentes com esta visão.
  4. Em relação à popular ilustração pai‑filho, várias questões retóricas podem ser colocadas para mostrar a sua fragilidade. E se o filho não confessar o erro? Deverá o pai mostrar‑se frio para com ele até que o faça? Que tipo de pai isso faria dele? Será isto uma figura apropriada de como o nosso amado Pai celestial lida hoje com os seus filhos debaixo da graça? Além disso, a expressão “fiel e justo” descreve mais convenientemente um juiz numa sala de tribunal do que um pai na sala da casa de família.
  5. Tenho de admitir honestamente que considero extremamente difícil confessar os meus pecados diários numa base sistemática.
  6. Esta visão de I João 1:9 tem necessariamente de ocupar um ponto importante no sistema de crenças. Sem confissão regular de pecados, a promessa de purificação contínua é considerada nula e sem validade, resultando em comunhão quebrada. E quem quer estar fora da comunhão com Deus?
  7. Paulo, o apóstolo dos gentios, nada diz nos seus escritos sobre a confissão de pecados para perdão, para restituição da comunhão parental com Deus ou para outro fim.
  8. As epístolas de Paulo garantem‑nos total, completa e incondicional perdão para todos aqueles em Cristo Jesus.

Alguns exemplos devem bastar:

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).

“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2:13).

O perdão do crente é agora referido como uma transacção feita, já consumada. Não suplicamos por perdão diário mais do que devemos por redenção diária. Faz parte de “todas as bênçãos espirituais” com as quais já fomos abençoados (Efésios 1:3). Há outras passagens que falam da doutrina do perdão para a presente dispensação da Graça de Deus: Colossenses 1:14, 3:13, Romanos 4:5‑8, Actos 13:38-39.

É bem evidente que temos de encontrar uma melhor explicação para I João 1:9. Um bom sítio para começar e compreender o contexto da passagem é o versículo 6.
“Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.”

A questão chave é esta: Aqueles que “andam em trevas” são crentes ou descrentes? A resposta que encontrarmos para esta questão é crucial para a interpretação desta passagem. Se estes são crentes carnais, desobedientes ou apóstatas que andam em trevas, mentem se dizem que têm comunhão com Deus. Confissão de pecados nas suas vidas e “andar na luz” restaurará a comunhão. No entanto, se puder ser provado pelas Escrituras que estes são descrentes que falsamente professam comunhão, a posição “fora de comunhão” cai por terra, porque ninguém poderá demonstrar com sucesso uma restauração a algo que nunca teve.

Para vermos a que realmente se refere, comparemos estas três passagens:

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I João 1:6).

“Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I João 2:11).

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (I João 3:15).

Nota cuidadosamente na relação entre estes versículos e ao que eles ensinam.

  1. Aquele que odeia a seu irmão “anda em trevas”. (A palavra irmão nesta passagem não indica que aquele que odeia é um irmão crente. Refere-se sim à relação racial da irmandade judaica descrita em Romanos 9:3. Embora eles fossem parentes na carne, é bem claro nos escritos de João que o judeu que crê em Jesus Cristo deve estar preparado para suportar a ira e o ódio dos seus irmãos israelitas descrentes.)
  2. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida.
  3. Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.

Conclusão: Aquele que anda em trevas não tem a vida eterna permanecendo nele, ou seja, é descrente.

Quando compreendemos tal, a teoria da restauração à comunhão cai por terra como um castelo de cartas. Tiremos todas as dúvidas das nossas mentes. Um estudo harmonioso das Escrituras revela que a associação consistente e uniforme às trevas, quer seja na Palavra de Deus em geral ou nos escritos de João (neste caso em particular), é relativa ao perdido (João 1:5, 3:19-21, 8:12, 12:35-36,46, Actos 26:18, II Coríntios 4:4-6, 6:14, Efésios 5:8, Colossenses 1:13, I Tessalonicenses 5:4-5, I Pedro 2:9).

Poderá alguém argumentar: “E o homem de I Coríntios 5 que vivia em imoralidade? E os crentes de Gálatas de quem Paulo disse “depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6)? E Pedro, quando teve de ser repreendido por Paulo pela sua hipocrisia entre os gentios (Gálatas 2:11-14)? Não pode ser dito que eles “andavam em trevas”? Claro que não! Certamente nos ajudará a compreender tal princípio, se repararmos que João não se refere a como eles andam mas onde eles andam. É a sua posição permanente em Cristo. Todos os descrentes têm a sua posição fora de Cristo e assim andam em trevas. Todos os crentes, tanto no programa do Reino como no corpo de Cristo, têm a sua posição nele e andam na luz. Um crente não pode andar nas trevas, tal como um descrente não pode andar na luz.

É por isso que o pecado na vida do crente é tão grave. Quando um crente peca, ele fá‑lo “na luz”. Um dia um pregador falou sobre “Os pecados dos santos”. No fim do culto, uma mulher criticou‑o, dizendo que os pecados dos crentes não são como os dos descrentes, ao que ele responde: “Sim, os dos crentes são muito piores”.

Ao compreendermos que “andar na luz” é exclusivo do crente, torna‑se claro o versículo seguinte.

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7)

Tomemos atenção à natureza condicional desta promessa. A purificação pelo sangue depende de andarmos na luz. De facto, os versículos 6 a 10 contêm o condicional “se”. Trata‑se de um teste da realidade espiritual. Durante muitos anos eu fazia uma grande confusão sobre isto. Eu lia esta passagem como se dissesse “se andarmos de acordo com a luz, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Eu pensava que queria dizer que se eu tivesse cuidado em obedecer aos mandamentos de Deus e andasse de acordo com a luz, Ele limpar‑me‑ia. O que na prática é outra maneira de dizer que ele me purificaria quando eu não precisava de purificação.

No entanto, quando o versículo é devidamente compreendido, percebemos que o mais vil pecador tem esta purificação quando vem para a luz de Deus pela fé em Jesus Cristo. O versículo não diz “se andarmos de acordo com a luz”, mas “se andarmos na luz”. Novamente, não é como andamos, mas sim onde andamos, que está em causa. É andar na presença de Deus como uma posição permanente.

A Confissão de Pecados – Parte 1 Janeiro 10, 2010

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“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

A Culpa e Provisão de Deus

A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. É uma das armas mais eficazes de Satanás contra os filhos dos homens. Psiquiatras e médicos dizem‑nos que a culpa não resolvida é a principal causa de doenças mentais e suicídios. Mais de metade dos hospitais estão ocupados por pessoas que sofrem de doenças do foro emocional. A culpa destrói relações, tanto entre pessoas, como entre pessoas e Deus. Não podemos perdoar livremente enquanto não tivermos recebido o perdão de Deus.

O nosso Pai gracioso e amoroso proporciona uma libertação total e completa do pecado e da culpa. Mas se acreditarmos numa mentira e formos incapazes de lidar com a culpa da maneira como Deus lidou com ela, caímos numa cilada, e ela torna‑se na arma mais penosa e cruel usada contra nós.

A culpa é o sentimento moral de culpabilidade que cada um de nós sente quando sabemos que fizemos algo de errado. Não é necessariamente má, porque diz‑nos que pecámos e que algo deve ser feito em relação a isso. Tal como os nossos corpos doem quando estão doentes ou se magoam, assim a nossa consciência dada por Deus deveria doer quando violamos o que sabemos que é correcto.

Para começar, devemos compreender que Deus não lidou com o problema da culpa sempre da mesma forma durante todo o tempo da história bíblica. É de extrema importância saber isto, porque muitos dos problemas relacionados com culpa são piorados por pessoas que tentam obedecer aos mandamentos de Deus dados noutras dispensações. Por exemplo, sob a Lei de Moisés, os filhos de Israel eram ordenados a “afligir as suas almas” enquanto o sumo sacerdote fazia expiação pelos seus pecados através do sacrifício de um animal (Levítico 16:29-31). O escritor de Hebreus fala sobre este Dia da Expiação e da incapacidade da Lei em providenciar um perdão completo.

“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:1-4).

Embora esta tenha sido uma misericordiosa provisão para o Israel de então, a Lei era inadequada para tornar a consciência dos adoradores perfeita em relação ao problema da culpa. O próprio facto de que os sacrifícios tinham de ser repetidos era uma lembrança constante de que o perdão de Deus era dado aos bocados, isto é, às prestações. O perdão nunca era completo. Era de esperar que o povo de Deus lamentasse e afligisse as suas almas, o que é o oposto de uma consciência perfeita. De facto, longe de ser uma resposta satisfatória para a culpa, Paulo diz‑nos de forma inequívoca por que razão a Lei foi dada:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19).

Na Sua graça, Deus providenciou o sistema de sacrifícios da Lei para expiar (cobrir) os pecados do Seu povo até que o “precioso sangue de Cristo” pudesse ser derramado, de forma a comprar para nós a redenção eterna. Aqueles que viveram antes da Cruz eram salvos “a crédito”, por assim dizer, até que a plenitude dos tempos (pela obra redentora de Cristo na Cruz) chegasse para a completa remoção dos nossos pecados. Mesmo nas passagens do chamado Novo Testamento, o perdão era condicional e portanto incompleto (Mateus 6:12-15, 18:34-35, Marcos 11:25-26, Lucas 6:37). No tempo dos Evangelhos, a revelação do Mistério, através do Apóstolo Paulo pelo Cristo ascendido e glorificado, seria algo ainda a acontecer no futuro. E assim o ponto alto da revelação divina relativa ao completo perdão de pecados permaneceu ausente até esse tempo. Tudo isto é essencial para a compreensão do resto deste artigo.

As variantes de interpretação de I João 1:9

Com isto em mente, há uma passagem que tem causado enorme dano e detrimento para com o povo de Deus. Não porque o próprio versículo seja imperfeito, porque toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa, mas porque os líderes religiosos o têm interpretado de forma miserável e aplicado o seu significado original de forma incorrecta. O que torna isto ainda mais trágico é que tal não tem origem entre os inimigos de Cristo, mas sim entre crentes sinceros, respeitáveis e que acreditam na Bíblia. O versículo é I João 1:9.

Para vermos este versículo no seu contexto, consideremos piedosamente esta passagem de I João 1.1-10.

1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida
2 (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);
3 O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão connosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.
4 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.
5 E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nEle trevas nenhumas.
6 Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
7 Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10 Se dissermos que não pecamos, fazêmo-lO mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.

Estamos certos de que compreendemos o versículo 9 no seu contexto? Vejamos. Embora existam muitas variantes da interpretação deste versículo, há três que são mais populares:

1. É um versículo de salvação que diz ao pecador como receber hoje o perdão de pecados.
2. É um versículo de restauração:
a) Restaurar alguém para salvação;
b) Restaurar alguém para comunhão.
3. É um versículo pertencente aos judeus sob o programa do Reino (Profecia) e tem pouca ou nenhuma aplicação aos gentios de hoje sob o programa do Corpo de Cristo (Mistério).

Por uma questão de tempo e espaço, passemos à frente dos números 1 e 3 e analisar directamente o número 2. Os outros dois tornar‑se‑ão claros com a compreensão da passagem.

Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Salvação

A variante 2.a) é a mais fácil de responder. Esta é a visão de que uma pessoa salva pode perder‑se novamente devido a uma recaída, a carnalidade, a falta de fé, etc..
Muitas vezes é dito que os pecados do crente foram perdoados até que este foi salvo. A partir daí, os méritos da morte de Cristo servem‑lhe apenas se ele for fiel em confessar os seus pecados a Deus e assim permanecer limpo aos Seus olhos.

Em primeiro lugar, a regeneração ou novo nascimento é uma experiência única no tempo. Nenhuma passagem bíblica fala de nascer de novo várias vezes. Enquanto andei na universidade, assisti a três reuniões evangelísticas numa tenda com alguns amigos. Não pude deixar de reparar que cada noite as mesmas pessoas iam à frente depois da pregação para receber perdão. Uma noite o evangelista citou I João 1:9 e afirmou que ninguém com pecados por confessar entraria no Céu. Quando insisti com ele após a reunião para que me esclarecesse sobre isto, ele acabou por admitir que provavelmente João se referia a pecados mais graves. Isto sublinha outro problema com esta visão. Quantos pecados Deus permitiu que Adão e Eva cometessem antes que Ele os lançasse fora da Sua presença no Jardim do Éden? Apenas um. E tudo o que eles fizeram foi comer do fruto que Deus tinha proibido. Quantos pecados não perdoados serão necessários para que sejamos condenados à perdição eterna? Apenas um. Deus é santo e tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a aberração não pode contemplar. Se sermos perdoados depende da nossa confissão de pecados, é bom que não nos esqueçamos de um único pecado.

A segunda razão pela qual I João 1:9 não se pode referir a restauração para salvação é a de que a salvação é um dom gratuito. É dado pela graça de Deus não só para os indignos, mas para os que merecem exactamente o oposto, a condenação. Se Deus anulasse a Sua dádiva, isso torná‑lO-ia mais gracioso para os Seus inimigos do que para os Seus filhos. Deus não retira a sua dádiva se nos tornarmos indignos. Na verdade, nós nunca fomos dignos.

Em terceiro lugar, Deus deseja que gozemos a dádiva da salvação. A salvação pertence ao Senhor. A única responsabilidade do homem é crer. Quererá Deus que vivamos as nossas vidas cristãs com uma nuvem sobre as nossas cabeças? Aqueles que crêem que ser perdoado depende da contínua confissão de pecados, cedo descobrirão que a sua experiência cristã se tornou em “dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de densas trevas”.

As Escrituras dizem‑nos que ao crermos que o Senhor Jesus morreu por nós e ressuscitou somos selados com o Espírito Santo até ao dia da redenção. Nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Efésios 1:13-14, Romanos 8:31-38). Com o Evangelho da Graça de Deus, temos o prazer de anunciar o perdão total de pecados. Isto traz paz, gozo e estabilidade. Disto falaremos mais adiante.

Baptismo na água – Está incluído no programa de Deus para hoje? – Parte 2 Outubro 25, 2009

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Paulo sobre o baptismo

Será interessante examinar I Coríntios 1.14-17, uma das poucas passagens onde Paulo menciona o baptismo na água.

No versículo 14 ele diz: “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós baptizei, senão a Crispo e a Gaio”; e no versículo 16 acrescenta “a família de Estéfanas”. Para além destes, ele não se lembrava de ter baptizado quaisquer outros Coríntios. O facto importante nesta porção é que ele escreve dizendo que está agradecido a Deus por não ter baptizado quaisquer outros. Se Paulo tivesse sido comissionado: “Ide… ensinai… baptizando…” (Mateus 28.19), como os onze apóstolos, poderia ter escrito isto? Poderia ele devidamente agradecer a Deus por descurar aquilo que era o seu claro dever? Alguns daqueles que defendem a prática do baptismo na água são rápidos em salientar que a razão para esta afirmação se encontra no versículo 16: “Para que ninguém diga que fostes baptizados em meu nome”.

Claro que isto é verdade, mas permanece o facto que Paulo agradeceu a Deus por não ter baptizado mais ninguém, quando não deveria, nem teria escrito tal afirmação se ele tivesse sido enviado como os onze apóstolos a baptizar tal como a pregar. Pedro, por exemplo, não poderia ter dito isto, porque estaria agradecido por ter quebrado um mandamento directo do Senhor. Pessoas haviam sido salvas através do apóstolo Paulo e vieram a gloriar­se: “Eu sou de Paulo”. No entanto, Paulo nunca agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido salvo através dele. Ele apenas agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido baptizado por ele.

Mas ainda não considerámos o versículo mais importante nesta porção, o versículo 17. “Porque Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar”. Quão diferente é esta comissão da dos onze! Eles foram claramente enviados a baptizar como a pregar, mas Paulo diz claramente: “Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar…”. Há alguns que quebram a força desta passagem, parafraseando­a como “Cristo enviou­me, não para baptizar principalmente, mas para evangelizar”, mas podem provar que ele foi enviado a baptizar? Não podem! O seu argumento é um recurso de emergência e denuncia uma falta de compreensão da essência da natureza do ministério de Paulo.

Alguns versículos debatidos

Há o perigo de supor que, quando Paulo fala de baptismo, ele se refere ao baptismo na água. Devemos lembrar com cuidado que as palavras “baptismo” (do grego “baptisma”) e “baptizar” (do grego “baptizo”) de maneira nenhuma se referem sempre ao baptismo na água. Uma vista de olhos a passagens como Mateus 3.11, Marcos 10.38,39 e Lucas 12.50 tornarão isto muito claro. Estas passagens são escolhidas dos mesmos livros onde o baptismo na água é mais notório.

Vamos debater brevemente algumas das referências ao baptismo que são muito usadas, especialmente pelos nossos amigos Baptistas, mas que certamente não têm qualquer relação com o baptismo na água.

Primeiramente, examinaremos os primeiros seis versículos de Romanos 6:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?”
“De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na Sua morte?”
“De sorte que fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.”
“Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição;”
“Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Romanos 6.1-6).

O versículo 3 não pode ser bem ajustado ao baptismo na água, porque o baptismo na água não nos baptiza na morte de Cristo, nem nos faz andar em “novidade de vida” referida no versículo 4. Apenas o poder do Espírito Santo pode operar estas coisas. Mas há mais no versículo 4 que indica que não se refere ao baptismo na água, porque diz­nos que “fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, COMO CRISTO RESSUSCITOU DOS MORTOS PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM andemos NÓS TAMBÉM em novidade de vida”. Certamente este baptismo não é obra dos homens, mas a obra de Deus ao baptizar­nos na morte de Cristo. Note­se que de acordo com o versículo 6, nós fomos crucificados “com Ele”, embora não tenhamos sido crucificados fisicamente. Da mesma forma somos sepultados “com Ele” de acordo com o versículo 4. Se a crucificação não é física, também não o é o sepultamento. O sepultamento do versículo 4 é a consequência natural da nossa crucificação com Cristo, “para que o corpo do pecado seja desfeito”. A esta crucificação e sepultamento segue­se naturalmente a ressurreição “com Ele”, referida no versículo 8 e em Efésios 2.5. Tudo isto é obra de Deus através do Espírito Santo. No momento em é colocada água numa porção das Escrituras como esta, toda a sua força e significado são destruídos.

Há outro versículo que é muitas vezes utilizado por aqueles que praticam o baptismo na água. Trata-se de Gálatas 3.27:

“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.”

Quantas vezes crentes sinceros que não foram baptizados são instigados a “revestir­se de Cristo” pelo baptismo na água! Mas é a ordenança do baptismo na água que coloca o homem “em Cristo”? Alguns argumentam que a tradução deveria ser: “Todos quantos fostes baptizados até Cristo, já vos revestistes de Cristo. É o baptismo na água que nos dá acesso a alguma relação com Cristo? É por este rito que o homem se “reveste de Cristo”? Certamente todas as Escrituras respondem “NÃO!” É apenas pela graça por meio da fé que os homens são colocados em ou trazidos até Cristo. E vejam­se os milhares de descrentes que têm sido baptizados na água. O pastor celebrante pode ter sido profundamente sincero, mas ele não poderia pela água baptizar o candidato em Cristo. Apenas os crentes podem ser baptizados em Cristo e, graças a Deus, todos o foram!

A seguir talvez devamos considerar a declaração esplendorosa encontrada em Colossenses 2.10-13. Esta é, na minha opinião, uma das mais benditas porções de todo o Novo Testamento.

“E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade;
“No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.”
“Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos.”
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2.10-13).

Enquanto consideramos esta passagem, não nos esqueçamos deste grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Examinemos cuidadosamente os detalhes:

Versículo 11: “No Qual também estais circuncidados.”
O versículo continua com um cenário de morte. Era isso que a circuncisão representava. Certamente não devemos praticar a circuncisão hoje. Todo o verdadeiro crente foi sepultado com Cristo.

Versículo 12: “Sepultados com Ele no baptismo”.
Nós não fomos circuncidados ou crucificados fisicamente. Nós não morremos fisicamente. Nós morremos com Cristo. Nem é o baptismo aqui o sepultamento físico na água. Nós fomos “sepultados com Ele”, tal como fomos crucificados com Ele. Não é o baptismo na água que é referido aqui, mas identificação com Cristo no Seu sepultamento.

Versículo 13: “Vós estáveis mortos… vos vivificou juntamente com Ele”.
Assim, eu fui sepultado e ressuscitado com Ele da mesma forma que morri com Ele, quando pela fé O aceite como me substituto e representante pessoal.

Tudo isto concorda com o grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Somos feitos perfeitos nele quando o Espírito Santo através do Seu poder regenerador nos identifica com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição.

Que bênção quando o crente toma consciência disto! Quão desonroso é para o Senhor quando se adiciona um acto religioso para nos tornar perfeitos a Seus olhos! Não nos devemos esquecer que, na medida em que acrescentamos importância ao que o homem faz, tiramos glória à obra consumada de Cristo.

Um só baptismo

Para terminar, consideremos Efésios 4.3-6:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz:”
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;”
“Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo;”
“Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Efésios 4.3-6).

Nesta passagem encontramos as expressões “um só” ou “uma só” sete vezes. Não é estranho, visto que no versículo 3 encontramos essa preciosa palavra “unidade”. “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Foi David quem disse: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” Como poderemos ter esta bendita unidade na Igreja de Cristo? É exactamente isto que esta passagem nos diz. Temos de compreender totalmente que “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé…” Até aqui a maioria dos filhos de Deus estão de acordo, mas quando chega a “um só baptismo”, há discórdia. Embora muitos dos nossos irmãos Baptistas concordem que se refere ao baptismo do Espírito Santo, outros dizem que a imersão é o “um só baptismo”, mas já se viram as palavras “Um só baptismo” inscritas em baptistérios em Igrejas onde se praticam a aspersão ou o derramamento. Infelizmente há muitos baptismos na Igreja de hoje. Grandes homens de Deus e poderosos defensores da fé estão uns contra os outros neste importante assunto. Como poderá haver a unidade do Espírito enquanto não reconhecermos o UM SÓ baptismo?

Graças a Deus, “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito formando um corpo”.Que Deus não permita que se acrescente o que quer que seja ao “um só baptismo” que nos une com Cristo e com o Seu povo e nos torna perfeitos nEle.

Oramos sinceramente a Deus para que esta bendita verdade possa ser aceite por crentes sinceros em todo o lado.

(Por Cornelius R. Stam)