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	<title>Conhecer o Mistério &#187; Estudos</title>
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	<description>Estudos Dispensacionais</description>
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		<title>Conhecer o Mistério &#187; Estudos</title>
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		<title>A parábola tripla de Lucas 15</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 20:26:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[“Interpreta primeiro; depois aplica.” Esta é uma regra básica do estudo da Bíblia. A falha no cumprimento desta regra conduzirá inevitavelmente à confusão e ao erro. Esta parábola tripla[1] de Lucas 15 é um bom exemplo disso mesmo. Estas palavras, tal como todas as Escrituras, foram escritas “para nosso ensino” (Romanos 15:14) e “para aviso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=231&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Interpreta primeiro; depois aplica.” Esta é uma regra básica do estudo da Bíblia. A falha no cumprimento desta regra conduzirá inevitavelmente à confusão e ao erro.</p>
<p>Esta parábola tripla[1] de Lucas 15 é um bom exemplo disso mesmo. Estas palavras, tal como todas as Escrituras, foram escritas “para nosso ensino” (Romanos 15:14) e “para aviso nosso” (I Coríntios 10:11), mas elas não foram originalmente dirigidas a nós. Elas foram dirigidas a uma audiência de judeus numa altura em que Israel ainda era a nação favorecida por Deus. Assim, se pretendemos ser “ensinados” e “avisados” por estas palavras, devemo-nos primeiramente colocar no lugar do destinatário original e determinar o que o nosso Senhor pretendia que eles entendessem das Suas palavras. Só depois poderemos ver de que forma essas lições se aplicam a nós.</p>
<p>Esta é a única forma para verdadeiramente compreender e tirar proveito de passagens não dirigidas a nós. Se em vez disso começarmos a aplicar estas parábolas directamente a nós, como se tivessem sido dirigidas a nós e se referissem a nós, certamente falharemos na sua compreensão, interpretação e aplicação.</p>
<p>Quantas vezes a história da ovelha perdida tem sido usada em mensagens evangelísticas como uma ilustração da salvação nos dias de hoje! Supostamente as noventa e nove ovelhas representam os salvos, “seguros no curral”, e a ovelha perdida os perdidos. Mas o que dizer sobre as palavras do Senhor, sobre o serem muitos os que entram pela “porta larga” e poucos os que entram pela “porta estreita” (Mateus 7:13-14)? E porque deixa o pastor as noventa e nove? E porque o Senhor compara estas ovelhas a “justos que não necessitam de arrependimento”?</p>
<p>O mesmo se passa com a história do filho pródigo. Supostamente esta parábola é uma ilustração da necessidade e do caminho da salvação nesta presente dispensação da Graça de Deus. Sendo assim, porque são ambos os homens referidos como sendo filhos e ambos feitos participantes das riquezas do pai ainda antes de um deles ser salvo? E porque diz o pai ao filho que se considerava justo: “Todas as minhas coisas são tuas”? Tudo isto é deixado por explicar.</p>
<p>E todas estas questões ficarão sem resposta se não nos ocuparmos primeiramente com a verdadeira interpretação das palavras do nosso Senhor, e só depois da aplicação, ou se não tivermos em conta que os destinatários destas palavras eram judeus, sob a Lei, que eles não tinham as epístolas Romanos, Gálatas ou Efésios, que Cristo ainda não tinha morrido e que muitos deles nem o reconheciam como Messias.</p>
<p>Quando o fizermos ficará claro, em primeiro lugar, que esta é uma parábola gradual relativa a Israel. Quase conseguimos imaginar vozes de protesto: “Será que nos vão tirar também esta passagem?!”, ao que respondemos “Não!” Esta passagem, tal como o resto das Escrituras, é para nós, mas tiraremos mais dela se reconhecermos primeiramente a quem estas palavras foram originalmente dirigidas. Fazendo isto, cremos que o leitor verá por si mesmo que não perdeu nada e ganhou muitíssimo.</p>
<p><strong>A ocasião da parábola</strong></p>
<p>“E chegavam-se a Ele todos os publicanos e pecadores para O ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: &#8216;Este recebe pecadores e come com eles’.” (Lucas 15:1-2)</p>
<p>Foi a ideia de justiça própria dos fariseus e escribas que provocou esta parábola tripla. João Baptista tinha exortado estes líderes a produzir frutos dignos de arrependimento (Mateus 3:8), mas eles não viram necessidade de mudar os seus caminhos. Sobre eles lemos: “Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por ele (João Baptista)” (Lucas 7:30).</p>
<p>A sua presunção era quase inacreditável. Numa ocasião, o homem a quem o Senhor tinha curado da sua cegueira de nascença ousou dizer-lhes: “Se Este não fosse de Deus, nada poderia fazer”, ao que eles responderam muito irritados: “Tu és nascido todo em pecados e nos ensinas a nós?” (João 9:33-34). Como se eles não tivessem nascido em pecados!</p>
<p>E agora eles murmuram contra o Senhor por receber pecadores e comer com eles. Claro que eles não eram pecadores! E eles tinham um surpreendente número de seguidores em Israel: justos aos seus próprios olhos, satisfeitos consigo mesmos, não sentindo necessidade de arrependimento.</p>
<p>Foi esta a situação que originou a parábola tripla da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo.</p>
<p><strong>A ovelha perdida</strong></p>
<p>O Senhor começa por responder aos seus críticos perguntando-lhes: “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” (Lucas 15.4).</p>
<p>Ele afirma que mesmo eles não seriam capazes de ignorar o balido de uma ovelha perdida. Eles não seriam capazes de deixar passar despercebida aquele apelo ou deixar a criatura indefesa a morrer sozinha.</p>
<p>E então ele continua a descrever a satisfação quando a ovelha perdida é encontrada. Colocando a criatura nos seus ombros, o pastor trá-la para casa e chama os seus amigos e vizinhos para se alegrarem com ele.</p>
<p><strong>Quem é o pastor?</strong></p>
<p>Na interpretação da parábola da ovelha perdida, devemos primeiro perguntar o que representa o pastor. Só pode haver uma resposta a esta questão. Representa o Próprio Senhor. Os Salmos e os profetas retratavam há muito o Messias vindouro como um Pastor, e mesmo na Terra Ele mesmo disse: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10.11).</p>
<p><strong>Quem são as ovelhas?</strong></p>
<p>Devemos dizer que elas representam a humanidade? Certamente que não, porque em lado nenhum nas Escrituras vemos Cristo como Pastor da humanidade. Nem foram alguma vez os gentios classificados como ovelhas. Eles eram chamados cães e estranhos, mas nunca ovelhas.[2] É verdade que os membros do Corpo de Cristo são vistos como ovelhas por ilação[3], mas isso não se pode aplicar aqui, porque não há ovelhas perdidas entre os membros do Corpo de Cristo. Além disso, o que poderiam os Seus ouvintes saber sobre o Corpo de Cristo? Nesse tempo a formação deste conjunto de crentes ainda era um mistério “oculto em Deus” (Efésios 3:9).</p>
<p>As ovelhas nesta parábola representam o povo de Israel. Qualquer judeu instruído teria reconhecido isto imediatamente. Muitos dos Salmos apresentavam Israel como ovelhas do pasto de Deus (Salmos 78:52, 79:13, 95:7 e 100:3, entre outros) e os profetas há muito descreviam o Messias como o futuro Pastor de Israel (Isaías 40:11 e Jeremias 31:10, entre outras).<br />
Isto explica a razão pela qual todas as cem ovelhas na parábola, independentemente do seu estado, são vistas como Suas ovelhas. Hoje, os perdidos não são de maneira alguma Suas ovelhas, mas o povo de Israel, quer salvos quer perdidos, tinham uma relação de concerto com Deus.</p>
<p>O facto de que as ovelhas perdidas são ovelhas perdidas de Israel, e não gentias, é provado pelas palavras do próprio Senhor. Quando Lhe foi pedido auxílio pela mulher siro-fenícia, Ele disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel&#8230; Não é bom pegar o pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos” (Mateus 15:24,26).</p>
<p>O nosso Senhor ordenou de forma clara aos seus discípulos: “Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10:5-6)</p>
<p><strong>Quantas ovelhas perdidas?</strong></p>
<p>É um facto interessante que todo o povo de Israel era visto pelos profetas como ovelhas perdidas que precisavam de ser encontradas e resgatadas. Falando do povo de Israel, Isaías disse: “Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desvia pelo seu caminho&#8230;” (Isaías 53:6). E Jeremias: “Ovelhas perdidas foram o meu povo” (Jeremias 50:6).</p>
<p>Mas o problema era que muito poucos em Israel reconheceram a sua condição de perdidos. Havia apenas um em cem; os restantes sentiam-se bastante bem com eles mesmos.</p>
<p>Muita atenção! As noventa e nove ovelhas da parábola não estavam “seguras no curral”, como alguns dos nossos hinos poderão indicar. Elas estavam no deserto, se bem que todas juntas. Mas o Senhor diz que o pastor “deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida ate que venha a achá-la. A ideia aqui é a de que o Senhor veio não para “chamar os (que pensam ser) justos, mas sim os pecadores” (Marcos 2:17). Ele veio para “buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10; comparar com Lucas 15:7).</p>
<p><strong>Contexto histórico</strong></p>
<p>Antes de começar com a segunda fase da parábola tripla, devemos saber onde se encaixa cronologicamente a história da ovelha perdida. O nosso Senhor referia-se ao passado, presente ou futuro de Israel? Não é difícil determinar, pois houve um único período na História durante o qual o Próprio Pastor veio buscar os perdidos em Israel, o que aconteceu durante o Seu ministério terreno. Isto concorda com as Suas próprias afirmações de que Ele foi “enviado&#8230; às ovelhas perdidas da casa de Israel” e que “veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Mateus 15:24; Lucas 19:10).</p>
<p><strong>A dracma perdida<br />
Quem é a mulher?</strong></p>
<p>Comecemos a interpretação da parábola da dracma perdida por perguntar primeiro quem é a mulher. Será que ela representa a Igreja de hoje, como tem sido dado a entender tantas vezes? Dificilmente, pois a Igreja de hoje era nesse tempo ainda um mistério escondido em Deus, pelo que o nosso Senhor não se poderia ter referido a ela, nem poderiam os Seus seguidores mais espirituais perceber qualquer alusão àquilo que nunca havia sequer sido mencionado.</p>
<p>Deve ser notado que, qualquer que seja a dispensação, o povo de Deus é sempre visto como a mulher, o vaso mais fraco, amado e cuidado por Ele e chamada para ser sujeita a Ele.</p>
<p>É o que acontece com a Igreja de hoje: “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja, sendo Ele próprio o Salvador do Corpo&#8230; vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:23, 25).<br />
Mas também acontece com Israel, porque Deus disse, sob a Lei: “… eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado” (Jeremias 31:32).</p>
<p>A Israel foi dado um “libelo (carta) de divórcio” (Isaías 50:1), mas um dia ela será restaurada a Jeová, como está escrito: “&#8230; como o noivo se alegra com a noiva, assim se alegrará contigo o teu Deus” (Isaías 62:5) e “&#8230; ó filha da Sião&#8230; o Senhor, o Rei de Israel, está no meio de ti&#8230; poderoso para te salvar; Ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-à por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:14-17).</p>
<p>Em João 3:29, Cristo é apresentado como “Aquele que tem a esposa”, enquanto que em Apocalipse 21:2 vemos a Nova Jerusalém, de Deus descendo do Céu, “como uma esposa ataviada para o seu marido”.</p>
<p>Assim, o povo de Deus é visto de forma consistente como a mulher na sua relação com Ele. Então, a quem se refere a mulher na parábola do Senhor? Aos remidos em Israel, visto que os seus ouvintes eram israelitas. Dizemos aos remidos em Israel e não a todo o Israel, visto que aqui a mulher é apresentada a procurar o que se havia perdido.</p>
<p><strong>A dracma</strong></p>
<p>A dracma perdida, tal como a ovelha perdida, representa os perdidos em Israel, ou aqueles que se sentem perdidos, mas qual a razão da mudança no simbolismo? O dinheiro é, claro está, um meio de troca. Representa valor. Assim, as dez dracmas representam o valor de Israel para as nações.</p>
<p>Na parábola anterior foi a compaixão por uma ovelha perdida que impeliu o pastor a ir e encontrá-la. O seu primeiro pensamento não foi o de que ele havia investido dinheiro nela, mas que a criatura indefesa precisava de ser resgatada do perigo e da morte. Mas nesta parábola a motivação é apenas a preocupação pelo valor perdido.</p>
<p>Quando a mulher descobre que perdeu uma moeda, ela “acende uma candeia, e varre a casa, e busca diligentemente até a achar”. Então ela chama as suas amigas e vizinhas para se alegrarem com ela por ter encontrado o seu dinheiro. Isto leva-nos ao valor de Israel para as nações, visto que a benção das nações aguarda pela salvação de Israel.</p>
<p>Deus havia prometido a Abraão, em relação à sua semente multiplicada: “E em tua semente serão benditas todas as nações da terra…” (Génesis 22:18)<br />
Mas Israel no seu estado não regenerado não poderia ser uma benção para o mundo. Por isso o profeta Zacarias disse: “E há de acontecer, ó casa de Judá e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis uma benção&#8230;” (Zacarias 8:13).</p>
<p>Portanto, o povo de Israel era de grande valor potencial para o mundo. Notemos, no entanto, que toda a atenção é focada na dracma perdida e todo o regozijo acontece quando é encontrada. As outras nove dracmas, tal como na parábola anterior, representam aqueles que não se consideravam perdidos e não sentiam qualquer necessidade de arrependimento.</p>
<p><strong>Contexto histórico</strong></p>
<p>Mas também aqui devemos perguntar onde se encaixa cronologicamente a história. Alguns detalhes na parábola ajudarão a responder a esta questão.<br />
Em primeiro lugar, o facto de que a mulher, e não o Próprio Senhor, é enviada a procurar a dracma, indica que esta parábola fala de um tempo em que o Seu povo, e não Ele, procurava os perdidos em Israel. Isto aconteceu em Pentecostes e depois, quando os doze apóstolos e o “pequeno rebanho” dos seguidores de Cristo chamaram o povo de Israel a arrepender-se e salvar-se daquela “geração perversa” (Actos 2:40).</p>
<p>É de notar que nesse tempo o valor de Israel para o resto do mundo era fortemente enfatizado como, por exemplo, no apelo de Pedro no alpendre de Salomão: “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra. Ressuscitando Deus a Seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades” (Actos 3:25-26).</p>
<p>Esta visão do contexto histórico da parábola da dracma perdida é ainda mais confirmada pela sua posição entre a parábola da ovelha perdida e a do filho pródigo, que inquestionavelmente aponta para o futuro.</p>
<p><strong>O filho pródigo<br />
Israel, filho de Deus</strong></p>
<p>Certamente ninguém duvidará que o pai nesta Terceira parábola representa Deus, mas quem são os filhos? Novamente eles representam dois tipos de pessoas em Israel: os que se consideram a si mesmos justos e aqueles que reconhecem a sua condição de perdidos.</p>
<p>Claro que nem os pecadores que se consideram justos, nem os pecadores pródigos são chamados filhos de Deus, mas é aqui que entra novamente a relação de concerto com Deus. Aquilo que um pai é para um filho, Deus era para a Israel por causa dos concertos que Ele tinha feito com eles. Com o assunto da salvação completamente à parte, as pessoas do povo de Israel eram os Seus filhos do concerto[4] (Ver Mateus 15:26 e Actos 3:25). Assim, Moisés foi instruído para dizer a Faraó: “Assim diz o Senhor: ‘Israel é meu filho, meu primogénito’ “ (Êxodo 4:22).</p>
<p>Assim nesta parábola o simbolismo mostra-se superior ao da ovelha e da dracma. É mais do que compaixão por uma criatura perdida ou preocupação por causa do valor perdido que é contemplado aqui. É a filiação de Israel que está em consideração, bem como toda a comunhão, privilégio e glória que acompanham essa posição.</p>
<p><strong>O filho mais novo</strong></p>
<p>Nesta parábola é o filho mais novo que é “perdido” e depois “achado”. É para ele que o banquete é feito, o banquete no qual o irmão mais velho recusa participar. E isto é importante. Foi principalmente a geração mais nova que seguiu o nosso Senhor. Em geral, a geração mais velha não sentiu necessidade de arrependimento. Os fariseus e os saduceus, os escribas e os doutores da Lei, os principais dos sacerdotes e os principais do povo, todos eles se sentiam “suficientemente bons”. Numa ocasião eles exclamaram a alguns que ficaram impressionados com as palavras de Cristo: “Creu nEle porventura algum dos principais ou dos fariseus?” (João 7:48). E quando alguns dos líderes “cria” nEle, era apenas com o intelecto, e não com o coração, pelo que Jesus não confiava neles (João 2:23-3:3, 12:42-48).</p>
<p><strong>Contexto histórico</strong></p>
<p>É significativo que nesta última parte da parábola tripla não temos nada sobre procurar o perdido. Em vez disso temos o pai esperando em casa até que o filho errante torna em si e volta para casa. Assim, esta parábola olha para o futuro, quando Jeová dará as boas vindas a casa ao Seu filho Israel.<br />
Claro que a presente dispensação da graça não é contemplada nesta parábola. Vemos o filho mais novo, quando torna em si, no mesmo ponto onde uma futura geração de Israel se encontrará nos últimos dias: numa “terra longínqua”, “padecendo necessidades” e chegando-se a “um dos cidadãos daquela terra”.</p>
<p><strong>O regresso do filho pródigo</strong></p>
<p>Finalmente o filho pródigo torna em si. Reflectindo no facto de que os servos do seu pai têm abundância de pão, enquanto ele, o filho, perece de fome, ele diz:</p>
<p>“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: ‘Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros” (Lucas 15:18-19).</p>
<p>Que mudança foi operada neste jovem! Antes ele dizia “dá-me” (Lucas 15:12); agora pede “faze-me” (Lucas 15:19). Antes ele exigia tudo a que tinha direito; agora reconhece que não merece nada. Esta é uma notável figura do arrependimento de Israel quando tornar em si, como é referido por Jeremias: “Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, os Filhos de Israel virão, eles e os Filhos de Judá juntamente; andando e chorando, virão e buscarão ao Senhor, seu Deus.” (Jeremias 50:4).</p>
<p>O resto da história é uma comovente descrição do amor do Pai pelo seu filho renegado.</p>
<p>O que o filho esperava, na melhor das hipóteses, era que o pai lhe abrisse a porta.</p>
<p>“&#8230; E, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou” (Lucas 15:20).</p>
<p>Ah, o pai estava todo este tempo ansiosamente à espera que ele voltasse! E agora o errante, humildemente reconhecendo a sua indignidade de ser chamado filho do seu pai, estava prestes a pedir um lugar de servo.</p>
<p>“Mas o pai disse aos seus servos: trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado&#8230;” (Lucas 15:22-24).</p>
<p>Da mesma forma Deus receberá um dia Israel com alegria e banquete, como está escrito:</p>
<p>“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua servidão é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados” (Isaías 40:1-2).</p>
<p>“O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar; Ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17).</p>
<p>“E folgarei em Jerusalém e exultarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor.” (Isaías 65:19).</p>
<p>“E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem; e os plantarei nesta terra certamente, com todo o meu coração e com toda a minha alma” (Jeremias 32:41).</p>
<p>Mas a geração mais velha, que “não necessita de arrependimento” ficará, tal como o filho mais velho, de fora do banquete por sua própria escolha.</p>
<p><strong>A parábola tripla e nós</strong></p>
<p>Agora que procurámos interpretar correctamente as palavras do nosso Senhor, que lições podemos nós tirar delas e como pode esta parábola tripla aplicar-se a nós? A resposta é: deixando as coisas no lugar a que elas pertencem.</p>
<p>As parábolas do nosso Senhor descrevem as suas relações com Israel. As epístolas de Paulo descrevem o propósito de Deus relativamente ao Corpo de Cristo. Comparemos as duas e vejamos se perdemos ou ganhamos quando fazemos a distinção.</p>
<p>Tal como observámos, Deus nunca olhou para os gentios como ovelhas, nem está de forma alguma obrigado a vigiá-los como Pastor, porque “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso…” (Romanos 1:28). Os gentios são antes vistos como cachorrinhos (Mateus 15:26) e estranhos (Efésios 2:12). Na verdade, também o judeu está agora de parte (Romanos 11:15; Efésios 2:16-17).</p>
<p>Agora Deus tomou-nos, crentes judeus e gentios desta dispensação, e deu-nos um lugar muito mais elevado do que aquele que será ocupado por Israel no futuro. Israel é, afinal, o povo terreno de Deus. A sua vocação e a sua expectativa são terrenas. Quando convertidos eles habitarão na sua terra com Cristo como Rei em Jerusalém. Mas nós que temos confiado em Cristo nesta era da Sua rejeição somos feitos um com Ele através de um baptismo sobrenatural e é-nos dado um lugar à mão direita de Deus, abençoados com todas as bênçãos nos lugares celestiais em Cristo (Gálatas 3:26-27; Efésios 1:3). Que graça!</p>
<p>E de que valor eram os gentios no plano profético de Deus? Nenhum![5] Deus não traria bênção a este mundo através de qualquer gentio. A adopção, a glória, os concertos, a lei, a adoração no templo, as promessas, todas pertenciam a Israel (Romanos 9:4). Nós gentios estávamos “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12). Mas mesmo Israel, na sua presente condição, não tem valor para o mundo. Ainda assim Deus tomou-nos, judeus e gentios, e fez-nos um com o Seu Filho, do qual depende a esperança deste mundo. Ele fez de nós as obras-primas da sua graça:</p>
<p>“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para connosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:7).</p>
<p>Novamente, os gentios não são chamados filhos de Deus nas Escrituras. Somos antes vistos como estranhos e inimigos (Colossenses 1:21). Na verdade, Israel é agora Lo-ami: “Não sois Meu povo” (Oséias 1:9). No entanto Deus deu aos crentes judeus e gentios o lugar de filhos muito mais elevado do que o da nação de Israel. Israel era filho de Deus por uma relação de concerto. Nós somos filhos de Deus em Cristo, o Seu Filho unigénito.</p>
<p>“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; E se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” (Gálatas 4:6-7).<br />
E uma vez mais dizemos: que graça infinita, maravilhosa e sem par!<br />
Que seja o leitor a decidir: Temos a perder no reconhecimento de que nesta parábola o nosso Senhor não se referia aos gentios ou à salvação nesta presente dispensação? Não temos a ganhar incomensuravelmente com a compreensão e satisfação da Palavra quando deixamos a parábola no sítio à qual ela pertence e depois a examinamos à luz da revelação dada a Paulo?</p>
<p><strong>Cristo é a chave</strong></p>
<p>Cristo é a chave desta parábola tripla, tal como é de todas as Escrituras. É Ele que cumpriu a redenção daqueles que confiaram nEle durante o Seu ministério terreno bem como dos que confiam nEle agora. Como ovelhas, o povo de Israel falhou e dispersou-se. Para salvar as “ovelhas perdidas da casa de Israel”, o próprio Cristo teve de tomar o seu lugar com eles e tornar-se uma ovelha (ou cordeiro).</p>
<p>“&#8230; Como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca” (Isaías 53:7).</p>
<p>E o Seu sacrifício também tira o nosso pecado.</p>
<p>“Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29)</p>
<p>É interessante que foi uma dracma de prata que a mulher perdeu. Isto era o preço de redenção em Israel e lembra-nos da lei do parente redentor (Levítico 25:47-49). Israel era o parente rico dos gentios através do qual os gentios deveriam ser redimidos. Mas Israel, longe de redimir os gentios, estava falido e precisava ele mesmo de redenção. Assim Cristo nasceu, a semente de Abraão, para que Ele pudesse tornar-se no parente redentor de Israel (e nosso).</p>
<p>“Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; também sem dinheiro sereis resgatados” (Isaías 52:3).</p>
<p>“&#8230; Eu sou o Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, e o possante de Jacó” (Isaías 60:16).</p>
<p>“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro&#8230; mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós” (I Pedro 1:18-20).</p>
<p>“Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça.” (Efésios 1:7)</p>
<p>Outra vez, Israel era o filho de Deus (Êxodo 4:22), mas nunca alcançou o lugar de adopção, ou de filiação (de filhos adultos). Era necessário mantê-lo, tal como a uma criança, sob a Lei. Então Cristo, o filho perfeito de Deus, veio e tomou o lugar de servo, sob a Lei, por amor deles (e nosso). Por duas vezes o Pai rompeu os céus para exclamar: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo”, mas ainda assim morreu como um transgressor, por Israel (e por nós). Mas Ele ressuscitou dos mortos no terceiro dia e “declarado Filho [adulto] de Deus em poder… pela ressurreição dos mortos” (Romanos 1:4) Agora todos os crentes são aceites como filhos adultos de Deus no Amado (Efésios 1:5-6). Assim sendo, “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam debaixo da Lei, a fim de recebermos (nós, quer judeus, quer gentios) a adopção de filhos [6]. Assim que já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo (Gálatas 4:4-5, 7).</p>
<p><strong>(por Cornelius R. Stam) </strong></p>
<p>Notas:<br />
[1] Na verdade, as três parábolas de Lucas 15 formam um todo gradual. O Senhor contou “esta parábola” (versículo 3); as três parábolas referem-se a coisas perdidas; nos versículos 8 e 11, em vez de começar com outra parábola, continua com a sua ilustração.<br />
[2] No julgamento das nações o Senhor “apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32), mas isto será no futuro. Mesmo que nesta passagem alguns gentios sejam vistos como ovelhas, os gentios não eram vistos como ovelhas no tempos do Velho Testamento ou do nosso Senhor.<br />
[3] Actos 20:28: “rebanho”; Efésios 4:11: “pastores”.<br />
[4] Embora houvesse o facto de que os crentes podem desfrutar desta relação.<br />
[5] Se bem que cada indivíduo é de grande valor para Deus.<br />
[6] No grego, huiothesia, que significa ser colocado como filho adulto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/conheceromisterio.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/conheceromisterio.wordpress.com/231/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=231&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Ensino da Cruz</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 20:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[No artigo do boletim anterior (”Cristo e Este Crucificado”) iniciámos uma viagem tendo como primeira paragem a predição da Cruz. O rei David proporcionou-nos uma descrição clara acerca da crucificação de Cristo mil anos antes da sua ocorrência. O livro Salmo 22 é um testemunho notável da presciência de Deus. Retomando esta nossa viagem, vamos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=229&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No artigo do boletim anterior (”Cristo e Este Crucificado”) iniciámos uma viagem tendo como primeira paragem a predição da Cruz. O rei David proporcionou-nos uma descrição clara acerca da crucificação de Cristo mil anos antes da sua ocorrência. O livro Salmo 22 é um testemunho notável da presciência de Deus.</p>
<p>Retomando esta nossa viagem, vamos passar agora a considerar o ensino da Cruz. À medida que a nossa viagem prossegue, e esta nos leva a ter uma visão da crucificação, queremos agora estudar os eventos que precederam e se seguiram a este grandioso acontecimento histórico. Agora o apóstolo Pedro é o nosso guia, enquanto o drama da redenção se desenrola. À medida que o nosso conhecimento da Palavra de Deus aumenta, podemos colocar a seguinte questão: Exactamente o quê Pedro e os outros apóstolos do reino compreendiam e ensinavam acerca Cruz?</p>
<p><strong>Palavras mal acolhidas</strong></p>
<p>“Desde então, começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Mateus 16:21).</p>
<p>Aproximadamente um ano antes do ministério do nosso Senhor ter terminado, Ele começou a ensinar aos seus discípulos acerca da Sua morte iminente. Esta é mais uma notável referência sobre a divindade de Cristo. Nenhum de nós pode prever o lugar, tempo ou forma de como irá morrer, mas Cristo fê-lo! Mais uma vez, o Espírito de Deus demonstra-nos que tanto a soberania de Deus como a responsabilidade de homem são os principais elementos da crucificação. O termo “convinha” indica claramente que a morte de Cristo em Jerusalém estava de acordo com os planos e propósitos de Deus, os quais não podiam de forma alguma ser alterados. Isto está de acordo com a presciência de Deus, a qual permitiu que os líderes de Israel levassem a cabo o seu plano diabólico para executar o nosso Senhor. </p>
<p>Após o Senhor prever a Sua morte, as Suas palavras desagradaram profundamente a Pedro, o qual chamou o nosso Senhor à parte e começou a repreendê-lO: “Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso” (Mateus 16:22). Se Pedro estivesse ainda entre nós, de certeza iria ser o último a ser escolhido para dirigir um elevado ministério a nível nacional. Aos olhos de muitos, ele era impetuoso, ignorante e inculto: um simples e pobre pescador. Mas o Senhor viu algo em Pedro e continua a agir da mesma forma para com todos os crêem. No caso do apóstolo Pedro, a sua maior qualidade era um coração disposto. O “barro” era bastante maleável! Assim o Oleiro pôde moldá-lo até se tornar um vaso de honra, apto para ser usado pelo Mestre. À medida que Pedro amadureceu na fé, em mais do que em uma ocasião deitou por terra os seus críticos deixando-os sem palavras (Actos 4:13).</p>
<p>À medida que voltamos aos anos iniciais da sua “formação”, Pedro não podia acreditar no que estava ouvindo a respeito do que iria em breve suceder em Jerusalém, o que originou esta resposta: “Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso”.  No fundo, ele queria dizer: “Senhor, Tu és o Filho de Deus, o Messias de Israel. Nós iremos defender-Te até ao nosso último fôlego, se isso for necessário.” As acções de Pedro provaram a sinceridade do seu amor quando ele tirou a sua espada, na noite em que o Senhor foi traído, e tentou separar a cabeça do servo do Sumo Sacerdote dos seus ombros. Aparentemente, Malco utilizou aqui uma acção evasiva, ou então uma mão invisível o protegeu, pois apenas resultou numa orelha cortada. Não há registo de alguém morrer na presença do nosso Senhor (João 18:10-11).</p>
<p>Por alguma razão Pedro não compreendeu na totalidade que, de acordo com a profecia, os sofrimentos de Cristo deviam anteceder a glória do reino. Esta primeira parte foi parcialmente oculta, portanto ele apenas podia ver por enquanto o brilho da coroa à sua frente. De alguma forma podemos afirmar que o apóstolo Pedro possuía ainda uma visão em túnel! Ele estava ansioso pela vinda dos tempos dourados, de paz e justiça, quando os inimigos de Israel serão derrubados, e os fiéis reinarão com o Messias na terra.</p>
<p>“Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de Mim, Satanás, que Me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:23).</p>
<p>Momentos antes, Pedro tinha sido o porta-voz do Pai, quando anunciou que o Mestre era o Messias, o Filho de Deus. Mas rapidamente as coisas se alteraram, porque agora ele tornou-se o porta-voz de Satanás ao declarar: “De modo nenhum Te acontecerá isso” o que demonstra o seu desconhecimento da vontade de Deus. Pelo simples facto de sermos crentes, não estamos livres de podermos ser instrumentos nas mãos de Satanás. Não existe coisa mais triste do que um filho de Deus preso nos laços do diabo. Infelizmente, aqueles que se deixam enredar na sua teia de mentiras são geralmente os últimos a ter consciência disso.</p>
<p>Pedro caiu na armadilha de Satanás tendo sido impedido de desfrutar das coisas de Deus. Neste contexto, as “coisas de Deus” falam da rejeição e dos sofrimentos do Seu amado Filho para efectuar o plano da redenção, apesar de nesta altura ainda não ser compreendido na sua totalidade. Em vez de aceitar a palavra de Deus pela fé, Pedro preferiu seguir os passos de Satanás, sentindo prazer nas “coisas do homem”, isto é, glória, honra e reconhecimento. O reino estava agora tão perto que não havia tempo para ter em mente o pensamento de que alguma coisa acontecesse ao Mestre. Seguindo esta linha de pensamento, podemos compreender melhor a próxima frase proferida pelo Senhor Jesus.</p>
<p>“Então, disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me” (Mateus 16:24).</p>
<p>Esta passagem bíblica tem sofrido bastante nas mãos daqueles que tentam aplicar a sua mensagem aos crentes dos nossos dias. Por exemplo, alguns dizem que “a sua cruz”  pode tomar a forma de problemas financeiros, doenças físicas, ou outros fardos que tenhamos de carregar. Mas, dispensacionalmente, o Senhor está a dizer que os santos do reino podem ser chamados a suportar determinadas aflições pela causa de Cristo. Aqueles que se negarem a si mesmos e seguirem a Jesus serão rejeitados pelo mundo e provavelmente pagarão o derradeiro sacrifício pela sua fé. De acordo com a história da Igreja, todos os apóstolos do reino padeceram ou morreram como mártires. No caso do apóstolo Pedro, a tradição conta que ele requereu que fosse crucificado de cabeça para baixo por respeito ao sacrifício que o Seu Mestre padeceu por amor de cada um de nós.</p>
<p><strong>Um pedido ambicioso</strong></p>
<p>“E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou de parte os Seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes: Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lO-ão à morte. E O entregarão aos gentios para que dEle escarneçam, e O açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará” (Mateus 20:17-19).</p>
<p>Agora, na sombra da Cruz, o Senhor dirige-Se juntamente com os Seus discípulos para um lugar à parte, para lhes contar com maior detalhe os eventos que iriam de seguida acontecer em Jerusalém. Ele confirma as palavras do profeta, segundo as quais Ele iria ser traído e entregue nas mãos dos homens ímpios, os quais O condenariam à morte. Notemos também que os Gentios iriam sofrer a responsabilidade de colocar em prática a vontade dos líderes de Israel, crucificando Cristo. Esta é a primeira vez que o Senhor afirma especificamente a forma da Sua morte. Ele iria sofrer morte por crucificação, tal como profetizado no Salmo 22!</p>
<p>Naquele tempo, exactamente o que é que os discípulos e os santos do reino compreendiam acerca da morte, sepultura e ressurreição de Cristo? Nada! Claramente os discípulos não compreendiam o significado destes acontecimentos, nem tão pouco colocaram a sua fé na vinda de Cristo para morrer no Calvário como forma de serem salvos, apesar de ser esse o meio pelo qual eles iriam ser redimidos. De acordo com relatos bíblicos, estas coisas lhes eram encobertas (Ver Lucas 18:31-34).</p>
<p>Ao lermos estes versículos, percebemos melhor a razão pela qual os discípulos pareciam tão alheios às palavras do nosso Senhor. Eles estavam mais interessados nas glórias do reino e as posições que eles teriam quando reinassem com Ele. Este pensamento pode ser comprovado nos versículos que se seguem: </p>
<p>“Então se aproximou dEle a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-O, e fazendo-Lhe um pedido. E Ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda, no Teu reino” (Mateus 20:20-21).</p>
<p>Certamente todas a mães desejam o melhor para seus filhos, mas por vezes a sua ambição pode ser um produto da carne. Concluindo de que o reino seria brevemente estabelecido, a mãe de Tiago e João queriam que seus filhos tivessem honra distinta de todos os outros, sentados à mão direita e à mão esquerda do Mestre. Claro que Tiago e João pensavam ter legitimidade para fazer este pedido. Afinal, eles estavam entre os primeiros que tinham deixado as suas redes de pesca para trás e seguiam agora o Senhor Jesus. A verdadeira intenção deste seu pedido era apenas garantir posições de autoridade para poderem governar sobre outros, tal como desejam os gentios. Mas o desejo dos gentios por tal poder é apenas por mero egoísmo.</p>
<p>Infelizmente eles não compreenderam que o reino nunca poderia ser estabelecido antes que o Mestre sofresse e morresse pelos pecados da nação. O Senhor também revela nesta porção bíblica que eles, da mesma forma, iriam beber deste mesmo cálix. Ele então acrescenta: “Mas o assentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda não Me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem Meu Pai o tem preparado.” Muito provavelmente esta honra será dada a Moisés e Elias, os quais representam a lei e os profetas (Mateus 16:28; 17:1-3).</p>
<p>Podemos constatar que a chave para a glória no reino não estava baseada em posição ou poder, coisas que os gentios cobiçam, mas sim no carácter. Ele deveriam seguir o espírito de nosso Senhor, que não veio a este mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Cristo é o Criador de todas as coisas, mas mesmo assim Ele humilhou-Se a Si mesmo e tomou a forma de um humilde servo. Assim, o Mestre admoesta os Seus discípulos: “Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal” (Mateus 20:23-28). Acreditamos que este mesmo princípio pode ser aplicado ao Corpo de Cristo, quando nos lugares celestiais reinarmos com Cristo.</p>
<p><strong>A remoção do véu</strong></p>
<p>“E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos” (Lucas 24:44-46).</p>
<p>Após a morte, sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo, os olhos dos discípulos foram como que abertos, pois o Senhor permitiu que eles compreendessem que era acerca dEle que a lei de Moisés (Deuteronómio 18), os profetas (Isaías 53) e os Salmos (Salmo 22) falavam. O véu que outrora envolvia os seus olhos sobre este assunto foi removido. Agora pela primeira vez ficou claro para eles que Cristo era o Redentor Prometido que as Escrituras tinham profetizado. Mas, atenção! Não devemos partir do princípio de que os discípulos entenderam este facto na totalidade. Eles apenas compreenderam o facto da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Nada mais do que isso! </p>
<p>Agora, fortalecidos com esta nova luz, os discípulos continuaram a proclamar Cristo de acordo com as profecias, que O retratavam como uma vítima. Isto é-nos confirmado pelo discurso de Pedro aos seus compatriotas no dia de Pentecostes:</p>
<p>“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Actos 2:1).</p>
<p>No início do Livro de Actos, ainda estamos a navegar em águas proféticas. Pedro guia-nos cuidadosamente através das perigosas tradições e mandamentos criados pelos homens. É importante relembrar que os primeiros capítulos de Actos são um simples registo da continuação do ministério terreno de Cristo.</p>
<p>Lucas deixa isto muito claro quando escreve: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.” O “primeiro tratado” a que Lucas aqui refere-se é o evangelho segundo Lucas onde ele dá a conhecer ao seu amigo Teófilo “tudo o que Jesus começou, não só a fazer mas a ensinar.” Mas agora prossegue com a história: “Aos quais também, depois de ter padecido, Se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao reino de Deus. (Actos 1:1-3).</p>
<p>No dia de Pentecostes, quando Pedro se dirigiu aos seus compatriotas de Israel, pregou-lhes a mesma mensagem que Cristo tinha pregado no seu ministério terreno. Mas agora com um “aditamento”: ele acusa o povo de Israel de ter assassinado o seu Messias! </p>
<p>“Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por Ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a Este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-O vós, O crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” (Actos 2:22-23).</p>
<p>Tal como vimos, a morte de Cristo estava em total acordo com o plano soberano de Deus, sendo aqui referida como “determinado conselho”. Pedro afirma sem qualquer tipo de dúvida que Cristo não foi entregue nas mãos dos homens maus devido à Sua “fraqueza” ou que Ele não tinha controlo das circunstâncias que O rodeavam. As Escrituras são claras e inequívocas de que Cristo deu a Sua vida voluntariamente (João 10:17-18).  </p>
<p>Curiosamente, Pedro acrescenta: “e presciência de Deus.” Deus escolheu o momento mais adequado, lugar e forma da Sua vontade ser realizada. O simples facto de Deus ter previsto as acções daqueles que iriam rejeitar e condenar o Seu Filho não diminui de nenhuma forma a culpa deles. Alguns que estavam naquele momento perante Pedro no Pentecostes eram conspiradores que ajudaram a criar falsas testemunhas contra o Senhor Jesus. Estavam presentes certamente também alguns que tinham afirmado: “Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás” e “Tira, tira, crucifica-o”.<br />
Pedro não era de “falinhas mansas”. Na verdade, Ele expôs a culpa dos responsáveis pela morte de Cristo, quando afirmou: “Tomando-O vós, O crucificastes e matastes pelas mãos dos injustos”. Era como se as suas mãos ainda estivessem manchadas com o sangue de Cristo. Já agora, leste algumas boas novas até agora? À falta de melhor termo, Pedro estava a pregar as “más novas” da Cruz. Como se isto não bastasse, Pedro fez-lhes saber que a situação era ainda mais grave: Vós O crucificastes, mas Deus O ressuscitou dos mortos e colocou-O à Sua mão direita até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos Seus pés. E saiba todo o Israel que quem cometeu este crime é inimigo de Deus (Actos 2:24-36). </p>
<p>Suponhamos que com um amigo levamos a cabo um perfeito assassínio. Inesperadamente, uns meses depois o nosso amigo encontra-nos e diz: “Olha, ainda te recordas do homem que assassinámos? Ele voltou dos mortos e anda à nossa procura.” Com toda a certeza teria toda a nossa atenção! Da mesma forma, Pedro teve a atenção dos seus ouvintes quando os declarou culpados da morte de Cristo. “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?”.  Ou seja, o que devemos nós agora fazer para sermos salvos do terrível pecado que cometemos?</p>
<p>“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos.” Finalmente, aqui estão as boas noticias: “Arrependei-vos”. Mas, arrependei-vos de quê? Arrependei-vos de terdes crucificado o Vosso Messias. Isto iria incluir que tinham de crer no Seu nome e em tudo o que tinha proclamado ser, o verdadeiro Filho de Deus, o Messias (João 20:31). “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado (na água) em nome de Jesus Cristo, para perdão (ao expressarem a sua fé através deste acto, eles seriam salvos, segundo Marcos 16:16) dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Actos 2:38).</p>
<p>No evangelho do reino estes eram os termos de salvação “revistos” após o dia de Pentecostes. Estamos muito gratos a Pedro, que nos trouxe ao destino desta viagem em segurança, onde agora vai apresentar a primeira oferta legítima do reino a Israel (Actos 3:17-21). No entanto, a rejeição de Israel à oferta graciosa de Deus marcará um grande ponto de viragem no relacionamento de Deus para com o homens.</p>
<p>Uma das coisas de que nos devemos recordar desta mensagem de Pedro é que somos sempre responsáveis pelos nosso actos. Quanto maior for a nossa posição, maior será a nossa responsabilidade. No próximo boletim vamos velejar com o apóstolo Paulo!</p>
<p><strong>(por Paul M. Sadler) </strong></p>
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		<title>Cristo e Este Crucificado</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 19:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso Redentor que foi &#8220;obediente até à morte, e morte de Cruz.&#8221; Ele não morreu uma morte qualquer; Ele morreu a morte de Cruz. Morte por crucificação nos tempos da Bíblia era uma das mais cruéis e vergonhosas formas de tortura possíveis. O historiador judeu Flávio Josefo, presenciou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=214&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso Redentor que foi &#8220;obediente até à morte, e morte de Cruz.&#8221; Ele não morreu uma morte qualquer; Ele morreu a morte de Cruz. Morte por crucificação nos tempos da Bíblia era uma das mais cruéis e vergonhosas formas de tortura possíveis. O historiador judeu Flávio Josefo, presenciou durante a sua vida incontáveis crucificações, pelo que as chamou das mais miseráveis mortes possíveis de se padecer. Cícero, referindo-se à morte por crucificação, afirmou que esta era uma morte &#8220;cruel e uma tortura horrorosamente feia&#8221;. Will Durant escreveu que &#8220;até os Romanos tinham alguma pena das vítimas.&#8221;</p>
<p>Ao começarmos um estudo sobre a Cruz de Cristo, estamos prestes a embarcar numa extraordinária e maravilhosa viagem pelo &#8220;mar&#8221; das Escrituras. A nossa jornada começa em águas proféticas com a &#8220;A Profecia da Cruz&#8221;. David será o nosso capitão, o qual nos guiará através dos sofrimentos que Cristo padeceu na Cruz do Calvário.</p>
<p><strong>Um Salmo de David</strong></p>
<p>&#8220;Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? por que Te alongas das palavras do meu bramido, e não me auxilias? Deus meu, eu clamo de dia, e Tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego.&#8221; (Salmos 22:1-2)</p>
<p>Quando meditamos neste Salmo 22, encontramos o que será talvez o relato mais pormenorizado acerca dos sofrimentos de Cristo em toda a Palavra de Deus. Nas Escrituras Hebraicas, o cabeçalho &#8220;Aijeleth-hash-Shaar&#8221; surge no topo deste Salmo, que é traduzido por: &#8220;O Messias sofre, mas triunfa&#8221;.</p>
<p>Os Salmos 22, 23, e 24 formam uma trilogia. Sobre o Senhor Jesus Cristo, no evangelho de João, é dito que Ele é o Bom Pastor que dá a Sua Vida pelas Suas ovelhas, tal como descrito no Salmo 22. De acordo com Hebreus 13, Cristo é chamado de Supremo Pastor, que foi trazido de novo dos mortos para guiar o Seu povo através do vale do pecado e morte. Este é o tema central do livro de Salmo 23. Finalmente, o Sumo Pastor de I Pedro 5 encontramos as suas raízes no Salmo 24 onde Cristo retorna com poder e grande glória para estabelecer o Seu Reino aqui na terra.</p>
<p>Umas das coisas mais marcantes acerca do capítulo 22 do livro de Salmos é que David descreve com vivacidade a crucificação de Cristo, aproximadamente 1000 anos antes de esta suceder. Outro facto extraordinário é o facto da morte por crucificação não tinha sido ainda introduzida na humanidade no tempo em que David escreveu este salmo. Crê-se que os Assírios foram os primeiros homens a usar esta forma de execução, pois eles eram bem conhecidos pelas suas torturas desumanas. Mas o que os Assírios criaram, podemos ter a certeza que os Romanos aperfeiçoaram. No tempo do Senhor Jesus Cristo, a morte por crucificação era a forma principal que era usada para executar criminosos contra o Império Romano.</p>
<p>O Salmo 22 é dividido em duas partes: os sofrimentos espirituais de Cristo e os Seus sofrimentos físicos. O Salmo começa com a expressão &#8220;Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?&#8221; e termina com &#8220;Porquanto Ele o fez&#8221; (versículo 31), ou em Hebraico, &#8220;Está terminado!&#8221; A frase &#8220;Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?&#8221; foi uma das últimas proferidas por Cristo enquanto pregado na Cruz. A palavra &#8220;desamparado&#8221; é uma das palavras na linguagem humana que mais fortemente transmite um sentido de abandono e tragédia. É difícil para nós compreender como, por exemplo, uma mãe pode abandonar o seu recém-nascido, mas infelizmente tal acto é comum nos nossos dias. Ficamos estupefactos quando ouvimos acerca de um homem que abandona a sua mulher depois de tantos anos juntos. Perguntamos “Porquê?”. Nós temos dificuldade em acreditar, mas muito menos conseguimos aceitá-las.</p>
<p>Mas quando o Filho de Deus afirmou na Cruz que tinha sido desamparado pelo Pai, de certeza isso nos deixa admirados. Uma das coisas que caracterizava sem qualquer dúvida a vida de Cristo aqui na terra era a inquebrável comunhão que Cristo gozava com o Pai. O silêncio do Céu foi quebrado mais do que uma vez, quando por exemplo o Pai disse: &#8220;Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo; escutai-O.&#8221; (Mateus 17:5). Mas agora, no momento e na hora mais negra pela qual o Senhor Jesus Cristo passou, o Pai desamparou o seu Filho. Porquê? Esta, com certeza, foi uma das perguntas que pesava no coração do Senhor Jesus Cristo, enquanto procurava entender o porquê de ter sido humanamente falando, abandonado.</p>
<p>Enquanto descia a escuridão desde a hora sexta até à hora nona no dia em que Cristo morreu, Ele afirmou, &#8221; Deus meu, eu clamo de dia, e Tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego&#8230; Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.&#8221; (Salmos. 22:2,4). Aqui temos os pensamentos íntimos de Cristo, enquanto estava pregado naquela Cruz. </p>
<p>Este é o único lugar na Palavra de Deus onde nos é dito o que o nosso Salvador estava realmente pensando enquanto as trevas caíam sobre a Palestina. Apenas o Espírito de Deus podia dar-nos esta preciosa revelação por intermédio do profeta. O Senhor Jesus Cristo argumentou com o Pai, &#8220;Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.&#8221; Enquanto o Filho considerava a história de Seu povo, Ele recordou de como Sansão os libertou das mãos dos Filisteus; Daniel da boca de leões famintos; e Sadrach, Mesach, and Abed-nego do fogo da fornalha ardente. Mas para o Filho de Deus não haveria qualquer tipo de libertação, que foi predestinado a sofrer pelos pecados do Seu Povo; na realidade, pelos pecados do mundo!</p>
<p>O Filho respondeu à Sua própria questão do porquê do abandono por parte do Pai no versículo 3: &#8220;Porém Tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel.&#8221; O Pai é Santo, o que nos indica a sua perfeita moral. O pecado, sem qualquer tipo de excepção, é uma violação à Sua santidade. Os nossos pensamentos finitos nunca poderão alcançar a majestade e a perfeição da santidade de Deus. Ele é infinitamente puro. Isto ajuda-nos a compreender o propósito do véu no tabernáculo: separava um Deus Santo de Seu povo pecador. Isaías e o Rei Uzias ambos tiveram um encontro com a santidade de Deus, mas como vamos ver com resultados totalmente opostos.</p>
<p>&#8220;No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor, assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele, cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia de sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e casa se encheu de fumo&#8221; (Isaías 6:1-4).</p>
<p>Durante os anos em que Uzias reinou, ele conduziu Judá num programa de paz e prosperidade. Mas enquanto a nação prosperava materialmente, estava totalmente corrompida espiritualmente. Notemos que no ano em que Uzias morreu, Isaías viu o Senhor sentado no seu trono. Uzias também esteve exposto à santidade de Deus, mas com consequências catastróficas. Apesar de este rei ter feito o que era correcto aos olhos do Senhor, transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso. Uzias naquele preciso instante foi atingido com lepra e morreu seguidamente, devido à sua intrusão nas santas coisas de Deus (II Crónicas 26:16-23).</p>
<p>Um único pecado originou morte e baniu tanto Adão como Eva do jardim do Éden. Apenas um pecado impediu a entrada de Moisés na Terra Prometida. Um pecado terminou com as vidas de Ananias e Safira. Notemos que uma correcta compreensão da santidade de Deus conduz a um entendimento correcto do pecado. Quando Isaías estava na presença de Deus e ouviu os serafins clamando uns para os outros: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da Sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e casa se encheu de fumo. A reacção de Isaías foi: &#8220;Ai de mim, que vou perecendo! porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios.&#8221; Porque Isaías tinha a correcta compreensão da Santidade de Deus, ele viveu, e as suas iniquidades foram retiradas, e o seu pecado perdoado (no Hebreu kaòphar ou expiado—Isa. 6:5-7). </p>
<p>Pelo facto de o pecado ser uma transgressão à santidade de Deus, o Pai não podia olhar para o Seu Filho pois estava a ser feito pecado por nós, e por esse acto singular somos justificados perante Deus. Absolutamente só, Jesus Cristo carregou o fardo dos nossos pecados. À medida que o desespero crescia, o Salvador afirmava: &#8221; Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo&#8221;. Normalmente no Hebraico o termo &#8220;verme&#8221; refere-se no grego à palavra tola. A tola (coccus ilicis) é uma pequena larva, que pode ser encontrada em várias espécies de carvalhos perto do Mediterrâneo. Nos tempos antigos estas larvas eram esmagadas de forma a produzirem uma tinta escarlate. Tal como sabemos, Salomão vestiu a filhas de Israel em escarlate. O que estamos a tentar sugerir com esta analogia às tolas é que o peso dos nossos pecados (igualmente os de Israel) quebrantaram a vida do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual derramou o Seu precioso sangue para que agora possamos vestir as vestes da salvação.</p>
<p><strong>O Sofrimento Físico de Cristo</strong></p>
<p>&#8220;Muitos touros me cercaram; fortes touros de Bazan me rodearam. Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge. Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas. A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte. Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés. Poderia contar todos os meus ossos; eles vêem e me contemplam.&#8221; (Salmos 22:12-17).</p>
<p>É interessante contar o número de referências a animais encontrado no Salmo 22: o touro, leão, cão, unicórnio, etc. Aqueles que foram os responsáveis pela crucificação eram como as bestas dos campos. Eles eram astutos, perversos, e intimidavam as suas presas. Os fortes touros de Bazan, sem qualquer tipo de dúvida referem-se aos lideres de Israel, os quais buscavam ferir o Senhor Jesus com os cornos do ódio (Lucas 23:8-21). Tal como as bestas do campo que perseguem as suas presas antes de as matar, estes lideres ímpios zombaram: &#8221;Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele; confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.&#8221; (Mateus 27:42-43). Bem aventurados somos, pois o nosso Salvador permaneceu naquela Cruz, pois se tivesse descido de forma a satisfazer a santidade e a justiça de Deus, o mundo iria ser &#8220;varrido&#8221; para dentro do lago de fogo por toda a eternidade. A determinação de Cristo para completar a obra da nossa redenção nunca vacilou. O que foi dito anteriormente prova que os lideres religiosos eram ignorantes não apenas na predição da Cruz, mas igualmente desconhecedores do verdadeiro significado do Calvário.</p>
<p>A morte por crucificação era a morte das mortes. Os braços das vítimas eram estendidos e os pregos eram pregados nas palmas das mãos. De seguida, prendiam os pulsos de forma a que os pregos não rompessem as mãos da vítima. Depois disto, um pé era colocado sobre o outro em cima de uma cunha de madeira. Daí, &#8220;trespassaram-me as mãos e os pés.&#8221; Este foi apenas o começo das dores, porque a morte numa Cruz era lenta, dolorosa, que poderia durar dois a três dias. Três pregos enferrujados garantiram a nossa redenção: um pregou a lei à Cruz, outro os pecados do mundo e o terceiro pregou Jesus Cristo à Cruz. (Colossenses. 2:14; II Coríntios 5:14-19; Gálatas 2:20). </p>
<p>Apesar de nenhum dos ossos do corpo de nosso Senhor ter sido quebrado, cremos que quando a Cruz foi colocada em terra os braços do Senhor Jesus Cristo foram deslocados dos seus ombros, baseados na frase &#8220;todos os meus ossos se desconjuntaram&#8221;. Estar suspenso pelos braços gerava uma tremenda pressão sobre os pulmões e gradualmente tornava-se mais complicado poder respirar. Para o poder fazer, a vítima era obrigada a impulsionar-se com ajuda dos seus pés para facilitar a inspiração. À medida que os níveis de dióxido de carbono aumentavam no interior do corpo, a vítima começava a padecer de edema pulmonar, e acabaria por morrer de paragem cardíaca ou de asfixia.</p>
<p>É interessante o facto de o nosso Senhor Jesus morrer passadas poucas horas de ter sido pregado na Cruz. Nas Suas próprias palavras: &#8220;o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas&#8221; (vs. 14). Poderá ser que o nosso Salvador morreu de coração partido devido aos pecados do mundo? À medida que o momento da Sua morte se aproximava, o Filho orava da seguinte forma ao Pai:<br />
&#8220;Mas tu, Senhor, não te alongues de mim. Força minha, apressa-Te em socorrer-me.  Livra a minha alma da espada, e a minha predilecta da força do cão (gentios). (Salmos 22:19-20).</p>
<p>O Senhor Jesus Cristo desejou voluntariamente dar a Sua vida pelo pecados do mundo e esta não ser terminada pelos Gentios ao fio da espada. O Pai garantiu graciosamente o pedido de Seu Filho, pois lemos no evangelho de João que o Salvador já tinha rendido o Seu Espirito ao Pai antes de ter sido trespassado pela lança:</p>
<p>&#8220;Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (S. João 19:32-34) </p>
<p><strong>Lições práticas para cada um de nós</strong></p>
<p>Enquanto a palavra do homem é instável como a água, a Palavra de Deus é sempre precisa e verdadeira, tal como vimos na predição da Cruz aproximadamente 1000 anos antes e no total cumprimento dos acontecimentos. A palavra de Deus é verdadeira. Então quando estamos a ler um passagem semelhante a esta: &#8220;Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa.&#8221; (I Cor. 15:33,34), podemos ter a certeza que é totalmente verdadeira.</p>
<p>O contexto desta passagem é um aviso para não adoptarmos as formas de vida deste mundo. Devido a o mundo ter rejeitado a ressurreição, a sua filosofia de vida é comer, beber, e ser feliz, pois amanhã morrerás. Aqueles que pertencem à família da fé ficam pasmados e horrorizados com este tipo de raciocínio. Mas Deus diz: “não vos enganeis, as más associações neste mundo destroem gradualmente a boa moral”. Por outras palavras, se pouco a pouco nos deixamos associar com este mundo, podemos ter a certeza de que em pouco tempo a sua influência irá criar em nós dúvidas, e começaremos a negar a Palavra de Deus. O pecado e consentimento de comportamentos pecaminosos são ambos desagradáveis a Deus. Os Coríntios são um dos principais exemplos de falha em ter atenção a este tipo de aviso; não sejamos nós também culpados do mesmo acto. (I Coríntios 5:1-13; 6:1-8,13-18; 11:20-22). </p>
<p>O Salmo 22 ensina-nos que há no mundo um conflito entre o bem e o mal existente no mundo. Cristo é a personificação de tudo o que é bom e justo. Os Seus inimigos, por outro lado, estavam cheio de mentira e hipocrisia. Eles O odiavam sem causa. Portanto, não devemos ficar surpreendidos quando o mundo nos odeia sem nenhum motivo, devido a sermos fiéis à verdade do evangelho.</p>
<p><strong>(por Paul M. Sadler) </strong></p>
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		<title>O Perdão dos Pecados</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 11:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[“Em quem [Cristo] temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Efésios 1:7). Um homem de negócios recentemente aceitou Jesus Cristo como Senhor e Salvador e alegrava-se no conhecimento de seus pecados se encontrarem perdoados. Ultimamente, porém, ele tem consciência do pecado estar a rastejar de volta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=190&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Em quem [Cristo] temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Efésios 1:7).</p>
<p>Um homem de negócios recentemente aceitou Jesus Cristo como Senhor e Salvador e alegrava-se no conhecimento de seus pecados se encontrarem perdoados. </p>
<p>Ultimamente, porém, ele tem consciência do pecado estar a rastejar de volta para sua vida. Medos de um Deus irado o assombram e torturam a sua frágil consciência,<br />
levando-o a questionar-se se Deus ainda o aceita.</p>
<p>Uma dona de casa tem um marido que é alcoólico. De manhã cedo, ele voltou para casa bêbado, com uma grande amolgadela no carro da família. Ele desculpou-se, mas ela sabe que, se ela o perdoa, ele voltará a fazê-lo novamente.</p>
<p>Uma velha mulher de 83 anos, senta-se sozinha numa casa grande e vazia. Anos atrás, a sua família magoou-a profundamente. Houve uma altura em que ela queria perdoar, mas eles nunca reconheceram que o erro tinha acontecido. &#8220;Como poderiam eles ter feito tal coisa?&#8221;, pergunta ela. Agora ela espera a morte e libertação da amargura e desilusão que se prende a ela.</p>
<p>Os exemplos acima referidos são mais que meramente hipotéticos. Há incontáveis casos semelhantes que são vividos todos os dias em casas e igrejas por todo o mundo. Têm os Cristãos a resposta para tais situações? Isso depende a que “Cristãos” perguntamos. Uma das doutrinas mais incompreendidas na Palavra de Deus é a questão dos pecados perdoados. Estou convencido de que duas das coisas mais difíceis de ensinar a um Cristão são: </p>
<ol>
<li>os seus pecados foram completa e eternamente perdoados e </li>
<li>este perdão deve agora estender-se a outros.</li>
</ol>
<p>Porquê existem tantas opiniões diferentes sobre um assunto tão fundamental para a vida Cristã? Tal como acontece em relação a outros temas na Bíblia, a falha em “dividir correctamente a Palavra da verdade” tem conduzido crentes sinceros em Cristo a posições contraditórias sobre o perdão. Eles dizem, “Graças a Deus por Ele ter-me perdoado todos os pecados, mas…”, e então eles apresentam a lista de condições na qual eles acreditam que devem cumprir, para Deus os aceitar.</p>
<p><strong>Perdão sob a Graça</strong></p>
<p>Paulo, o apóstolo dos gentios e o revelador dos mistérios de Deus para a Igreja que é o Seu Corpo, apresenta uma única condição: crer no seu evangelho. De acordo com a passagem acima referida de Efésios 1:7, o perdão de pecados está intimamente ligado com a nossa redenção, que por sua vez, está assente no sangue sacrificial de Cristo e as riquezas da Sua graça. Além disso, notemos que o perdão (assim como as nossas bênçãos espirituais) foi algo alcançado no passado na vida do crente em Cristo. Nós temos (no presente) a redenção… o perdão dos pecados.</p>
<p>Para aqueles que necessitam de confirmação destas maravilhosas notícias, considerem em oração estes exemplos adicionais das epístolas de Paulo:</p>
<p>“Antes sede, uns para com os outros, benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como, também, Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32)<br />
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14)</p>
<p>“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou, juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,” (Colossenses 2:13)</p>
<p>“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim, também, David declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça, sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.” (Romanos 4:5-8)</p>
<p>“Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudeste ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.” (Actos 13:38,39)</p>
<p>Os versos acima enunciados apresentam o ensino sobre o perdão para a presente dispensação da Graça de Deus (Efésios 3:1-9). O crente instruído na Graça sabe que o homem, por natureza, está morto em delitos e pecados, e como tal não merece um lugar no céu com Deus (Efésios 2:1,8,9). O amor de Deus providenciou perdão ao homem perdido através do sangue de Seu Filho. A responsabilidade que o Deus Soberano tem colocado sobre o homem, como resposta ao Seu amor, é a Fé em Jesus Cristo. “Cristo morreu pelos nossos pecados… e que ressuscitou ao terceiro dia…” é o evangelho que Paulo recebeu do Senhor Jesus glorificado e pregava onde quer que fosse (I Coríntios 15:1-4). O Espírito Santo de Deus pega então no pecador salvo e baptiza-o de forma sobrenatural em Cristo, estabelecendo uma união eterna (I Coríntios 12:13). Isto tem sido testificado pela prova de que nada nos pode separar do amor de Cristo porque o Espírito Santo nos selou até ao dia da redenção (arrebatamento) (Romanos 8:31-39; Efésios 1:13-14, 4:30).</p>
<p>O conhecimento destes factos pelas escrituras dá ao crente uma grande paz e uma alegria inexplicável. Mas como é o caso com muitos assuntos bíblicos, aqueles que querem homogeneizar a Palavra de Deus vão aos ensinos sobre perdão dado a Israel, para a dispensação passada, e arbitrariamente transplantam-nos para a presente dispensação da Graça. Os resultados são medo, dúvida e falta de ousadia nas nossas orações.</p>
<p><strong>Perdão sob a Lei</strong></p>
<p>Na verdade pode ser benéfico estudarmos como era concedido o perdão sob a Lei de Moisés, de forma a compreendermos as diferenças.</p>
<p>“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (II Crónicas 7:14).</p>
<p>Eis um versículo citado frequentemente e utilizado por pregadores sinceros que desejam ver o nosso país restaurado no aspecto moral e espiritual. Na verdade, existem aqui sábios conselhos para os crentes de todas as épocas. Espírito de humildade, oração, buscando a face de Deus e abandonando o pecado deve produzir um tremendo reavivamento na Igreja de hoje. Mas olhemos profundamente para o versículo. “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome…” refere-se a Israel, sob a Lei, e não à Igreja, sob a Graça. A terra que é curada não é Portugal, mas antes é a Palestina. Agora reparemos na natureza condicional deste perdão. “E se o meu povo… se… então… perdoarei os seus pecados…”. Este síndrome do “se &#8211; então”, tão característico do pacto da Lei, leva-nos a retroceder a Êxodo 19:5: “Agora, pois, se, diligentemente, ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar de entre todos os povos: porque toda a terra é minha.”<br />
Este sistema de bênção condicional é referido repetidamente ao longo dos livros do Velho Testamento, de Êxodo a Malaquias. Se Israel obedecesse aos mandamentos de Deus (a lei), Deus os abençoaria. Se eles desobedecessem, Deus os amaldiçoaria (Deuteronómio 28:1-68). Esta não é a forma como Deus lida com os crentes actualmente. Nós já fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Efésios 1:3,7). Isto inclui o perdão dos pecados.</p>
<p>Em relação à passagem de II Crónicas 7:14, nós devemos reconhecer a diferença entre interpretação e aplicação. Uma vez que toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa, há verdades neste versículo que nos falam actualmente, mas nós só o podemos aplicar à luz da revelação do mistério que nos foi dado através do Apóstolo Paulo (Romanos 16:25; Colossenses 1:25-27). O versículo refere-se a bênçãos condicionais, que pertencem por interpretação a Israel, sob a lei.</p>
<p>Enquanto alguns têm vindo ao conhecimento da diferença entre o sistema Mosaico e o Paulino em relação às bênçãos (incluindo o perdão), poucos têm visto que o perdão condicional é transportado para os evangelhos e epístolas do Novo Testamento não escritas por Paulo. Considere o seguinte:</p>
<p>“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:12,14,15)</p>
<p>“E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se de coração não perdoares, cada um, a seu irmão, as suas ofensas” (Mateus 18:34,35)</p>
<p>“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas; Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.” (Marcos 11:25,26)</p>
<p>&#8220;Não condeneis, e não sereis condenados&#8221; (Lucas 6:37).</p>
<p>“Olhai para vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o, e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe.” (Lucas 17:3,4)</p>
<p>Observemos cuidadosamente que o perdão, nos exemplos em cima, é oferecido pelo Pai celestial só quando o perdão é primeiramente oferecido aos outros. Da mesma forma, o outro (ofensor) é perdoado só se ele se arrepender. A ordem é: (1) Ofensa cometida, (2) Confrontação e repreensão, (3) Arrependimento do infractor, (4) Perdão oferecido pela vítima e (5) Perdão de Deus oferecido. Este ensino mostra o perdão em relação à fase milenial do reino de Deus na terra, segundo a profecia (Lucas 1:70; Actos 3:21; Apocalipse 5:10).</p>
<p>Em contraste, os escritos de Paulo revelam que o crente em Cristo actualmente trabalha a partir da posição de perdão perpétuo a partir da qual ele é livre para perdoar outros.</p>
<p>“… perdoando-vos uns aos outros, como, também, Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32)</p>
<p>“… perdoando-vos uns aos outros,… assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós, também.” (Colossenses 3:13)</p>
<p>Este ensino mostra o perdão em relação à parte celestial do reino de Deus de acordo com o Mistério (Romanos 16:25; I Coríntios 2:7; Efésios 1:4; II Timóteo 4:18). Como Scofield tão bem afirmou: “Perdão sob a lei é condicionado a um espírito semelhante em nós (nós perdoarmos primeiro). Sob a graça, somos perdoados por amor de Cristo e exortados a perdoar porque fomos perdoados primeiramente.”</p>
<p>Que diferença entre a lei e a graça, entre perdão condicional e incondicional! Ambos os sistemas são consistentes com o carácter de Deus e trabalham de acordo com o Seu plano para as dispensações. Como na verdade nos devemos alegrar em sermos membros salvos do Corpo de Cristo durante a presente dispensação da graça de Deus! Isto mostra que, embora o próprio Deus nunca mude, o Seu trato, para com o homem, muda com o curso da história e profecia.</p>
<p>Alguns podem permanecer na crença de que os ensinos de Jesus sobre o perdão, enquanto na terra, representam a doutrina que mais tarde foi escrita para nós, como membros da igreja actual. Eles afirmam ainda que nós devemos tornar o nosso perdão condicional. Eles fazem-no por causa de pretextos tradicionais e do medo de que a graça será corrompida.</p>
<p>Em primeiro lugar, nós concordamos que “Porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito…” (Romanos 15:4). Toda a Escritura é igualmente inspirada por Deus, mas é proveitosa somente quando é bem dividida (II Timóteo 2:15; 3:16). Em segundo lugar, entendemos que o ministério terreno de Jesus foi somente para os Judeus, de acordo com a profecia (Mateus 10:5-6; 15:21-28; Marcos 7:24-30; Romanos 15:8). Em terceiro lugar, a vida e os ensinos do nosso Senhor não anularam o concerto da lei dada através de Moisés no monte Sinai (Mateus 5:17-18; 8:1-4; 23:1- -3; Lucas 2:21-24; Gálatas 4:4). Jesus viveu e trabalhou como um Judeu, sob a lei foi circuncidado ao oitavo dia, observou os dias de festa dos Judeus, disse ao leproso curado para se mostrar ao sacerdote e apresentar a oferta (sacrifício de animal) que Moisés mandara, e ordenou os Seus discípulos a observar e praticar tudo o que aqueles que estavam assentados na cadeira de Moisés ordenavam (ou seja, os escribas e fariseus que tinham essa autoridade e eram adeptos rigorosos de ensinar e seguir a lei à letra).</p>
<p>Enquanto os ensinos de Jesus a respeito do Reino levaram a lei a um ponto mais íntimo, para incluir os motivos (emocionais) do coração (Mateus 5:22,28,32,34), e enquanto alguns ajustes foram feitos de modo a introduzirem a chegada do Reino (Mateus 5:44; 13:52), o Seu ensino foi uma confirmação das coisas que haviam sido antes profetizadas. (Romanos 15:8). Quaisquer novas revelações dadas por Jesus neste tempo foram apenas detalhes adicionais confirmando o reino milenial que havia sido profetizado e que se encontra descrito no velho testamento.</p>
<p>Finalmente, temos que reconhecer que o apóstolo Paulo é o “teólogo” para a presente dispensação da Graça de Deus. Apenas nos seus escritos podemos encontrar a doutrina, a posição, o andar e o destino para a Igreja, Corpo de Cristo. O nosso Senhor Jesus Cristo conduziu um ministério celestial através do apóstolo Paulo, que foi o seu porta-voz (I Coríntios 14:37, II Coríntios 13:3; Gálatas 1:11; 2:2,9; Efésios 3:1-9). Nós somos hoje beneficiários do seu ministério, através das suas epístolas. Que nunca percamos de vista onde nos encontramos no programa de Deus. Isto é crucial para o nosso estudo do perdão, como se tem vindo a mostrar.</p>
<p>Estar devidamente ajustado ao ensino da Graça é absolutamente essencial para uma vida alegre e vitoriosa na fé. Como podemos amar e louvar a Deus por algo que nós não temos certeza se Ele nos deu? Da mesma forma, como podemos ter alegria e paz quando tememos que Deus nos retire as bênçãos? Não deixemos que ensinos não-bíblicos ou não–dispensacionais nos separem do gozo do perdão dos pecados e da comunhão com Aquele “no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” (Efésios 3:12).</p>
<p><strong>Perdão nos nossos relacionamentos pessoais</strong></p>
<p>É muito provável que vacilemos nesta área se não estivermos firmemente apoiados no evangelho da graça. Nós somos instruídos a lidarmos com o nosso próximo da mesma maneira que Deus lidou connosco.</p>
<p>Uma vez que Deus nos perdoou de todas as ofensas (passadas, presentes e futuras) será razoável não perdoarmos aqueles que nos tem ofendido? “Mas eu fui extremamente magoado”, é aquilo que o leitor poderá estar a pensar.</p>
<p>Será que nunca ferimos o coração do Pai Celestial com o nosso espírito imperdoável? Nós nunca conseguiremos perdoar mais do que Deus nos perdoou. Deus sabia de antemão a forma como nós iríamos pecar contra Ele, no entanto ele perdoou todo o nosso pecado assim que cremos na sua obra redentora e a aceitamos como único meio pelo qual podemos ser salvos.</p>
<p>Para alguém que possa estar a debater-se com um espírito de inflexibilidade ficam aqui estas sugestões:</p>
<p>(1)  Tenha a certeza que compreende e crê no evangelho da Graça (Romanos 3:19-28). Sem a presença do Espírito Santo na sua vida e sem o amor que Deus derrama em nossos corações, não estaremos capacitados para perdoar da forma que é aceitável para Deus (Romanos 5:5).</p>
<p>(2)  Reconheça que a incapacidade de perdoar é um pecado originário da carne (do velho homem) (I Tessalonicenses 5:15; Romanos 12:17-21).</p>
<p>(3)  Não ceda aos desejos da carne (velho homem) mas combata-os (Romanos 13:8-14).</p>
<p>(4)  Considere os pecados dos quais foi perdoado e o que eles deverão ter significado para o nosso Senhor Jesus aquando da sua morte por nós. Um certo homem orava sempre desta maneira: “Senhor, nunca me deixes esquecer o que fui antes de me ter tornado um Cristão”. Como semente decaída de Adão, o nosso pecado contra o Deus santo é infinitamente maior do que qualquer pecado que possamos cometer uns contra os outros.</p>
<p>(5)  Considere o que a sua desobediência está a fazer à sua alma interior. Algumas pessoas pensam que ficam perfeitamente justificadas guardando para si os maus sentimentos, enquanto são apoiadas nestes maus sentimentos por outras pessoas. Tal atitude provoca maior dano na alma da pessoa ofendida do que propriamente no transgressor. </p>
<p>(6)  Perdoe a pessoa como um acto de espontaneidade! Isto é o amor cristão em acção. Não espere até que se “sinta” capaz de perdoar.</p>
<p>(7)  Ore pelo bem-estar espiritual do ofensor (transgressor). Eu sempre ouvi um pregador dizer: “É extremamente difícil permanecer implacável contra alguém por quem você ora constantemente”. Que excelente conselho! Deus promete a “paz que excede todo o entendimento” quando apresentamos todas as nossas petições a Ele. (Filipenses 4:6-7). Com isto temos a alegria extra de sabermos que estamos a agradar e a trazer honra ao nome de Deus.</p>
<p>(8)  Esteja preparado para o reaparecimento da raiz da amargura. Muitos cristãos têm relatado o reaparecimento de sentimentos destrutivos, especialmente se o transgressor permanecer intransigente ou as ofensas continuarem a acontecer. De novo os desejos do velho homem a aparecer! Neste caso, repita os passos anteriores.</p>
<p>(9)  Utilize a situação para permitir que Deus o use conforme a imagem do Seu Filho (Romanos 8:28,29). Pecadores sem vergonha têm vindo a causar dor e sofrimento à família de Deus. Que oportunidade fantástica para retiramos o nosso Cristianismo do “armário” e deixar que este brilhe diante os homens.</p>
<p>Até agora ainda nada foi dito acerca da mudança de atitude do ofensor (transgressor). Se a pessoa ainda se encontrar perdida devemos procurar, de forma sábia, compartilhar as verdades do evangelho da salvação com ela. Se já for salva devemos, de forma amável, aplicar os ensinamentos que estejam coerentes com as instruções do apóstolo Paulo acerca do irmão errante. (Gálatas 6:1; II Timóteo 2:24-26; I Coríntios 5; II Coríntios 2; Hebreus 12:14-15). “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13). Esta é uma verdade que transcende as dispensações e que é válida em todo o tempo. Se estamos a permitir que o Senhor Jesus o ame através de nós, certamente estaremos interessados na mudança do seu comportamento.</p>
<p>Apesar de estar fora do âmbito do presente artigo, o tema acerca da confissão de pecados tem sido muito discutido, em grande parte por causa da má aplicação do versículo que se encontra em I João 1:9. Paulo não fala de confissão nas sua epístolas, apesar de Lucas nos dar uma um relato inspirado em relação ao seu ministério (Actos 19:18). Muitos dos mandamentos de Paulo não podem ser obedecidos sem um auto julgamento por parte da pessoa que pode incluir a necessidade de confissão do pecado (II Coríntios 7:1; II Timóteo 2:21; I Coríntios 5:2, 11:32).</p>
<p>Quando um crente peca, devemos concordar com a Palavra de Deus que isso é errado (confessar) e abandonar esse comportamento ou atitude colocando de parte o velho homem e dando lugar ao novo homem. (Efésios 4:22-24; Colossenses 3:7-10). Em suma, confessamos os nossos pecados não para recebermos perdão mas para que possamos estar devidamente ajustados na graça e assim podermos glorificar Aquele que nos perdoou de todas as transgressões. </p>
<p>Após tudo isto, temos que estar conscientes que nem todas as pessoas irão mudar. Mas nós podemos, se procurarmos viver para aquele que morreu por nós e ressuscitou de entre os mortos. Perdoar não é fácil, mas é uma boa oportunidade para que o Espírito Santo nos molde à sua semelhança. Lembremo-nos que Deus nos ordena que perdoemos, mas ao mesmo tempo nos dá a capacidade para tal fazermos. O nosso Deus nunca nos pedirá algo que nós não consigamos fazer. Se Deus pôde ressuscitar o Senhor Jesus Cristo da morte e dar de novo vida à sua alma morta, não poderá Ele também dar-nos a vitória nesta área? “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (I Tessalonicenses 5:24)</p>
<p>(por Ken Lawson) </p>
<p>Nota dos editores: <br />
Não cremos que o escritor deste artigo tenha sido suficientemente claro em relação ao que devemos fazer perante uma situação em que o ofensor não reconhece que cometeu ofensa contra nós. Deve nesta situação o crente conceder-lhe o perdão? A nossa convicção é que não o pode fazer verdadeiramente. O crente deverá estar disposto a perdoar, mas enquanto não houver reconhecimento do pecado e arrependimento, como pode tal perdão ser concedido ao ofensor? Mas apesar deste princípio, o crente não deve deixar o ressentimento e a raiz da amargura tomarem lugar em seu coração, e deve trazer em oração esta situação aos pés do Senhor.</p>
<p>Não é assim que Deus lida com o Homem? Deus tudo preparou para poder perdoar o homem, enviando o Seu Unigénito Filho ao mundo para morrer pelo pecador, e agora oferece o perdão livremente e de graça. Mas tal obra de Salvação e oferta de Perdão por parte de Deus de nada serve àquele que nunca reconhece a sua condição de pecador. O perdão só pode ser concedido àquele que reconhecer a ofensa como sendo uma verdadeira ofensa.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>A Confissão de Pecados &#8211; Parte 4</title>
		<link>http://conheceromisterio.com/2010/01/21/a-confissao-de-pecados-parte-4/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Algumas Ilustrações</strong></p>
<p>A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. Se Satanás puder usar a culpa (que Deus já levou de nós), como um grilhão para restringir a nossa liberdade, para nos separar de Deus, é segura a sua estratégia de nos levar como cativos na batalha. Para ele não faz diferença se a culpa, separação e cativeiro são imaginários ou reais. Isto é muito bem descrito pelo escritor Hal Lindsey, num dos seus livros:</p>
<blockquote><p>
“Uma das tácticas dos demónios que têm mais sucesso em neutralizar os seus inimigos (os crentes), é fazê‑los insistir em todas as suas falhas. Assim que eles começam a sentir‑se culpados, em relação ao seu desempenho na vida cristã, deixam de ser uma ameaça para o programa de Satanás.</p>
<p>As tácticas de Satanás não têm mudado muito. Porque mudariam? Têm tido sucesso.<br />
Não há nada de que Satanás goste mais de alcançar do que um crente entrar numa jornada de culpa.</p>
<p>Ao olhar para trás na minha vida, compreendo que a culpa é um manípulo a que o Diabo tenta constantemente deitar a mão para me conduzir. Uma ilustração clássica que me vem à mente é a de algo que me aconteceu enquanto estudava. Tinha um colega muito chegado. Passámos três anos de bons momentos. Depois pedi‑lhe algum dinheiro emprestado, dizendo‑lhe que lhe pagaria passadas duas semanas.</p>
<p>Passada uma semana, comecei a ficar um pouco preocupado pois não sabia de onde viria o dinheiro para lhe pagar. Mas ainda faltava uma semana e por isso não estava muito preocupado.</p>
<p>Passou‑se a segunda semana e não conseguia arranjar o dinheiro. Sentia alguma tensão, mas não puxava o assunto porque esperava que ele se tivesse esquecido do prazo.</p>
<p>À medida que os dias passavam, parecia que ele me olhava de uma maneira acusadora sempre que o via e fazia os possíveis para o evitar. Depois de passadas duas semanas sobre o prazo, comecei a planear o meu dia de forma a não me cruzar com ele. Foi horrível. Senti‑me muito mal por ter perdido um amigo tão bom como ele, mas por outro lado não percebia como ele não era mais compreensivo em relação ao meu problema. Não houve sequer uma palavra que fosse em relação ao dinheiro, mas eu sentia‑me tão culpado que estava certo de que ele me tinha eliminado como amigo.<br />
Finalmente chegou o dia que eu tanto temia. Vi‑o a caminhar na minha direcção no corredor. Não tinha hipótese de me esconder! Ele encurralou‑me e disse: ‘OK, Hal, o que se passa contigo?’</p>
<p>‘Bem, é por causa do dinheiro que te devo’, respondi‑lhe na defensiva.<br />
Ele riu, pôs a sua mão no meu ombro e disse: ‘Amigo, eu pensei que fosse isso. Olha, eu não mudei. Não houve qualquer mudança na consideração que tenho por ti nas últimas semanas. Se tivesses o dinheiro, sei que me pagarias. Mas o dinheiro não significa assim tanto para mim. A tua amizade significa muito mais e ainda sou teu amigo.’</p>
<p>Durante três semanas vivi pensando que ele me condenava. Mas isso não era verdade, pois ele era continuava a ser o meu melhor amigo.<br />
Isto ensinou‑me uma lição inesquecível. Se pensamos que alguém tem algo contra nós, afastamo‑nos e tornamo‑nos hostis para com ele. É uma reacção inevitável, é um mecanismo de defesa.</p>
<p>Creio que esta é a principal razão pela qual os crentes falham na sua relação com Deus. Visto que estamos sempre cientes de que falhamos de muitas maneiras na vida cristã, é natural supormos que Deus deve estar desagradado com o nosso desempenho. Quanto mais desapontamos Deus, mais supomos que ele está zangado connosco. Isto até ao ponto que esse esfriamento da relação torna‑se tão real nas nossas mentes, que se torna quase impossível desfrutar de uma relação vital com Deus.</p>
<p>A verdadeira tragédia é que isto acontece apenas no interior das nossas mentes. Deus não está zangado connosco!”</p></blockquote>
<p>Outra ilustração que poderá ajudar a tornar mais claro o nosso entendimento do perdão e da nossa relação com Deus encontra‑se no livro “Dictionary of the Gospel” (“Dicionário do Evangelho”) de Thomas Bruscha.</p>
<blockquote><p>“Não seria incómodo se dissesses a alguém “Eu perdoo‑te” e depois, todos os dias durante o resto da sua vida, viesse dizer‑te “Perdoa‑me, por favor”?<br />
Não só seria incómodo, como impediria o crescimento da vossa relação. Em vez de deixar o pecado para trás e criar maior intimidade no relacionamento, o pecado é trazido de novo para a conversa, uma e outra vez, impedindo tanto o crescimento assim como o gozo do relacionamento. Da mesma forma, muitas pessoas que dizem acreditar que os seus pecados estão perdoados, passam a maior parte do seu tempo de oração pedindo a Deus para as perdoar. O crescimento e o gozo são impedidos porque se recusam a acreditar que lhes foi oferecido perdão completo para todos os seus pecados.</p>
<p>Os meus pecados (passados, presentes e futuros) foram tirados por Deus para sempre a partir do momento em que cri. Agora, em vez de Lhe pedir perdão todos os dias, agradeço‑lhe por isso e prossigo para crescer na minha relação com o meu Salvador, o Senhor Jesus Cristo.</p>
<p>Se sabemos que recebemos a salvação que nos é dada através de Cristo por meio da fé apenas, e sabemos que foi pago o preço pelos nossos pecados, mas ainda vivemos carregando a culpa dos nossos pecados, ainda não chegamos a desfrutar e a alegrarmo-nos da nossa salvação. Façamos o que Paulo diz em Filipenses 3:13: ‘esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim…’ ”</p></blockquote>
<p>A nossa comunhão com o nosso Senhor Jesus Cristo nunca será quebrada, mas o nosso gozo dela poderá ser, devido a uma percepção errada. Se como crentes ainda lutamos com o fardo da culpa, há boas notícias para nós. Deus é por nos; Ele não está contra nos, não importa as circunstâncias (Romanos 8:31-39). Não há nada entre cada um de nós e o Senhor Jesus Cristo que não tenha sido resolvido na Cruz. Agora cada um de nós é um filho de Deus com todos os respectivos direitos e privilégios. Todos os nossos pecados, falhas e imperfeições foram previstos por ele e completamente redimidos pelo Seu precioso sangue. Agora, qual deve ser a resposta do nosso coração a essa verdade? Será “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde”? ou “Graças a Deus! Esta é a coisa mais maravilhosa que já ouvi. Senhor, eu creio. Ajuda a minha incredulidade.” É esta uma resposta sincera ao Seu amor e que motiva o serviço cristão ou é uma ocasião para a carne? Bem precisamos de recordar o que a graça de Deus nos ensina na vida de fé (Tito 2:11-12).</p>
<p>Caro amigo perdido. Procura a culpa vergar‑te até à perdição eterna? Vem ao pé da Cruz e com os olhos da fé vê aquele que foi ferido pelas tuas transgressões e moído pelas tuas iniquidades. Se creres no teu coração que o Senhor Jesus Cristo morreu por ti e ressuscitou, a autoridade da Palavra de Deus garante que passas da morte para a vida. Como filho de Deus podes cantar com o teu coração voltado para o Céu:</p>
<p>“Meu mal, oh, que gozo a verdade saber!<br />
Meu mal, em seu fruto e raiz,<br />
Jesus sobre a cruz com Seu sangue expiou<br />
Ele mesmo na Bíblia mo diz.”</p>
<p><strong>O que deve o crente fazer quando peca?</strong></p>
<p>Uma questão final deve ser respondida. Se I João 1:9 não é um versículo de restauração à comunhão, o que devem fazer os crentes quando pecam? Temos um padrão paulino que é muito mais eficaz em lidar com o pecado na vida do crente. Em primeiro lugar, devemos reconhecer que não precisamos de pecar. Em cada situação, temos à disposição poder espiritual para vencer o pecado. Deus providenciou um programa de vitória total sobre o pecado para cada membro do Corpo de Cristo. Romanos 6 é a chave do conhecimento da santificação prática. Consideremos em especial as palavras “sabei”, “considerai” e “apresentai” nos versículos 3, 11 e 13. Outras passagens de vitória são: Romanos 8:1-11, 12:1-2, 13:8-14, I Coríntios 6:9-20, 9:24-27, 10:13, 13:4-7, II Coríntios 3:17-18, 6:14-7:1, 10:4-5, 12:21, Gálatas 5:13-26, Efésios 4:17-24, 5:1-21, 6:10-18, Filipenses 2:5-11, 3:10-14, 4:5-9, Colossenses 3:1-17, I Tessalonicenses 2:13, 5:22-23, I Timóteo 3:1-13, 4:11-16, 5:2, Tito 2:6-8, 2:11-14.</p>
<p>Se o pecado tiver vantagem sobre nós, a razão é exclusivamente nossa, e não porque Deus nos deixou sem preparação.</p>
<p>No entanto, por causa da enfermidade da nossa carne, mesmo os crentes mais maduros pecam. Quando isto acontece, a primeira coisa a lembrarmo-nos é o perdão completo que possuímos em Cristo Jesus. Isto impedir‑nos‑á de entrar noutra jornada de culpa e produzirá, isto sim, gratidão, amor e estabilidade. Em vez de tal resultar numa licença para pecar, a motivação adequada (Graça de Deus) e a capacidade que nos foi dada (a Vida de Cristo) encontram-se em posição de tomar o controlo sobre nossas vidas.</p>
<p>Além disso, uma atitude de auto-análise deve caracterizar o crente arrependido (I Coríntios 11:31). A tristeza segundo Deus opera arrependimento (II Coríntios 7:10), mas a tristeza segundo o mundo opera a morte (Mateus 27:5, Hebreus 12:16-17). Por vezes, os anciãos da Igreja local podem ser úteis (Gálatas 6:1-2, II Timóteo 2:24-26).<br />
Intimamente associado com o auto analise está o mandamento de Paulo de “despojar” do velho homem e “revestir” do novo homem (Romanos 8:13, 13;14, Gálatas 5;16-25, Efésios 4:22‑24, Colossenses 3:5‑10). Dizemos “não” à velha natureza que herdámos de Adão e dizemos “sim” à nova natureza que herdámos de Cristo. Não há aqui nada de complicado ou misterioso, apenas obediência ao mandamento de Deus. Embora Paulo não fale da confissão de pecados nas suas epístolas, Lucas dá‑nos um relato inspirado disso em relação ao seu ministério (Actos 19;18). Muitos dos mandamentos de Paulo não podem ser obedecidos sem auto-análise que inclui necessariamente a confissão de pecados (I Coríntios 5:2, 11:31-32, II Coríntios 7:1, II Timóteo 2:21).</p>
<p>Quando um crente peca, deve concordar com a Palavra de Deus que está errado (confessar) e abandonar o comportamento ou atitude, despojando‑se do velho homem e revestindo‑se do novo homem. Assim, confessamos os nossos pecados, não para receber perdão, mas porque queremos estar em harmonia com a graça e assim glorificar aquele que perdoou todos os nossos delitos. O pecado provoca desarticulação no Corpo de Cristo. Quando nos vemos “em Cristo” e compreendemos que o pecado é contrário à nossa posição exaltada como filhos de Deus, podemos tomar medidas de forma a ajustarmos a nossa conduta para sermos mais conformes à imagem de Cristo.</p>
<p>Finalmente, a separação é absolutamente essencial para uma vida agradável a Deus (II Coríntios 6:14 ‑7:1). Isto envolve separação mas não isolamento. Devemos separar‑nos de influências nocivas e profanas (incluindo religião mundana) e cultivar amizades com crentes com fé igualmente preciosa, que nos encorajarão a viver de forma mais piedosa.</p>
<p>Estes não devem ser vistos como passos isolados, mas como parte de todo um programa de vitória sobre o pecado. A Palavra de Deus actua como nosso professor, alimentador e disciplinador (II Timóteo 3:16-17, 4:2).</p>
<p>Em conclusão, I João 1:9 é um versículo de salvação que encaixa “que nem uma luva” com o programa da Profecia do evangelho do Reino. É o “Efésios 2:8-9” da dispensação do Reino. É errado e uma perversão grosseira usá‑lo para “perseguir” crentes sinceros ao longo das suas vidas cristãs por causa dos seus pecados, para os quais o nosso Salvador já providenciou perdão na Cruz. Deus já não perdoa pecados às prestações ou aos bocados.</p>
<p>À luz desta “revelação” do perdão completo, total e incondicional de pecados, o ciclo infindável de</p>
<ul>
<li>pecado,</li>
<li>culpa,</li>
<li>quebra de comunhão,</li>
<li>confissão e</li>
<li>perdão</li>
</ul>
<p>acaba por tornar‑se numa tarefa rotineira para a carne. Prende a pessoa a um sistema de desempenho pessoal (obras) e desonra o Cristo da Cruz que morreu para nos libertar dele.</p>
<p>Somos agora membros de uma Nova Criação em Cristo e vivemos num estado de perdão perpétuo. Aqueles que fizeram a transição da Lei para a presente verdade das epístolas de Paulo nunca terminarão uma oração dizendo “… e perdoa os nossos pecados por amor de Jesus”.</p>
<p>Foi grande a minha alegria quando me tornei crente em Jesus Cristo e soube que os meus pecados não mais poderiam separar‑me de Deus e de um lar no céu. Mas ainda maior se tornou a minha alegria quando comecei a compreender que todos os meus pecados (incluindo aqueles que cometi depois de pertencer à família de Deus) foram perdoados por amor de Jesus. Não consideramos apropriado curvar agora nossas cabeças, louvá‑lO e agradecer‑Lhe pela Sua graça? E estas coisas vos escrevemos para que o vosso gozo seja completo. Possa o Deus de toda a Graça conduzir‑nos da dúvida e medo até ao gozo e paz de crer para louvor da Sua glória. Amén.</p>
<p>“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dEle” (Eclesiastes 3:14).</p>
<p>(por Ken Lawson)</p>
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		<title>A Confissão de Pecados – Parte 3</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[No versículo 7 encontramos pela quarta vez a palavra “comunhão”. Como compreender esta passagem no contexto? Isto é importante, pois trata‑se do assunto principal no capítulo. A palavra original grega traduzida por comunhão é “koinonia”, que tem o sentido de &#8220;ter em comum&#8221;, &#8220;partilha&#8221; e de &#8220;adoração em conjunto&#8221;. Tal como a palavra bíblica “santificação”, há tanto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=147&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No versículo 7 encontramos pela quarta vez a palavra “comunhão”. Como compreender esta passagem no contexto? Isto é importante, pois trata‑se do assunto principal no capítulo. A palavra original grega traduzida por comunhão é “koinonia”, que tem o sentido de &#8220;ter em comum&#8221;, &#8220;partilha&#8221; e de &#8220;adoração em conjunto&#8221;. Tal como a palavra bíblica “santificação”, há tanto um aspecto de posição como um de prática.</p>
<p>Nas epístolas de Paulo, a comunhão é mencionada como:</p>
<ol>
<li>Contribuir para os crentes pobres (II Coríntios 8:4, Romanos 15:26-27).</li>
<li>Contribuir para os servos do Senhor no ministério (Filipenses 1:5, 4:15-19, Gálatas 6:6).</li>
<li>A comunicação das aflições de Cristo (Filipenses 3:10, II Coríntios 11:23-33).</li>
<li>A Ceia do Senhor (I Coríntios 10:16).</li>
</ol>
<p>Estes são exemplos de comunhão prática. Isto é, podemos recusar contribuir para os crentes pobres, negligenciar na contribuição para as necessidades dos servos do Senhor, evitar sofrer afronta e desprezo pelo Seu nome e Evangelho e escolher não participar no memorial da morte de Cristo por nós. No entanto, creio que as escrituras do Novo Testamento falam de uma comunhão posicional, permanente e pertencente a todo o crente em Cristo Jesus. Tal comunhão pertence a todos os verdadeiros crentes, independentemente do crescimento espiritual ou dedicação. Se há crentes na Bíblia que viveram num estado de quebra de comunhão, eram os Coríntios:</p>
<ol>
<li>Existiam dissensões carnais e contendas entre eles (I Coríntios 1:10-13, 3:1-3).</li>
<li>Estavam seduzidos pela sabedoria do mundo (I Coríntios 1:18-2.5, 3:18-23).</li>
<li>Estavam a julgar coisas que não deviam e falhavam em julgar as que deviam (I Coríntios 4:1-5; 5; 6).</li>
<li>Permitiam imoralidade sexual na Igreja local e orgulhavam‑se disso (I Coríntios 5:1-2).</li>
<li>Levavam os irmãos a tribunais perante os descrentes (I Coríntios 6:1-12).</li>
<li>Visitavam prostitutas (I Coríntios 6:13-20).</li>
<li>Orgulhavam‑se do seu conhecimento e causavam a queda de irmãos mais fracos (I Coríntios 8).</li>
<li>Questionavam a autoridade e o apostolado de Paulo (I Coríntios 9:1-6).</li>
<li>Inclinavam‑se para a idolatria, cobiçando o que era mau (I Coríntios 10).</li>
<li>Comportavam‑se desordenadamente na Igreja, incluindo zombarem da Ceia do Senhor (I Coríntios 11).</li>
<li>Estavam enamorados com os dons espirituais, mas não os exerciam em amor (I Coríntios 12-14).</li>
<li>Duvidavam da ressurreição (I Coríntios 15:12-19).</li>
<li>Como se não bastasse, eram avarentos na sua contribuição para os crentes pobres (II Coríntios 8 e 9).</li>
</ol>
<p>Com todo este pecado na Igreja, poderíamos pensar que eles nem eram salvos. Mas Paulo, pelo Espírito de Deus, dirige‑se a eles como “a Igreja de Deus” e “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (I Coríntios 1:2). Além disso, não encontramos qualquer mandamento para eles confessarem os seus pecados para receberem o perdão e restaurar a sua comunhão com Deus. Pelo contrário, Paulo garante‑lhes que “fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (I Coríntios 1:9). É uma comunhão baseada na fidelidade de Deus.</p>
<p>Apesar de todos os pecados, falhas e defeitos da Igreja de Corinto, eles estavam “em Cristo” e como tal faziam parte “comunhão de Seu Filho”. O que tinham eles em comum com Jesus Cristo? Eles partilhavam da Sua vida, da Sua justiça, da Sua aceitação perante Deus Pai (II Coríntios 5:21, Efésios 1:6 e Colossenses 3:4). Tudo isto faz parte da dádiva da graça sem obras para todos os crentes em Cristo e que forma a comunhão que sustém a nossa posição nEle.</p>
<p>Em várias outras passagens das epístolas de Paulo, em relação a este assunto, não é dada a devida importância. Por exemplo, lemos em Efésios 3:12: “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nEle.” A palavra grega para fé (“pistos”) muitas vezes tem o significado de fidelidade, lealdade ou fidedignidade como em Romanos 3:3,22, Gálatas 2:16, 3:22, 5:22, Filipenses 3:9, Colossenses 2:12, I Timóteo 4:12, 6:11, II Timóteo 2:22, Tito 2:10, sendo que é o próprio contexto que determina qual a palavra. Nesta passagem de Efésios, a expressão “nossa fé nEle” deveria ser “Sua fidelidade”, como noutras versões. O nosso acesso a Deus depende apenas de Jesus Cristo. Deus quer que tenhamos ousadia e confiança nisto. O sistema de “pequenas contas” (em comunhão, fora de comunhão) serve apenas para semear a dúvida e assim tirar a nossa ousadia e confiança. Não nos deveríamos alegrar no facto de que estas bênçãos dependem da fé (fidelidade) de Cristo e não da nossa fé? Outras passagens falam do acesso a Deus, como Efésios 2:18, Romanos 5:1-2 e Hebreus 10:19-20.</p>
<p>A comunhão de I João 1 deve ser considerada à luz disto. De acordo com o contexto, o que tinham estes crentes em comum com “o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”? Vida eterna (versículos 1 e 2). Jesus Cristo como a Palavra da Vida é a personificação dessa vida.</p>
<p>Há um paralelismo verdadeiramente admirável entre os versículos 7 e 9. Vejamos:</p>
<p>Versículo 7:</p>
<blockquote><p>	Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,<br />
	Temos comunhão uns com os outros,<br />
	E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.</p></blockquote>
<p>Versículo 9:</p>
<blockquote><p>	Se confessarmos os nossos pecados,<br />
	Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,<br />
	E nos purificar de toda a injustiça.</p></blockquote>
<p>Ambos os versículos apresentam a mesma verdade, mas de perspectivas diferente. Estes crentes judeus do Reino andavam na luz ao confessar os seus pecados em relação à salvação inicial. Ter comunhão com Deus baseava‑se no facto de que Deus é fiel e justo para perdoar os seus pecados. E quantas vezes poderiam eles ser purificados de todo o pecado? Se a resposta for até que pecassem de novo, então não eram purificados de todo o pecado. Da mesma forma, eles apenas poderiam ser purificados de toda a injustiça uma única vez (versículo 9). Isto é confirmado mais tarde quando se dirige aos crentes e lhes garante que os seus pecados já estão perdoados.</p>
<p>“Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo Seu nome vos são perdoados os pecados”. (I João 2:12)</p>
<p>A confissão de pecados estava intimamente relacionada com a religião de Israel. Confissão, bem como a sua equivalente grega (“homologia”), significa falar a mesma coisa, admitir, concordar, reconhecer. Moisés, escrevendo profeticamente, traçou o plano para a confissão sob a Lei.</p>
<p>“Então confessarão a sua iniquidade, e a iniquidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra Mim; como também eles andaram contrariamente para comigo. Eu também andei para com eles contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se então o seu coração incircunciso se humilhar, e então tomarem por bem o castigo da sua iniquidade, também eu me lembrarei da Minha aliança com Jacob, e também da Minha aliança com Isaac, e também da Minha aliança com Abraão Me lembrarei, e da terra Me lembrarei. (Levítico 26:40-42; comparar com Neemias 9:1-3).</p>
<p>É exactamente aqui que Israel se encontrava quando João Baptista entra em cena. Embora ainda estivesse numa relação do Concerto com Deus, eles tinham‑se tornado moral e espiritualmente corruptos. E assim João Baptista foi enviado como pregador da justiça para chamar a nação apóstata ao arrependimento. Isso fazia parte da preparação para receber o seu Messias, Jesus Cristo.</p>
<p>“E, naqueles dias, apareceu João Baptista pregando no deserto da Judeia, E dizendo: ‘Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus’&#8230; Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:1-2; 3:5-6).</p>
<p>“Apareceu João baptizando no deserto, e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão dos pecados.” (Marcos 1:4).</p>
<p>Aqui está. Arrependimento, confissão de pecados e baptismo na água para a remissão (perdão) de pecados estavam juntos no evangelho do Reino anunciado a Israel (Mateus 4:23, 9:35). O nosso versículo chave de I João 1:9 é um versículo de salvação para o Israel que esperará o regresso de Cristo para estabelecer o seu reino milenial, davídico e terreno.</p>
<p>Poderá ser colocada a objecção que este versículo não pode referir-se a salvação, porque fé em Jesus Cristo não é mencionado. No entanto, outros versículos de salvação também não a mencionam. Alguns exemplos são Romanos 4:5-8, Gálatas 3:11, Efésios 2:8-9 e Tito 3:5. Quando isto acontece, todo o resto da epístola torna bastante claro (como em I João) que Jesus Cristo é o objecto da fé (I João 2:22-23, 3:23, 4:2,9-10, 4:14-15, 5:1,5,11-13).</p>
<p>A expressão “Se dissermos” repetida nos versículos 6, 8 e 10 refere-se à falsa profissão de comunhão, quando na verdade a pessoa em questão não possui a vida eterna. Estes eram judeus descrentes que tinham um problema espiritual duplo: acreditavam ser justos em si mesmo e rejeitavam o seu Messias. Eles justificavam‑se a eles mesmos perante os homens. Eles confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros. Pensavam que, como eram descendentes de Abraão, Deus era seu Pai. Ignorando a justiça de Deus e estabelecendo a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus (Mateus 9:10-13, 21:31-32, Lucas 16:15, 18:9, João 8:39-44, Romanos 10:1-4).</p>
<p>Numa graciosa demonstração de amor piedoso, João abre a sua epístola com um apelo evangelístico aos seus irmãos judeus para abandonar a falsa comunhão das trevas e vir ao Salvador e desfrutar da genuína comunhão da luz. Isto não aconteceria enquanto eles confiassem na sua genealogia, religião e méritos pessoais, e continuassem a rejeitar “a Luz do mundo”.</p>
<p>Como é possível um versículo, retirado de uma epístola que não de Paulo, ser deturpado em relação ao seu contexto e enquadramento dispensacional, ser torcido e transformado num sistema de bênçãos condicionais e depois ser usado pelo nosso Adversário para roubar o povo de Deus daquilo que faz a vida cristã valer a pena? A razão só pode ser tradição religiosa e o falhanço em “manejar [dividir] correctamente a Palavra da verdade” (Mateus 15:3,6,9, II Timóteo 2:15). </p>
<p>Muitas vezes agimos como ovelhas e gostamos de seguir líderes. Quando um magnífico pregador ensina algo, muitos de nos temos a tendência de seguir sem uma mente crítica. Embora Deus tenha dado ensinadores para a Igreja, cada crente é responsável perante Deus para estudar os assuntos por si mesmo e desenvolver convicções pessoais em relação a eles. De outro modo estaremos firmes na opinião de outros. O homem, mesmo no seu melhor, é homem e portanto falível. Que sempre possamos ter o espírito do crentes de Bereia e “examinar cada dia nas Escrituras se estas coisas são assim” (Actos 17:10,11).</p>
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		<title>A Confissão de Pecados – Parte 2</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 15:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um Versículo de Restauração &#8211; Restaurar alguém para Comunhão A variante 2.b) também fala de restauração, não para salvação ou mesmo para a manter, mas antes para comunhão. Aqueles que vêem desta forma tal versículo compreendem claramente o ensinamento da segurança eterna e da preservação dos santos. Só que agora o assunto é a intimidade com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=140&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um Versículo de Restauração &#8211; Restaurar alguém para Comunhão</strong></p>
<p>A variante 2.b) também fala de restauração, não para salvação ou mesmo para a manter, mas antes para comunhão. Aqueles que vêem desta forma tal versículo compreendem claramente o ensinamento da segurança eterna e da preservação dos santos. Só que agora o assunto é a intimidade com o nosso Pai celestial. A nossa relação é como o Rochedo de Gibraltar, firme e que não se pode mover. Por outro lado, a nossa comunhão (dizem-nos) é como um fino fio que mesmo o mais pequeno pecado em pensamento, palavra ou acto pode quebrar. Talvez a melhor ilustração desta visão é a da comunhão entre um pai e um filho. Se o filho pecar contra o seu pai, a intimidade anteriormente gozada por ambos é quebrada e o prazer de cada um da companhia do outro é colocado em risco. A relação de sangue entre pai e filho mantém‑se intacta, mas a comunhão deve ser restaurada através de confissão do erro. Da mesma forma, os crentes têm uma relação de sangue com o nosso Pai celestial através do Seu Filho Jesus Cristo. Embora nada possa quebrar a nossa relação como filhos de Deus, a comunhão apenas pode ser restaurada reconhecendo o pecado e pedindo perdão, de preferência com o compromisso de não repetir a ofensa. Isto restabelece a doçura da comunhão e do prazer com o quais tanto o Pai como o filho podem relacionar‑se um com o outro.</p>
<p>Crentes que procuram praticar isto falam frequentemente de “manter contas pequenas com Deus”, ou seja, procurar confessar pecados com regularidade de forma a que a nossa conta não se acumule com pecados por confessar. Salmos 32 e 51 e João 13:1-20 são muitas vezes citados para confirmar esta posição.</p>
<p>Esta visão de I João 1:9 tem mais motivos para ser elogiada do que a anterior. “A confissão faz bem à alma” é uma verdade evidente que se aplica a todas as eras e dispensações. De facto, Provérbios 28:13 diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”.</p>
<p>(Nem vale a pena nos determos muito tempo com a tradição católica de confissão auricular, pois apenas I Timóteo 2:5 basta para mostrar o erro desta tradição: “Porque há… um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”)</p>
<p>Como crente, em tempos esta visão parecia‑me ser lógica, equilibrada e correcta. Eu conhecia muitos respeitáveis ensinadores da Bíblia que ensinavam isto. Contudo, ao longo dos anos, creio que o Espírito de Deus estava a “picar” a minha consciência para me mostrar coisas que revelavam as falhas desta abordagem. Entre elas estavam:</p>
<ol>
<li>Baseia‑se num sistema de desempenho com bênçãos condicionais, que desviam o meu olhar de Cristo e da Sua graça para a minha própria fidelidade (ou geralmente falha) em confessar.</li>
<li>Se aquilo em que eu acreditava em relação à confissão estava certo, provavelmente eu estava “fora de comunhão” a maior parte do tempo, bem como a maior parte dos crentes.</li>
<li>Há muitas coisas em I João 1 que são inconsistentes com esta visão.</li>
<li>Em relação à popular ilustração pai‑filho, várias questões retóricas podem ser colocadas para mostrar a sua fragilidade. E se o filho não confessar o erro? Deverá o pai mostrar‑se frio para com ele até que o faça? Que tipo de pai isso faria dele? Será isto uma figura apropriada de como o nosso amado Pai celestial lida hoje com os seus filhos debaixo da graça? Além disso, a expressão “fiel e justo” descreve mais convenientemente um juiz numa sala de tribunal do que um pai na sala da casa de família.</li>
<li>Tenho de admitir honestamente que considero extremamente difícil confessar os meus pecados diários numa base sistemática.</li>
<li>Esta visão de I João 1:9 tem necessariamente de ocupar um ponto importante no sistema de crenças. Sem confissão regular de pecados, a promessa de purificação contínua é considerada nula e sem validade, resultando em comunhão quebrada. E quem quer estar fora da comunhão com Deus?</li>
<li>Paulo, o apóstolo dos gentios, nada diz nos seus escritos sobre a confissão de pecados para perdão, para restituição da comunhão parental com Deus ou para outro fim.</li>
<li>As epístolas de Paulo garantem‑nos total, completa e incondicional perdão para todos aqueles em Cristo Jesus.</li>
</ol>
<p>Alguns exemplos devem bastar:</p>
<p>“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).</p>
<p>“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).</p>
<p>“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2:13).</p>
<p>O perdão do crente é agora referido como uma transacção feita, já consumada. Não suplicamos por perdão diário mais do que devemos por redenção diária. Faz parte de “todas as bênçãos espirituais” com as quais já fomos abençoados (Efésios 1:3). Há outras passagens que falam da doutrina do perdão para a presente dispensação da Graça de Deus: Colossenses 1:14, 3:13, Romanos 4:5‑8, Actos 13:38-39.</p>
<p>É bem evidente que temos de encontrar uma melhor explicação para I João 1:9. Um bom sítio para começar e compreender o contexto da passagem é o versículo 6.<br />
“Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.”</p>
<p>A questão chave é esta: Aqueles que “andam em trevas” são crentes ou descrentes? A resposta que encontrarmos para esta questão é crucial para a interpretação desta passagem. Se estes são crentes carnais, desobedientes ou apóstatas que andam em trevas, mentem se dizem que têm comunhão com Deus. Confissão de pecados nas suas vidas e “andar na luz” restaurará a comunhão. No entanto, se puder ser provado pelas Escrituras que estes são descrentes que falsamente professam comunhão, a posição “fora de comunhão” cai por terra, porque ninguém poderá demonstrar com sucesso uma restauração a algo que nunca teve.</p>
<p>Para vermos a que realmente se refere, comparemos estas três passagens:</p>
<p>“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I João 1:6).</p>
<p>“Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I João 2:11).</p>
<p>“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (I João 3:15).</p>
<p>Nota cuidadosamente na relação entre estes versículos e ao que eles ensinam.</p>
<ol>
<li>
Aquele que odeia a seu irmão “anda em trevas”. (A palavra irmão nesta passagem não indica que aquele que odeia é um irmão crente. Refere-se sim à relação racial da irmandade judaica descrita em Romanos 9:3. Embora eles fossem parentes na carne, é bem claro nos escritos de João que o judeu que crê em Jesus Cristo deve estar preparado para suportar a ira e o ódio dos seus irmãos israelitas descrentes.) </li>
<li>Qualquer que odeia a seu irmão é homicida.</li>
<li>Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.</li>
</ol>
<p>Conclusão: Aquele que anda em trevas não tem a vida eterna permanecendo nele, ou seja, é descrente.</p>
<p>Quando compreendemos tal, a teoria da restauração à comunhão cai por terra como um castelo de cartas. Tiremos todas as dúvidas das nossas mentes. Um estudo harmonioso das Escrituras revela que a associação consistente e uniforme às trevas, quer seja na Palavra de Deus em geral ou nos escritos de João (neste caso em particular), é relativa ao perdido (João 1:5, 3:19-21, 8:12, 12:35-36,46, Actos 26:18, II Coríntios 4:4-6, 6:14, Efésios 5:8, Colossenses 1:13, I Tessalonicenses 5:4-5, I Pedro 2:9).</p>
<p>Poderá alguém argumentar: “E o homem de I Coríntios 5 que vivia em imoralidade? E os crentes de Gálatas de quem Paulo disse “depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6)? E Pedro, quando teve de ser repreendido por Paulo pela sua hipocrisia entre os gentios (Gálatas 2:11-14)? Não pode ser dito que eles “andavam em trevas”? Claro que não! Certamente nos ajudará a compreender tal princípio, se repararmos que João não se refere a como eles andam mas onde eles andam. É a sua posição permanente em Cristo. Todos os descrentes têm a sua posição fora de Cristo e assim andam em trevas. Todos os crentes, tanto no programa do Reino como no corpo de Cristo, têm a sua posição nele e andam na luz. Um crente não pode andar nas trevas, tal como um descrente não pode andar na luz.</p>
<p>É por isso que o pecado na vida do crente é tão grave. Quando um crente peca, ele fá‑lo “na luz”. Um dia um pregador falou sobre “Os pecados dos santos”. No fim do culto, uma mulher criticou‑o, dizendo que os pecados dos crentes não são como os dos descrentes, ao que ele responde: “Sim, os dos crentes são muito piores”.</p>
<p>Ao compreendermos que &#8220;andar na luz&#8221; é exclusivo do crente, torna‑se claro o versículo seguinte.</p>
<p>“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7)</p>
<p>Tomemos atenção à natureza condicional desta promessa. A purificação pelo sangue depende de andarmos na luz. De facto, os versículos 6 a 10 contêm o condicional “se”. Trata‑se de um teste da realidade espiritual. Durante muitos anos eu fazia uma grande confusão sobre isto. Eu lia esta passagem como se dissesse “se andarmos de acordo com a luz, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Eu pensava que queria dizer que se eu tivesse cuidado em obedecer aos mandamentos de Deus e andasse de acordo com a luz, Ele limpar‑me‑ia. O que na prática é outra maneira de dizer que ele me purificaria quando eu não precisava de purificação.</p>
<p>No entanto, quando o versículo é devidamente compreendido, percebemos que o mais vil pecador tem esta purificação quando vem para a luz de Deus pela fé em Jesus Cristo. O versículo não diz “se andarmos de acordo com a luz”, mas “se andarmos na luz”. Novamente, não é como andamos, mas sim onde andamos, que está em causa. É andar na presença de Deus como uma posição permanente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/conheceromisterio.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/conheceromisterio.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=140&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Confissão de Pecados &#8211; Parte 1</title>
		<link>http://conheceromisterio.com/2010/01/10/a-confissao-de-pecados-parte-1/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 18:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9). A Culpa e Provisão de Deus A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. É uma das armas mais eficazes de Satanás [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=135&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).</p>
<p><strong>A Culpa e Provisão de Deus</strong></p>
<p>A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. É uma das armas mais eficazes de Satanás contra os filhos dos homens. Psiquiatras e médicos dizem‑nos que a culpa não resolvida é a principal causa de doenças mentais e suicídios. Mais de metade dos hospitais estão ocupados por pessoas que sofrem de doenças do foro emocional. A culpa destrói relações, tanto entre pessoas, como entre pessoas e Deus. Não podemos perdoar livremente enquanto não tivermos recebido o perdão de Deus.</p>
<p>O nosso Pai gracioso e amoroso proporciona uma libertação total e completa do pecado e da culpa. Mas se acreditarmos numa mentira e formos incapazes de lidar com a culpa da maneira como Deus lidou com ela, caímos numa cilada, e ela torna‑se na arma mais penosa e cruel usada contra nós.</p>
<p>A culpa é o sentimento moral de culpabilidade que cada um de nós sente quando sabemos que fizemos algo de errado. Não é necessariamente má, porque diz‑nos que pecámos e que algo deve ser feito em relação a isso. Tal como os nossos corpos doem quando estão doentes ou se magoam, assim a nossa consciência dada por Deus deveria doer quando violamos o que sabemos que é correcto.</p>
<p>Para começar, devemos compreender que Deus não lidou com o problema da culpa sempre da mesma forma durante todo o tempo da história bíblica. É de extrema importância saber isto, porque muitos dos problemas relacionados com culpa são piorados por pessoas que tentam obedecer aos mandamentos de Deus dados noutras dispensações. Por exemplo, sob a Lei de Moisés, os filhos de Israel eram ordenados a “afligir as suas almas” enquanto o sumo sacerdote fazia expiação pelos seus pecados através do sacrifício de um animal (Levítico 16:29-31). O escritor de Hebreus fala sobre este Dia da Expiação e da incapacidade da Lei em providenciar um perdão completo.</p>
<p>“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:1-4).</p>
<p>Embora esta tenha sido uma misericordiosa provisão para o Israel de então, a Lei era inadequada para tornar a consciência dos adoradores perfeita em relação ao problema da culpa. O próprio facto de que os sacrifícios tinham de ser repetidos era uma lembrança constante de que o perdão de Deus era dado aos bocados, isto é, às prestações. O perdão nunca era completo. Era de esperar que o povo de Deus lamentasse e afligisse as suas almas, o que é o oposto de uma consciência perfeita. De facto, longe de ser uma resposta satisfatória para a culpa, Paulo diz‑nos de forma inequívoca por que razão a Lei foi dada:</p>
<p>“Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19).</p>
<p>Na Sua graça, Deus providenciou o sistema de sacrifícios da Lei para expiar (cobrir) os pecados do Seu povo até que o “precioso sangue de Cristo” pudesse ser derramado, de forma a comprar para nós a redenção eterna. Aqueles que viveram antes da Cruz eram salvos “a crédito”, por assim dizer, até que a plenitude dos tempos (pela obra redentora de Cristo na Cruz) chegasse para a completa remoção dos nossos pecados. Mesmo nas passagens do chamado Novo Testamento, o perdão era condicional e portanto incompleto (Mateus 6:12-15, 18:34-35, Marcos 11:25-26, Lucas 6:37). No tempo dos Evangelhos, a revelação do Mistério, através do Apóstolo Paulo pelo Cristo ascendido e glorificado, seria algo ainda a acontecer no futuro. E assim o ponto alto da revelação divina relativa ao completo perdão de pecados permaneceu ausente até esse tempo. Tudo isto é essencial para a compreensão do resto deste artigo.</p>
<p><strong>As variantes de interpretação de I João 1:9</strong></p>
<p>Com isto em mente, há uma passagem que tem causado enorme dano e detrimento para com o povo de Deus. Não porque o próprio versículo seja imperfeito, porque toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa, mas porque os líderes religiosos o têm interpretado de forma miserável e aplicado o seu significado original de forma incorrecta. O que torna isto ainda mais trágico é que tal não tem origem entre os inimigos de Cristo, mas sim entre crentes sinceros, respeitáveis e que acreditam na Bíblia. O versículo é I João 1:9.</p>
<p>Para vermos este versículo no seu contexto, consideremos piedosamente esta passagem de I João 1.1-10.</p>
<blockquote><p>1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida<br />
2 (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);<br />
3 O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão connosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.<br />
4 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.<br />
5 E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nEle trevas nenhumas.<br />
6 Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.<br />
7 Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.<br />
8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.<br />
9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.<br />
10 Se dissermos que não pecamos, fazêmo-lO mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.</p></blockquote>
<p>Estamos certos de que compreendemos o versículo 9 no seu contexto? Vejamos. Embora existam muitas variantes da interpretação deste versículo, há três que são mais populares:</p>
<p>1. É um versículo de salvação que diz ao pecador como receber hoje o perdão de pecados.<br />
2. É um versículo de restauração:<br />
	a) Restaurar alguém para salvação;<br />
	b) Restaurar alguém para comunhão.<br />
3. É um versículo pertencente aos judeus sob o programa do Reino (Profecia) e tem pouca ou nenhuma aplicação aos gentios de hoje sob o programa do Corpo de Cristo (Mistério).</p>
<p>Por uma questão de tempo e espaço, passemos à frente dos números 1 e 3 e analisar directamente o número 2. Os outros dois tornar‑se‑ão claros com a compreensão da passagem.</p>
<p><strong>Um Versículo de Restauração &#8211; Restaurar alguém para Salvação</strong></p>
<p>A variante 2.a) é a mais fácil de responder. Esta é a visão de que uma pessoa salva pode perder‑se novamente devido a uma recaída, a carnalidade, a falta de fé, etc..<br />
Muitas vezes é dito que os pecados do crente foram perdoados até que este foi salvo. A partir daí, os méritos da morte de Cristo servem‑lhe apenas se ele for fiel em confessar os seus pecados a Deus e assim permanecer limpo aos Seus olhos.</p>
<p>Em primeiro lugar, a regeneração ou novo nascimento é uma experiência única no tempo. Nenhuma passagem bíblica fala de nascer de novo várias vezes. Enquanto andei na universidade, assisti a três reuniões evangelísticas numa tenda com alguns amigos. Não pude deixar de reparar que cada noite as mesmas pessoas iam à frente depois da pregação para receber perdão. Uma noite o evangelista citou I João 1:9 e afirmou que ninguém com pecados por confessar entraria no Céu. Quando insisti com ele após a reunião para que me esclarecesse sobre isto, ele acabou por admitir que provavelmente João se referia a pecados mais graves. Isto sublinha outro problema com esta visão. Quantos pecados Deus permitiu que Adão e Eva cometessem antes que Ele os lançasse fora da Sua presença no Jardim do Éden? Apenas um. E tudo o que eles fizeram foi comer do fruto que Deus tinha proibido. Quantos pecados não perdoados serão necessários para que sejamos condenados à perdição eterna? Apenas um. Deus é santo e tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a aberração não pode contemplar. Se sermos perdoados depende da nossa confissão de pecados, é bom que não nos esqueçamos de um único pecado.</p>
<p>A segunda razão pela qual I João 1:9 não se pode referir a restauração para salvação é a de que a salvação é um dom gratuito. É dado pela graça de Deus não só para os indignos, mas para os que merecem exactamente o oposto, a condenação. Se Deus anulasse a Sua dádiva, isso torná‑lO-ia mais gracioso para os Seus inimigos do que para os Seus filhos. Deus não retira a sua dádiva se nos tornarmos indignos. Na verdade, nós nunca fomos dignos.</p>
<p>Em terceiro lugar, Deus deseja que gozemos a dádiva da salvação. A salvação pertence ao Senhor. A única responsabilidade do homem é crer. Quererá Deus que vivamos as nossas vidas cristãs com uma nuvem sobre as nossas cabeças? Aqueles que crêem que ser perdoado depende da contínua confissão de pecados, cedo descobrirão que a sua experiência cristã se tornou em “dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de densas trevas”.</p>
<p>As Escrituras dizem‑nos que ao crermos que o Senhor Jesus morreu por nós e ressuscitou somos selados com o Espírito Santo até ao dia da redenção. Nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Efésios 1:13-14, Romanos 8:31-38). Com o Evangelho da Graça de Deus, temos o prazer de anunciar o perdão total de pecados. Isto traz paz, gozo e estabilidade. Disto falaremos mais adiante.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/conheceromisterio.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/conheceromisterio.wordpress.com/135/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=135&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Baptismo na água &#8211; Está incluído no programa de Deus para hoje? &#8211; Parte 2</title>
		<link>http://conheceromisterio.com/2009/10/25/baptismo-na-agua-esta-incluido-no-programa-de-deus-para-hoje-parte-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 11:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulo sobre o baptismo Será interessante examinar I Coríntios 1.14-17, uma das poucas passagens onde Paulo menciona o baptismo na água. No versículo 14 ele diz: “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós baptizei, senão a Crispo e a Gaio”; e no versículo 16 acrescenta “a família de Estéfanas”. Para além destes, ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=92&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Paulo sobre o baptismo </strong></p>
<p>Será interessante examinar I Coríntios 1.14-17, uma das poucas passagens onde Paulo menciona o baptismo na água.</p>
<p>No versículo 14 ele diz: “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós baptizei, senão a Crispo e a Gaio”; e no versículo 16 acrescenta “a família de Estéfanas”. Para além destes, ele não se lembrava de ter baptizado quaisquer outros Coríntios. O facto importante nesta porção é que ele escreve dizendo que está agradecido a Deus por não ter baptizado quaisquer outros. Se Paulo tivesse sido comissionado: “Ide… ensinai… baptizando…” (Mateus 28.19), como os onze apóstolos, poderia ter escrito isto? Poderia ele devidamente agradecer a Deus por descurar aquilo que era o seu claro dever? Alguns daqueles que defendem a prática do baptismo na água são rápidos em salientar que a razão para esta afirmação se encontra no versículo 16: “Para que ninguém diga que fostes baptizados em meu nome”.</p>
<p>Claro que isto é verdade, mas permanece o facto que Paulo agradeceu a Deus por não ter baptizado mais ninguém, quando não deveria, nem teria escrito tal afirmação se ele tivesse sido enviado como os onze apóstolos a baptizar tal como a pregar. Pedro, por exemplo, não poderia ter dito isto, porque estaria agradecido por ter quebrado um mandamento directo do Senhor. Pessoas haviam sido salvas através do apóstolo Paulo e vieram a gloriar­se: “Eu sou de Paulo”. No entanto, Paulo nunca agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido salvo através dele. Ele apenas agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido baptizado por ele.</p>
<p>Mas ainda não considerámos o versículo mais importante nesta porção, o versículo 17. “Porque Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar”. Quão diferente é esta comissão da dos onze! Eles foram claramente enviados a baptizar como a pregar, mas Paulo diz claramente: “Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar…”. Há alguns que quebram a força desta passagem, parafraseando­a como “Cristo enviou­me, não para baptizar principalmente, mas para evangelizar”, mas podem provar que ele foi enviado a baptizar? Não podem! O seu argumento é um recurso de emergência e denuncia uma falta de compreensão da essência da natureza do ministério de Paulo.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Alguns versículos debatidos </strong></p>
<p>Há o perigo de supor que, quando Paulo fala de baptismo, ele se refere ao baptismo na água. Devemos lembrar com cuidado que as palavras “baptismo” (do grego “baptisma”) e “baptizar” (do grego “baptizo”) de maneira nenhuma se referem sempre ao baptismo na água. Uma vista de olhos a passagens como Mateus 3.11, Marcos 10.38,39 e Lucas 12.50 tornarão isto muito claro. Estas passagens são escolhidas dos mesmos livros onde o baptismo na água é mais notório.</p>
<p>Vamos debater brevemente algumas das referências ao baptismo que são muito usadas, especialmente pelos nossos amigos Baptistas, mas que certamente não têm qualquer relação com o baptismo na água.</p>
<p>Primeiramente, examinaremos os primeiros seis versículos de Romanos 6:</p>
<p>“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?”<br />
“De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”<br />
“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na Sua morte?”<br />
“De sorte que fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.”<br />
“Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição;”<br />
“Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Romanos 6.1-6).</p>
<p>O versículo 3 não pode ser bem ajustado ao baptismo na água, porque o baptismo na água não nos baptiza na morte de Cristo, nem nos faz andar em “novidade de vida” referida no versículo 4. Apenas o poder do Espírito Santo pode operar estas coisas. Mas há mais no versículo 4 que indica que não se refere ao baptismo na água, porque diz­nos que “fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, COMO CRISTO RESSUSCITOU DOS MORTOS PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM andemos NÓS TAMBÉM em novidade de vida”. Certamente este baptismo não é obra dos homens, mas a obra de Deus ao baptizar­nos na morte de Cristo. Note­se que de acordo com o versículo 6, nós fomos crucificados “com Ele”, embora não tenhamos sido crucificados fisicamente. Da mesma forma somos sepultados “com Ele” de acordo com o versículo 4. Se a crucificação não é física, também não o é o sepultamento. O sepultamento do versículo 4 é a consequência natural da nossa crucificação com Cristo, “para que o corpo do pecado seja desfeito”. A esta crucificação e sepultamento segue­se naturalmente a ressurreição “com Ele”, referida no versículo 8 e em Efésios 2.5. Tudo isto é obra de Deus através do Espírito Santo. No momento em é colocada água numa porção das Escrituras como esta, toda a sua força e significado são destruídos.</p>
<p>Há outro versículo que é muitas vezes utilizado por aqueles que praticam o baptismo na água. Trata-se de Gálatas 3.27:</p>
<p>“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.”</p>
<p>Quantas vezes crentes sinceros que não foram baptizados são instigados a “revestir­se de Cristo” pelo baptismo na água! Mas é a ordenança do baptismo na água que coloca o homem “em Cristo”? Alguns argumentam que a tradução deveria ser: “Todos quantos fostes baptizados até Cristo, já vos revestistes de Cristo. É o baptismo na água que nos dá acesso a alguma relação com Cristo? É por este rito que o homem se “reveste de Cristo”? Certamente todas as Escrituras respondem “NÃO!” É apenas pela graça por meio da fé que os homens são colocados em ou trazidos até Cristo. E vejam­se os milhares de descrentes que têm sido baptizados na água. O pastor celebrante pode ter sido profundamente sincero, mas ele não poderia pela água baptizar o candidato em Cristo. Apenas os crentes podem ser baptizados em Cristo e, graças a Deus, todos o foram!</p>
<p>A seguir talvez devamos considerar a declaração esplendorosa encontrada em Colossenses 2.10-13. Esta é, na minha opinião, uma das mais benditas porções de todo o Novo Testamento.</p>
<p>“E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade;<br />
“No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.”<br />
“Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos.”<br />
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2.10-13).</p>
<p>Enquanto consideramos esta passagem, não nos esqueçamos deste grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Examinemos cuidadosamente os detalhes:</p>
<p>Versículo 11: “No Qual também estais circuncidados.”<br />
O versículo continua com um cenário de morte. Era isso que a circuncisão representava. Certamente não devemos praticar a circuncisão hoje. Todo o verdadeiro crente foi sepultado com Cristo.</p>
<p>Versículo 12: “Sepultados com Ele no baptismo”.<br />
Nós não fomos circuncidados ou crucificados fisicamente. Nós não morremos fisicamente. Nós morremos com Cristo. Nem é o baptismo aqui o sepultamento físico na água. Nós fomos “sepultados com Ele”, tal como fomos crucificados com Ele. Não é o baptismo na água que é referido aqui, mas identificação com Cristo no Seu sepultamento.</p>
<p>Versículo 13: “Vós estáveis mortos… vos vivificou juntamente com Ele”.<br />
Assim, eu fui sepultado e ressuscitado com Ele da mesma forma que morri com Ele, quando pela fé O aceite como me substituto e representante pessoal.</p>
<p>Tudo isto concorda com o grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Somos feitos perfeitos nele quando o Espírito Santo através do Seu poder regenerador nos identifica com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição.</p>
<p>Que bênção quando o crente toma consciência disto! Quão desonroso é para o Senhor quando se adiciona um acto religioso para nos tornar perfeitos a Seus olhos! Não nos devemos esquecer que, na medida em que acrescentamos importância ao que o homem faz, tiramos glória à obra consumada de Cristo.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Um só baptismo</strong></p>
<p>Para terminar, consideremos Efésios 4.3-6:</p>
<p>“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz:”<br />
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;”<br />
“Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo;”<br />
“Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Efésios 4.3-6).</p>
<p>Nesta passagem encontramos as expressões “um só” ou “uma só” sete vezes. Não é estranho, visto que no versículo 3 encontramos essa preciosa palavra “unidade”. “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.</p>
<p>Foi David quem disse: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” Como poderemos ter esta bendita unidade na Igreja de Cristo? É exactamente isto que esta passagem nos diz. Temos de compreender totalmente que “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé…” Até aqui a maioria dos filhos de Deus estão de acordo, mas quando chega a “um só baptismo”, há discórdia. Embora muitos dos nossos irmãos Baptistas concordem que se refere ao baptismo do Espírito Santo, outros dizem que a imersão é o “um só baptismo”, mas já se viram as palavras “Um só baptismo” inscritas em baptistérios em Igrejas onde se praticam a aspersão ou o derramamento. Infelizmente há muitos baptismos na Igreja de hoje. Grandes homens de Deus e poderosos defensores da fé estão uns contra os outros neste importante assunto. Como poderá haver a unidade do Espírito enquanto não reconhecermos o UM SÓ baptismo?</p>
<p>Graças a Deus, “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito formando um corpo”.Que Deus não permita que se acrescente o que quer que seja ao “um só baptismo” que nos une com Cristo e com o Seu povo e nos torna perfeitos nEle.</p>
<p>Oramos sinceramente a Deus para que esta bendita verdade possa ser aceite por crentes sinceros em todo o lado.</p>
<p>(Por Cornelius R. Stam)</p>
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		<title>Baptismo na água &#8211; Está incluído no programa de Deus para hoje? &#8211; Parte 1</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 15:26:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>David Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longo dos tempos, mais em particular nas últimas décadas, discordâncias em relação à questão do baptismo na água têm colocado obstáculos à comunhão entre os crentes. Embora alguns dos nossos estimados irmãos possam não concordar com os ensinamentos expostos neste artigo, esperamos que acreditem em nós quando afirmamos que respeitamos quaisquer convicções genuínas que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=conheceromisterio.com&amp;blog=9151369&amp;post=83&amp;subd=conheceromisterio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo dos tempos, mais em particular nas últimas décadas, discordâncias em relação à questão do baptismo na água têm colocado obstáculos à comunhão entre os crentes. Embora alguns dos nossos estimados irmãos possam não concordar com os ensinamentos expostos neste artigo, esperamos que acreditem em nós quando afirmamos que respeitamos quaisquer convicções genuínas que possam ter. E é nosso sincero desejo que diferenças de opinião em relação a este assunto não impeçam que gozemos da comunhão que temos em Cristo.</p>
<p>Confiamos que todos os que lerem este artigo o farão com o espírito dos nobres bereanos, que “de bom grado receberam a Palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Actos 17:11).</p>
<p>Alguns perguntam se será correcto alguns crentes desta geração afirmarem que a Igreja tem estado errada acerca do baptismo. Em resposta, digamos em primeiro lugar que, embora a Igreja em geral o tenha praticado, é questionável que toda a Igreja tenha praticado o baptismo na água. Mas só porque a maioria dos crentes o têm praticado, servirá isso como justificação para o praticar? Na história dos filhos de Israel podemos constatar que eles erraram várias vezes em relação a assuntos muito importantes. Será o povo de Deus hoje menos humano? Não é igualmente possível à Igreja errar? “Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma”.</p>
<p>Em segundo lugar, convém notar que, se bem que a Igreja em geral tem praticado o baptismo na água desde há muitos séculos, não tem estado nem um pouco de acordo quanto às razões ou até a forma de o praticar. Tão grandes têm sido as divergências em relação à doutrina e à prática deste ritual que, embora alguns nos considerem hereges, não estamos, de facto, mais longe deles do que eles uns dos outros.</p>
<p>Por exemplo, se os nossos irmãos Baptistas estão biblicamente correctos em relação ao baptismo na água, então os nossos irmãos Pentecostais estão errados e aos olhos de Deus nunca foram baptizados. Se os Pentecostais estão correctos, os Baptistas estão errados e, do ponto de vista bíblico, não ensinam nem praticam verdadeiramente o baptismo na água.</p>
<p>É a nosso sincero desejo que esta questão, que tanta confusão tem causado entre os crentes, possa ser resolvida pela Palavra de Deus, pelo menos entre crentes sinceros e dispostos a analisar o assunto sem ideias pré-concebidas. Seria um grande passo com vista ao derrube dos muros do denominacionalismo que tem dividido o Corpo de Cristo há tanto tempo. Caso alguns insistam em manter as suas teorias sobre o baptismo na água baseadas mais no peso da tradição do que propriamente nas Escrituras, esta questão continuará a trazer divisão e confusão entre os crentes.</p>
<p>Há alguns que não gostam que afirmemos as nossas convicções. No entanto, nem mesmo por amor a eles podemos manter silêncio. Seria loucura colocar de parte a eterna Palavra de Deus por causa de algumas amizades terrenas. Gostaríamos que eles continuassem a ser nossos amigos, mas se eles acham que é conveniente substituir a salvação pela Cruz pelo baptismo na água como base para a comunhão cristã, apenas podemos orar que Deus abra os seus olhos e amoleça os seus corações. Não podemos mudar a nossa postura para com eles, porque “se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.</p>
<p>Não nos opomos àqueles que honestamente divergem das nossas opiniões e que procuram responder pela Palavra de Deus, mas não abdicamos do nosso direito e responsabilidade de pregar aquilo que acreditamos ser verdade.</p>
<p>Neste artigo, este assunto é abordado de uma forma muito geral, mas pedimos a Deus que o use para levar muitos dos Seus filhos a um estudo mais diligente e piedoso da Sua santa Palavra.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>A questão verdadeiramente importante</strong></p>
<p>A questão que se pretende responder neste artigo não é se o baptismo na água se encontra ou não nas Escrituras. Todos concordamos que se encontra, visto que não pode ser negado que mesmo o Senhor Jesus mandou os Seus discípulos a baptizar. Não podemos colocar isso em causa.</p>
<p>A verdadeira questão é esta: O baptismo na água está no programa de Deus para hoje? Devemos praticá-lo agora? É uma ordenança para o Corpo de Cristo ou estava relacionada com a proclamação do Reino do Messias nos Evangelhos e nos Actos? Estas são algumas das questões que aqueles que ensinam o baptismo na água têm falhado em responder de forma satisfatória.</p>
<p>A grande mensagem de João Baptista era: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mateus 3.2). João Baptista, o precursor do Reino do Messias, ligou claramente o baptismo na água com o messianismo do nosso Senhor quando disse: “E eu não O conhecia; mas, para que Ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, baptizando com água” (João 1.31). Depois, o Próprio Senhor e os Seus doze apóstolos andaram a pregar a mesma mensagem sobre o Reino. Ver Mateus 9.35, 10.7. Quando, após a Sua ressurreição, Ele comissionou os restantes onze apóstolos, Ele não lhes disse para mudar a sua mensagem. Mesmo quando eles Lhe perguntaram: “Senhor, restaurarás Tu neste tempo o Reino a Israel?” Ele não lhes disse que o Seu Reino seria adiado por muitos séculos. Ele apenas lhes disse que não lhes pertencia saber quando o Reino seria restaurado (Actos 1.7,8) e os enviou como testemunhas sem uma única insinuação de que o Reino não estaria para vir em breve.</p>
<p>Por isso, durante o período do livro de Actos, Deus ainda continuou a chamar a nação de Israel ao arrependimento dos seus pecados, em especial aquele grande pecado nacional, a crucificação de Cristo. Neste período, o baptismo na água é incluído da mesma maneira que tinha sido antes da morte de Cristo, simplesmente porque Deus ainda estava a lidar com Israel como nação.</p>
<p>Quando chegamos a Actos 28.25-28 encontramos Paulo a ditar uma sentença de cegueira judicial sobre a nação de Israel e dizer­lhes que a “salvação de Deus é enviada aos gentios”. Aí o baptismo na água cessa, talvez não na história da Igreja, mas certamente no programa de Deus exposto na Bíblia. À medida que os judeus recusaram a mensagem de Deus para eles e os gentios eram salvos em grande número, o baptismo na água foi lenta mas firmemente perdendo a sua proeminência, tal como o livro de Actos prova. Quando chegamos às últimas epístolas de Paulo ele não é sequer mencionado. Isto é natural, porque Cristo já não está a ser manifestado a Israel (João 1.31). Israel rejeitou o Seu Messias e agora, até que o Messias volte, a Igreja Corpo de Cristo está sendo formada, no qual o baptismo na água não tem lugar à luz da Bíblia.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O silêncio de Paulo</strong></p>
<p>A maior parte dos crentes dispensacionalistas concorda que o apóstolo Paulo foi o vaso escolhido por de Deus para anunciar a verdade relacionada com o Corpo de Cristo. Eles têm consciência de que, enquanto toda a Bíblia é para nós, os ensinamentos dirigidos directamente a nós encontram-se nas epístolas de Paulo. Examinemos brevemente algumas passagens, para o caso de algum dos leitores ter dúvidas disso. Para poupar espaço, citaremos apenas parte de alguns versículos, sem alterar o sentido:</p>
<p>Sou o “apóstolo dos gentios” (Romanos 11.13). “O meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,” (Romanos 16.25). “Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema… Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.” (Gálatas 1.9-12). “O Evangelho que prego entre os gentios” (Gálatas 2.2). “O Evangelho da circuncisão me estava confiado” (Gálatas 2.7).</p>
<p>“Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios… me foi este mistério manifestado pela revelação… O qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; do qual fui feito ministro… A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Efésios 3.1-8).</p>
<p>“A Igreja, da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos;” (Colossenses 1.24-26).</p>
<p>Perante estas passagens, deveria ser evidente que as epístolas de Paulo são mais dirigidas a nós do que quaisquer outros livros da bíblia. Também foi Paulo que, escrevendo a Timóteo, o jovem pastor, afirmou “para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a Igreja…”</p>
<p>Não é notável que este Paulo, o apóstolo dos gentios, o ensinador da Igreja, não nos ordene o baptismo na água uma única vez? Se for perguntado a alguns crentes que acreditam sinceramente no baptismo na água para hoje, onde esperariam encontrar instruções e ordenanças relativas ao baptismo na água, certamente a maioria responderia “Nas epístolas de Paulo.” No entanto, são incapazes de encontrar uma ordem ou mesmo uma exortação, nas epístolas de Paulo, para sermos baptizados na água. Isto deveria ser um argumento convincente, especialmente para aqueles que crêem na verdade dispensacional. Se não está ordenado nas epístolas de Paulo, onde deveremos ir para o encontrar? Deveremos ir aos Evangelhos ou ao livro de Actos? Se formos aos Evangelhos ou ao livro de Actos, será razoável escolher cumprir o baptismo e deixar de fora as línguas, sinais e unções, entre outros?</p>
<p>É verdade que o próprio Paulo foi baptizado e baptizou outros, mas isso não afecta a questão. Ele foi circuncidado e mesmo enquanto apóstolo circuncidou outros. Deveríamos por isso praticar a circuncisão? Paulo falou em línguas e operou milagres; deveríamos nós também? O interessante sobre circuncisão, baptismos e manifestações miraculosas do ministério de Paulo é que elas ocorreram antes de Actos 28, quando Israel foi colocada de parte como nação.</p>
<p>Os seus escritos confirmam isto, porque é nas suas primeiras epístolas que ele menciona o baptismo na água (apesar de nunca o ordenar). As suas primeiras epístolas também têm muito a dizer sobre línguas, sinais miraculosos e circuncisão, mas aqueles que manejam bem [dividem correctamente] a Palavra da Verdade não praticam estas coisas. Evidentemente estas pertencem a uma dispensação em desaparecimento. Estas coisas apenas causam confusão quando elas, ou uma sua imitação, entram na Igreja hoje. Alguns sugerem o fraco argumento de que a falta de fé explica a ausência de manifestações miraculosas hoje. Mas não é estranho que os homens de Deus mais espirituais que conhecemos hoje, e aqueles que Deus mais notoriamente tem usado, sejam eles missionários, evangelistas, pastores ou ensinadores da Bíblia, não possuem esses sinais e frequentemente têm pregado contra eles?</p>
<p>Assim, o facto de os escritos de Paulo se referirem ao baptismo na água prova pouco. Depois de Israel ser colocado de parte em Actos 28, ele nem o menciona. No entanto, muitos pregadores que podem mostrar pelas Escrituras que as manifestações miraculosas não estão no programa de Deus para a Igreja hoje ainda se agarram ao baptismo na água. Não é de admirar que tenha havido tamanha confusão nesta matéria.</p>
<p>(Por Cornelius R. Stam)</p>
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