A nossa unidade em Cristo (A Glória de um só Baptismo) – Parte 2 Outubro 10, 2009
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Antes de continuarmos com o resto do artigo, consideremos mais uma vez o diagrama apresentado na Parte 1 deste artigo.
A Sua identificação connosco

A nossa identificação com Ele

A nossa identificação com Cristo
C. O Nosso Baptismo na Sua Morte (A Sua Morte Feita Nossa)
Como a Palavra de Deus através de Paulo profere ainda a sua repreensão àqueles que minimizam o carácter e valor da morte de Cristo no Calvário, e que assim não conseguem compreender como os crentes são “baptizados em Jesus Cristo”! Com um claro tom de reprovação, o apóstolo pergunta: “Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?” (Romanos 6.3).
O seu significado é bastante simples. É apenas quando nos tornamos um com Cristo na sua morte que nos tornamos um com Ele. O Calvário é sempre o ponto de encontro entre Deus e o pecador que queira ser salvo. Tal como o nosso Senhor foi ao Calvário para morrer a nossa morte, assim nós temos de ir ao Calvário e reconhecer em fé: “Esta não é a Sua morte. ‘A alma que pecar… essa morrerá’, ‘O pecado, sendo consumado, gera a morte.’ ‘O salário do pecado é a morte.’ Mas Ele não é pecador. Ele está a morrer a minha morte, e eu creio e com gratidão aceito o Seu amor e graça, reconhecendo-o como meu Senhor e Salvador.”
Só quando colocamos a nossa confiança Naquele que morreu a nossa morte é que nós somos baptizados na Sua morte, tornando-se nossa essa morte, preço de redenção completamente pago. E só assim nos tornamos um com Ele, “baptizados em Jesus Cristo”. Nenhum homem alguma vez foi “baptizado em Jesus Cristo” sem ter sido “baptizado na Sua morte”.
É assim que o apóstolo Paulo via de forma consistente a morte de Cristo na sua relação com o crente. “Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado…” (Romanos 6.6). “Estou crucificado com Cristo…” (Gálatas 2.20). “Crucificado com Cristo”! “Baptizado na Sua morte”! Que gloriosa verdade de conhecer e abraçar.
B. O Nosso Baptismo na Sua Justiça (Contados Com os Santos)
Não resulta daqui que, tal como Cristo foi baptizado na nossa culpa, também nós fomos baptizados na Sua justiça? Não cumpriu ele toda a justiça no Seus pagamento pelos nossos pecados? E não é a Sua justiça agora nossa, visto que fomos “baptizados em Jesus Cristo”, o Justo? Era isto que o apóstolo tinha em mente quando escreveu por inspiração: “Jesus Cristo… para nós foi feito… justiça…” (I Coríntios 1.30). “… pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Romanos 5.19). “… novo homem… é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.24). “Àquele que não conheceu pecado, O fez pecado por nós; para que, nEle, fossemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5.21).
É isto que a Igreja de Roma não consegue ver. Segundo os ensinamentos de Roma, apenas aqueles que já estiverem mortos há centenas de anos é que se podem tornar santos. Mas a Palavra de Deus ensina que, tal como o nosso Senhor assumiu a nossa culpa, nós que cremos recebemos a Sua justiça, aqui e agora. Tal como Ele foi “contado com os transgressores”, nós somos agora contados com os santos! Deus vê-nos, não na nossa própria pobreza, mas “em Cristo”. Só isto explica como o apóstolo poderia escrever aos débeis crentes dos seus dias, mesmo aos descuidados Coríntios, como “santificados em Cristo Jesus, chamados santos. (I Coríntios 1.2). O apóstolo chamou a si mesmo “o mínimo de todos os santos” (Efésios 3.8), o que indica que, embora tivesse sido um perseguidor da Igreja, ainda assim se considerava um santo. Isto é assim porque a santidade depende, não da nossa conduta, mas da nossa posição perante Deus, e o mais humilde dos crentes é um santo aos olhos de Deus porque Deus o vê “em Cristo”. Poderia haver maior incentivo para O amar e viver para Ele?
A. O Nosso Baptismo em Cristo (Participantes da Natureza Divina)
Como vimos, aqueles que foram baptizados na morte de Cristo (o Seu justo pagamento pelo pecado), foram assim baptizados em Cristo. Tornaram-se um com ele na Sua morte. Foi este o ponto de contacto.
Não resulta daqui que, como Cristo ressuscitou de entre os mortos e ascendeu à mão direita do Pai, “acima de todos”, a sua ressurreição e ascensão são, de igual forma, a nossa ressurreição e ascensão, e que agora temos nEle lugar à mão direita de Deus?
Quando Pedro escreve a sua segunda epístola sobre “graça multiplicada” (1.2) e “grandíssimas e preciosas promessas” pelas quais os crentes são feitos “participantes da natureza divina” (1.4), não cremos que se refira a promessas do reino. Cremos que ele recebeu isto de Paulo, como II Pedro 3.15-18 indica.
Certamente só aqueles “baptizados em Jesus Cristo” podem agora ser “participantes da natureza divina” e da posição divina que é nossa no ressuscitado e glorificado Senhor. Vê o que o apóstolo Paulo tem a dizer sobre isto: “… todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. De sorte que fomos sepultados com ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6.3-4).
Não é isto ser participante da natureza divina e viver a vida ressurrecta de Cristo? “Porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade; No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos” (Colossenses 2.9-12). (Nota: não “sepultados como Ele” , mas sim “sepultados com Ele”)
Aqui também o crente é visto sair em vida ressurrecta com Cristo.
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2.4-6).
Estes são alguns dos resultados gloriosos do nosso baptismo na morte de Cristo. Ao tornarmo nos um com Ele na Sua morte, tornamo nos um com Ele e assim saímos com Ele para a vida ressurrecta e glória celestial! Este é o “um só baptismo” que tanto diz a nós que reconhecemos o carácter distinto da revelação dada a Paulo para os crentes de hoje. Que Deus nos ajude a apropriar e gozar das ricas bênçãos espirituais que estão ligadas a este “um só baptismo”. Isto não retirará a nossa estima pelo nascimento de Cristo. Antes irá aprofundar a nossa estima por este maravilhoso acontecimento através do qual Cristo foi baptizado na humanidade e isto levar nos á a alegrarmo nos ainda mais na Sua vitória sobre pecado e morte e a sua exaltação “acima de todos”.
Já não conhecemos o nosso Senhor
Como “o Homem da Galileia”.
Agora exaltado no mais alto dos céus
À mão direita de Deus Ele está.
Ainda assim, lembramo nos bem
De que para nos fazer um com Ele
Ele veio como Filho do homem para morrer
Neste escuro mundo de pecado.
Baptizado na raça humana,
Baptizado na nossa morte,
Ele tomou as nossas culpas sobre Si
Suportando a vergonha e a ira.
Por isso agora, pela fé em Cristo apenas
No Céu tomamos o nosso lugar
Para sempre justificados do pecado,
Somos os troféus da Sua graça.
(por Cornelius R. Stam)
A nossa unidade em Cristo (A Glória de um só Baptismo) – Parte 1 Outubro 9, 2009
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“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte?” Romanos 6.3
Para ajudar os nossos leitores a compreender o alvo principal deste artigo, juntamos o seu título e subtítulo na seguinte inversão:
A Sua identificação connosco

A nossa identificação com Ele

Se considerarmos estas comparações nesta inversão, poderemos observar que assim como o Senhor Jesus Cristo morreu a nossa morte, agora nós crentes vivemos a Sua vida. Assim como Ele foi feito um connosco, agora nós somos feitos um com Ele, pelo “um só baptismo” divino acerca do qual o Apóstolo Paulo tem tanto para dizer.
Muitos dos nossos irmãos que crêem que o baptismo na agua esta incluído no programa de Deus para hoje são muito defensivos acerca dos seus pontos de vista sobre o baptismo. Eles podem discutir as suas opiniões divergentes entre eles, mas entre eles e aqueles que não crêem na necessidade do baptismo para hoje, o assunto não é discutido de forma aberta! Isto acontece, em parte porque os primeiros se apoiam profundamente na tradição, a qual tantas vezes torna vã a Palavra de Deus. Mas também se deve, em parte, ao facto de outros, que vieram a compreender a simples solução baseada nas Escrituras para esta questão doutrinária, por vezes se terem tornado presunçosos devido ao seu conhecimento. Eles arreliam, ou mesmo ridicularizam, aqueles que ainda não compreendem tal verdade. Ambas as atitudes são da carne e deveriam ser abandonadas.
Contudo, não pretendemos de modo algum neutralizar a importância da questão do baptismo e desejamos sinceramente que todos os nossos irmãos em Cristo possam ver claramente a glória de “um só baptismo” de Efésios 4.5.
A identificação de nosso Senhor connosco
A. O Seu Baptismo na Nossa Raça (Participante da Natureza Humana)
Alguma vez pensaste no nascimento do nosso Senhor na raça humana como um baptismo? Foi exactamente isso; o começo do “um só baptismo” pelo qual o nosso bendito Senhor e nós fomos feitos um.
É um erro supor que baptismo, nas Escrituras, refere-se sempre a baptismo na água. De facto, a própria palavra refere-se a uma completa e profunda identificação. Baptismo na água, quando em vigor, simbolizava uma limpeza cuidadosa, mas as Escrituras também falam de outros baptismos. Para alcançarmos o sentido e o uso desta palavra claramente firmada nas nossas mentes, consideremos duas passagens das epístolas de Paulo: “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um corpo.” (I Coríntios 12.13)
Esta passagem fala claramente da fusão de crentes no Corpo de Cristo como um todo, de modo que são agora parte desse Corpo.
“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.” (Gálatas 3.27)
Consideremos como as expressões “baptizados em Cristo” e “revestistes de Cristo” aparecem ligadas. Também aqui o pensamento é o da identificação completa do crente com Cristo, para que ele e Cristo sejam agora um (Ver também I Coríntios 12.12,27).
Assim, enquanto a palavra “baptismo” em particular não seja usada quando a Palavra de Deus fala da encarnação do nosso Senhor, esta verdade está certamente lá. Na Sua encarnação, o nosso Senhor não veio a esta terra meramente para estar connosco. Mais propriamente, Ele nasceu na raça humana para se tornar um de nós. Tem sido bem dito que o Filho de Deus se tornou no Filho do homem para que os filhos dos homens se pudessem tornar filhos de Deus. O nosso Senhor foi baptizado na raça humana, nascido de uma virgem, “em semelhança da carne do pecado” (Romanos 8.3), “em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).
Não pretendemos sugerir que Ele renunciou à Sua divindade enquanto aqui na terra, mas antes que Ele foi verdadeiramente homem bem como verdadeiramente Deus. Lucas, “o médico amado”, é quem tem mais a dizer acerca do baptismo do Senhor na raça humana e, no seu registo do ministério terreno de Cristo, prova fora de dúvida que Ele foi participante da natureza humana, à excepção do pecado.
B. O Seu Baptismo na Nossa Culpa. (Contado com os Transgressores)
O baptismo de João foi, indiscutivelmente, um baptismo de arrependimento e confissão de pecados. Há uma grande quantidade de passagens bíblicas para fundamentar esta afirmação, mas citamos apenas uma que é suficientemente clara: “Apareceu João baptizando no deserto e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão de pecados. E toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Marcos 1.4,5).
À luz deste facto, não é estranho ler em Mateus 3.13: “Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser baptizado por ele.”
Porque deveria o santo Filho de Deus ser baptizado? Ele não tinha pecados para confessar. Ele não tinha nada de que se arrepender. Ele não precisava de ser purificado. Os judeus esperavam que o Messias baptizasse e não que fosse baptizado. É por isso que perguntaram a João: “Por que baptizas tu, se não és o Cristo…?” (João 1.25).
Não é de estranhar que João, muito embaraçado com a vinda do nosso Senhor para ser baptizado, “… opunha se lhe, dizendo: ‘Eu careço de ser baptizado por Ti, e vens Tu a mim?’ ” (Mateus 3-14).
Mas o Senhor insistiu, dizendo: “ ‘…Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.’ ” (Mateus 3.15)
Obviamente, o nosso Senhor não queria dizer que este baptismo, em si mesmo, cumpriria toda a justiça, mas simplesmente que esta seria uma das coisas necessárias para o cumprimento de toda a justiça.
Mas porque seria o baptismo na água de nosso Senhor necessário para o cumprimento de toda a justiça? Por uma razão muito importante, relacionada com o facto de que este baptismo era uma confissão de pecados.
Visto que o nosso Senhor não tinha pecados para confessar, só pode haver uma razão pela qual Ele se submeteu ao baptismo. Ele estava a identificar se com os pecadores. Para “cumprir toda a justiça” e resolver a questão entre Deus e o homem, Ele deveria ser “contado com os transgressores”, confessando os pecados peles como Seus e suportar a sua vergonha e desgraça.
Este foi o segundo degrau na identificação do nosso Senhor connosco; parte integrante do “um só baptismo” de Efésios 4.5, embora ainda não revelado como tal.
Mas houve um terceiro degrau; um baptismo que o identificaria connosco muito mais intimamente do que o Seus baptismo na raça humana e o Seu baptismo na nossa culpa.
C. O Seu Baptismo na nossa Morte. (A Nossa Morte Feita Sua)
Algum tempo depois do baptismo na água do nosso Senhor, Ele disse aos Seus discípulos: “Importa, porém, que eu seja baptizado com um certo baptismo, e como me angustio[iv] até que venha a cumprir-se!” (Lucas 12.50).
À luz de Marcos 10.38,39, e tendo em conta que Ele já tinha sido baptizado com água, é evidente que o nosso Senhor referia-se aqui ao Seu baptismo na morte na cruz, que ocorreria em breve. Vejamos como age perante Pilatos: “E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: ‘Não ouves quanto testificam contra Ti?’ E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.” (Mateus 27.12-14) Mas, por que não respondeu? Ele não era culpado de todos aqueles crimes. Ele poderia ter colocado os seus acusadores numa situação embaraçosa, expondo naquela hora os seus pecados.
Ah, mas Ele estava carregando voluntariamente a culpa dos seus pecados, bem como os meus e os teus. Ao estar ali, em silêncio e condenado em nosso lugar, Ele prosseguiu com o Seu propósito até ao fim.
Ele tinha se identificado com os homens para os salvar. Ele tinha sido contado com os transgressores na confissão de pecados; agora Ele foi contado com eles no pagamento da sua pena, morrendo na cruz entre dois ladrões, para “aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.”
Este era o baptismo que o levou a usar expressões como: “Como Me angustio até que venha a cumprir-se!”, “Agora a Minha alma está perturbada.”, “Meu Pai, se é possível, passa de Mim este cálice.” Este era o baptismo que o deixou “cheio de tristeza” e fez com que suasse “grandes gotas de sangue”, tendo finalmente proferido aquele horrendo clamor: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”
A morte de cruz! Foi este o culminar do Seu baptismo na raça humana. Como é triste que milhares de líderes religiosos estejam a levar os seus ouvintes por um caminho errado pelos seus falsos ensinamentos acerca de Jesus de Nazaré e do Homem da Galileia, supondo que Ele veio ao mundo para nos mostrar como viver, quando a Palavra de Deus afirma claramente que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”, que Ele “se deu a Si mesmo em preço de REDENÇÃO por todos, para servir de testemunho a seu tempo” através do apóstolo Paulo, o principal dos pecadores (I Timóteo 1.15, 2.6,7).
Mas isto não é ainda a história completa de “um só baptismo”. Tal como o nosso Senhor Se identificou voluntariamente connosco, pecadores, também nós devemos, por um acto de fé, identificarmo-nos com Ele. Só há um lugar onde isso pode ser feito: no Calvário!
(por Cornelius R. Stam)
Dividir a Palavra de Deus? Agosto 28, 2009
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“Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Timóteo 2:15)
Talvez já tenhas ouvido anteriormente a expressão “dividir correctamente a Palavra de Deus”. Na verdade não consiste na divisão entre o Novo e o Velho Testamento, ou mesmo na diferença entre a Lei e a Graça. Antes consiste em distinguir entre o plano de Deus profetizado ao longo dos tempos e a revelação do Mistério que o Senhor revelou ao Apóstolo Paulo.
A passagem citada acima ensina-nos o quão importante é sermos aprovados por Deus, quando nos apresentamos diante dele. Por outras palavras, devemos primeiramente procurar na Sua Palavra se o que tencionamos fazer para Ele está de acordo com o Seu plano. Só assim nos podemos apresentar aprovados diante de Deus, e sermos obreiros que não têm de que se envergonhar.
A Bíblia é composta por 66 livros. É importante identificarmos primeiramente quais os livros que falam directamente a nós, no tempo presente, os membros da Igreja, o Corpo de Cristo.
Quando estudamos o Novo Testamento, os 4 Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e os primeiros 7 capítulos de Actos falam-nos do ministério terreno de Cristo, que reflectia o plano de Deus de estabelecer o Seu Reino nesta terra.
O livro de Actos é um livro de transição. Nos primeiros 7 capítulos ainda encontramos unicamente o plano do Reino. Mas após o apedrejamento de Estevão e a conversão de Paulo começamos a ler sobre a vinda de um novo plano, uma nova dispensação, a dispensação da Graça de Deus, e da Igreja, Corpo de Cristo.
Quando chegamos às epístolas de Paulo, encontramos a instrução de Deus para esta dispensação da Graça de Deus. As epístolas que Paulo escreveu para a Igreja, Corpo de Cristo, encontram-se desde Romanos até Filémon. É também importante referir que as epístolas de Paulo têm uma sequência importante. A ordem pelas quais as podemos encontrar na Bíblia não segue uma ordem cronológica, seguindo a data de escrita, mas antes estão organizadas por temas.
Repetidamente encontramos este ciclo nas epístolas de Paulo: Ensino ou Doutrina, o Caminhar do Crente (ou ensino prático) e Permanecer na Verdade.
O primeiro ciclo compõe-se da epístola aos Romanos, as 1.ª e 2.ª epístolas aos Coríntios, e a epístola aos Gálatas.

O segundo ciclo compõe-se das epístola aos Efésios, a epístola aos Filipenses e a epístolas aos Colossenses.

O terceiro e último ciclo é diferente. As 1.ª e 2.ª epístolas aos Tessalonicenses centram-se na Esperança do Crente. Em seguida as epístolas a Timóteo e a Tito centram-se de novo em Ensino Doutrinário e em como Permanecer na Verdade. Por último, a epístola a Filémon é uma carta muito especial, pois resume, através de um exemplo vivo, todo o ensino apresentado nas epístolas anteriores.

Após a epístola a Filémon encontramos a epístola aos Hebreus. Quantos de nós já empregamos o nosso esforço em responder à pergunta: “Quem escreveu a epístola aos Hebreus”? Mas a questão mais importante que deve ser colocada é: “Mas afinal a quem foi escrita esta Epístola?” A resposta é simples, aos Hebreus, tal como diz o seu nome, não aos Gentios, isto é, a nós.
Esta epístola foi escrita àqueles que são a semente de Abraão, que herdará o futuro reino terreno. Tal como João Baptista disse: “Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mateus 3:9)
Os dois primeiros versículos da Epístola aos Hebreus nos dizem que: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós, falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez, também, o mundo.” (Hebreus 1:1-2). “Falado aos pais”, assim começa a Epístola ao Hebreus. Estes são os Hebreus na expectativa do restabelecimento do templo e do sacrifício de animais, que agora precisam de compreender que tudo no passado tinha a ver com Cristo.
As epístolas desde Hebreus até ao Apocalipse não dizem respeito ao tempo presente, não se destinam à presente Igreja, corpo de Cristo, mas ao tempo após o arrebatamento da Igreja, isto é, quando Deus tornar a lidar com a nação de Israel. Quando lemos e estudamos essas epístolas, é verdade que encontramos verdades maravilhosas, mas algumas delas contradizem o ensino que encontramos nas epístolas de Paulo para a Igreja, Corpo de Cristo. Se analisarmos com cuidado, se distingue que essas epístolas foram escritas para um outro grupo de crentes, para as igrejas da Judeia.
Primeiramente nos devemos concentrar em compreender a mensagem de Paulo e ensinar a doutrina da graça segundo as suas epístolas. Toda a escritura, toda a Bíblia, é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, redarguir, corrigir e instruir. Mas só encontramos os planos e a vontade de Deus para este tempo presente nas epístolas de Paulo. Estudemos então primeiramente as Epístolas de Paulo, escritas para a Igreja, Corpo de Cristo, para nos podermos apresentar perante Deus aprovados, e assim compreender a vontade de Deus para esta dispensação da Graça de Deus.
(por Dov Avnon)