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A Confissão de Pecados – Parte 2 Janeiro 17, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Comunhão

A variante 2.b) também fala de restauração, não para salvação ou mesmo para a manter, mas antes para comunhão. Aqueles que vêem desta forma tal versículo compreendem claramente o ensinamento da segurança eterna e da preservação dos santos. Só que agora o assunto é a intimidade com o nosso Pai celestial. A nossa relação é como o Rochedo de Gibraltar, firme e que não se pode mover. Por outro lado, a nossa comunhão (dizem-nos) é como um fino fio que mesmo o mais pequeno pecado em pensamento, palavra ou acto pode quebrar. Talvez a melhor ilustração desta visão é a da comunhão entre um pai e um filho. Se o filho pecar contra o seu pai, a intimidade anteriormente gozada por ambos é quebrada e o prazer de cada um da companhia do outro é colocado em risco. A relação de sangue entre pai e filho mantém‑se intacta, mas a comunhão deve ser restaurada através de confissão do erro. Da mesma forma, os crentes têm uma relação de sangue com o nosso Pai celestial através do Seu Filho Jesus Cristo. Embora nada possa quebrar a nossa relação como filhos de Deus, a comunhão apenas pode ser restaurada reconhecendo o pecado e pedindo perdão, de preferência com o compromisso de não repetir a ofensa. Isto restabelece a doçura da comunhão e do prazer com o quais tanto o Pai como o filho podem relacionar‑se um com o outro.

Crentes que procuram praticar isto falam frequentemente de “manter contas pequenas com Deus”, ou seja, procurar confessar pecados com regularidade de forma a que a nossa conta não se acumule com pecados por confessar. Salmos 32 e 51 e João 13:1-20 são muitas vezes citados para confirmar esta posição.

Esta visão de I João 1:9 tem mais motivos para ser elogiada do que a anterior. “A confissão faz bem à alma” é uma verdade evidente que se aplica a todas as eras e dispensações. De facto, Provérbios 28:13 diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”.

(Nem vale a pena nos determos muito tempo com a tradição católica de confissão auricular, pois apenas I Timóteo 2:5 basta para mostrar o erro desta tradição: “Porque há… um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”)

Como crente, em tempos esta visão parecia‑me ser lógica, equilibrada e correcta. Eu conhecia muitos respeitáveis ensinadores da Bíblia que ensinavam isto. Contudo, ao longo dos anos, creio que o Espírito de Deus estava a “picar” a minha consciência para me mostrar coisas que revelavam as falhas desta abordagem. Entre elas estavam:

  1. Baseia‑se num sistema de desempenho com bênçãos condicionais, que desviam o meu olhar de Cristo e da Sua graça para a minha própria fidelidade (ou geralmente falha) em confessar.
  2. Se aquilo em que eu acreditava em relação à confissão estava certo, provavelmente eu estava “fora de comunhão” a maior parte do tempo, bem como a maior parte dos crentes.
  3. Há muitas coisas em I João 1 que são inconsistentes com esta visão.
  4. Em relação à popular ilustração pai‑filho, várias questões retóricas podem ser colocadas para mostrar a sua fragilidade. E se o filho não confessar o erro? Deverá o pai mostrar‑se frio para com ele até que o faça? Que tipo de pai isso faria dele? Será isto uma figura apropriada de como o nosso amado Pai celestial lida hoje com os seus filhos debaixo da graça? Além disso, a expressão “fiel e justo” descreve mais convenientemente um juiz numa sala de tribunal do que um pai na sala da casa de família.
  5. Tenho de admitir honestamente que considero extremamente difícil confessar os meus pecados diários numa base sistemática.
  6. Esta visão de I João 1:9 tem necessariamente de ocupar um ponto importante no sistema de crenças. Sem confissão regular de pecados, a promessa de purificação contínua é considerada nula e sem validade, resultando em comunhão quebrada. E quem quer estar fora da comunhão com Deus?
  7. Paulo, o apóstolo dos gentios, nada diz nos seus escritos sobre a confissão de pecados para perdão, para restituição da comunhão parental com Deus ou para outro fim.
  8. As epístolas de Paulo garantem‑nos total, completa e incondicional perdão para todos aqueles em Cristo Jesus.

Alguns exemplos devem bastar:

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).

“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2:13).

O perdão do crente é agora referido como uma transacção feita, já consumada. Não suplicamos por perdão diário mais do que devemos por redenção diária. Faz parte de “todas as bênçãos espirituais” com as quais já fomos abençoados (Efésios 1:3). Há outras passagens que falam da doutrina do perdão para a presente dispensação da Graça de Deus: Colossenses 1:14, 3:13, Romanos 4:5‑8, Actos 13:38-39.

É bem evidente que temos de encontrar uma melhor explicação para I João 1:9. Um bom sítio para começar e compreender o contexto da passagem é o versículo 6.
“Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.”

A questão chave é esta: Aqueles que “andam em trevas” são crentes ou descrentes? A resposta que encontrarmos para esta questão é crucial para a interpretação desta passagem. Se estes são crentes carnais, desobedientes ou apóstatas que andam em trevas, mentem se dizem que têm comunhão com Deus. Confissão de pecados nas suas vidas e “andar na luz” restaurará a comunhão. No entanto, se puder ser provado pelas Escrituras que estes são descrentes que falsamente professam comunhão, a posição “fora de comunhão” cai por terra, porque ninguém poderá demonstrar com sucesso uma restauração a algo que nunca teve.

Para vermos a que realmente se refere, comparemos estas três passagens:

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I João 1:6).

“Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I João 2:11).

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (I João 3:15).

Nota cuidadosamente na relação entre estes versículos e ao que eles ensinam.

  1. Aquele que odeia a seu irmão “anda em trevas”. (A palavra irmão nesta passagem não indica que aquele que odeia é um irmão crente. Refere-se sim à relação racial da irmandade judaica descrita em Romanos 9:3. Embora eles fossem parentes na carne, é bem claro nos escritos de João que o judeu que crê em Jesus Cristo deve estar preparado para suportar a ira e o ódio dos seus irmãos israelitas descrentes.)
  2. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida.
  3. Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.

Conclusão: Aquele que anda em trevas não tem a vida eterna permanecendo nele, ou seja, é descrente.

Quando compreendemos tal, a teoria da restauração à comunhão cai por terra como um castelo de cartas. Tiremos todas as dúvidas das nossas mentes. Um estudo harmonioso das Escrituras revela que a associação consistente e uniforme às trevas, quer seja na Palavra de Deus em geral ou nos escritos de João (neste caso em particular), é relativa ao perdido (João 1:5, 3:19-21, 8:12, 12:35-36,46, Actos 26:18, II Coríntios 4:4-6, 6:14, Efésios 5:8, Colossenses 1:13, I Tessalonicenses 5:4-5, I Pedro 2:9).

Poderá alguém argumentar: “E o homem de I Coríntios 5 que vivia em imoralidade? E os crentes de Gálatas de quem Paulo disse “depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6)? E Pedro, quando teve de ser repreendido por Paulo pela sua hipocrisia entre os gentios (Gálatas 2:11-14)? Não pode ser dito que eles “andavam em trevas”? Claro que não! Certamente nos ajudará a compreender tal princípio, se repararmos que João não se refere a como eles andam mas onde eles andam. É a sua posição permanente em Cristo. Todos os descrentes têm a sua posição fora de Cristo e assim andam em trevas. Todos os crentes, tanto no programa do Reino como no corpo de Cristo, têm a sua posição nele e andam na luz. Um crente não pode andar nas trevas, tal como um descrente não pode andar na luz.

É por isso que o pecado na vida do crente é tão grave. Quando um crente peca, ele fá‑lo “na luz”. Um dia um pregador falou sobre “Os pecados dos santos”. No fim do culto, uma mulher criticou‑o, dizendo que os pecados dos crentes não são como os dos descrentes, ao que ele responde: “Sim, os dos crentes são muito piores”.

Ao compreendermos que “andar na luz” é exclusivo do crente, torna‑se claro o versículo seguinte.

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7)

Tomemos atenção à natureza condicional desta promessa. A purificação pelo sangue depende de andarmos na luz. De facto, os versículos 6 a 10 contêm o condicional “se”. Trata‑se de um teste da realidade espiritual. Durante muitos anos eu fazia uma grande confusão sobre isto. Eu lia esta passagem como se dissesse “se andarmos de acordo com a luz, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Eu pensava que queria dizer que se eu tivesse cuidado em obedecer aos mandamentos de Deus e andasse de acordo com a luz, Ele limpar‑me‑ia. O que na prática é outra maneira de dizer que ele me purificaria quando eu não precisava de purificação.

No entanto, quando o versículo é devidamente compreendido, percebemos que o mais vil pecador tem esta purificação quando vem para a luz de Deus pela fé em Jesus Cristo. O versículo não diz “se andarmos de acordo com a luz”, mas “se andarmos na luz”. Novamente, não é como andamos, mas sim onde andamos, que está em causa. É andar na presença de Deus como uma posição permanente.

A Confissão de Pecados – Parte 1 Janeiro 10, 2010

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“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

A Culpa e Provisão de Deus

A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. É uma das armas mais eficazes de Satanás contra os filhos dos homens. Psiquiatras e médicos dizem‑nos que a culpa não resolvida é a principal causa de doenças mentais e suicídios. Mais de metade dos hospitais estão ocupados por pessoas que sofrem de doenças do foro emocional. A culpa destrói relações, tanto entre pessoas, como entre pessoas e Deus. Não podemos perdoar livremente enquanto não tivermos recebido o perdão de Deus.

O nosso Pai gracioso e amoroso proporciona uma libertação total e completa do pecado e da culpa. Mas se acreditarmos numa mentira e formos incapazes de lidar com a culpa da maneira como Deus lidou com ela, caímos numa cilada, e ela torna‑se na arma mais penosa e cruel usada contra nós.

A culpa é o sentimento moral de culpabilidade que cada um de nós sente quando sabemos que fizemos algo de errado. Não é necessariamente má, porque diz‑nos que pecámos e que algo deve ser feito em relação a isso. Tal como os nossos corpos doem quando estão doentes ou se magoam, assim a nossa consciência dada por Deus deveria doer quando violamos o que sabemos que é correcto.

Para começar, devemos compreender que Deus não lidou com o problema da culpa sempre da mesma forma durante todo o tempo da história bíblica. É de extrema importância saber isto, porque muitos dos problemas relacionados com culpa são piorados por pessoas que tentam obedecer aos mandamentos de Deus dados noutras dispensações. Por exemplo, sob a Lei de Moisés, os filhos de Israel eram ordenados a “afligir as suas almas” enquanto o sumo sacerdote fazia expiação pelos seus pecados através do sacrifício de um animal (Levítico 16:29-31). O escritor de Hebreus fala sobre este Dia da Expiação e da incapacidade da Lei em providenciar um perdão completo.

“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:1-4).

Embora esta tenha sido uma misericordiosa provisão para o Israel de então, a Lei era inadequada para tornar a consciência dos adoradores perfeita em relação ao problema da culpa. O próprio facto de que os sacrifícios tinham de ser repetidos era uma lembrança constante de que o perdão de Deus era dado aos bocados, isto é, às prestações. O perdão nunca era completo. Era de esperar que o povo de Deus lamentasse e afligisse as suas almas, o que é o oposto de uma consciência perfeita. De facto, longe de ser uma resposta satisfatória para a culpa, Paulo diz‑nos de forma inequívoca por que razão a Lei foi dada:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19).

Na Sua graça, Deus providenciou o sistema de sacrifícios da Lei para expiar (cobrir) os pecados do Seu povo até que o “precioso sangue de Cristo” pudesse ser derramado, de forma a comprar para nós a redenção eterna. Aqueles que viveram antes da Cruz eram salvos “a crédito”, por assim dizer, até que a plenitude dos tempos (pela obra redentora de Cristo na Cruz) chegasse para a completa remoção dos nossos pecados. Mesmo nas passagens do chamado Novo Testamento, o perdão era condicional e portanto incompleto (Mateus 6:12-15, 18:34-35, Marcos 11:25-26, Lucas 6:37). No tempo dos Evangelhos, a revelação do Mistério, através do Apóstolo Paulo pelo Cristo ascendido e glorificado, seria algo ainda a acontecer no futuro. E assim o ponto alto da revelação divina relativa ao completo perdão de pecados permaneceu ausente até esse tempo. Tudo isto é essencial para a compreensão do resto deste artigo.

As variantes de interpretação de I João 1:9

Com isto em mente, há uma passagem que tem causado enorme dano e detrimento para com o povo de Deus. Não porque o próprio versículo seja imperfeito, porque toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa, mas porque os líderes religiosos o têm interpretado de forma miserável e aplicado o seu significado original de forma incorrecta. O que torna isto ainda mais trágico é que tal não tem origem entre os inimigos de Cristo, mas sim entre crentes sinceros, respeitáveis e que acreditam na Bíblia. O versículo é I João 1:9.

Para vermos este versículo no seu contexto, consideremos piedosamente esta passagem de I João 1.1-10.

1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida
2 (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);
3 O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão connosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.
4 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.
5 E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nEle trevas nenhumas.
6 Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
7 Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10 Se dissermos que não pecamos, fazêmo-lO mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.

Estamos certos de que compreendemos o versículo 9 no seu contexto? Vejamos. Embora existam muitas variantes da interpretação deste versículo, há três que são mais populares:

1. É um versículo de salvação que diz ao pecador como receber hoje o perdão de pecados.
2. É um versículo de restauração:
a) Restaurar alguém para salvação;
b) Restaurar alguém para comunhão.
3. É um versículo pertencente aos judeus sob o programa do Reino (Profecia) e tem pouca ou nenhuma aplicação aos gentios de hoje sob o programa do Corpo de Cristo (Mistério).

Por uma questão de tempo e espaço, passemos à frente dos números 1 e 3 e analisar directamente o número 2. Os outros dois tornar‑se‑ão claros com a compreensão da passagem.

Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Salvação

A variante 2.a) é a mais fácil de responder. Esta é a visão de que uma pessoa salva pode perder‑se novamente devido a uma recaída, a carnalidade, a falta de fé, etc..
Muitas vezes é dito que os pecados do crente foram perdoados até que este foi salvo. A partir daí, os méritos da morte de Cristo servem‑lhe apenas se ele for fiel em confessar os seus pecados a Deus e assim permanecer limpo aos Seus olhos.

Em primeiro lugar, a regeneração ou novo nascimento é uma experiência única no tempo. Nenhuma passagem bíblica fala de nascer de novo várias vezes. Enquanto andei na universidade, assisti a três reuniões evangelísticas numa tenda com alguns amigos. Não pude deixar de reparar que cada noite as mesmas pessoas iam à frente depois da pregação para receber perdão. Uma noite o evangelista citou I João 1:9 e afirmou que ninguém com pecados por confessar entraria no Céu. Quando insisti com ele após a reunião para que me esclarecesse sobre isto, ele acabou por admitir que provavelmente João se referia a pecados mais graves. Isto sublinha outro problema com esta visão. Quantos pecados Deus permitiu que Adão e Eva cometessem antes que Ele os lançasse fora da Sua presença no Jardim do Éden? Apenas um. E tudo o que eles fizeram foi comer do fruto que Deus tinha proibido. Quantos pecados não perdoados serão necessários para que sejamos condenados à perdição eterna? Apenas um. Deus é santo e tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a aberração não pode contemplar. Se sermos perdoados depende da nossa confissão de pecados, é bom que não nos esqueçamos de um único pecado.

A segunda razão pela qual I João 1:9 não se pode referir a restauração para salvação é a de que a salvação é um dom gratuito. É dado pela graça de Deus não só para os indignos, mas para os que merecem exactamente o oposto, a condenação. Se Deus anulasse a Sua dádiva, isso torná‑lO-ia mais gracioso para os Seus inimigos do que para os Seus filhos. Deus não retira a sua dádiva se nos tornarmos indignos. Na verdade, nós nunca fomos dignos.

Em terceiro lugar, Deus deseja que gozemos a dádiva da salvação. A salvação pertence ao Senhor. A única responsabilidade do homem é crer. Quererá Deus que vivamos as nossas vidas cristãs com uma nuvem sobre as nossas cabeças? Aqueles que crêem que ser perdoado depende da contínua confissão de pecados, cedo descobrirão que a sua experiência cristã se tornou em “dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de densas trevas”.

As Escrituras dizem‑nos que ao crermos que o Senhor Jesus morreu por nós e ressuscitou somos selados com o Espírito Santo até ao dia da redenção. Nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Efésios 1:13-14, Romanos 8:31-38). Com o Evangelho da Graça de Deus, temos o prazer de anunciar o perdão total de pecados. Isto traz paz, gozo e estabilidade. Disto falaremos mais adiante.

Epístola aos Romanos – Capítulo 1 Dezembro 30, 2009

Posted by David Costa in Epístola aos Romanos.
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A Epístola aos Romanos começa com uma apresentação de seu autor e qual a sua mensagem. Paulo apresenta-se como um servo, ou escravo, de Jesus Cristo, tendo sido chamado para apóstolo, para comunicar as boas novas, o evangelho de Deus.

Ao lermos a palavra “apóstolo”, podemos pensar que Paulo tinha sido chamado para ser um dos 12 apóstolos. Mas lembremo-nos que Matias tinha sido divinamente escolhido para substituir Judas, para fazer parte do grupo dos 12 apóstolos. Na verdade Paulo não preenchia os requisitos para ser um dos 12 apóstolos, pois lemos em Actos 1:21-22, quando os 11 apóstolos procuravam um substituto para Judas os requisitos eram:

“É necessário pois, que, dos varões que conviveram connosco, todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu entre nós, começando desde o baptismo de João, até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça connosco testemunha da sua ressurreição.”

Paulo claramente não seguiu Cristo, durante o seu ministério terreno. Pelo contrário! Após o Pentecostes, Paulo era o maior inimigo de Cristo na terra.

Sendo assim, Paulo foi chamado para ser outro tipo de apóstolo, isto é, um apóstolo com uma mensagem nova de Deus, um evangelho diferente do evangelho que os 12 apóstolos anunciavam.

E que evangelho é este, que mensagem é esta? Lemos a partir do versículo 3:

“Acerca de Seu Filho, que nasceu da descendência de David, segundo a carne, declarado Filho de Deus, em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos – Jesus Cristo, nosso Senhor. Pelo qual (Cristo) recebemos a graça e o apostolado, para obediência de fé, entre todas as gentes pelo Seu nome. Entre as quais sois, também, vós chamados, para serdes de Jesus Cristo.” (Romanos 1:3-6)

Paulo foi chamado a proclamar “acerca do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor”. Em todas as suas epístolas, o tema principal é “Cristo”, e várias vezes Paulo claramente afirma que prega Cristo. Paulo não foi chamado por Deus para anunciar um novo conjunto de leis, um novo conjunto de princípios morais de como devemos viver, ou um conjunto de promessas de prosperidade material. Paulo foi chamado a anunciar Cristo.

Voltando um pouco atrás, no versículo 2, temos uma frase que pode gerar alguma controvérsia relativamente à singularidade do apostolado de Paulo e a “novidade” do seu evangelho:

“O qual antes havia prometido pelos Seus profetas, nas santas escrituras…”.

Em relação ao princípio do versículo 2, no tocante à expressão “o qual”, há duas vertentes em relação ao que se refere “o qual”. Uma delas é a de que “o qual” se refere a Deus, tomando assim o versículo o sentido que de Deus “havia prometido… acerca de seu Filho”. A segunda vertente é de que “o qual” se refere ao evangelho de Deus, que Paulo refere no versículo 1.

A expressão “o qual” na versão original em Grego é o artigo “hos”, que pode referir-se a “quem”, “o que”, “o qual”, “de quem”. Daí encontrarmos as duas vertentes mencionadas no parágrafo anterior.

Poderemos pensar, ao ler este versículo, que o evangelho que Paulo anunciava, afinal tinha sido profetizado no passado. Mas esta ideia entra em contradição com o que Paulo claramente afirma na conclusão desta Epístola aos Romanos:

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora.” (Romanos 16:25).

Sendo assim, a vertente que parece estar mais perto da ideia original das palavras de Paulo é que Deus havia revelado pelas palavras dos profetas do Velho Testamento acerca do Messias. De facto nos versículos 3 e 4, o que lemos é um resumo do que estes profetas haviam escrito sobre o Cristo. Neste resumo não há nenhuma informação nova, pelo que não parece fazer sentido associá-lo ao (novo) evangelho de Paulo. Paulo aqui associa o Cristo da Profecia ao Cristo do Mistério, à semelhança do que ele fazia quando pregava Cristo nas sinagogas. Esta interpretação que fazemos não é para encaixar no que cremos, mas é a única que é coerente.

Existem algumas traduções da Bíblia (em outras línguas ou mesmo em Português) que transmitem a ideia de que “o qual” se refere ao evangelho. Isso acontece porque as pessoas que trabalharam nessas traduções seguiam a ideia dominante de que a mensagem de Paulo já vinha sendo profetizada desde Génesis 3:15. Tais traduções induzem as pessoas em erro.

A nossa versão em Português, de João Ferreira de Almeida (Revista e Corrigida), é feliz neste versículo em particular, não induzindo em erro, visto que não força uma interpretação, como acontece em outras.

A quem se destina esta Epístola e qual a sua mensagem?

O versículo 7 é muito importante! Paulo escreve a todos os crentes que estão em Roma, que são amados de Deus, chamados santos. Todo o crente, todo o amado de Deus, salvo por Jesus Cristo, é chamado “santo”, não por causa das suas boas obras, mas porque Deus o chama, o declara “santo”, com base na obra da Cruz, efectuada por Cristo.

Na segunda parte do versículo encontramos não uma saudação “espiritual” de Paulo para os crentes de Roma, mas sim o âmago da mensagem que Deus tem para eles, e para todos nós hoje:

“Graça e Paz, de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo.”

Paulo proclama que Deus oferece agora Graça e Paz a todo o homem. Deus oferece a Sua Graça, oferecendo ao homem salvação, pelo Senhor Jesus Cristo. E oferece Paz ao homem, não derramando a Sua ira sobre o mundo e todo o homem, que estava profetizado para acontecer após o Pentecostes, tal como lemos em Actos 2:16-20. Deus adia a sua “declaração de guerra” para com o homem, para proclamar Paz.

A fé dos crentes em Roma e o desejo de Paulo os visitar

É de notar como os crentes em Roma eram fiéis e a sua fé em Cristo já era reconhecida pelo mundo fora, apesar de Paulo não ter visitado estes crentes até então. Daí Paulo ter um desejo muito forte de os visitar, e continuamente orar por eles e por uma oportunidade de os visitar.

Com que objectivo pretendia Paulo os visitar? Seria para “ter comunhão com eles”, como costumamos dizer no nosso meio? Seria para “adorar e louvar a Deus” junto com eles? Não! Paulo queria lhes “comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados” (v. 11).

Mas afinal o que são estes “dons espirituais”? Será algum “dom espiritual” de profecia, de cura, de línguas, ou de algo desse género, como era comum no Evangelho do Reino, anunciado pelos 12 apóstolos? Consideremos mais abaixo o versículo 15:
“E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar, o evangelho, a vós que estais em Roma.”

O que Paulo queria comunicar era o Evangelho, nada mais que o Evangelho. É esse o dom espiritual que Paulo queria comunicar aos crentes em Roma. A motivação de Paulo era Poder anunciar e explicar o Evangelho que Deus tinha entregue ao apóstolo Paulo, para assim estes crentes poderem ser confortados. E assim Paulo ser consolado também, ao ver que estes crentes compreendiam e criam no mesmo evangelho.

E Paulo não se envergonha deste evangelho, não se envergonha de Cristo. Isto em claro contraste com a nação de Israel, que rejeitou Cristo enquanto nação, tendo Cristo lhe sido oferecido como Messias, como seu Rei. Mas agora, Paulo anuncia Cristo, “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Não só para o Judeu, como primeiramente Cristo foi anunciado, “oferecido” à nação de Israel, mas também para o grego, para o gentio. Isto é, Cristo para Salvação de todo o homem.

Umas das razões pelas quais Paulo não se envergonhava do evangelho de Cristo era porque nele se vê a Justiça de Deus, não só a sua Graça e Misericórdia, mas a sua Justiça perfeita (v. 17). Deus não baixou os seus padrões de Justiça com o evangelho da graça, ao oferecer Salvação pela Fé a todo o homem. Paulo claramente afirma mais à frente neste epístola:

“Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:31)

A queda do homem

Na segunda parte do capítulo 1, o Apóstolo Paulo apresenta uma análise da condição do homem perante Deus, e é surpreendente seguir a progressão, a queda do homem passo a passo.

O versículo 18 começa com uma introdução aos versículos que se seguem:

“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.”

É de notar que este versículo não avisa acerca da ira que está para vir, mas sim acerca da ira que agora está a ser manifestada do céu. Mediante os versículos que vamos considerar de seguida, estou convicto que esta ira que se manifesta no presente, é a ira que Deus revela cada dia pelos frutos que a conduta do homem traz sobre si próprio. Consideremos os passos da degradação espiritual do homem, e compreenderemos melhor esta ideia.

Lemos no versículo 19 que “o que de Deus se pode conhecer, neles”, nos homens, “se manifesta, porque Deus lho manifestou”. Isto claramente não se refere a tudo o que se pode conhecer acerca de Deus, porque até lemos em I aos Coríntios 2:10-11:

“Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim, também, ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” 

O versículo 19 refere-se ao conhecimento que o homem naturalmente pode ter de Deus. Gravado na natureza humana, está o conhecimento, como por instinto, que Deus existe. E as “coisas invisíveis” de Deus, o Seu eterno poder e a sua divindade podem claramente ser compreendidos pelo homem, ao considerar o mundo e a natureza, isto é, as coisas que foram criadas por Deus. Tudo possui a marca de Deus.

Daí Paulo afirmar, no fim do versículo 20, que nenhum homem tem desculpa, é inescusável, pois a compreensão que Deus existe e acerca da sua divindade e poder, podem ser reconhecidos, ao alcance de qualquer homem, pela Criação.

Seguidamente encontramos no versículo 21 o primeiro passo histórico da descida à depravação do homem. Apesar de o homem conhecer Deus no passado, compreender que Deus existe, que é o criador e o todo-poderoso Deus, o homem escolheu não dar glória a Deus, não reconhecer a sua glória e poder, não reconhecer as suas obras e dádivas como sendo dignas de acções de graças. E na verdade o homem se corrompeu nos seus pensamentos (“em seus discursos”), e o seu coração insensato, por não reconhecer Deus, ainda mais se obscureceu.

Achando-se sábios, segundo o conhecimento, capacidade e sabedoria humanos, na verdade aos olhos de Deus, não passam de loucos, ignorantes, estúpidos e néscios.
Chegamos ao segundo passo histórico da queda do homem, que na verdade traduz-se numa série de quatro passos.

Na sua tentativa de adorar a Deus, segundo a sabedoria e ideias humanas, o homem mudou, corrompeu a glória de Deus, ser incorruptível, fazendo representações em ouro e prata de seres e coisas corruptíveis, que considerava serem Deus. Assim começou por imagens de homens, depois de aves, seguidamente de quadrúpedes até criar imagens de répteis, uma clara diminuta aberração do que Deus é no seu Ser.
Até Israel, o povo escolhido de Deus, que conhecia a Deus e tinha recebido a Sua lei, muitas vezes adorou outros deuses e imagens de deuses, sob a forma de homem e animais (como lemos em Êxodo 32).

Sendo assim, chegado o homem a este ponto, lemos no versículo 24 que Deus o “entregou”, no versículo 26 que Deus o “abandonou”, e mais uma vez no versículo 28, Deus o “entregou”.

Perante a corrupção espiritual do homem, Deus deixa, abandona, entrega o homem aos desejos do seu coração e aos seus pensamentos corruptos. Assim como o homem corrompeu a glória de Deus, corrompeu assim também a sua própria “glória”, as suas próprias funções naturais (“mudaram o uso natural”), “contrário à sua própria natureza” (v.26). Na verdade o homem trouxe sobre si próprio toda a perversão sexual, apesar de na aparência humana, parecer um ser intelectual, sábio e poderoso. Basta lembrarmo-nos dos impérios Babilónio, Grego e Romano, cheios de poder, glória, arte, ciência, filosofia e conhecimento, e quão corruptos se tornaram na área sexual.

Tal como lemos no versículo 28, isto é consequência de o homem não querer nada com Deus. Mas não pensemos que a corrupção do homem é culpa de Deus, pois Deus o “entregou” e o “abandonou”. Não é esse o sentido de tais expressões!

O homem longe de Deus só lhe espera a corrupção, ir de mal a pior moralmente falando, até ao ponto de desonrar tudo o que tem de precioso naturalmente. Deus concede ao homem o que o homem quer. Deus não força ninguém a adorá-lo, a reconhece-lo como Deus. Deus na verdade é longânimo, e espera que o homem venha a “despertar”, mas ele concede ao homem a sua vontade própria, mesmo que isso seja não querer nada com Deus. Mas as consequências são visíveis – a corrupção e degradação moral do homem.

E sem intervenção divina, em que se converte o homem? Que frutos traz ele sobre si próprio? De que forma se manifesta então a ira de Deus diariamente? Temos uma longa lista nos versículos 29 a 31:

“Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detractores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia.”

E apos lermos esta lista, vemos no versículo seguinte que o homem conhecendo em seu coração a justiça de Deus, que um dia o castigo cairá sobre si por cometer tais coisas, não só continua a praticá-las, como louva e incentiva (consente) os outros que as fazem também. Na verdade vemos isso claramente na nossa sociedade, quando muitas vezes o corrupto é adorado e louvado, o criminoso chamado de herói, o enganador é imitado e respeitado… e por aí adiante. Na verdade o homem no seu coração e alma encontra-se completamente corrompido.

(por David Costa e Daniel Ferreira)

O Cristo do Natal Dezembro 24, 2009

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O Principe da Paz – O Rei da Glória
Ao lermos o nono capítulo de Isaías, compreendemos que o Cristo do Natal, ao qual é chamado ali de “Maravilhoso” e “Deus Poderoso”, ainda está para ser o “Principe da Paz” no seu trono terreno. No Salmo 24, Cristo é chamado “o Rei da Glória”.

De acordo com o apóstolo Pedro, quando os governantes deste mundo crucificaram Cristo, eles mataram “o Príncipe da Vida” (Actos 3:14 e 15). O apóstolo Paulo refere que os governantes deste mundo crucificaram “O Senhor da Glória” (I Coríntios 2:8).
Posteriormente o apóstolo Paulo escreve acerca da vinda de Cristo usando a mesma linguagem, em I Timóteo 6:14-16, “à aparição do nosso Senhor Jesus Cristo, a qual, a seu tempo, mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores.”

Entretanto encontramos esta maravilhosa mensagem para a raça humana, não só para o dia de Natal, mas para todos os dias, todas as horas e todos o momentos de todos os anos: “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1)

Apesar de podermos estar a gozar de prosperidade material, de saúde, e termos os nossos familiares e amigos chegados à nossa volta, durante esta época festiva, não é possível gozarmos de verdadeira e genuína alegria, se não tivermos Cristo em nós, esperança de glória, e se não compreendermos que Deus, por intermédio de Cristo, perdoou todos os nossos pecados. Esta é a mensagem que encontramos em:

“Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.” (Colossences 1:27)

“Antes sede uns para com os outros, benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também, Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4:32)

“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si, no Amado; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, e remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça.” (Efésios 1:6-7)

Gabriel e a virgem Maria
Quando o anjo Gabriel anunciou à virgem Maria que ela iria conceber e dar à luz um Filho, e o chamaria de Jesus, ele disse também: “Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de David, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não terá fim.” (Lucas 1:26-33).

E então o menino, Jesus, concebido pelo Espírito Santo, nasceu à virgem Maria na cidade de Belém (Lucas 2:1-7). Tal aconteceu em cumprimento do que estava profetizado em Isaías 7:14 (“Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”) e em Miquéas 5:2 (“E tu, Beth-leém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”). E então segui-se a mensagem do Senhor, “Paz na Terra… Boa vontade para com os homens” (Lucas 2:14).

Os seus não o receberam
No Evangelho de João, capítulo 1 e versículo 11, lemos que Cristo veio para os que eram seus, e os seus não o receberam. Os seus concidadãos o odiaram e lhe enviaram uma mensagem dizendo “Não queremos que este reine sobre nós” (Lucas 19:14). Então o Rei e Messias rejeitado de Israel chorou sobre a sua nação e a cidade dos seus concidadãos, dizendo, “Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos”. Então o Senhor explicou que o Julgamento viria em vez de Paz, “pois que não conheceste o tempo da tua visitação” (Lucas 19:41-44).

Cristo fez a Paz pelo Sangue da Sua Cruz
O Senhor Jesus, rejeitado pela Sua nação, não foi para o trono de David para estabelecer a paz universal na terra, mas foi antes para a Cruz do Calvário. Assim sendo, a “Paz na Terra” não aconteceu nessa altura, mas foi adiada.

Mas em Colossenses 1:20 lemos acerca de Cristo na Cruz do Calvário, “havendo por ele feito a paz, pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus”. Será a paz referida neste versículo a mesma que os anjos proclamaram no nascimento de Jesus?
Um dos maiores inimigos de Cristo (o apóstolo Paulo) tornou-se o mais fiel e frutífero servo de Cristo. Paulo disse “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1).

Mais tarde Paulo escreveu: “Não estejais inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com acção de graças; E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos, em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7). “Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz, em crença, para que abundeis em esperança, pela virtude do Espírito Santo.” (Romanos 15:13).

Sendo assim, a paz a que se refere Colossenses 1:20 é a paz que Deus estabelece com aqueles (indivíduos) que aceitam a obra do Senhor Jesus Cristo na Cruz como remissão dos seus pecados. Esta é uma paz “individual”. A outra, de Lucas 2:14, é uma paz “universal”, para toda a terra, todas a nações.

Quando é que a Paz na Terra será estabelecida?
Em Efésios 2:14 a 15 lemos que, porque o Senhor Jesus Cristo fez a paz na cruz, por essa cruz do Senhor da Glória, Deus está a criar “Um Novo Homem”, composto de gentios crentes e judeus crentes, reconciliando assim os crentes de todas as nações num “Só Corpo” pela cruz.

Mas Deus não abandonou o seu programa de “Paz na Terra”. Ele adiou o programa do Seu “Reino” até “O Novo Homem” estar completo. Mais tarde, de acordo com Isaías 62:1-4, Deus estabelecerá um Novo Israel e uma Nova Jerusalém.

Em Salmos 24:7-10 lemos que “entrará o Rei da Glória”. E então Israel será salvo (Romanos 11:26 e Lucas 21:27-33). Acerca de Israel nesta altura lemos, “e olharão para mim, a quem trespassaram” (Zacarias 12:10). “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram.” (Apocalipse 1:7).

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de David e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.” (Isaías 9:6-7).

A questão de Pôncio Pilatos
“Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?” (Mateus 27:22). Será a nossa esperança somente que Cristo estabeleça a “Paz na Terra”, um dia no futuro? Não! Cristo foi entregue pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação (Romanos 4:25). Cristo morreu para nos livrar da ira futura (I Tessalonicenses 1:9-10). Ele é o Salvador do mundo (I João 4:14). É Ele também o teu Salvador?

(por J. C. O’Hair)

Boletim de Dezembro 2009 Dezembro 23, 2009

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Disponibilizamos hoje o segundo Boletim do “Conhecer o Mistério”. Esperamos que assim estes artigos possam chegar a pessoas que não tenham acesso à Internet.

Pedimos a vossa colaboração em imprimir, fotocopiar e distribuir este boletim (e os próximos) pelos irmãos e amigos nas nossas igrejas que não tem acesso à Internet.

Tomando em atenção os comentários que recebemos, iremos só publicar uma versão do boletim, que deverá ser impressa em papel A4. Desta forma estamos certos que será legível e confortável de ler para todos.

Para ser impressa 1 página em cada folha A4:
Conhecer o Mistério – Dezembro 2009