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Baptismo na água – Está incluído no programa de Deus para hoje? – Parte 2 Outubro 25, 2009

Posted by David Costa in Estudos.
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Paulo sobre o baptismo

Será interessante examinar I Coríntios 1.14-17, uma das poucas passagens onde Paulo menciona o baptismo na água.

No versículo 14 ele diz: “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós baptizei, senão a Crispo e a Gaio”; e no versículo 16 acrescenta “a família de Estéfanas”. Para além destes, ele não se lembrava de ter baptizado quaisquer outros Coríntios. O facto importante nesta porção é que ele escreve dizendo que está agradecido a Deus por não ter baptizado quaisquer outros. Se Paulo tivesse sido comissionado: “Ide… ensinai… baptizando…” (Mateus 28.19), como os onze apóstolos, poderia ter escrito isto? Poderia ele devidamente agradecer a Deus por descurar aquilo que era o seu claro dever? Alguns daqueles que defendem a prática do baptismo na água são rápidos em salientar que a razão para esta afirmação se encontra no versículo 16: “Para que ninguém diga que fostes baptizados em meu nome”.

Claro que isto é verdade, mas permanece o facto que Paulo agradeceu a Deus por não ter baptizado mais ninguém, quando não deveria, nem teria escrito tal afirmação se ele tivesse sido enviado como os onze apóstolos a baptizar tal como a pregar. Pedro, por exemplo, não poderia ter dito isto, porque estaria agradecido por ter quebrado um mandamento directo do Senhor. Pessoas haviam sido salvas através do apóstolo Paulo e vieram a gloriar­se: “Eu sou de Paulo”. No entanto, Paulo nunca agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido salvo através dele. Ele apenas agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido baptizado por ele.

Mas ainda não considerámos o versículo mais importante nesta porção, o versículo 17. “Porque Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar”. Quão diferente é esta comissão da dos onze! Eles foram claramente enviados a baptizar como a pregar, mas Paulo diz claramente: “Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar…”. Há alguns que quebram a força desta passagem, parafraseando­a como “Cristo enviou­me, não para baptizar principalmente, mas para evangelizar”, mas podem provar que ele foi enviado a baptizar? Não podem! O seu argumento é um recurso de emergência e denuncia uma falta de compreensão da essência da natureza do ministério de Paulo.

Alguns versículos debatidos

Há o perigo de supor que, quando Paulo fala de baptismo, ele se refere ao baptismo na água. Devemos lembrar com cuidado que as palavras “baptismo” (do grego “baptisma”) e “baptizar” (do grego “baptizo”) de maneira nenhuma se referem sempre ao baptismo na água. Uma vista de olhos a passagens como Mateus 3.11, Marcos 10.38,39 e Lucas 12.50 tornarão isto muito claro. Estas passagens são escolhidas dos mesmos livros onde o baptismo na água é mais notório.

Vamos debater brevemente algumas das referências ao baptismo que são muito usadas, especialmente pelos nossos amigos Baptistas, mas que certamente não têm qualquer relação com o baptismo na água.

Primeiramente, examinaremos os primeiros seis versículos de Romanos 6:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?”
“De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na Sua morte?”
“De sorte que fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.”
“Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição;”
“Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Romanos 6.1-6).

O versículo 3 não pode ser bem ajustado ao baptismo na água, porque o baptismo na água não nos baptiza na morte de Cristo, nem nos faz andar em “novidade de vida” referida no versículo 4. Apenas o poder do Espírito Santo pode operar estas coisas. Mas há mais no versículo 4 que indica que não se refere ao baptismo na água, porque diz­nos que “fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, COMO CRISTO RESSUSCITOU DOS MORTOS PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM andemos NÓS TAMBÉM em novidade de vida”. Certamente este baptismo não é obra dos homens, mas a obra de Deus ao baptizar­nos na morte de Cristo. Note­se que de acordo com o versículo 6, nós fomos crucificados “com Ele”, embora não tenhamos sido crucificados fisicamente. Da mesma forma somos sepultados “com Ele” de acordo com o versículo 4. Se a crucificação não é física, também não o é o sepultamento. O sepultamento do versículo 4 é a consequência natural da nossa crucificação com Cristo, “para que o corpo do pecado seja desfeito”. A esta crucificação e sepultamento segue­se naturalmente a ressurreição “com Ele”, referida no versículo 8 e em Efésios 2.5. Tudo isto é obra de Deus através do Espírito Santo. No momento em é colocada água numa porção das Escrituras como esta, toda a sua força e significado são destruídos.

Há outro versículo que é muitas vezes utilizado por aqueles que praticam o baptismo na água. Trata-se de Gálatas 3.27:

“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.”

Quantas vezes crentes sinceros que não foram baptizados são instigados a “revestir­se de Cristo” pelo baptismo na água! Mas é a ordenança do baptismo na água que coloca o homem “em Cristo”? Alguns argumentam que a tradução deveria ser: “Todos quantos fostes baptizados até Cristo, já vos revestistes de Cristo. É o baptismo na água que nos dá acesso a alguma relação com Cristo? É por este rito que o homem se “reveste de Cristo”? Certamente todas as Escrituras respondem “NÃO!” É apenas pela graça por meio da fé que os homens são colocados em ou trazidos até Cristo. E vejam­se os milhares de descrentes que têm sido baptizados na água. O pastor celebrante pode ter sido profundamente sincero, mas ele não poderia pela água baptizar o candidato em Cristo. Apenas os crentes podem ser baptizados em Cristo e, graças a Deus, todos o foram!

A seguir talvez devamos considerar a declaração esplendorosa encontrada em Colossenses 2.10-13. Esta é, na minha opinião, uma das mais benditas porções de todo o Novo Testamento.

“E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade;
“No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.”
“Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos.”
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2.10-13).

Enquanto consideramos esta passagem, não nos esqueçamos deste grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Examinemos cuidadosamente os detalhes:

Versículo 11: “No Qual também estais circuncidados.”
O versículo continua com um cenário de morte. Era isso que a circuncisão representava. Certamente não devemos praticar a circuncisão hoje. Todo o verdadeiro crente foi sepultado com Cristo.

Versículo 12: “Sepultados com Ele no baptismo”.
Nós não fomos circuncidados ou crucificados fisicamente. Nós não morremos fisicamente. Nós morremos com Cristo. Nem é o baptismo aqui o sepultamento físico na água. Nós fomos “sepultados com Ele”, tal como fomos crucificados com Ele. Não é o baptismo na água que é referido aqui, mas identificação com Cristo no Seu sepultamento.

Versículo 13: “Vós estáveis mortos… vos vivificou juntamente com Ele”.
Assim, eu fui sepultado e ressuscitado com Ele da mesma forma que morri com Ele, quando pela fé O aceite como me substituto e representante pessoal.

Tudo isto concorda com o grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Somos feitos perfeitos nele quando o Espírito Santo através do Seu poder regenerador nos identifica com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição.

Que bênção quando o crente toma consciência disto! Quão desonroso é para o Senhor quando se adiciona um acto religioso para nos tornar perfeitos a Seus olhos! Não nos devemos esquecer que, na medida em que acrescentamos importância ao que o homem faz, tiramos glória à obra consumada de Cristo.

Um só baptismo

Para terminar, consideremos Efésios 4.3-6:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz:”
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;”
“Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo;”
“Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Efésios 4.3-6).

Nesta passagem encontramos as expressões “um só” ou “uma só” sete vezes. Não é estranho, visto que no versículo 3 encontramos essa preciosa palavra “unidade”. “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Foi David quem disse: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” Como poderemos ter esta bendita unidade na Igreja de Cristo? É exactamente isto que esta passagem nos diz. Temos de compreender totalmente que “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé…” Até aqui a maioria dos filhos de Deus estão de acordo, mas quando chega a “um só baptismo”, há discórdia. Embora muitos dos nossos irmãos Baptistas concordem que se refere ao baptismo do Espírito Santo, outros dizem que a imersão é o “um só baptismo”, mas já se viram as palavras “Um só baptismo” inscritas em baptistérios em Igrejas onde se praticam a aspersão ou o derramamento. Infelizmente há muitos baptismos na Igreja de hoje. Grandes homens de Deus e poderosos defensores da fé estão uns contra os outros neste importante assunto. Como poderá haver a unidade do Espírito enquanto não reconhecermos o UM SÓ baptismo?

Graças a Deus, “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito formando um corpo”.Que Deus não permita que se acrescente o que quer que seja ao “um só baptismo” que nos une com Cristo e com o Seu povo e nos torna perfeitos nEle.

Oramos sinceramente a Deus para que esta bendita verdade possa ser aceite por crentes sinceros em todo o lado.

(Por Cornelius R. Stam)

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Baptismo na água – Está incluído no programa de Deus para hoje? – Parte 1 Outubro 18, 2009

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Ao longo dos tempos, mais em particular nas últimas décadas, discordâncias em relação à questão do baptismo na água têm colocado obstáculos à comunhão entre os crentes. Embora alguns dos nossos estimados irmãos possam não concordar com os ensinamentos expostos neste artigo, esperamos que acreditem em nós quando afirmamos que respeitamos quaisquer convicções genuínas que possam ter. E é nosso sincero desejo que diferenças de opinião em relação a este assunto não impeçam que gozemos da comunhão que temos em Cristo.

Confiamos que todos os que lerem este artigo o farão com o espírito dos nobres bereanos, que “de bom grado receberam a Palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Actos 17:11).

Alguns perguntam se será correcto alguns crentes desta geração afirmarem que a Igreja tem estado errada acerca do baptismo. Em resposta, digamos em primeiro lugar que, embora a Igreja em geral o tenha praticado, é questionável que toda a Igreja tenha praticado o baptismo na água. Mas só porque a maioria dos crentes o têm praticado, servirá isso como justificação para o praticar? Na história dos filhos de Israel podemos constatar que eles erraram várias vezes em relação a assuntos muito importantes. Será o povo de Deus hoje menos humano? Não é igualmente possível à Igreja errar? “Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma”.

Em segundo lugar, convém notar que, se bem que a Igreja em geral tem praticado o baptismo na água desde há muitos séculos, não tem estado nem um pouco de acordo quanto às razões ou até a forma de o praticar. Tão grandes têm sido as divergências em relação à doutrina e à prática deste ritual que, embora alguns nos considerem hereges, não estamos, de facto, mais longe deles do que eles uns dos outros.

Por exemplo, se os nossos irmãos Baptistas estão biblicamente correctos em relação ao baptismo na água, então os nossos irmãos Pentecostais estão errados e aos olhos de Deus nunca foram baptizados. Se os Pentecostais estão correctos, os Baptistas estão errados e, do ponto de vista bíblico, não ensinam nem praticam verdadeiramente o baptismo na água.

É a nosso sincero desejo que esta questão, que tanta confusão tem causado entre os crentes, possa ser resolvida pela Palavra de Deus, pelo menos entre crentes sinceros e dispostos a analisar o assunto sem ideias pré-concebidas. Seria um grande passo com vista ao derrube dos muros do denominacionalismo que tem dividido o Corpo de Cristo há tanto tempo. Caso alguns insistam em manter as suas teorias sobre o baptismo na água baseadas mais no peso da tradição do que propriamente nas Escrituras, esta questão continuará a trazer divisão e confusão entre os crentes.

Há alguns que não gostam que afirmemos as nossas convicções. No entanto, nem mesmo por amor a eles podemos manter silêncio. Seria loucura colocar de parte a eterna Palavra de Deus por causa de algumas amizades terrenas. Gostaríamos que eles continuassem a ser nossos amigos, mas se eles acham que é conveniente substituir a salvação pela Cruz pelo baptismo na água como base para a comunhão cristã, apenas podemos orar que Deus abra os seus olhos e amoleça os seus corações. Não podemos mudar a nossa postura para com eles, porque “se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

Não nos opomos àqueles que honestamente divergem das nossas opiniões e que procuram responder pela Palavra de Deus, mas não abdicamos do nosso direito e responsabilidade de pregar aquilo que acreditamos ser verdade.

Neste artigo, este assunto é abordado de uma forma muito geral, mas pedimos a Deus que o use para levar muitos dos Seus filhos a um estudo mais diligente e piedoso da Sua santa Palavra.

A questão verdadeiramente importante

A questão que se pretende responder neste artigo não é se o baptismo na água se encontra ou não nas Escrituras. Todos concordamos que se encontra, visto que não pode ser negado que mesmo o Senhor Jesus mandou os Seus discípulos a baptizar. Não podemos colocar isso em causa.

A verdadeira questão é esta: O baptismo na água está no programa de Deus para hoje? Devemos praticá-lo agora? É uma ordenança para o Corpo de Cristo ou estava relacionada com a proclamação do Reino do Messias nos Evangelhos e nos Actos? Estas são algumas das questões que aqueles que ensinam o baptismo na água têm falhado em responder de forma satisfatória.

A grande mensagem de João Baptista era: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mateus 3.2). João Baptista, o precursor do Reino do Messias, ligou claramente o baptismo na água com o messianismo do nosso Senhor quando disse: “E eu não O conhecia; mas, para que Ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, baptizando com água” (João 1.31). Depois, o Próprio Senhor e os Seus doze apóstolos andaram a pregar a mesma mensagem sobre o Reino. Ver Mateus 9.35, 10.7. Quando, após a Sua ressurreição, Ele comissionou os restantes onze apóstolos, Ele não lhes disse para mudar a sua mensagem. Mesmo quando eles Lhe perguntaram: “Senhor, restaurarás Tu neste tempo o Reino a Israel?” Ele não lhes disse que o Seu Reino seria adiado por muitos séculos. Ele apenas lhes disse que não lhes pertencia saber quando o Reino seria restaurado (Actos 1.7,8) e os enviou como testemunhas sem uma única insinuação de que o Reino não estaria para vir em breve.

Por isso, durante o período do livro de Actos, Deus ainda continuou a chamar a nação de Israel ao arrependimento dos seus pecados, em especial aquele grande pecado nacional, a crucificação de Cristo. Neste período, o baptismo na água é incluído da mesma maneira que tinha sido antes da morte de Cristo, simplesmente porque Deus ainda estava a lidar com Israel como nação.

Quando chegamos a Actos 28.25-28 encontramos Paulo a ditar uma sentença de cegueira judicial sobre a nação de Israel e dizer­lhes que a “salvação de Deus é enviada aos gentios”. Aí o baptismo na água cessa, talvez não na história da Igreja, mas certamente no programa de Deus exposto na Bíblia. À medida que os judeus recusaram a mensagem de Deus para eles e os gentios eram salvos em grande número, o baptismo na água foi lenta mas firmemente perdendo a sua proeminência, tal como o livro de Actos prova. Quando chegamos às últimas epístolas de Paulo ele não é sequer mencionado. Isto é natural, porque Cristo já não está a ser manifestado a Israel (João 1.31). Israel rejeitou o Seu Messias e agora, até que o Messias volte, a Igreja Corpo de Cristo está sendo formada, no qual o baptismo na água não tem lugar à luz da Bíblia.

O silêncio de Paulo

A maior parte dos crentes dispensacionalistas concorda que o apóstolo Paulo foi o vaso escolhido por de Deus para anunciar a verdade relacionada com o Corpo de Cristo. Eles têm consciência de que, enquanto toda a Bíblia é para nós, os ensinamentos dirigidos directamente a nós encontram-se nas epístolas de Paulo. Examinemos brevemente algumas passagens, para o caso de algum dos leitores ter dúvidas disso. Para poupar espaço, citaremos apenas parte de alguns versículos, sem alterar o sentido:

Sou o “apóstolo dos gentios” (Romanos 11.13). “O meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,” (Romanos 16.25). “Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema… Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.” (Gálatas 1.9-12). “O Evangelho que prego entre os gentios” (Gálatas 2.2). “O Evangelho da circuncisão me estava confiado” (Gálatas 2.7).

“Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios… me foi este mistério manifestado pela revelação… O qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; do qual fui feito ministro… A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Efésios 3.1-8).

“A Igreja, da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos;” (Colossenses 1.24-26).

Perante estas passagens, deveria ser evidente que as epístolas de Paulo são mais dirigidas a nós do que quaisquer outros livros da bíblia. Também foi Paulo que, escrevendo a Timóteo, o jovem pastor, afirmou “para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a Igreja…”

Não é notável que este Paulo, o apóstolo dos gentios, o ensinador da Igreja, não nos ordene o baptismo na água uma única vez? Se for perguntado a alguns crentes que acreditam sinceramente no baptismo na água para hoje, onde esperariam encontrar instruções e ordenanças relativas ao baptismo na água, certamente a maioria responderia “Nas epístolas de Paulo.” No entanto, são incapazes de encontrar uma ordem ou mesmo uma exortação, nas epístolas de Paulo, para sermos baptizados na água. Isto deveria ser um argumento convincente, especialmente para aqueles que crêem na verdade dispensacional. Se não está ordenado nas epístolas de Paulo, onde deveremos ir para o encontrar? Deveremos ir aos Evangelhos ou ao livro de Actos? Se formos aos Evangelhos ou ao livro de Actos, será razoável escolher cumprir o baptismo e deixar de fora as línguas, sinais e unções, entre outros?

É verdade que o próprio Paulo foi baptizado e baptizou outros, mas isso não afecta a questão. Ele foi circuncidado e mesmo enquanto apóstolo circuncidou outros. Deveríamos por isso praticar a circuncisão? Paulo falou em línguas e operou milagres; deveríamos nós também? O interessante sobre circuncisão, baptismos e manifestações miraculosas do ministério de Paulo é que elas ocorreram antes de Actos 28, quando Israel foi colocada de parte como nação.

Os seus escritos confirmam isto, porque é nas suas primeiras epístolas que ele menciona o baptismo na água (apesar de nunca o ordenar). As suas primeiras epístolas também têm muito a dizer sobre línguas, sinais miraculosos e circuncisão, mas aqueles que manejam bem [dividem correctamente] a Palavra da Verdade não praticam estas coisas. Evidentemente estas pertencem a uma dispensação em desaparecimento. Estas coisas apenas causam confusão quando elas, ou uma sua imitação, entram na Igreja hoje. Alguns sugerem o fraco argumento de que a falta de fé explica a ausência de manifestações miraculosas hoje. Mas não é estranho que os homens de Deus mais espirituais que conhecemos hoje, e aqueles que Deus mais notoriamente tem usado, sejam eles missionários, evangelistas, pastores ou ensinadores da Bíblia, não possuem esses sinais e frequentemente têm pregado contra eles?

Assim, o facto de os escritos de Paulo se referirem ao baptismo na água prova pouco. Depois de Israel ser colocado de parte em Actos 28, ele nem o menciona. No entanto, muitos pregadores que podem mostrar pelas Escrituras que as manifestações miraculosas não estão no programa de Deus para a Igreja hoje ainda se agarram ao baptismo na água. Não é de admirar que tenha havido tamanha confusão nesta matéria.

(Por Cornelius R. Stam)

A nossa unidade em Cristo (A Glória de um só Baptismo) – Parte 2 Outubro 10, 2009

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Antes de continuarmos com o resto do artigo, consideremos mais uma vez o diagrama apresentado na Parte 1 deste artigo.

A Sua identificação connosco
baptismo1
A nossa identificação com Ele
baptismo2

A nossa identificação com Cristo

C. O Nosso Baptismo na Sua Morte (A Sua Morte Feita Nossa)

Como a Palavra de Deus através de Paulo profere ainda a sua repreensão àqueles que minimizam o carácter e valor da morte de Cristo no Calvário, e que assim não conseguem compreender como os crentes são “baptizados em Jesus Cristo”! Com um claro tom de reprovação, o apóstolo pergunta: “Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?” (Romanos 6.3).

O seu significado é bastante simples. É apenas quando nos tornamos um com Cristo na sua morte que nos tornamos um com Ele. O Calvário é sempre o ponto de encontro entre Deus e o pecador que queira ser salvo. Tal como o nosso Senhor foi ao Calvário para morrer a nossa morte, assim nós temos de ir ao Calvário e reconhecer em fé: “Esta não é a Sua morte. ‘A alma que pecar… essa morrerá’, ‘O pecado, sendo consumado, gera a morte.’ ‘O salário do pecado é a morte.’ Mas Ele não é pecador. Ele está a morrer a minha morte, e eu creio e com gratidão aceito o Seu amor e graça, reconhecendo-o como meu Senhor e Salvador.”

Só quando colocamos a nossa confiança Naquele que morreu a nossa morte é que nós somos baptizados na Sua morte, tornando-se nossa essa morte, preço de redenção completamente pago. E só assim nos tornamos um com Ele, “baptizados em Jesus Cristo”. Nenhum homem alguma vez foi “baptizado em Jesus Cristo” sem ter sido “baptizado na Sua morte”.

É assim que o apóstolo Paulo via de forma consistente a morte de Cristo na sua relação com o crente. “Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado…” (Romanos 6.6). “Estou crucificado com Cristo…” (Gálatas 2.20). “Crucificado com Cristo”! “Baptizado na Sua morte”! Que gloriosa verdade de conhecer e abraçar.

B. O Nosso Baptismo na Sua Justiça (Contados Com os Santos)

Não resulta daqui que, tal como Cristo foi baptizado na nossa culpa, também nós fomos baptizados na Sua justiça? Não cumpriu ele toda a justiça no Seus pagamento pelos nossos pecados? E não é a Sua justiça agora nossa, visto que fomos “baptizados em Jesus Cristo”, o Justo? Era isto que o apóstolo tinha em mente quando escreveu por inspiração: “Jesus Cristo… para nós foi feito… justiça…” (I Coríntios 1.30). “… pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Romanos 5.19). “… novo homem… é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.24). “Àquele que não conheceu pecado, O fez pecado por nós; para que, nEle, fossemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5.21).

É isto que a Igreja de Roma não consegue ver. Segundo os ensinamentos de Roma, apenas aqueles que já estiverem mortos há centenas de anos é que se podem tornar santos. Mas a Palavra de Deus ensina que, tal como o nosso Senhor assumiu a nossa culpa, nós que cremos recebemos a Sua justiça, aqui e agora. Tal como Ele foi “contado com os transgressores”, nós somos agora contados com os santos! Deus vê-nos, não na nossa própria pobreza, mas “em Cristo”. Só isto explica como o apóstolo poderia escrever aos débeis crentes dos seus dias, mesmo aos descuidados Coríntios, como “santificados em Cristo Jesus, chamados santos. (I Coríntios 1.2). O apóstolo chamou a si mesmo “o mínimo de todos os santos” (Efésios 3.8), o que indica que, embora tivesse sido um perseguidor da Igreja, ainda assim se considerava um santo. Isto é assim porque a santidade depende, não da nossa conduta, mas da nossa posição perante Deus, e o mais humilde dos crentes é um santo aos olhos de Deus porque Deus o vê “em Cristo”. Poderia haver maior incentivo para O amar e viver para Ele?

A. O Nosso Baptismo em Cristo (Participantes da Natureza Divina)

Como vimos, aqueles que foram baptizados na morte de Cristo (o Seu justo pagamento pelo pecado), foram assim baptizados em Cristo. Tornaram-se um com ele na Sua morte. Foi este o ponto de contacto.
Não resulta daqui que, como Cristo ressuscitou de entre os mortos e ascendeu à mão direita do Pai, “acima de todos”, a sua ressurreição e ascensão são, de igual forma, a nossa ressurreição e ascensão, e que agora temos nEle lugar à mão direita de Deus?

Quando Pedro escreve a sua segunda epístola sobre “graça multiplicada” (1.2) e “grandíssimas e preciosas promessas” pelas quais os crentes são feitos “participantes da natureza divina” (1.4), não cremos que se refira a promessas do reino. Cremos que ele recebeu isto de Paulo, como II Pedro 3.15-18 indica.

Certamente só aqueles “baptizados em Jesus Cristo” podem agora ser “participantes da natureza divina” e da posição divina que é nossa no ressuscitado e glorificado Senhor. Vê o que o apóstolo Paulo tem a dizer sobre isto: “… todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. De sorte que fomos sepultados com ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6.3-4).

Não é isto ser participante da natureza divina e viver a vida ressurrecta de Cristo? “Porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade; No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos” (Colossenses 2.9-12). (Nota: não “sepultados como Ele” , mas sim “sepultados com Ele”)

Aqui também o crente é visto sair em vida ressurrecta com Cristo.
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2.4-6).

Estes são alguns dos resultados gloriosos do nosso baptismo na morte de Cristo. Ao tornarmo nos um com Ele na Sua morte, tornamo nos um com Ele e assim saímos com Ele para a vida ressurrecta e glória celestial! Este é o “um só baptismo” que tanto diz a nós que reconhecemos o carácter distinto da revelação dada a Paulo para os crentes de hoje. Que Deus nos ajude a apropriar e gozar das ricas bênçãos espirituais que estão ligadas a este “um só baptismo”. Isto não retirará a nossa estima pelo nascimento de Cristo. Antes irá aprofundar a nossa estima por este maravilhoso acontecimento através do qual Cristo foi baptizado na humanidade e isto levar nos á a alegrarmo nos ainda mais na Sua vitória sobre pecado e morte e a sua exaltação “acima de todos”.

Já não conhecemos o nosso Senhor
Como “o Homem da Galileia”.
Agora exaltado no mais alto dos céus
À mão direita de Deus Ele está.
Ainda assim, lembramo nos bem
De que para nos fazer um com Ele
Ele veio como Filho do homem para morrer
Neste escuro mundo de pecado.
Baptizado na raça humana,
Baptizado na nossa morte,
Ele tomou as nossas culpas sobre Si
Suportando a vergonha e a ira.
Por isso agora, pela fé em Cristo apenas
No Céu tomamos o nosso lugar
Para sempre justificados do pecado,
Somos os troféus da Sua graça.

(por Cornelius R. Stam)

A nossa unidade em Cristo (A Glória de um só Baptismo) – Parte 1 Outubro 9, 2009

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“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte?” Romanos 6.3

Para ajudar os nossos leitores a compreender o alvo principal deste artigo, juntamos o seu título e subtítulo na seguinte inversão:

A Sua identificação connosco
baptismo1
A nossa identificação com Ele
baptismo2

Se considerarmos estas comparações nesta inversão, poderemos observar que assim como o Senhor Jesus Cristo morreu a nossa morte, agora nós crentes vivemos a Sua vida. Assim como Ele foi feito um connosco, agora nós somos feitos um com Ele, pelo “um só baptismo” divino acerca do qual o Apóstolo Paulo tem tanto para dizer.

Muitos dos nossos irmãos que crêem que o baptismo na agua esta incluído no programa de Deus para hoje são muito defensivos acerca dos seus pontos de vista sobre o baptismo. Eles podem discutir as suas opiniões divergentes entre eles, mas entre eles e aqueles que não crêem na necessidade do baptismo para hoje, o assunto não é discutido de forma aberta! Isto acontece, em parte porque os primeiros se apoiam profundamente na tradição, a qual tantas vezes torna vã a Palavra de Deus. Mas também se deve, em parte, ao facto de outros, que vieram a compreender a simples solução baseada nas Escrituras para esta questão doutrinária, por vezes se terem tornado presunçosos devido ao seu conhecimento. Eles arreliam, ou mesmo ridicularizam, aqueles que ainda não compreendem tal verdade. Ambas as atitudes são da carne e deveriam ser abandonadas.

Contudo, não pretendemos de modo algum neutralizar a importância da questão do baptismo e desejamos sinceramente que todos os nossos irmãos em Cristo possam ver claramente a glória de “um só baptismo” de Efésios 4.5.

A identificação de nosso Senhor connosco

A. O Seu Baptismo na Nossa Raça (Participante da Natureza Humana)

Alguma vez pensaste no nascimento do nosso Senhor na raça humana como um baptismo? Foi exactamente isso; o começo do “um só baptismo” pelo qual o nosso bendito Senhor e nós fomos feitos um.

É um erro supor que baptismo, nas Escrituras, refere-se sempre a baptismo na água. De facto, a própria palavra refere-se a uma completa e profunda identificação. Baptismo na água, quando em vigor, simbolizava uma limpeza cuidadosa, mas as Escrituras também falam de outros baptismos. Para alcançarmos o sentido e o uso desta palavra claramente firmada nas nossas mentes, consideremos duas passagens das epístolas de Paulo: “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um corpo.” (I Coríntios 12.13)

Esta passagem fala claramente da fusão de crentes no Corpo de Cristo como um todo, de modo que são agora parte desse Corpo.
“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.” (Gálatas 3.27)

Consideremos como as expressões “baptizados em Cristo” e “revestistes de Cristo” aparecem ligadas. Também aqui o pensamento é o da identificação completa do crente com Cristo, para que ele e Cristo sejam agora um (Ver também I Coríntios 12.12,27).

Assim, enquanto a palavra “baptismo” em particular não seja usada quando a Palavra de Deus fala da encarnação do nosso Senhor, esta verdade está certamente lá. Na Sua encarnação, o nosso Senhor não veio a esta terra meramente para estar connosco. Mais propriamente, Ele nasceu na raça humana para se tornar um de nós. Tem sido bem dito que o Filho de Deus se tornou no Filho do homem para que os filhos dos homens se pudessem tornar filhos de Deus. O nosso Senhor foi baptizado na raça humana, nascido de uma virgem, “em semelhança da carne do pecado” (Romanos 8.3), “em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).

Não pretendemos sugerir que Ele renunciou à Sua divindade enquanto aqui na terra, mas antes que Ele foi verdadeiramente homem bem como verdadeiramente Deus. Lucas, “o médico amado”, é quem tem mais a dizer acerca do baptismo do Senhor na raça humana e, no seu registo do ministério terreno de Cristo, prova fora de dúvida que Ele foi participante da natureza humana, à excepção do pecado.

B. O Seu Baptismo na Nossa Culpa. (Contado com os Transgressores)

O baptismo de João foi, indiscutivelmente, um baptismo de arrependimento e confissão de pecados. Há uma grande quantidade de passagens bíblicas para fundamentar esta afirmação, mas citamos apenas uma que é suficientemente clara: “Apareceu João baptizando no deserto e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão de pecados. E toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Marcos 1.4,5).

À luz deste facto, não é estranho ler em Mateus 3.13: “Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser baptizado por ele.”

Porque deveria o santo Filho de Deus ser baptizado? Ele não tinha pecados para confessar. Ele não tinha nada de que se arrepender. Ele não precisava de ser purificado. Os judeus esperavam que o Messias baptizasse e não que fosse baptizado. É por isso que perguntaram a João: “Por que baptizas tu, se não és o Cristo…?” (João 1.25).
Não é de estranhar que João, muito embaraçado com a vinda do nosso Senhor para ser baptizado, “… opunha se lhe, dizendo: ‘Eu careço de ser baptizado por Ti, e vens Tu a mim?’ ” (Mateus 3-14).
Mas o Senhor insistiu, dizendo: “ ‘…Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.’ ” (Mateus 3.15)

Obviamente, o nosso Senhor não queria dizer que este baptismo, em si mesmo, cumpriria toda a justiça, mas simplesmente que esta seria uma das coisas necessárias para o cumprimento de toda a justiça.
Mas porque seria o baptismo na água de nosso Senhor necessário para o cumprimento de toda a justiça? Por uma razão muito importante, relacionada com o facto de que este baptismo era uma confissão de pecados.

Visto que o nosso Senhor não tinha pecados para confessar, só pode haver uma razão pela qual Ele se submeteu ao baptismo. Ele estava a identificar se com os pecadores. Para “cumprir toda a justiça” e resolver a questão entre Deus e o homem, Ele deveria ser “contado com os transgressores”, confessando os pecados peles como Seus e suportar a sua vergonha e desgraça.

Este foi o segundo degrau na identificação do nosso Senhor connosco; parte integrante do “um só baptismo” de Efésios 4.5, embora ainda não revelado como tal.

Mas houve um terceiro degrau; um baptismo que o identificaria connosco muito mais intimamente do que o Seus baptismo na raça humana e o Seu baptismo na nossa culpa.

C. O Seu Baptismo na nossa Morte. (A Nossa Morte Feita Sua)

Algum tempo depois do baptismo na água do nosso Senhor, Ele disse aos Seus discípulos: “Importa, porém, que eu seja baptizado com um certo baptismo, e como me angustio[iv] até que venha a cumprir-se!” (Lucas 12.50).

À luz de Marcos 10.38,39, e tendo em conta que Ele já tinha sido baptizado com água, é evidente que o nosso Senhor referia-se aqui ao Seu baptismo na morte na cruz, que ocorreria em breve. Vejamos como age perante Pilatos: “E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: ‘Não ouves quanto testificam contra Ti?’ E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.” (Mateus 27.12-14) Mas, por que não respondeu? Ele não era culpado de todos aqueles crimes. Ele poderia ter colocado os seus acusadores numa situação embaraçosa, expondo naquela hora os seus pecados.
Ah, mas Ele estava carregando voluntariamente a culpa dos seus pecados, bem como os meus e os teus. Ao estar ali, em silêncio e condenado em nosso lugar, Ele prosseguiu com o Seu propósito até ao fim.

Ele tinha se identificado com os homens para os salvar. Ele tinha sido contado com os transgressores na confissão de pecados; agora Ele foi contado com eles no pagamento da sua pena, morrendo na cruz entre dois ladrões, para “aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo.”

Este era o baptismo que o levou a usar expressões como: “Como Me angustio até que venha a cumprir-se!”, “Agora a Minha alma está perturbada.”, “Meu Pai, se é possível, passa de Mim este cálice.” Este era o baptismo que o deixou “cheio de tristeza” e fez com que suasse “grandes gotas de sangue”, tendo finalmente proferido aquele horrendo clamor: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”
A morte de cruz! Foi este o culminar do Seu baptismo na raça humana. Como é triste que milhares de líderes religiosos estejam a levar os seus ouvintes por um caminho errado pelos seus falsos ensinamentos acerca de Jesus de Nazaré e do Homem da Galileia, supondo que Ele veio ao mundo para nos mostrar como viver, quando a Palavra de Deus afirma claramente que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”, que Ele “se deu a Si mesmo em preço de REDENÇÃO por todos, para servir de testemunho a seu tempo” através do apóstolo Paulo, o principal dos pecadores (I Timóteo 1.15, 2.6,7).

Mas isto não é ainda a história completa de “um só baptismo”. Tal como o nosso Senhor Se identificou voluntariamente connosco, pecadores, também nós devemos, por um acto de fé, identificarmo-nos com Ele. Só há um lugar onde isso pode ser feito: no Calvário!

(por Cornelius R. Stam)

Seguir a Jesus! Outubro 8, 2009

Posted by David Costa in Geral.
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Muitos dos slogans que são promovidos no meio cristão evangélico parecem por vezes ser verdadeiras “palavras de sabedoria”. Mas poucos destes slogans podem ser encontrados na Bíblia. Mais facilmente os poderíamos encontrar em qualquer revista secular. É verdade que a maior parte deles parecem ser inofensivos e fazem algum sentido. Recentemente encontramos um slogan à entrada de uma igreja que dizia, “Jesus Cristo deve ser seguido e não adorado”. De certo que vivemos nos dias de apostasia, durante os quais um homem, que se chama a si próprio ministro do evangelho, tem a ousadia de colocar tal frase à entrada de uma igreja, que professa o Nome de Cristo.

Como é que podemos seguir a Cristo, se não o adorarmos também? Se o Senhor Jesus Cristo não é o Filho Eterno do Deus Vivo, então ele era um enganador da pior espécie, e não deve obviamente ser seguido nem adorado. Se Ele é Deus manifesto em carne, tal como Ele proclamou ser, então Ele certamente deve ser adorado e também seguido. E tal como Tomé, devemo-nos prostrar a Seus pés e dizer “Meu Senhor e meu Deus”. Não precisamos de especular se na verdade Ele é ou não é o Deus-Homem. Basta ouvirmos o testemunho do Pai, que testificou do céu, dizendo: “Este é o meu Filho Amado, em que me comprazo.” (Mateus, 3:17) Também lemos, “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” (João 5:23). É Deus Pai digno da nossa adoração? Claro que sim! Então também é Deus Filho digno da nossa adoração.

Na verdade muitos dos pregadores da actualidade proclamam que devemos “Seguir a Jesus”, que devemos seguir o Seus passos e exemplo enquanto Ele viveu aqui nesta terra. O Plano de Deus para este tempo não é de “seguirmos a Jesus”, mas sim seguirmos a revelação do evangelho da graça, o Mistério que o Senhor Jesus revelou ao Apóstolo Paulo. Não é suposto nós seguirmos Jesus, enquanto ministro da circuncisão na terra dos Judeus, mas devemos antes nos ocupar com o Senhor onde Ele agora está, sentado à mão direita do Pai nos lugares celestiais, onde agora foi feito Cabeça de todas as coisas referentes à Igreja, que é o Seu Corpo.

Também é comum ouvirmos que devemos seguir o Senhor no baptismo. Mas se assim o é, também devemos seguir o Senhor na circuncisão: “E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto, antes se ser concebido.” (Lucas 2:21). Devemos também segui-lo indo à sinagoga ao Sábado: “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.” (Lucas 4:14). Devemos também o seguir observando a lei, obedecendo aos que estão assentados na cadeira de Moisés: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem…” (Mateus: 23:2-3) e “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” (Gálatas 4:4).

Devemos também seguir o Senhor anunciando que o reino é chegado: “Arrependei-vos que é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17) e “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.” (Mateus 10:7).
Devemos também curar os doentes, limpar os leprosos e ressuscitar os mortos: “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demónios…” (Mateus 10:8) Se alguém nos processar no tribunal, alegando que lhe devemos algo, não devemos contestar o caso, mas antes dar-lhe mais do que o que ele pede: “Ao que pleitar contigo e tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa” (Mateus 5:40). Se alguém nos pedir algo emprestado, não o devemos recusar, mas devemos emprestar sem esperar reaver o que emprestamos: “Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.” (Mateus 5:42) e “Se emprestares àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo…” (Lucas: 6:34-35). Se vamos mesmo seguir Jesus de Nazaré, devemos fazer todas estas coisas, pois foi o próprio Senhor Jesus que as ensinou e as praticou.

Enquanto vivia na terra, “Jesus Cristo foi ministro da circuncisão por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais” (Romanos 15:8). Ele era um Judeu no meio dos Judeus, restringindo o Seu ministério à nação de Israel, proclamando ser o seu Rei. Devido a Israel o ter rejeitado, Ele regressou à glória, e quando Israel continuou com a sua rejeição, o Senhor revelou por intermédio do Apóstolo Paulo o Seu novo propósito para esta dispensação da graça de Deus. Assim sendo, nós agora não o devemos seguir na Sua humilhação, como o Messias de Israel, mas devemos segui-lo como aquele que foi glorificado à mão direita de Deus, e como Cabeça do Corpo, a Igreja.

A verdade para este tempo foi revelada ao Apóstolo Paulo, que a tornou conhecida. Em 2 Coríntios 5:16, Paulo escreve: “Daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne, e ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já não o conhecemos deste modo.”. Se queremos seguir a Cristo hoje, temos que obedecer ao que está escrito em 1ª aos Corintios 11:1, “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” Assim sendo, de acordo com a revelação do Mistério, ao seguirmos o Cristo ressurrecto, que ascendeu à Glória, também o estamos a louvar e adorar como o Bendito Filho de Deus, “o nosso Senhor Jesus Cristo, a qual, a seu tempo, mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores.” (1 Timóteo 6:15)

(por John LaVier)