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Baptismo na água – Está incluído no programa de Deus para hoje? – Parte 1 Outubro 18, 2009

Posted by David Costa in Estudos.
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Ao longo dos tempos, mais em particular nas últimas décadas, discordâncias em relação à questão do baptismo na água têm colocado obstáculos à comunhão entre os crentes. Embora alguns dos nossos estimados irmãos possam não concordar com os ensinamentos expostos neste artigo, esperamos que acreditem em nós quando afirmamos que respeitamos quaisquer convicções genuínas que possam ter. E é nosso sincero desejo que diferenças de opinião em relação a este assunto não impeçam que gozemos da comunhão que temos em Cristo.

Confiamos que todos os que lerem este artigo o farão com o espírito dos nobres bereanos, que “de bom grado receberam a Palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Actos 17:11).

Alguns perguntam se será correcto alguns crentes desta geração afirmarem que a Igreja tem estado errada acerca do baptismo. Em resposta, digamos em primeiro lugar que, embora a Igreja em geral o tenha praticado, é questionável que toda a Igreja tenha praticado o baptismo na água. Mas só porque a maioria dos crentes o têm praticado, servirá isso como justificação para o praticar? Na história dos filhos de Israel podemos constatar que eles erraram várias vezes em relação a assuntos muito importantes. Será o povo de Deus hoje menos humano? Não é igualmente possível à Igreja errar? “Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma”.

Em segundo lugar, convém notar que, se bem que a Igreja em geral tem praticado o baptismo na água desde há muitos séculos, não tem estado nem um pouco de acordo quanto às razões ou até a forma de o praticar. Tão grandes têm sido as divergências em relação à doutrina e à prática deste ritual que, embora alguns nos considerem hereges, não estamos, de facto, mais longe deles do que eles uns dos outros.

Por exemplo, se os nossos irmãos Baptistas estão biblicamente correctos em relação ao baptismo na água, então os nossos irmãos Pentecostais estão errados e aos olhos de Deus nunca foram baptizados. Se os Pentecostais estão correctos, os Baptistas estão errados e, do ponto de vista bíblico, não ensinam nem praticam verdadeiramente o baptismo na água.

É a nosso sincero desejo que esta questão, que tanta confusão tem causado entre os crentes, possa ser resolvida pela Palavra de Deus, pelo menos entre crentes sinceros e dispostos a analisar o assunto sem ideias pré-concebidas. Seria um grande passo com vista ao derrube dos muros do denominacionalismo que tem dividido o Corpo de Cristo há tanto tempo. Caso alguns insistam em manter as suas teorias sobre o baptismo na água baseadas mais no peso da tradição do que propriamente nas Escrituras, esta questão continuará a trazer divisão e confusão entre os crentes.

Há alguns que não gostam que afirmemos as nossas convicções. No entanto, nem mesmo por amor a eles podemos manter silêncio. Seria loucura colocar de parte a eterna Palavra de Deus por causa de algumas amizades terrenas. Gostaríamos que eles continuassem a ser nossos amigos, mas se eles acham que é conveniente substituir a salvação pela Cruz pelo baptismo na água como base para a comunhão cristã, apenas podemos orar que Deus abra os seus olhos e amoleça os seus corações. Não podemos mudar a nossa postura para com eles, porque “se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

Não nos opomos àqueles que honestamente divergem das nossas opiniões e que procuram responder pela Palavra de Deus, mas não abdicamos do nosso direito e responsabilidade de pregar aquilo que acreditamos ser verdade.

Neste artigo, este assunto é abordado de uma forma muito geral, mas pedimos a Deus que o use para levar muitos dos Seus filhos a um estudo mais diligente e piedoso da Sua santa Palavra.

A questão verdadeiramente importante

A questão que se pretende responder neste artigo não é se o baptismo na água se encontra ou não nas Escrituras. Todos concordamos que se encontra, visto que não pode ser negado que mesmo o Senhor Jesus mandou os Seus discípulos a baptizar. Não podemos colocar isso em causa.

A verdadeira questão é esta: O baptismo na água está no programa de Deus para hoje? Devemos praticá-lo agora? É uma ordenança para o Corpo de Cristo ou estava relacionada com a proclamação do Reino do Messias nos Evangelhos e nos Actos? Estas são algumas das questões que aqueles que ensinam o baptismo na água têm falhado em responder de forma satisfatória.

A grande mensagem de João Baptista era: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mateus 3.2). João Baptista, o precursor do Reino do Messias, ligou claramente o baptismo na água com o messianismo do nosso Senhor quando disse: “E eu não O conhecia; mas, para que Ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, baptizando com água” (João 1.31). Depois, o Próprio Senhor e os Seus doze apóstolos andaram a pregar a mesma mensagem sobre o Reino. Ver Mateus 9.35, 10.7. Quando, após a Sua ressurreição, Ele comissionou os restantes onze apóstolos, Ele não lhes disse para mudar a sua mensagem. Mesmo quando eles Lhe perguntaram: “Senhor, restaurarás Tu neste tempo o Reino a Israel?” Ele não lhes disse que o Seu Reino seria adiado por muitos séculos. Ele apenas lhes disse que não lhes pertencia saber quando o Reino seria restaurado (Actos 1.7,8) e os enviou como testemunhas sem uma única insinuação de que o Reino não estaria para vir em breve.

Por isso, durante o período do livro de Actos, Deus ainda continuou a chamar a nação de Israel ao arrependimento dos seus pecados, em especial aquele grande pecado nacional, a crucificação de Cristo. Neste período, o baptismo na água é incluído da mesma maneira que tinha sido antes da morte de Cristo, simplesmente porque Deus ainda estava a lidar com Israel como nação.

Quando chegamos a Actos 28.25-28 encontramos Paulo a ditar uma sentença de cegueira judicial sobre a nação de Israel e dizer­lhes que a “salvação de Deus é enviada aos gentios”. Aí o baptismo na água cessa, talvez não na história da Igreja, mas certamente no programa de Deus exposto na Bíblia. À medida que os judeus recusaram a mensagem de Deus para eles e os gentios eram salvos em grande número, o baptismo na água foi lenta mas firmemente perdendo a sua proeminência, tal como o livro de Actos prova. Quando chegamos às últimas epístolas de Paulo ele não é sequer mencionado. Isto é natural, porque Cristo já não está a ser manifestado a Israel (João 1.31). Israel rejeitou o Seu Messias e agora, até que o Messias volte, a Igreja Corpo de Cristo está sendo formada, no qual o baptismo na água não tem lugar à luz da Bíblia.

O silêncio de Paulo

A maior parte dos crentes dispensacionalistas concorda que o apóstolo Paulo foi o vaso escolhido por de Deus para anunciar a verdade relacionada com o Corpo de Cristo. Eles têm consciência de que, enquanto toda a Bíblia é para nós, os ensinamentos dirigidos directamente a nós encontram-se nas epístolas de Paulo. Examinemos brevemente algumas passagens, para o caso de algum dos leitores ter dúvidas disso. Para poupar espaço, citaremos apenas parte de alguns versículos, sem alterar o sentido:

Sou o “apóstolo dos gentios” (Romanos 11.13). “O meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,” (Romanos 16.25). “Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema… Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.” (Gálatas 1.9-12). “O Evangelho que prego entre os gentios” (Gálatas 2.2). “O Evangelho da circuncisão me estava confiado” (Gálatas 2.7).

“Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios… me foi este mistério manifestado pela revelação… O qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; do qual fui feito ministro… A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Efésios 3.1-8).

“A Igreja, da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos;” (Colossenses 1.24-26).

Perante estas passagens, deveria ser evidente que as epístolas de Paulo são mais dirigidas a nós do que quaisquer outros livros da bíblia. Também foi Paulo que, escrevendo a Timóteo, o jovem pastor, afirmou “para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a Igreja…”

Não é notável que este Paulo, o apóstolo dos gentios, o ensinador da Igreja, não nos ordene o baptismo na água uma única vez? Se for perguntado a alguns crentes que acreditam sinceramente no baptismo na água para hoje, onde esperariam encontrar instruções e ordenanças relativas ao baptismo na água, certamente a maioria responderia “Nas epístolas de Paulo.” No entanto, são incapazes de encontrar uma ordem ou mesmo uma exortação, nas epístolas de Paulo, para sermos baptizados na água. Isto deveria ser um argumento convincente, especialmente para aqueles que crêem na verdade dispensacional. Se não está ordenado nas epístolas de Paulo, onde deveremos ir para o encontrar? Deveremos ir aos Evangelhos ou ao livro de Actos? Se formos aos Evangelhos ou ao livro de Actos, será razoável escolher cumprir o baptismo e deixar de fora as línguas, sinais e unções, entre outros?

É verdade que o próprio Paulo foi baptizado e baptizou outros, mas isso não afecta a questão. Ele foi circuncidado e mesmo enquanto apóstolo circuncidou outros. Deveríamos por isso praticar a circuncisão? Paulo falou em línguas e operou milagres; deveríamos nós também? O interessante sobre circuncisão, baptismos e manifestações miraculosas do ministério de Paulo é que elas ocorreram antes de Actos 28, quando Israel foi colocada de parte como nação.

Os seus escritos confirmam isto, porque é nas suas primeiras epístolas que ele menciona o baptismo na água (apesar de nunca o ordenar). As suas primeiras epístolas também têm muito a dizer sobre línguas, sinais miraculosos e circuncisão, mas aqueles que manejam bem [dividem correctamente] a Palavra da Verdade não praticam estas coisas. Evidentemente estas pertencem a uma dispensação em desaparecimento. Estas coisas apenas causam confusão quando elas, ou uma sua imitação, entram na Igreja hoje. Alguns sugerem o fraco argumento de que a falta de fé explica a ausência de manifestações miraculosas hoje. Mas não é estranho que os homens de Deus mais espirituais que conhecemos hoje, e aqueles que Deus mais notoriamente tem usado, sejam eles missionários, evangelistas, pastores ou ensinadores da Bíblia, não possuem esses sinais e frequentemente têm pregado contra eles?

Assim, o facto de os escritos de Paulo se referirem ao baptismo na água prova pouco. Depois de Israel ser colocado de parte em Actos 28, ele nem o menciona. No entanto, muitos pregadores que podem mostrar pelas Escrituras que as manifestações miraculosas não estão no programa de Deus para a Igreja hoje ainda se agarram ao baptismo na água. Não é de admirar que tenha havido tamanha confusão nesta matéria.

(Por Cornelius R. Stam)

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