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Baptismo na água – Está incluído no programa de Deus para hoje? – Parte 2 Outubro 25, 2009

Posted by David Costa in Estudos.
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Paulo sobre o baptismo

Será interessante examinar I Coríntios 1.14-17, uma das poucas passagens onde Paulo menciona o baptismo na água.

No versículo 14 ele diz: “Dou graças a Deus porque a nenhum de vós baptizei, senão a Crispo e a Gaio”; e no versículo 16 acrescenta “a família de Estéfanas”. Para além destes, ele não se lembrava de ter baptizado quaisquer outros Coríntios. O facto importante nesta porção é que ele escreve dizendo que está agradecido a Deus por não ter baptizado quaisquer outros. Se Paulo tivesse sido comissionado: “Ide… ensinai… baptizando…” (Mateus 28.19), como os onze apóstolos, poderia ter escrito isto? Poderia ele devidamente agradecer a Deus por descurar aquilo que era o seu claro dever? Alguns daqueles que defendem a prática do baptismo na água são rápidos em salientar que a razão para esta afirmação se encontra no versículo 16: “Para que ninguém diga que fostes baptizados em meu nome”.

Claro que isto é verdade, mas permanece o facto que Paulo agradeceu a Deus por não ter baptizado mais ninguém, quando não deveria, nem teria escrito tal afirmação se ele tivesse sido enviado como os onze apóstolos a baptizar tal como a pregar. Pedro, por exemplo, não poderia ter dito isto, porque estaria agradecido por ter quebrado um mandamento directo do Senhor. Pessoas haviam sido salvas através do apóstolo Paulo e vieram a gloriar­se: “Eu sou de Paulo”. No entanto, Paulo nunca agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido salvo através dele. Ele apenas agradeceu a Deus por mais ninguém ter sido baptizado por ele.

Mas ainda não considerámos o versículo mais importante nesta porção, o versículo 17. “Porque Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar”. Quão diferente é esta comissão da dos onze! Eles foram claramente enviados a baptizar como a pregar, mas Paulo diz claramente: “Cristo enviou­me, não para baptizar, mas para evangelizar…”. Há alguns que quebram a força desta passagem, parafraseando­a como “Cristo enviou­me, não para baptizar principalmente, mas para evangelizar”, mas podem provar que ele foi enviado a baptizar? Não podem! O seu argumento é um recurso de emergência e denuncia uma falta de compreensão da essência da natureza do ministério de Paulo.

Alguns versículos debatidos

Há o perigo de supor que, quando Paulo fala de baptismo, ele se refere ao baptismo na água. Devemos lembrar com cuidado que as palavras “baptismo” (do grego “baptisma”) e “baptizar” (do grego “baptizo”) de maneira nenhuma se referem sempre ao baptismo na água. Uma vista de olhos a passagens como Mateus 3.11, Marcos 10.38,39 e Lucas 12.50 tornarão isto muito claro. Estas passagens são escolhidas dos mesmos livros onde o baptismo na água é mais notório.

Vamos debater brevemente algumas das referências ao baptismo que são muito usadas, especialmente pelos nossos amigos Baptistas, mas que certamente não têm qualquer relação com o baptismo na água.

Primeiramente, examinaremos os primeiros seis versículos de Romanos 6:

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?”
“De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
“Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na Sua morte?”
“De sorte que fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.”
“Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição;”
“Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” (Romanos 6.1-6).

O versículo 3 não pode ser bem ajustado ao baptismo na água, porque o baptismo na água não nos baptiza na morte de Cristo, nem nos faz andar em “novidade de vida” referida no versículo 4. Apenas o poder do Espírito Santo pode operar estas coisas. Mas há mais no versículo 4 que indica que não se refere ao baptismo na água, porque diz­nos que “fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, COMO CRISTO RESSUSCITOU DOS MORTOS PELA GLÓRIA DO PAI, ASSIM andemos NÓS TAMBÉM em novidade de vida”. Certamente este baptismo não é obra dos homens, mas a obra de Deus ao baptizar­nos na morte de Cristo. Note­se que de acordo com o versículo 6, nós fomos crucificados “com Ele”, embora não tenhamos sido crucificados fisicamente. Da mesma forma somos sepultados “com Ele” de acordo com o versículo 4. Se a crucificação não é física, também não o é o sepultamento. O sepultamento do versículo 4 é a consequência natural da nossa crucificação com Cristo, “para que o corpo do pecado seja desfeito”. A esta crucificação e sepultamento segue­se naturalmente a ressurreição “com Ele”, referida no versículo 8 e em Efésios 2.5. Tudo isto é obra de Deus através do Espírito Santo. No momento em é colocada água numa porção das Escrituras como esta, toda a sua força e significado são destruídos.

Há outro versículo que é muitas vezes utilizado por aqueles que praticam o baptismo na água. Trata-se de Gálatas 3.27:

“Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.”

Quantas vezes crentes sinceros que não foram baptizados são instigados a “revestir­se de Cristo” pelo baptismo na água! Mas é a ordenança do baptismo na água que coloca o homem “em Cristo”? Alguns argumentam que a tradução deveria ser: “Todos quantos fostes baptizados até Cristo, já vos revestistes de Cristo. É o baptismo na água que nos dá acesso a alguma relação com Cristo? É por este rito que o homem se “reveste de Cristo”? Certamente todas as Escrituras respondem “NÃO!” É apenas pela graça por meio da fé que os homens são colocados em ou trazidos até Cristo. E vejam­se os milhares de descrentes que têm sido baptizados na água. O pastor celebrante pode ter sido profundamente sincero, mas ele não poderia pela água baptizar o candidato em Cristo. Apenas os crentes podem ser baptizados em Cristo e, graças a Deus, todos o foram!

A seguir talvez devamos considerar a declaração esplendorosa encontrada em Colossenses 2.10-13. Esta é, na minha opinião, uma das mais benditas porções de todo o Novo Testamento.

“E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade;
“No Qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.”
“Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos.”
“E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2.10-13).

Enquanto consideramos esta passagem, não nos esqueçamos deste grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Examinemos cuidadosamente os detalhes:

Versículo 11: “No Qual também estais circuncidados.”
O versículo continua com um cenário de morte. Era isso que a circuncisão representava. Certamente não devemos praticar a circuncisão hoje. Todo o verdadeiro crente foi sepultado com Cristo.

Versículo 12: “Sepultados com Ele no baptismo”.
Nós não fomos circuncidados ou crucificados fisicamente. Nós não morremos fisicamente. Nós morremos com Cristo. Nem é o baptismo aqui o sepultamento físico na água. Nós fomos “sepultados com Ele”, tal como fomos crucificados com Ele. Não é o baptismo na água que é referido aqui, mas identificação com Cristo no Seu sepultamento.

Versículo 13: “Vós estáveis mortos… vos vivificou juntamente com Ele”.
Assim, eu fui sepultado e ressuscitado com Ele da mesma forma que morri com Ele, quando pela fé O aceite como me substituto e representante pessoal.

Tudo isto concorda com o grande tema: “Estais perfeitos nEle”. Somos feitos perfeitos nele quando o Espírito Santo através do Seu poder regenerador nos identifica com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição.

Que bênção quando o crente toma consciência disto! Quão desonroso é para o Senhor quando se adiciona um acto religioso para nos tornar perfeitos a Seus olhos! Não nos devemos esquecer que, na medida em que acrescentamos importância ao que o homem faz, tiramos glória à obra consumada de Cristo.

Um só baptismo

Para terminar, consideremos Efésios 4.3-6:

“Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz:”
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;”
“Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo;”
“Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Efésios 4.3-6).

Nesta passagem encontramos as expressões “um só” ou “uma só” sete vezes. Não é estranho, visto que no versículo 3 encontramos essa preciosa palavra “unidade”. “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

Foi David quem disse: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” Como poderemos ter esta bendita unidade na Igreja de Cristo? É exactamente isto que esta passagem nos diz. Temos de compreender totalmente que “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé…” Até aqui a maioria dos filhos de Deus estão de acordo, mas quando chega a “um só baptismo”, há discórdia. Embora muitos dos nossos irmãos Baptistas concordem que se refere ao baptismo do Espírito Santo, outros dizem que a imersão é o “um só baptismo”, mas já se viram as palavras “Um só baptismo” inscritas em baptistérios em Igrejas onde se praticam a aspersão ou o derramamento. Infelizmente há muitos baptismos na Igreja de hoje. Grandes homens de Deus e poderosos defensores da fé estão uns contra os outros neste importante assunto. Como poderá haver a unidade do Espírito enquanto não reconhecermos o UM SÓ baptismo?

Graças a Deus, “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito formando um corpo”.Que Deus não permita que se acrescente o que quer que seja ao “um só baptismo” que nos une com Cristo e com o Seu povo e nos torna perfeitos nEle.

Oramos sinceramente a Deus para que esta bendita verdade possa ser aceite por crentes sinceros em todo o lado.

(Por Cornelius R. Stam)

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Comentários»

1. Aramisio Borges - Janeiro 4, 2015

Concordo plenamente com o autor em relação ao batismo. Sou pastor batista há 33 anos e nas duas última décadas comecei a pesquisar sobre esse e outros assuntos, que aprendi nos seminários, e em relação a esse cheguei a a essa conclusão do autor. Só que é muito difícil encontrar material sobre o assunto, principalmente dos que pensam assim. Sou muito grato a Deus e ao autor desse artigo, por encontrar esse excelente material.


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