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Introdução à Epístola aos Romanos Dezembro 21, 2009

Posted by David Costa in Epístola aos Romanos.
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A Epístola de Paulo aos Romanos é uma das epistolas mais profundas, no entanto, um dos mais esclarecedores livros da Bíblia. Em nenhum outro lugar na Bíblia encontramos as grandes doutrinas da fé cristã descritas de forma tão completa ou sistemática.

A mais longa das cartas de Paulo, aos Romanos, trata basicamente acerca da natureza de Deus, o pecado do homem e a justificação do crente perante o tribunal de Deus, revelando a justiça de Deus (1:17) para com aqueles que merecem a Sua ira (1:18). Trata também da alienação do homem em relação a Deus, a reconciliação do crente com Deus, e depois aplica tais ensinos de uma forma prática.

Trata também de grandes temas teológicos tais como a eleição, predestinação, a santificação, a lei, a graça, a fé, a identificação do crente com Cristo e o programa de Deus para Israel e para as nações.

Estes são todos assuntos que nos afectam de forma vital, assuntos que devemos compreender, tanto quanto a mente renovada está capacitada para entender as coisas de Deus.

No Cânon da Escritura, a carta aos Romanos é a primeira entre as epístolas de Paulo, não porque tenha sido escrita antes, mas porque, apresenta os grandes e verdadeiros fundamentos do Evangelho da Graça, revelando a ira de Deus contra o pecado e a base na qual só Ele pode declarar o pecador justo.

A Epístola aos Romanos divide-se basicamente em três secções:

  1. Ensino doutrinário, Capítulos 1-8,
  2. Ensino dispensacional, Capítulos 9-11,
  3. Ensino prático, Capítulos 12-16.

O Autor

Paulo, o escritor da epístola aos Romanos, era o homem com as habilitações ideais para escrever esta carta. Um homem de profunda perspicácia intelectual e de notáveis feitos, foi ao mesmo tempo, o chefe dos pecadores, salvo pela graça, o exemplo de tudo o que tinha sido realizado por meio da morte e ressurreição de Cristo. Além disso, no seu passado vivia o legalismo judaico, a cultura grega e a estatura romana que lhe assentavam tão bem para dar a conhecer a mensagem dada por Deus para toda a humanidade.

A confusão teológica na Igreja de hoje é basicamente o resultado da sua rebelião contra a autoridade de Paulo como o apóstolo divinamente nomeado para a actual “dispensação da graça de Deus”.

Por alguns, Paulo é referido apenas como um dos apóstolos, por vezes até como um dos doze, embora o registo das Escrituras prove que ele não poderia ter as qualificações necessárias para ser um dos doze (Mateus 19:28, cf. Actos 9:1).

As Escrituras ensinam, sem sombra de dúvida, que o apostolado e mensagem de Paulo são absolutamente únicos e distintos em relação aos dos doze ou de qualquer outro que o precedeu. Isto é o que a cristandade em geral tem ignorado ou recusado aceitar, confundindo assim o programa do Reino de Deus, profetizado nas Escrituras, com o programa do “Mistério”, confiado a Paulo para nós, nesta presente dispensação.

As Escrituras enfatizam não só o uso repetido pelo Apóstolo do pronome de primeira pessoa, “eu”, “me”, “meu”, mas também o carácter único do seu apostolado e mensagem. Ignore este facto e confusão é o resultado inevitável; aceite-o e centenas de aparentes contradições na Bíblia desaparecem.

Certamente ninguém, mesmo que superficial-mente familiarizado com o livro dos Actos ou as epístolas de Paulo, vai questionar o facto de que algum tempo depois da comissão de nosso Senhor aos onze e da sua ascensão ao céu, Paulo foi enviado, como apóstolo de Cristo, para proclamar a toda a humanidade “o evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24).

O Apóstolo inicia e conclui sua Epístola aos Romanos com a afirmação de que sua mensagem é para “todas as nações” (Romanos 1:5; 16:26). Considerando que os doze não conseguiram superar sua própria nação no cumprimento da sua comissão de proclamar Cristo como Rei, temos o registo das grandes viagens apostólicas de Paulo entre os gentios. E é escrito por Paulo durante sua estadia em Éfeso “todos os que habitavam na Ásia [a província da Ásia Menor] ouviram a palavra do Senhor Jesus” (Actos 19:10). Aos romanos ele escreve “desde Jerusalém e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Cristo” (Romanos 15:19), e menciona os seus planos para ir a Espanha (15:24), planos estes que podem bem ter sido realizados entre os seus aprisionamentos em Roma. Mesmo acerca dos seus colaboradores foi dito: “Estes que tem alvoroçado o mundo, chegaram também aqui” (Actos 17:6).

Tudo isto lança luz sobre a Epístola aos Romanos e o propósito do apóstolo ao escrevê-la. Com a nova dispensação a ser anunciada, era necessário um tratado completo sobre a natureza de Deus, a queda do homem e o grande plano de Deus para a justificação dos pecadores.

A Igreja em Roma

Podem muito bem ter sido várias igrejas locais, em Roma, como aquela referida em 16:3-5, mas o Apóstolo dirige sua epístola a “todos” os crentes ali, isto é, a toda, a assim chamada, assembleia (1:7).

A actual “Igreja de Roma”, a Igreja Católica, atribui a fundação da igreja primitiva ao ministério de Pedro, mas não há a menor evidência nas Escrituras que confirme isso, pelo que nem sequer vamos entrar em detalhes, especialmente visto que as Escrituras afirmam claramente em Gálatas 2:9 que Pedro e os líderes da Judeia acordaram pública e solenemente que iriam desde então limitar o seu ministério a Israel, reconhecendo Paulo como apóstolo designado por Deus para os gentios. Há também alguns que argumentam que Paulo ainda não tinha estado em Roma, na altura em que escreveu a sua epístola, e que portanto deve ser que os crentes da Igreja de Jerusalém tinham chegado até Roma, sob a sua “grande comissão”.

Nós não aceitamos isso como válido pelas seguintes razões:

1. Embora de facto estivessem alguns “forasteiros romanos” presentes em Pentecostes, não há nenhuma evidência de que houve um número significativo destes, ou mesmo de que os presentes se haviam convertido, muito menos de que eles haviam começado uma igreja em Roma. Por outro lado, podemos ler que mais tarde, na grande perseguição em Jerusalém, “todos eles foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria, excepto os apóstolos” (Actos 8:1). Então, em relação a essas mesmas pessoas, lê-se ainda mais tarde:
“E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns varões cíprios e cirenenses, os quais; entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.” (Actos 11:19, 20)

Quando a Igreja em Jerusalém ouviu acerca disto, enviaram Barnabé para averiguar o que se passava lá e ele foi a Tarso para buscar Saulo, e sob Saulo a igreja de Antioquia tornou-se a base de operações para a evangelização dos gentios, com o “evangelho da graça de Deus ” (Actos 11:25,26; 14:26,27).

2. Foi de Antioquia que Paulo, por revelação, foi a Jerusalém para comunicar aos líderes ali “o [tal] evangelho”, que ele tinha pregado entre os gentios (Gálatas 2:2). Desse encontro resultou que eles, os líderes, pela voz de “Tiago, Cefas [Pedro] e João, “prometeram limitar o seu ministério somente a Israel, reconhecendo Paulo como o apóstolo dos gentios.

Mesmo naquele “concílio” da Circuncisão, “apóstolos e anciãos” escreveram sobre os que tinham saído de lá para impor a sua mensagem e programa aos gentios:
“Porquanto ouvimos que alguns que saíram de entre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, não lhes tendo nós dado mandamento” (Actos 15:24).

Como, então, pode a grande Igreja em Roma ter sido estabelecida por crentes convertidos do reino em Jerusalém? Sem dúvida, os crentes de Roma tinham sido ganhos para Cristo através daqueles a quem Paulo havia enviado com o “Evangelho da graça de Deus”.

3. Se os crentes em Roma foram convertidos pelos crentes do reino que haviam regressado a Roma de Jerusalém depois de Pentecostes, como é que nós não encontramos sequer um caso similar em qualquer outra cidade gentia? Será que os convertidos no Pentecostes seguiram todos juntos para Roma e fundaram ali a igreja, ou igrejas, mas não seguiram para Corinto, Éfeso, Tessalónica ou outras? Nestas cidades o apóstolo Paulo foi primeiro às sinagogas judaicas, e quando ele pregou ali o Evangelho era, evidentemente, novidade para seus ouvintes.

Pode parecer, à primeira vista, em Actos 18:24-28 que o caso de Apolo argumenta contra o dito anteriormente, mas não é assim. Apolo, um judeu de Alexandria, conhecia “somente o baptismo de João” (verso 25), que havia anunciado que Cristo estava para vir (19:4), e Apolo tinha só “começado” a falar ousadamente na sinagoga quando Áquila e Príscila o encontraram (18:26). É evidente, portanto, que ele não tinha estabelecido qualquer igreja cristã em Éfeso.

4. Três dias depois de Paulo ter chegado a Roma, ele “convocou os principais dos judeus” ali. Esta fraseologia já demonstra um considerável prestígio por parte de Paulo. Esses homens em seguida pediram a Paulo para explicar a doutrina que ele pregava, “porque,” eles disseram, “quanto a esta seita, notório nos é que em toda a parte se fala contra ela.” (Actos 28:22).

Porquê este interesse em Paulo e sua mensagem, se a igreja, ou igrejas, em Roma tinham sido fundadas por alguns dos seus, que haviam regressado a Roma, de Jerusalém?

A frase “em toda parte [esta seita] se fala contra”, recorda-nos a acusação feita contra Paulo pelos judeus, quando ele estava diante de Félix (Actos 24:5). Nessa altura não eram Pedro e seus companheiros que estavam por toda parte a sofrer oposição e perseguição, mas sim Paulo. Mesmo uma leitura ligeira dos Actos deixa isso bem claro. Em Actos 8:1 encontramos os crentes messiânicos sendo dispersos de Jerusalém, mas em Actos 15 a maioria deles, evidentemente, já tinha regressado, e por esse tempo a igreja era tão forte que os seguidores do Messias podiam organizar os seus próprios “Concílios” em Jerusalém, sem grande oposição. Assim, mais algum tempo e chegamos a Actos 28, e já não é a mensagem dos doze, mas a mensagem de Paulo, que está reunindo oposição por todo o lado.

Não negamos que alguns judeus que haviam regressado a Jerusalém podem ter dito a seus irmãos de Roma o que tinha acontecido lá, e como o Rei crucificado estava, de facto, vivo, mas por esta altura até Pedro tinha aprendido muito da mensagem de Paulo e tinha aprovado (Gálatas 2:1-9; Cf. Actos 15:11), de modo que agora Paulo era a figura dominante no mundo religioso.

5. Embora houvesse, é claro, alguns irmãos judeus na Igreja de Roma, esta era composta predominantemente por gentios na carne. Em Romanos 1:13 o Apóstolo diz quantas vezes ele tinha proposto ir a Roma, que ele poderia ter frutos entre eles, “mesmo entre os demais gentios”, e em 11:13, temos esta afirmação:
“Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério.”

6. A atitude dos crentes de Roma em relação a Paulo testemunha a favor do argumento de que ele, através de seus emissários, havia fundado a igreja ali. Aqui podemos citar o famoso teólogo francês, Godet, na sua Introdução à Epístola aos Romanos.
“O facto mais significativo está descrito na primeira parte de Actos 28. Ao ouvirem acerca da chegada de Paulo, os irmãos que residem em Roma apressam-se em encontrá-lo e recebê-lo com um afecto que aumenta a sua coragem. Isto não prova que já foi amado e respeitado como seu pai espiritual, e que, consequentemente, seu cristianismo passou directa ou indirectamente, das igrejas fundadas por Paulo na Grécia e na Ásia, em vez da igreja judaico-cristã de Jerusalém? ”

7. A descrição acima é ainda mais enfatizada pelo facto de que Romanos 16 indica claramente que ele já tinha muitos queridos amigos pessoais em Roma. Neste capítulo ele menciona mais de vinte e cinco destes, além de algumas famílias! Alguns destes vieram a conhecer a Cristo através do seu ministério e depois viajaram para Roma.

Momento de Escrita

A grande oferta das igrejas dos gentios “aos pobres de entre os santos que estão em Jerusalém” já tinha sido concluída e Paulo estava a caminho com outros para entregá-la aos líderes. Isto é evidente em Romanos 15:25,26:
“Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu bem à Macedónia e à Acaia fazerem uma colecta para os pobres de entre os santos que estão em Jerusalém.”

Nós sabemos que nesta viagem ele passaria por Corinto (I aos Coríntios 16:3-5) e terá sido ali que ele escreveu a Epístola aos Romanos. O envio de saudações do Apóstolo aos crentes em Roma por parte de crentes de Corinto parece corroborar esta informação.

Por exemplo, em Romanos 16:23 ele envia saudações de Gaio, seu anfitrião, e I aos Coríntios 1:14 indica que Gaio era de Corinto. Em seguida, no mesmo versículo, ele também envia saudações de Erasto, o procurador da cidade, e II Timóteo 4:20, posteriormente, indica que Erasto tinha estado em Corinto.

É claro que a epístola foi entregue pessoalmente aos cristãos de Roma por Febe, uma mulher de Corinto, que tinha negócios em Roma (Romanos 16:1-2). Assim Deus, em Sua graça, confiou o mais valioso de todos os manuscritos sagrados na mão frágil de uma mulher; protegida, é claro, pela Sua Poderosa mão. 

(por Cornelius Stam)

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