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Verdadeira Espiritualidade – Cap. 1 – A Natureza do Homem Janeiro 30, 2010

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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É bem possível que enquanto crianças pensássemos que os nossos pais sabiam todas as coisas, se bem que tal não é verdade. Mas nós que somos crentes devemos estar gratos por termos um Pai celestial que sabe todas as coisas e que pela sua graça há muitas coisas, as mais importantes, que Ele nos deu para que as conheçamos muito bem. Ainda assim, há muitas coisas que não sabemos, e isto é particularmente verdade em relação à nossa própria natureza e constituição. Esta questão é tão complexa, que nunca terminaremos o estudo dela aqui na Terra. Bem escreveu David em relação a este assunto:

“Eu Te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Salmos 139:14).

Há, no entanto, algumas coisas que Deus nos diz em relação à nossa natureza e constituição, e destas devemos possuir um conhecimento básico, se queremos compreender o que é ser verdadeiramente espiritual, e isto no sentido bíblico do termo. Comecemos por considerar, de forma breve, a natureza do homem.

Corpo, alma e espírito

O homem possui um corpo com olhos, ouvidos, nariz, língua, dedos e outros membros. Mas ele é mais do que um corpo. Há dentro dele aquilo que dá vida a estes membros e fazem com que possamos ver, ouvir, cheirar, saborear e sentir. A isto chamamos alma (em hebraico, nephesh; em grego, psychē). Pode ser definida como: o sopro da vida; a força vital que anima o corpo e que se evidencia na respiração; aquilo pelo qual o corpo vive e sente. O corpo do homem foi feito a partir do pó da terra, mas para lhe transmitir vida foi necessário que Deus inspirasse nele o sopro da vida.
“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” (Génesis 2:7).

Assim há pelo menos duas partes da constituição do homem, uma material e outra imaterial. Mas há ainda uma outra parte, também imaterial, chamada espírito (em hebraico, ruwach; em grego, pneuma).

A alma e o espírito, sendo ambos imateriais, têm algumas funções comuns atribuídas nas Escrituras e são por vezes usados alternadamente, mas não se conclui daqui que eles sejam o mesmo, visto que encontramos distinções entre elas em muitas passagens bíblicas.

Lemos na epístola aos Hebreus:
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO…” (Hebreus 4:12).

Paulo escreveu aos Coríntios sobre o corpo do crente:
“Semeia-se corpo natural [em grego, psychikos, palavra derivada de psychē], ressuscitará corpo espiritual” (I Coríntios 15:44).

Também na epístola de Judas é clara a distinção entre alma e espírito:
“Estes são os que causam divisões, sensuais [em grego, psychikos], que NÃO têm o Espírito [pneuma]” (Judas 19).

Pneuma é normalmente definida como a parte racional do homem e pela qual ele alcança e compreende as coisas as coisas divinas e eternas e sobre a qual o Espírito de Deus exerce a Sua influência.

As passagens anteriores também refutam as seguintes ideias:

  • o espírito no corpo faz a alma
  • o espírito e o corpo juntos fazem a alma
  • o homem não tem alma mas sim é alma
  • quando o espírito deixa o corpo deixa de haver alma.

De facto, embora o homem tenha sido “feito alma vivente”, a alma é mesmo assim referida nas Escrituras como sendo distinta do corpo, bem como do espírito, porque a Palavra de Deus não só “penetra até à divisão da alma e do espírito” (Hebreus 4:12) como também faz a divisão entre a alma e o corpo, porque em Mateus 10:28 temos as seguintes palavras do Senhor Jesus Cristo:

“E não temais os que matam o CORPO e não podem matar a alma; temei antes Aquele que pode fazer perecer no inferno A ALMA E O CORPO” (Mateus 10:28).

Como veremos, a alma é a sede da existência consciente do homem e por isso ele é chamado de alma (Génesis 2:7 e Actos 2:41, entre outras passagens), mas visto que ele é mais do que uma alma, uma vez que é também corpo e espírito, lemos nas Escrituras que ele tem uma alma:

“Mas a sua carne nele tem dores; e A SUA ALMA NELE lamenta” (Job 14:22).
“… porquanto derramou A SUA ALMA na morte…” (Isaías 53:12).
“… A SUA ALMA NÃO FOI DEIXADA NO INFERNO, nem a Sua carne viu a corrupção” (Actos 2:31).

Deste modo, o Apóstolo Paulo escreve aos Tessalonicenses:
“… e TODO O VOSSO ESPÍRITO, E ALMA, E CORPO, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Tessalonicenses 5:23).

Concordamos, assim, com a posição amplamente divulgada de que a consciência do mundo pertence ao corpo (Mateus 6:22; I Coríntios 12:14-17), a consciência de si mesmo pertence à alma (Mateus 16:26; I Pedro 1:9) e a consciência de Deus pertence ao espírito (Romanos 1:9, 8:16). No entanto, devemos ter em conta que estes três estão intimamente relacionados, pois o corpo, por exemplo, tem consciência do mundo apenas se a alma lhe der consciência, enquanto a alma e o espírito estão relacionados de forma semelhante. Certamente é verdade que o corpo, sendo físico, está mais relacionado com a terra e com as coisas materiais (Génesis 3:19) e que o espírito, antes da queda, relacionava-se mais com Deus e é ainda sobre ele que o Espírito Santo exerce a Sua influência (Efésios 1:17, 4:23), enquanto que a alma é o intermediário entre os dois, sendo a sede dos sentimentos, emoções e decisões, unindo o corpo e o espírito (Génesis 2:7; Marcos 14:34; João 11:33).

Alma, a sede da existência do homem

Embora pareça evidente, com base em Génesis 2:7, que a alma é a sede da existência do homem desde a criação, também é evidente que antes da queda a alma do homem era sujeita ao seu espírito, o qual por sua vez estava em completa harmonia com o Espírito de Deus. No entanto, isto mudou com a queda. O enganador convenceu o homem de que, se se fizesse valer dos seus próprios “direitos”, poderia ser “como Deus”. O homem creu na mentira e como resultado foi dominado por ela. A consciência de si mesmo deu lugar à sua própria vontade e aos próprios interesses. Todo o ser humano tornou-se por natureza um deus para si mesmo. Com a queda o homem tornou-se num ser centrado na alma, passando a sua alma caída, a sua própria importância e os seus próprios interesses a influenciar e a dominar tanto o seu corpo como o seu espírito. Claro que isto teve como consequência a inimizade contra Deus e a separação de Deus. Numa palavra, a morte.

É nosso objectivo ver como Deus, pela graça, oferece libertação desta condição, de forma a que os pecadores mortos em seus pecados possam tornar-se em santos vivos e espirituais.

Espiritualidade bíblica

O que se quer dizer com expressões como “o que é espiritual” e “vós, que sois espirituais” que lemos nas Escrituras? O que é verdadeira espiritualidade no sentido bíblico?

Antes de responder a esta pergunta, devemos referir que a verdadeira espiritualidade não consiste meramente no domínio da vida do homem pelo seu espírito (e não pela sua alma ou pelo seu corpo), porque com a entrada do pecado todo o ser do homem foi “separado da vida de Deus” (Efésios 4:17-19), tornando-se o seu espírito, alma e corpo caídos. Além disso, como vimos, a alma pervertida, em vez de ser a sede da simples consciência de si mesmo, tornou-se na sede da sua própria importância e dos seus próprios interesses, o que teve um efeito devastador no seu espírito, tornando todo o homem interior em inimizade com Deus (Romanos 8:7; Colossenses 1:21).

Uma verificação do uso bíblico da palavra pneuma afastará rapidamente a noção de que o espírito em si mesmo é bom. Várias vezes lemos nas Escrituras acerca de espíritos “imundos” e “maus” (Marcos 1:23 e Lucas 7:21, entre outras). Em I Pedro 3:19-20 lemos acerca dos “espíritos em prisão”, que foram ali lançados por causa da sua desobediência a Deus nos dias de Noé. O próprio Satanás é, como sabemos, o “espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2) e os crentes são agora avisados explicitamente que a sua luta não é contra a carne e o sangue, mas sim contra os espíritos malignos nos lugares celestiais (Efésios 6:12). Na verdade, o facto de que somos chamados a purificarmo-nos de toda “a imundícia da carne [corpo] e do espírito” (II Coríntios 7:1) e que alguns procuram ser santos, “tanto no corpo como no espírito” (I Coríntios 7:34), indica claramente que o espírito do homem não ficou imaculado com a queda.

Por isso não é suficiente que as nossas vidas sejam dominadas pelos nossos espíritos. O homem no seu todo (espírito, alma e corpo) deve estar dominado pelo Espírito de Deus. Homens espirituais, no sentido bíblico da palavra, são aqueles que têm “o Espírito que vem de Deus” (I Coríntios 2:12), apreciam e são sensíveis às “coisas do Espírito de Deus” (I Coríntios 2:14), são “guiados pelo Espírito de Deus” (Romanos 8:14) e assim produzem “o fruto do Espírito” (Gálatas 5:22).

Em I Coríntios 2:11 fica claro que a espiritualidade bíblica tem que ver com a actuação do Espírito de Deus no crente. Nessa passagem o Apóstolo Paulo nota que, tal como ninguém poderia entender “as coisas do homem” se não fosse “o espírito do homem, que nele está”, assim ninguém pode entender “as coisas de Deus” se não for “o Espírito de Deus”.

O simples facto de o homem caído ter espírito não o ajuda a compreender Deus ou a ser mais como Ele. Este facto devia ser tomado em atenção por aqueles que procuram agradar a Deus, tentando constantemente, e em vão, alcançar um “estado mais elevado”.

O espírito e a carne

Em relação a isto, as epístolas de Paulo têm muito a dizer sobre a carne (no grego, sarx) num sentido ético. O termo “carne” não se refere ao mero corpo físico, nem mesmo ao corpo e à alma, mas antes à natureza adâmica e caída do homem, a qual afecta todo o seu ser, mesmo o seu espírito.

Diz o apóstolo que na carne “não habita bem algum” (Romanos 7:18). Ele chama-a de “carne do pecado” (Romanos 8:3). Ele diz-nos que “a carne cobiça contra o espírito” (Gálatas 5:17), que ela busca “ocasião” para o mal (Gálatas 5:13) e que “as obras da carne” são todas más (Gálatas 5:19-21).

É importante que compreendamos o que significa o termo “carne” em passagens como estas. Não é o corpo físico, nem o corpo e a alma, mas a velha natureza na sua operação no homem no seu todo.

Muitas vezes a natureza caída do homem exprime-se na sua entrega às paixões sensuais, mas por outro lado também se pode exprimir na sua tentativa de controlar essas paixões. O “velho homem” pode parecer moral e íntegro e até muito religioso. Ele pode cumprir fielmente jejuns, festas e dias santos. Ele pode esforçar-se por manter o seu corpo sob controlo, disciplinando-se pela participação em práticas de mortificação dos sentidos “com pretexto de humildade”, mas estará de facto a desagradar ainda mais a Deus porque está “debalde inchado na sua carnal compreensão”, supondo que está a fazer algo de bom dele mesmo. E no entanto as “ordenanças” com as quais o “carregam” e mesmo a “disciplina do corpo” “não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Colossenses 2:18-23) pela simples razão de que todos estes esforços representam apenas uma tentativa da carne para se tornar melhor.

Não é de admirar que não só lemos que “o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção” (Gálatas 6:8), mas também que mesmo “a inclinação da carne é morte… porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Romanos 8:6,7).

“Portanto, os que estão na carne [isto é, vivem sob o domínio da velha natureza] não podem agradar a Deus” (Romanos 8:8). É importante lembrar isto. Por muito educado, culto ou religioso que o homem seja, ele não pode agradar a Deus!

Até agora abordámos este assunto de forma um pouco pormenorizada de forma a que o leitor não seja induzido no erro de pensar que se ao menos o seu espírito conseguisse controlar o seu corpo, ele seria um homem melhor; isto porque o seu espírito, alma e corpo são, desde a meninice, controlados pela natureza adâmica caída: a carne.

Aquilo de que o pecador precisa é de uma nova natureza, gerada pelo espírito de Deus, para que Deus possa ter o controlo.

Formas predominantes de pseudo-espiritualidade

Antes de explicar pelas Escrituras como os pecadores se podem tornar “participantes da natureza divina”, algo mais deve ser dito sobre o que não é espiritualidade.

Para além das tentativas sinceras (embora vãs) dos perdidos para melhorar a sua velha natureza, há várias formas de pseudo-espiritualidade que muitos, mesmo entre o povo de Deus, têm trocado pela verdadeira, supondo que evidenciam a operação do Espírito de Deus neles.

Para alguns, o puro emocionismo é tido como espiritualidade. Reacções emocionais a histórias comoventes, apelos apaixonados ou bela música sacra é por vezes vista como a operação do Espírito e aqueles que prontamente reagem a estas coisas são considerados como bastante espirituais.

Para outros, a solenidade é tida como espiritualidade. Eles sentem que os verdadeiros crentes deveriam ser sempre solenes e andar sempre com a cabeça inclinada, olhar deprimido e com uma postura séria, procurando simular espiritualidade, enquanto os outros, que não os conhecem bem, reparam na sua aparente piedade.

Com outros é exactamente o oposto. Eles confundem jovialidade ou boa disposição com espiritualidade e vêem aqueles que são rápidos a gritar “Aleluia” ou parecem sempre felizes como os mais espirituais.

Muitas vezes o mero cerimonialismo é confundido com espiritualidade. Celebrar um “sacramento”, contemplar uma imagem “sagrada”, ajoelhar-se perante um altar; tais coisas podem ser, e muitas vezes são, confundidas com espiritualidade.

Talvez a forma mais predominante de “verdadeira” espiritualidade contrafeita é aquela pela qual os crentes menos esperariam ser enganados: superstição, que se move tão agilmente na nossa imaginação. Eis alguns exemplos:

Um jovem que procura saber qual a vontade de Deus para a sua vida abre a sua Bíblia ao acaso e aponta para um versículo também ao acaso o qual supostamente indica a orientação do Senhor. Uma dona de casa procura orientação para o dia retirando uma promessa de uma “caixinha de promessas”, uma promessa que pode até nem se aplicar minimamente a ela e que terá de ser “espiritualizada” de qualquer forma de modo a encaixar. Outros dirão: “Falei com o Senhor sobre isso e Ele disse…” Muitas vezes as práticas mais em desacordo com as Escrituras são justificadas desta forma. Perante estas justificações, deveria ser perguntado “Exactamente o que te disse o Senhor?”, “Como é que Ele te disse isso?” ou “Ouviste a Sua voz?”.

Cremos que Deus fala de facto aos seus filhos directamente na Sua Palavra e indirectamente através das circunstâncias, mas mesmo nos tempos bíblicos era relativamente raro alguém ouvir a voz de Deus. Geralmente o que “o Senhor disse” nos casos anteriormente referidos eram nada mais do que uma emoção completamente humana ou opinião pessoal à qual se chegou e totalmente falível. Se aquilo que “o Senhor disse” era uma convicção genuína, baseado na vontade revelada de Deus, então pode ser dito que Deus falou a essa pessoa através da sua Palavra, em resposta a oração, mas a ideia que deve ficar não deve ser a de que o Senhor “disse” ou “sussurrou” alguma coisa enquanto essa pessoa estava em oração. Aqueles que imaginam que têm tais experiências e supõe que isto reflecte algum grau de espiritualidade da sua parte, deveriam procurar nas Escrituras e ficar a saber que nos dias em que o Senhor falava audivelmente ou por aparições de anjos, Ele fazia-o tanto aos ímpios e imorais como aos Seus santos. Sem dúvida, de boa vontade o nosso adversário nos deixará ocupados com “vozes” imaginárias e “revelações” e assim tirar do seu devido lugar a completa revelação das Sagradas Escrituras.

Mas não pretendemos que haja algum mal-entendido. Não dizemos que reacções emotivas, solenidade sincera ou jovialidade são erradas. Apenas dizemos que elas não devem ser confundidas com verdadeira espiritualidade. Os perdidos podem experimentar reacções emotivas semelhantes às que os salvos sentem. Os perdidos também podem ser alegres ou solenes. Certamente o cerimonialismo e a superstição tem um amplo lugar entre os perdidos. No entanto os perdidos, quaisquer que sejam as suas experiências emocionais, sejam eles solenes ou joviais, dados ao cerimonialismo ou superstição, estão longe de ser espirituais.

(por Cornelius Stam)

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Verdadeira Espiritualidade – Prefácio Janeiro 30, 2010

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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“Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido” (I Coríntios 2:15).

O homem verdadeiramente espiritual está muito acima dos mais sábios filósofos deste mundo e mesmo muito acima da maioria dos crentes com os quais tem contacto, de tal forma que ele os pode compreender mas eles nunca o podem compreender totalmente.

Todos nós devemos anelar por ser verdadeiramente espirituais, mas o que é a verdadeira espiritualidade? É esta questão à qual procuraremos responder, através das Escrituras, e dividindo estas correctamente, de forma a compreender quais são os princípios de Deus para a dispensação em que vivemos.

Há muitos livros sobre este assunto, escritos por homens de Deus capazes. A razão para isto é bem simples. A Igreja professa tem -se baseado desde há tanto tempo na falsa premissa de que a presente dispensação começou no dia de Pentecostes com o derramamento do Espírito Santo. Por isso, a grande maioria dos livros escritos sobre espiritualidade leva os seus leitores de volta aos dias de Pentecostes para encontrar o padrão para a verdadeira espiritualidade. A maioria destes fazem-no necessariamente com reservas e restrições, visto que o derramamento do Espírito em Pentecostes foi acompanhado de línguas, curas e outras demonstrações miraculosas, juntamente com um modo de vida em que os crentes tinham tudo em comum e que é incompatível com o programa de Deus para hoje, tal como foi revelado ao Apóstolo Paulo.

Estamos certos de que a presente dispensação começou, não com Pedro e os onze em Pentecostes, mas com Paulo, ao qual o Senhor ressurrecto e glorificado revelou mais tarde a Sua vontade e o programa para os nossos dias. Por este motivo cremos também que a verdade sobre a operação do Espírito Santo hoje encontra-se nas epístolas de Paulo e noutras passagens que sejam compatíveis com elas. Esperamos e oramos para que este estudo e os seguintes sobre este assunto possam ser, pela graça de Deus, usados para levar muitos a uma experiência cristã sensata, equilibrada e verdadeiramente espiritual.

“Mas, como está escrito: ‘As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que O amam.’ Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito…” (I Coríntios 2:9-10).

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (I Coríntios 2:12).

“… a inclinação [mente] do Espírito é vida e paz” (Romanos 8:6).

(por Cornelius Stam)

A Confissão de Pecados – Parte 4 Janeiro 21, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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Algumas Ilustrações

A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. Se Satanás puder usar a culpa (que Deus já levou de nós), como um grilhão para restringir a nossa liberdade, para nos separar de Deus, é segura a sua estratégia de nos levar como cativos na batalha. Para ele não faz diferença se a culpa, separação e cativeiro são imaginários ou reais. Isto é muito bem descrito pelo escritor Hal Lindsey, num dos seus livros:

“Uma das tácticas dos demónios que têm mais sucesso em neutralizar os seus inimigos (os crentes), é fazê‑los insistir em todas as suas falhas. Assim que eles começam a sentir‑se culpados, em relação ao seu desempenho na vida cristã, deixam de ser uma ameaça para o programa de Satanás.

As tácticas de Satanás não têm mudado muito. Porque mudariam? Têm tido sucesso.
Não há nada de que Satanás goste mais de alcançar do que um crente entrar numa jornada de culpa.

Ao olhar para trás na minha vida, compreendo que a culpa é um manípulo a que o Diabo tenta constantemente deitar a mão para me conduzir. Uma ilustração clássica que me vem à mente é a de algo que me aconteceu enquanto estudava. Tinha um colega muito chegado. Passámos três anos de bons momentos. Depois pedi‑lhe algum dinheiro emprestado, dizendo‑lhe que lhe pagaria passadas duas semanas.

Passada uma semana, comecei a ficar um pouco preocupado pois não sabia de onde viria o dinheiro para lhe pagar. Mas ainda faltava uma semana e por isso não estava muito preocupado.

Passou‑se a segunda semana e não conseguia arranjar o dinheiro. Sentia alguma tensão, mas não puxava o assunto porque esperava que ele se tivesse esquecido do prazo.

À medida que os dias passavam, parecia que ele me olhava de uma maneira acusadora sempre que o via e fazia os possíveis para o evitar. Depois de passadas duas semanas sobre o prazo, comecei a planear o meu dia de forma a não me cruzar com ele. Foi horrível. Senti‑me muito mal por ter perdido um amigo tão bom como ele, mas por outro lado não percebia como ele não era mais compreensivo em relação ao meu problema. Não houve sequer uma palavra que fosse em relação ao dinheiro, mas eu sentia‑me tão culpado que estava certo de que ele me tinha eliminado como amigo.
Finalmente chegou o dia que eu tanto temia. Vi‑o a caminhar na minha direcção no corredor. Não tinha hipótese de me esconder! Ele encurralou‑me e disse: ‘OK, Hal, o que se passa contigo?’

‘Bem, é por causa do dinheiro que te devo’, respondi‑lhe na defensiva.
Ele riu, pôs a sua mão no meu ombro e disse: ‘Amigo, eu pensei que fosse isso. Olha, eu não mudei. Não houve qualquer mudança na consideração que tenho por ti nas últimas semanas. Se tivesses o dinheiro, sei que me pagarias. Mas o dinheiro não significa assim tanto para mim. A tua amizade significa muito mais e ainda sou teu amigo.’

Durante três semanas vivi pensando que ele me condenava. Mas isso não era verdade, pois ele era continuava a ser o meu melhor amigo.
Isto ensinou‑me uma lição inesquecível. Se pensamos que alguém tem algo contra nós, afastamo‑nos e tornamo‑nos hostis para com ele. É uma reacção inevitável, é um mecanismo de defesa.

Creio que esta é a principal razão pela qual os crentes falham na sua relação com Deus. Visto que estamos sempre cientes de que falhamos de muitas maneiras na vida cristã, é natural supormos que Deus deve estar desagradado com o nosso desempenho. Quanto mais desapontamos Deus, mais supomos que ele está zangado connosco. Isto até ao ponto que esse esfriamento da relação torna‑se tão real nas nossas mentes, que se torna quase impossível desfrutar de uma relação vital com Deus.

A verdadeira tragédia é que isto acontece apenas no interior das nossas mentes. Deus não está zangado connosco!”

Outra ilustração que poderá ajudar a tornar mais claro o nosso entendimento do perdão e da nossa relação com Deus encontra‑se no livro “Dictionary of the Gospel” (“Dicionário do Evangelho”) de Thomas Bruscha.

“Não seria incómodo se dissesses a alguém “Eu perdoo‑te” e depois, todos os dias durante o resto da sua vida, viesse dizer‑te “Perdoa‑me, por favor”?
Não só seria incómodo, como impediria o crescimento da vossa relação. Em vez de deixar o pecado para trás e criar maior intimidade no relacionamento, o pecado é trazido de novo para a conversa, uma e outra vez, impedindo tanto o crescimento assim como o gozo do relacionamento. Da mesma forma, muitas pessoas que dizem acreditar que os seus pecados estão perdoados, passam a maior parte do seu tempo de oração pedindo a Deus para as perdoar. O crescimento e o gozo são impedidos porque se recusam a acreditar que lhes foi oferecido perdão completo para todos os seus pecados.

Os meus pecados (passados, presentes e futuros) foram tirados por Deus para sempre a partir do momento em que cri. Agora, em vez de Lhe pedir perdão todos os dias, agradeço‑lhe por isso e prossigo para crescer na minha relação com o meu Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

Se sabemos que recebemos a salvação que nos é dada através de Cristo por meio da fé apenas, e sabemos que foi pago o preço pelos nossos pecados, mas ainda vivemos carregando a culpa dos nossos pecados, ainda não chegamos a desfrutar e a alegrarmo-nos da nossa salvação. Façamos o que Paulo diz em Filipenses 3:13: ‘esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim…’ ”

A nossa comunhão com o nosso Senhor Jesus Cristo nunca será quebrada, mas o nosso gozo dela poderá ser, devido a uma percepção errada. Se como crentes ainda lutamos com o fardo da culpa, há boas notícias para nós. Deus é por nos; Ele não está contra nos, não importa as circunstâncias (Romanos 8:31-39). Não há nada entre cada um de nós e o Senhor Jesus Cristo que não tenha sido resolvido na Cruz. Agora cada um de nós é um filho de Deus com todos os respectivos direitos e privilégios. Todos os nossos pecados, falhas e imperfeições foram previstos por ele e completamente redimidos pelo Seu precioso sangue. Agora, qual deve ser a resposta do nosso coração a essa verdade? Será “Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde”? ou “Graças a Deus! Esta é a coisa mais maravilhosa que já ouvi. Senhor, eu creio. Ajuda a minha incredulidade.” É esta uma resposta sincera ao Seu amor e que motiva o serviço cristão ou é uma ocasião para a carne? Bem precisamos de recordar o que a graça de Deus nos ensina na vida de fé (Tito 2:11-12).

Caro amigo perdido. Procura a culpa vergar‑te até à perdição eterna? Vem ao pé da Cruz e com os olhos da fé vê aquele que foi ferido pelas tuas transgressões e moído pelas tuas iniquidades. Se creres no teu coração que o Senhor Jesus Cristo morreu por ti e ressuscitou, a autoridade da Palavra de Deus garante que passas da morte para a vida. Como filho de Deus podes cantar com o teu coração voltado para o Céu:

“Meu mal, oh, que gozo a verdade saber!
Meu mal, em seu fruto e raiz,
Jesus sobre a cruz com Seu sangue expiou
Ele mesmo na Bíblia mo diz.”

O que deve o crente fazer quando peca?

Uma questão final deve ser respondida. Se I João 1:9 não é um versículo de restauração à comunhão, o que devem fazer os crentes quando pecam? Temos um padrão paulino que é muito mais eficaz em lidar com o pecado na vida do crente. Em primeiro lugar, devemos reconhecer que não precisamos de pecar. Em cada situação, temos à disposição poder espiritual para vencer o pecado. Deus providenciou um programa de vitória total sobre o pecado para cada membro do Corpo de Cristo. Romanos 6 é a chave do conhecimento da santificação prática. Consideremos em especial as palavras “sabei”, “considerai” e “apresentai” nos versículos 3, 11 e 13. Outras passagens de vitória são: Romanos 8:1-11, 12:1-2, 13:8-14, I Coríntios 6:9-20, 9:24-27, 10:13, 13:4-7, II Coríntios 3:17-18, 6:14-7:1, 10:4-5, 12:21, Gálatas 5:13-26, Efésios 4:17-24, 5:1-21, 6:10-18, Filipenses 2:5-11, 3:10-14, 4:5-9, Colossenses 3:1-17, I Tessalonicenses 2:13, 5:22-23, I Timóteo 3:1-13, 4:11-16, 5:2, Tito 2:6-8, 2:11-14.

Se o pecado tiver vantagem sobre nós, a razão é exclusivamente nossa, e não porque Deus nos deixou sem preparação.

No entanto, por causa da enfermidade da nossa carne, mesmo os crentes mais maduros pecam. Quando isto acontece, a primeira coisa a lembrarmo-nos é o perdão completo que possuímos em Cristo Jesus. Isto impedir‑nos‑á de entrar noutra jornada de culpa e produzirá, isto sim, gratidão, amor e estabilidade. Em vez de tal resultar numa licença para pecar, a motivação adequada (Graça de Deus) e a capacidade que nos foi dada (a Vida de Cristo) encontram-se em posição de tomar o controlo sobre nossas vidas.

Além disso, uma atitude de auto-análise deve caracterizar o crente arrependido (I Coríntios 11:31). A tristeza segundo Deus opera arrependimento (II Coríntios 7:10), mas a tristeza segundo o mundo opera a morte (Mateus 27:5, Hebreus 12:16-17). Por vezes, os anciãos da Igreja local podem ser úteis (Gálatas 6:1-2, II Timóteo 2:24-26).
Intimamente associado com o auto analise está o mandamento de Paulo de “despojar” do velho homem e “revestir” do novo homem (Romanos 8:13, 13;14, Gálatas 5;16-25, Efésios 4:22‑24, Colossenses 3:5‑10). Dizemos “não” à velha natureza que herdámos de Adão e dizemos “sim” à nova natureza que herdámos de Cristo. Não há aqui nada de complicado ou misterioso, apenas obediência ao mandamento de Deus. Embora Paulo não fale da confissão de pecados nas suas epístolas, Lucas dá‑nos um relato inspirado disso em relação ao seu ministério (Actos 19;18). Muitos dos mandamentos de Paulo não podem ser obedecidos sem auto-análise que inclui necessariamente a confissão de pecados (I Coríntios 5:2, 11:31-32, II Coríntios 7:1, II Timóteo 2:21).

Quando um crente peca, deve concordar com a Palavra de Deus que está errado (confessar) e abandonar o comportamento ou atitude, despojando‑se do velho homem e revestindo‑se do novo homem. Assim, confessamos os nossos pecados, não para receber perdão, mas porque queremos estar em harmonia com a graça e assim glorificar aquele que perdoou todos os nossos delitos. O pecado provoca desarticulação no Corpo de Cristo. Quando nos vemos “em Cristo” e compreendemos que o pecado é contrário à nossa posição exaltada como filhos de Deus, podemos tomar medidas de forma a ajustarmos a nossa conduta para sermos mais conformes à imagem de Cristo.

Finalmente, a separação é absolutamente essencial para uma vida agradável a Deus (II Coríntios 6:14 ‑7:1). Isto envolve separação mas não isolamento. Devemos separar‑nos de influências nocivas e profanas (incluindo religião mundana) e cultivar amizades com crentes com fé igualmente preciosa, que nos encorajarão a viver de forma mais piedosa.

Estes não devem ser vistos como passos isolados, mas como parte de todo um programa de vitória sobre o pecado. A Palavra de Deus actua como nosso professor, alimentador e disciplinador (II Timóteo 3:16-17, 4:2).

Em conclusão, I João 1:9 é um versículo de salvação que encaixa “que nem uma luva” com o programa da Profecia do evangelho do Reino. É o “Efésios 2:8-9” da dispensação do Reino. É errado e uma perversão grosseira usá‑lo para “perseguir” crentes sinceros ao longo das suas vidas cristãs por causa dos seus pecados, para os quais o nosso Salvador já providenciou perdão na Cruz. Deus já não perdoa pecados às prestações ou aos bocados.

À luz desta “revelação” do perdão completo, total e incondicional de pecados, o ciclo infindável de

  • pecado,
  • culpa,
  • quebra de comunhão,
  • confissão e
  • perdão

acaba por tornar‑se numa tarefa rotineira para a carne. Prende a pessoa a um sistema de desempenho pessoal (obras) e desonra o Cristo da Cruz que morreu para nos libertar dele.

Somos agora membros de uma Nova Criação em Cristo e vivemos num estado de perdão perpétuo. Aqueles que fizeram a transição da Lei para a presente verdade das epístolas de Paulo nunca terminarão uma oração dizendo “… e perdoa os nossos pecados por amor de Jesus”.

Foi grande a minha alegria quando me tornei crente em Jesus Cristo e soube que os meus pecados não mais poderiam separar‑me de Deus e de um lar no céu. Mas ainda maior se tornou a minha alegria quando comecei a compreender que todos os meus pecados (incluindo aqueles que cometi depois de pertencer à família de Deus) foram perdoados por amor de Jesus. Não consideramos apropriado curvar agora nossas cabeças, louvá‑lO e agradecer‑Lhe pela Sua graça? E estas coisas vos escrevemos para que o vosso gozo seja completo. Possa o Deus de toda a Graça conduzir‑nos da dúvida e medo até ao gozo e paz de crer para louvor da Sua glória. Amén.

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dEle” (Eclesiastes 3:14).

(por Ken Lawson)

A Confissão de Pecados – Parte 3 Janeiro 21, 2010

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No versículo 7 encontramos pela quarta vez a palavra “comunhão”. Como compreender esta passagem no contexto? Isto é importante, pois trata‑se do assunto principal no capítulo. A palavra original grega traduzida por comunhão é “koinonia”, que tem o sentido de “ter em comum”, “partilha” e de “adoração em conjunto”. Tal como a palavra bíblica “santificação”, há tanto um aspecto de posição como um de prática.

Nas epístolas de Paulo, a comunhão é mencionada como:

  1. Contribuir para os crentes pobres (II Coríntios 8:4, Romanos 15:26-27).
  2. Contribuir para os servos do Senhor no ministério (Filipenses 1:5, 4:15-19, Gálatas 6:6).
  3. A comunicação das aflições de Cristo (Filipenses 3:10, II Coríntios 11:23-33).
  4. A Ceia do Senhor (I Coríntios 10:16).

Estes são exemplos de comunhão prática. Isto é, podemos recusar contribuir para os crentes pobres, negligenciar na contribuição para as necessidades dos servos do Senhor, evitar sofrer afronta e desprezo pelo Seu nome e Evangelho e escolher não participar no memorial da morte de Cristo por nós. No entanto, creio que as escrituras do Novo Testamento falam de uma comunhão posicional, permanente e pertencente a todo o crente em Cristo Jesus. Tal comunhão pertence a todos os verdadeiros crentes, independentemente do crescimento espiritual ou dedicação. Se há crentes na Bíblia que viveram num estado de quebra de comunhão, eram os Coríntios:

  1. Existiam dissensões carnais e contendas entre eles (I Coríntios 1:10-13, 3:1-3).
  2. Estavam seduzidos pela sabedoria do mundo (I Coríntios 1:18-2.5, 3:18-23).
  3. Estavam a julgar coisas que não deviam e falhavam em julgar as que deviam (I Coríntios 4:1-5; 5; 6).
  4. Permitiam imoralidade sexual na Igreja local e orgulhavam‑se disso (I Coríntios 5:1-2).
  5. Levavam os irmãos a tribunais perante os descrentes (I Coríntios 6:1-12).
  6. Visitavam prostitutas (I Coríntios 6:13-20).
  7. Orgulhavam‑se do seu conhecimento e causavam a queda de irmãos mais fracos (I Coríntios 8).
  8. Questionavam a autoridade e o apostolado de Paulo (I Coríntios 9:1-6).
  9. Inclinavam‑se para a idolatria, cobiçando o que era mau (I Coríntios 10).
  10. Comportavam‑se desordenadamente na Igreja, incluindo zombarem da Ceia do Senhor (I Coríntios 11).
  11. Estavam enamorados com os dons espirituais, mas não os exerciam em amor (I Coríntios 12-14).
  12. Duvidavam da ressurreição (I Coríntios 15:12-19).
  13. Como se não bastasse, eram avarentos na sua contribuição para os crentes pobres (II Coríntios 8 e 9).

Com todo este pecado na Igreja, poderíamos pensar que eles nem eram salvos. Mas Paulo, pelo Espírito de Deus, dirige‑se a eles como “a Igreja de Deus” e “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (I Coríntios 1:2). Além disso, não encontramos qualquer mandamento para eles confessarem os seus pecados para receberem o perdão e restaurar a sua comunhão com Deus. Pelo contrário, Paulo garante‑lhes que “fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (I Coríntios 1:9). É uma comunhão baseada na fidelidade de Deus.

Apesar de todos os pecados, falhas e defeitos da Igreja de Corinto, eles estavam “em Cristo” e como tal faziam parte “comunhão de Seu Filho”. O que tinham eles em comum com Jesus Cristo? Eles partilhavam da Sua vida, da Sua justiça, da Sua aceitação perante Deus Pai (II Coríntios 5:21, Efésios 1:6 e Colossenses 3:4). Tudo isto faz parte da dádiva da graça sem obras para todos os crentes em Cristo e que forma a comunhão que sustém a nossa posição nEle.

Em várias outras passagens das epístolas de Paulo, em relação a este assunto, não é dada a devida importância. Por exemplo, lemos em Efésios 3:12: “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nEle.” A palavra grega para fé (“pistos”) muitas vezes tem o significado de fidelidade, lealdade ou fidedignidade como em Romanos 3:3,22, Gálatas 2:16, 3:22, 5:22, Filipenses 3:9, Colossenses 2:12, I Timóteo 4:12, 6:11, II Timóteo 2:22, Tito 2:10, sendo que é o próprio contexto que determina qual a palavra. Nesta passagem de Efésios, a expressão “nossa fé nEle” deveria ser “Sua fidelidade”, como noutras versões. O nosso acesso a Deus depende apenas de Jesus Cristo. Deus quer que tenhamos ousadia e confiança nisto. O sistema de “pequenas contas” (em comunhão, fora de comunhão) serve apenas para semear a dúvida e assim tirar a nossa ousadia e confiança. Não nos deveríamos alegrar no facto de que estas bênçãos dependem da fé (fidelidade) de Cristo e não da nossa fé? Outras passagens falam do acesso a Deus, como Efésios 2:18, Romanos 5:1-2 e Hebreus 10:19-20.

A comunhão de I João 1 deve ser considerada à luz disto. De acordo com o contexto, o que tinham estes crentes em comum com “o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”? Vida eterna (versículos 1 e 2). Jesus Cristo como a Palavra da Vida é a personificação dessa vida.

Há um paralelismo verdadeiramente admirável entre os versículos 7 e 9. Vejamos:

Versículo 7:

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

Versículo 9:

Se confessarmos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
E nos purificar de toda a injustiça.

Ambos os versículos apresentam a mesma verdade, mas de perspectivas diferente. Estes crentes judeus do Reino andavam na luz ao confessar os seus pecados em relação à salvação inicial. Ter comunhão com Deus baseava‑se no facto de que Deus é fiel e justo para perdoar os seus pecados. E quantas vezes poderiam eles ser purificados de todo o pecado? Se a resposta for até que pecassem de novo, então não eram purificados de todo o pecado. Da mesma forma, eles apenas poderiam ser purificados de toda a injustiça uma única vez (versículo 9). Isto é confirmado mais tarde quando se dirige aos crentes e lhes garante que os seus pecados já estão perdoados.

“Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo Seu nome vos são perdoados os pecados”. (I João 2:12)

A confissão de pecados estava intimamente relacionada com a religião de Israel. Confissão, bem como a sua equivalente grega (“homologia”), significa falar a mesma coisa, admitir, concordar, reconhecer. Moisés, escrevendo profeticamente, traçou o plano para a confissão sob a Lei.

“Então confessarão a sua iniquidade, e a iniquidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra Mim; como também eles andaram contrariamente para comigo. Eu também andei para com eles contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se então o seu coração incircunciso se humilhar, e então tomarem por bem o castigo da sua iniquidade, também eu me lembrarei da Minha aliança com Jacob, e também da Minha aliança com Isaac, e também da Minha aliança com Abraão Me lembrarei, e da terra Me lembrarei. (Levítico 26:40-42; comparar com Neemias 9:1-3).

É exactamente aqui que Israel se encontrava quando João Baptista entra em cena. Embora ainda estivesse numa relação do Concerto com Deus, eles tinham‑se tornado moral e espiritualmente corruptos. E assim João Baptista foi enviado como pregador da justiça para chamar a nação apóstata ao arrependimento. Isso fazia parte da preparação para receber o seu Messias, Jesus Cristo.

“E, naqueles dias, apareceu João Baptista pregando no deserto da Judeia, E dizendo: ‘Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus’… Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:1-2; 3:5-6).

“Apareceu João baptizando no deserto, e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão dos pecados.” (Marcos 1:4).

Aqui está. Arrependimento, confissão de pecados e baptismo na água para a remissão (perdão) de pecados estavam juntos no evangelho do Reino anunciado a Israel (Mateus 4:23, 9:35). O nosso versículo chave de I João 1:9 é um versículo de salvação para o Israel que esperará o regresso de Cristo para estabelecer o seu reino milenial, davídico e terreno.

Poderá ser colocada a objecção que este versículo não pode referir-se a salvação, porque fé em Jesus Cristo não é mencionado. No entanto, outros versículos de salvação também não a mencionam. Alguns exemplos são Romanos 4:5-8, Gálatas 3:11, Efésios 2:8-9 e Tito 3:5. Quando isto acontece, todo o resto da epístola torna bastante claro (como em I João) que Jesus Cristo é o objecto da fé (I João 2:22-23, 3:23, 4:2,9-10, 4:14-15, 5:1,5,11-13).

A expressão “Se dissermos” repetida nos versículos 6, 8 e 10 refere-se à falsa profissão de comunhão, quando na verdade a pessoa em questão não possui a vida eterna. Estes eram judeus descrentes que tinham um problema espiritual duplo: acreditavam ser justos em si mesmo e rejeitavam o seu Messias. Eles justificavam‑se a eles mesmos perante os homens. Eles confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros. Pensavam que, como eram descendentes de Abraão, Deus era seu Pai. Ignorando a justiça de Deus e estabelecendo a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus (Mateus 9:10-13, 21:31-32, Lucas 16:15, 18:9, João 8:39-44, Romanos 10:1-4).

Numa graciosa demonstração de amor piedoso, João abre a sua epístola com um apelo evangelístico aos seus irmãos judeus para abandonar a falsa comunhão das trevas e vir ao Salvador e desfrutar da genuína comunhão da luz. Isto não aconteceria enquanto eles confiassem na sua genealogia, religião e méritos pessoais, e continuassem a rejeitar “a Luz do mundo”.

Como é possível um versículo, retirado de uma epístola que não de Paulo, ser deturpado em relação ao seu contexto e enquadramento dispensacional, ser torcido e transformado num sistema de bênçãos condicionais e depois ser usado pelo nosso Adversário para roubar o povo de Deus daquilo que faz a vida cristã valer a pena? A razão só pode ser tradição religiosa e o falhanço em “manejar [dividir] correctamente a Palavra da verdade” (Mateus 15:3,6,9, II Timóteo 2:15). 

Muitas vezes agimos como ovelhas e gostamos de seguir líderes. Quando um magnífico pregador ensina algo, muitos de nos temos a tendência de seguir sem uma mente crítica. Embora Deus tenha dado ensinadores para a Igreja, cada crente é responsável perante Deus para estudar os assuntos por si mesmo e desenvolver convicções pessoais em relação a eles. De outro modo estaremos firmes na opinião de outros. O homem, mesmo no seu melhor, é homem e portanto falível. Que sempre possamos ter o espírito do crentes de Bereia e “examinar cada dia nas Escrituras se estas coisas são assim” (Actos 17:10,11).

A Confissão de Pecados – Parte 2 Janeiro 17, 2010

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Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Comunhão

A variante 2.b) também fala de restauração, não para salvação ou mesmo para a manter, mas antes para comunhão. Aqueles que vêem desta forma tal versículo compreendem claramente o ensinamento da segurança eterna e da preservação dos santos. Só que agora o assunto é a intimidade com o nosso Pai celestial. A nossa relação é como o Rochedo de Gibraltar, firme e que não se pode mover. Por outro lado, a nossa comunhão (dizem-nos) é como um fino fio que mesmo o mais pequeno pecado em pensamento, palavra ou acto pode quebrar. Talvez a melhor ilustração desta visão é a da comunhão entre um pai e um filho. Se o filho pecar contra o seu pai, a intimidade anteriormente gozada por ambos é quebrada e o prazer de cada um da companhia do outro é colocado em risco. A relação de sangue entre pai e filho mantém‑se intacta, mas a comunhão deve ser restaurada através de confissão do erro. Da mesma forma, os crentes têm uma relação de sangue com o nosso Pai celestial através do Seu Filho Jesus Cristo. Embora nada possa quebrar a nossa relação como filhos de Deus, a comunhão apenas pode ser restaurada reconhecendo o pecado e pedindo perdão, de preferência com o compromisso de não repetir a ofensa. Isto restabelece a doçura da comunhão e do prazer com o quais tanto o Pai como o filho podem relacionar‑se um com o outro.

Crentes que procuram praticar isto falam frequentemente de “manter contas pequenas com Deus”, ou seja, procurar confessar pecados com regularidade de forma a que a nossa conta não se acumule com pecados por confessar. Salmos 32 e 51 e João 13:1-20 são muitas vezes citados para confirmar esta posição.

Esta visão de I João 1:9 tem mais motivos para ser elogiada do que a anterior. “A confissão faz bem à alma” é uma verdade evidente que se aplica a todas as eras e dispensações. De facto, Provérbios 28:13 diz: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”.

(Nem vale a pena nos determos muito tempo com a tradição católica de confissão auricular, pois apenas I Timóteo 2:5 basta para mostrar o erro desta tradição: “Porque há… um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.”)

Como crente, em tempos esta visão parecia‑me ser lógica, equilibrada e correcta. Eu conhecia muitos respeitáveis ensinadores da Bíblia que ensinavam isto. Contudo, ao longo dos anos, creio que o Espírito de Deus estava a “picar” a minha consciência para me mostrar coisas que revelavam as falhas desta abordagem. Entre elas estavam:

  1. Baseia‑se num sistema de desempenho com bênçãos condicionais, que desviam o meu olhar de Cristo e da Sua graça para a minha própria fidelidade (ou geralmente falha) em confessar.
  2. Se aquilo em que eu acreditava em relação à confissão estava certo, provavelmente eu estava “fora de comunhão” a maior parte do tempo, bem como a maior parte dos crentes.
  3. Há muitas coisas em I João 1 que são inconsistentes com esta visão.
  4. Em relação à popular ilustração pai‑filho, várias questões retóricas podem ser colocadas para mostrar a sua fragilidade. E se o filho não confessar o erro? Deverá o pai mostrar‑se frio para com ele até que o faça? Que tipo de pai isso faria dele? Será isto uma figura apropriada de como o nosso amado Pai celestial lida hoje com os seus filhos debaixo da graça? Além disso, a expressão “fiel e justo” descreve mais convenientemente um juiz numa sala de tribunal do que um pai na sala da casa de família.
  5. Tenho de admitir honestamente que considero extremamente difícil confessar os meus pecados diários numa base sistemática.
  6. Esta visão de I João 1:9 tem necessariamente de ocupar um ponto importante no sistema de crenças. Sem confissão regular de pecados, a promessa de purificação contínua é considerada nula e sem validade, resultando em comunhão quebrada. E quem quer estar fora da comunhão com Deus?
  7. Paulo, o apóstolo dos gentios, nada diz nos seus escritos sobre a confissão de pecados para perdão, para restituição da comunhão parental com Deus ou para outro fim.
  8. As epístolas de Paulo garantem‑nos total, completa e incondicional perdão para todos aqueles em Cristo Jesus.

Alguns exemplos devem bastar:

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).

“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2:13).

O perdão do crente é agora referido como uma transacção feita, já consumada. Não suplicamos por perdão diário mais do que devemos por redenção diária. Faz parte de “todas as bênçãos espirituais” com as quais já fomos abençoados (Efésios 1:3). Há outras passagens que falam da doutrina do perdão para a presente dispensação da Graça de Deus: Colossenses 1:14, 3:13, Romanos 4:5‑8, Actos 13:38-39.

É bem evidente que temos de encontrar uma melhor explicação para I João 1:9. Um bom sítio para começar e compreender o contexto da passagem é o versículo 6.
“Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.”

A questão chave é esta: Aqueles que “andam em trevas” são crentes ou descrentes? A resposta que encontrarmos para esta questão é crucial para a interpretação desta passagem. Se estes são crentes carnais, desobedientes ou apóstatas que andam em trevas, mentem se dizem que têm comunhão com Deus. Confissão de pecados nas suas vidas e “andar na luz” restaurará a comunhão. No entanto, se puder ser provado pelas Escrituras que estes são descrentes que falsamente professam comunhão, a posição “fora de comunhão” cai por terra, porque ninguém poderá demonstrar com sucesso uma restauração a algo que nunca teve.

Para vermos a que realmente se refere, comparemos estas três passagens:

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I João 1:6).

“Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I João 2:11).

“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (I João 3:15).

Nota cuidadosamente na relação entre estes versículos e ao que eles ensinam.

  1. Aquele que odeia a seu irmão “anda em trevas”. (A palavra irmão nesta passagem não indica que aquele que odeia é um irmão crente. Refere-se sim à relação racial da irmandade judaica descrita em Romanos 9:3. Embora eles fossem parentes na carne, é bem claro nos escritos de João que o judeu que crê em Jesus Cristo deve estar preparado para suportar a ira e o ódio dos seus irmãos israelitas descrentes.)
  2. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida.
  3. Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.

Conclusão: Aquele que anda em trevas não tem a vida eterna permanecendo nele, ou seja, é descrente.

Quando compreendemos tal, a teoria da restauração à comunhão cai por terra como um castelo de cartas. Tiremos todas as dúvidas das nossas mentes. Um estudo harmonioso das Escrituras revela que a associação consistente e uniforme às trevas, quer seja na Palavra de Deus em geral ou nos escritos de João (neste caso em particular), é relativa ao perdido (João 1:5, 3:19-21, 8:12, 12:35-36,46, Actos 26:18, II Coríntios 4:4-6, 6:14, Efésios 5:8, Colossenses 1:13, I Tessalonicenses 5:4-5, I Pedro 2:9).

Poderá alguém argumentar: “E o homem de I Coríntios 5 que vivia em imoralidade? E os crentes de Gálatas de quem Paulo disse “depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6)? E Pedro, quando teve de ser repreendido por Paulo pela sua hipocrisia entre os gentios (Gálatas 2:11-14)? Não pode ser dito que eles “andavam em trevas”? Claro que não! Certamente nos ajudará a compreender tal princípio, se repararmos que João não se refere a como eles andam mas onde eles andam. É a sua posição permanente em Cristo. Todos os descrentes têm a sua posição fora de Cristo e assim andam em trevas. Todos os crentes, tanto no programa do Reino como no corpo de Cristo, têm a sua posição nele e andam na luz. Um crente não pode andar nas trevas, tal como um descrente não pode andar na luz.

É por isso que o pecado na vida do crente é tão grave. Quando um crente peca, ele fá‑lo “na luz”. Um dia um pregador falou sobre “Os pecados dos santos”. No fim do culto, uma mulher criticou‑o, dizendo que os pecados dos crentes não são como os dos descrentes, ao que ele responde: “Sim, os dos crentes são muito piores”.

Ao compreendermos que “andar na luz” é exclusivo do crente, torna‑se claro o versículo seguinte.

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7)

Tomemos atenção à natureza condicional desta promessa. A purificação pelo sangue depende de andarmos na luz. De facto, os versículos 6 a 10 contêm o condicional “se”. Trata‑se de um teste da realidade espiritual. Durante muitos anos eu fazia uma grande confusão sobre isto. Eu lia esta passagem como se dissesse “se andarmos de acordo com a luz, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Eu pensava que queria dizer que se eu tivesse cuidado em obedecer aos mandamentos de Deus e andasse de acordo com a luz, Ele limpar‑me‑ia. O que na prática é outra maneira de dizer que ele me purificaria quando eu não precisava de purificação.

No entanto, quando o versículo é devidamente compreendido, percebemos que o mais vil pecador tem esta purificação quando vem para a luz de Deus pela fé em Jesus Cristo. O versículo não diz “se andarmos de acordo com a luz”, mas “se andarmos na luz”. Novamente, não é como andamos, mas sim onde andamos, que está em causa. É andar na presença de Deus como uma posição permanente.