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A Confissão de Pecados – Parte 1 Janeiro 10, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

A Culpa e Provisão de Deus

A culpa pode ser arrasadora. Arrasadora da nossa alegria, da nossa paz, do nosso gozo de intimidade com Deus. É uma das armas mais eficazes de Satanás contra os filhos dos homens. Psiquiatras e médicos dizem‑nos que a culpa não resolvida é a principal causa de doenças mentais e suicídios. Mais de metade dos hospitais estão ocupados por pessoas que sofrem de doenças do foro emocional. A culpa destrói relações, tanto entre pessoas, como entre pessoas e Deus. Não podemos perdoar livremente enquanto não tivermos recebido o perdão de Deus.

O nosso Pai gracioso e amoroso proporciona uma libertação total e completa do pecado e da culpa. Mas se acreditarmos numa mentira e formos incapazes de lidar com a culpa da maneira como Deus lidou com ela, caímos numa cilada, e ela torna‑se na arma mais penosa e cruel usada contra nós.

A culpa é o sentimento moral de culpabilidade que cada um de nós sente quando sabemos que fizemos algo de errado. Não é necessariamente má, porque diz‑nos que pecámos e que algo deve ser feito em relação a isso. Tal como os nossos corpos doem quando estão doentes ou se magoam, assim a nossa consciência dada por Deus deveria doer quando violamos o que sabemos que é correcto.

Para começar, devemos compreender que Deus não lidou com o problema da culpa sempre da mesma forma durante todo o tempo da história bíblica. É de extrema importância saber isto, porque muitos dos problemas relacionados com culpa são piorados por pessoas que tentam obedecer aos mandamentos de Deus dados noutras dispensações. Por exemplo, sob a Lei de Moisés, os filhos de Israel eram ordenados a “afligir as suas almas” enquanto o sumo sacerdote fazia expiação pelos seus pecados através do sacrifício de um animal (Levítico 16:29-31). O escritor de Hebreus fala sobre este Dia da Expiação e da incapacidade da Lei em providenciar um perdão completo.

“Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exacta das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:1-4).

Embora esta tenha sido uma misericordiosa provisão para o Israel de então, a Lei era inadequada para tornar a consciência dos adoradores perfeita em relação ao problema da culpa. O próprio facto de que os sacrifícios tinham de ser repetidos era uma lembrança constante de que o perdão de Deus era dado aos bocados, isto é, às prestações. O perdão nunca era completo. Era de esperar que o povo de Deus lamentasse e afligisse as suas almas, o que é o oposto de uma consciência perfeita. De facto, longe de ser uma resposta satisfatória para a culpa, Paulo diz‑nos de forma inequívoca por que razão a Lei foi dada:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19).

Na Sua graça, Deus providenciou o sistema de sacrifícios da Lei para expiar (cobrir) os pecados do Seu povo até que o “precioso sangue de Cristo” pudesse ser derramado, de forma a comprar para nós a redenção eterna. Aqueles que viveram antes da Cruz eram salvos “a crédito”, por assim dizer, até que a plenitude dos tempos (pela obra redentora de Cristo na Cruz) chegasse para a completa remoção dos nossos pecados. Mesmo nas passagens do chamado Novo Testamento, o perdão era condicional e portanto incompleto (Mateus 6:12-15, 18:34-35, Marcos 11:25-26, Lucas 6:37). No tempo dos Evangelhos, a revelação do Mistério, através do Apóstolo Paulo pelo Cristo ascendido e glorificado, seria algo ainda a acontecer no futuro. E assim o ponto alto da revelação divina relativa ao completo perdão de pecados permaneceu ausente até esse tempo. Tudo isto é essencial para a compreensão do resto deste artigo.

As variantes de interpretação de I João 1:9

Com isto em mente, há uma passagem que tem causado enorme dano e detrimento para com o povo de Deus. Não porque o próprio versículo seja imperfeito, porque toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa, mas porque os líderes religiosos o têm interpretado de forma miserável e aplicado o seu significado original de forma incorrecta. O que torna isto ainda mais trágico é que tal não tem origem entre os inimigos de Cristo, mas sim entre crentes sinceros, respeitáveis e que acreditam na Bíblia. O versículo é I João 1:9.

Para vermos este versículo no seu contexto, consideremos piedosamente esta passagem de I João 1.1-10.

1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida
2 (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);
3 O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão connosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.
4 Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.
5 E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nEle trevas nenhumas.
6 Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
7 Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10 Se dissermos que não pecamos, fazêmo-lO mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.

Estamos certos de que compreendemos o versículo 9 no seu contexto? Vejamos. Embora existam muitas variantes da interpretação deste versículo, há três que são mais populares:

1. É um versículo de salvação que diz ao pecador como receber hoje o perdão de pecados.
2. É um versículo de restauração:
a) Restaurar alguém para salvação;
b) Restaurar alguém para comunhão.
3. É um versículo pertencente aos judeus sob o programa do Reino (Profecia) e tem pouca ou nenhuma aplicação aos gentios de hoje sob o programa do Corpo de Cristo (Mistério).

Por uma questão de tempo e espaço, passemos à frente dos números 1 e 3 e analisar directamente o número 2. Os outros dois tornar‑se‑ão claros com a compreensão da passagem.

Um Versículo de Restauração – Restaurar alguém para Salvação

A variante 2.a) é a mais fácil de responder. Esta é a visão de que uma pessoa salva pode perder‑se novamente devido a uma recaída, a carnalidade, a falta de fé, etc..
Muitas vezes é dito que os pecados do crente foram perdoados até que este foi salvo. A partir daí, os méritos da morte de Cristo servem‑lhe apenas se ele for fiel em confessar os seus pecados a Deus e assim permanecer limpo aos Seus olhos.

Em primeiro lugar, a regeneração ou novo nascimento é uma experiência única no tempo. Nenhuma passagem bíblica fala de nascer de novo várias vezes. Enquanto andei na universidade, assisti a três reuniões evangelísticas numa tenda com alguns amigos. Não pude deixar de reparar que cada noite as mesmas pessoas iam à frente depois da pregação para receber perdão. Uma noite o evangelista citou I João 1:9 e afirmou que ninguém com pecados por confessar entraria no Céu. Quando insisti com ele após a reunião para que me esclarecesse sobre isto, ele acabou por admitir que provavelmente João se referia a pecados mais graves. Isto sublinha outro problema com esta visão. Quantos pecados Deus permitiu que Adão e Eva cometessem antes que Ele os lançasse fora da Sua presença no Jardim do Éden? Apenas um. E tudo o que eles fizeram foi comer do fruto que Deus tinha proibido. Quantos pecados não perdoados serão necessários para que sejamos condenados à perdição eterna? Apenas um. Deus é santo e tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a aberração não pode contemplar. Se sermos perdoados depende da nossa confissão de pecados, é bom que não nos esqueçamos de um único pecado.

A segunda razão pela qual I João 1:9 não se pode referir a restauração para salvação é a de que a salvação é um dom gratuito. É dado pela graça de Deus não só para os indignos, mas para os que merecem exactamente o oposto, a condenação. Se Deus anulasse a Sua dádiva, isso torná‑lO-ia mais gracioso para os Seus inimigos do que para os Seus filhos. Deus não retira a sua dádiva se nos tornarmos indignos. Na verdade, nós nunca fomos dignos.

Em terceiro lugar, Deus deseja que gozemos a dádiva da salvação. A salvação pertence ao Senhor. A única responsabilidade do homem é crer. Quererá Deus que vivamos as nossas vidas cristãs com uma nuvem sobre as nossas cabeças? Aqueles que crêem que ser perdoado depende da contínua confissão de pecados, cedo descobrirão que a sua experiência cristã se tornou em “dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de densas trevas”.

As Escrituras dizem‑nos que ao crermos que o Senhor Jesus morreu por nós e ressuscitou somos selados com o Espírito Santo até ao dia da redenção. Nada nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Efésios 1:13-14, Romanos 8:31-38). Com o Evangelho da Graça de Deus, temos o prazer de anunciar o perdão total de pecados. Isto traz paz, gozo e estabilidade. Disto falaremos mais adiante.

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