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A Confissão de Pecados – Parte 3 Janeiro 21, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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No versículo 7 encontramos pela quarta vez a palavra “comunhão”. Como compreender esta passagem no contexto? Isto é importante, pois trata‑se do assunto principal no capítulo. A palavra original grega traduzida por comunhão é “koinonia”, que tem o sentido de “ter em comum”, “partilha” e de “adoração em conjunto”. Tal como a palavra bíblica “santificação”, há tanto um aspecto de posição como um de prática.

Nas epístolas de Paulo, a comunhão é mencionada como:

  1. Contribuir para os crentes pobres (II Coríntios 8:4, Romanos 15:26-27).
  2. Contribuir para os servos do Senhor no ministério (Filipenses 1:5, 4:15-19, Gálatas 6:6).
  3. A comunicação das aflições de Cristo (Filipenses 3:10, II Coríntios 11:23-33).
  4. A Ceia do Senhor (I Coríntios 10:16).

Estes são exemplos de comunhão prática. Isto é, podemos recusar contribuir para os crentes pobres, negligenciar na contribuição para as necessidades dos servos do Senhor, evitar sofrer afronta e desprezo pelo Seu nome e Evangelho e escolher não participar no memorial da morte de Cristo por nós. No entanto, creio que as escrituras do Novo Testamento falam de uma comunhão posicional, permanente e pertencente a todo o crente em Cristo Jesus. Tal comunhão pertence a todos os verdadeiros crentes, independentemente do crescimento espiritual ou dedicação. Se há crentes na Bíblia que viveram num estado de quebra de comunhão, eram os Coríntios:

  1. Existiam dissensões carnais e contendas entre eles (I Coríntios 1:10-13, 3:1-3).
  2. Estavam seduzidos pela sabedoria do mundo (I Coríntios 1:18-2.5, 3:18-23).
  3. Estavam a julgar coisas que não deviam e falhavam em julgar as que deviam (I Coríntios 4:1-5; 5; 6).
  4. Permitiam imoralidade sexual na Igreja local e orgulhavam‑se disso (I Coríntios 5:1-2).
  5. Levavam os irmãos a tribunais perante os descrentes (I Coríntios 6:1-12).
  6. Visitavam prostitutas (I Coríntios 6:13-20).
  7. Orgulhavam‑se do seu conhecimento e causavam a queda de irmãos mais fracos (I Coríntios 8).
  8. Questionavam a autoridade e o apostolado de Paulo (I Coríntios 9:1-6).
  9. Inclinavam‑se para a idolatria, cobiçando o que era mau (I Coríntios 10).
  10. Comportavam‑se desordenadamente na Igreja, incluindo zombarem da Ceia do Senhor (I Coríntios 11).
  11. Estavam enamorados com os dons espirituais, mas não os exerciam em amor (I Coríntios 12-14).
  12. Duvidavam da ressurreição (I Coríntios 15:12-19).
  13. Como se não bastasse, eram avarentos na sua contribuição para os crentes pobres (II Coríntios 8 e 9).

Com todo este pecado na Igreja, poderíamos pensar que eles nem eram salvos. Mas Paulo, pelo Espírito de Deus, dirige‑se a eles como “a Igreja de Deus” e “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (I Coríntios 1:2). Além disso, não encontramos qualquer mandamento para eles confessarem os seus pecados para receberem o perdão e restaurar a sua comunhão com Deus. Pelo contrário, Paulo garante‑lhes que “fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (I Coríntios 1:9). É uma comunhão baseada na fidelidade de Deus.

Apesar de todos os pecados, falhas e defeitos da Igreja de Corinto, eles estavam “em Cristo” e como tal faziam parte “comunhão de Seu Filho”. O que tinham eles em comum com Jesus Cristo? Eles partilhavam da Sua vida, da Sua justiça, da Sua aceitação perante Deus Pai (II Coríntios 5:21, Efésios 1:6 e Colossenses 3:4). Tudo isto faz parte da dádiva da graça sem obras para todos os crentes em Cristo e que forma a comunhão que sustém a nossa posição nEle.

Em várias outras passagens das epístolas de Paulo, em relação a este assunto, não é dada a devida importância. Por exemplo, lemos em Efésios 3:12: “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nEle.” A palavra grega para fé (“pistos”) muitas vezes tem o significado de fidelidade, lealdade ou fidedignidade como em Romanos 3:3,22, Gálatas 2:16, 3:22, 5:22, Filipenses 3:9, Colossenses 2:12, I Timóteo 4:12, 6:11, II Timóteo 2:22, Tito 2:10, sendo que é o próprio contexto que determina qual a palavra. Nesta passagem de Efésios, a expressão “nossa fé nEle” deveria ser “Sua fidelidade”, como noutras versões. O nosso acesso a Deus depende apenas de Jesus Cristo. Deus quer que tenhamos ousadia e confiança nisto. O sistema de “pequenas contas” (em comunhão, fora de comunhão) serve apenas para semear a dúvida e assim tirar a nossa ousadia e confiança. Não nos deveríamos alegrar no facto de que estas bênçãos dependem da fé (fidelidade) de Cristo e não da nossa fé? Outras passagens falam do acesso a Deus, como Efésios 2:18, Romanos 5:1-2 e Hebreus 10:19-20.

A comunhão de I João 1 deve ser considerada à luz disto. De acordo com o contexto, o que tinham estes crentes em comum com “o Pai, e com Seu Filho Jesus Cristo”? Vida eterna (versículos 1 e 2). Jesus Cristo como a Palavra da Vida é a personificação dessa vida.

Há um paralelismo verdadeiramente admirável entre os versículos 7 e 9. Vejamos:

Versículo 7:

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

Versículo 9:

Se confessarmos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
E nos purificar de toda a injustiça.

Ambos os versículos apresentam a mesma verdade, mas de perspectivas diferente. Estes crentes judeus do Reino andavam na luz ao confessar os seus pecados em relação à salvação inicial. Ter comunhão com Deus baseava‑se no facto de que Deus é fiel e justo para perdoar os seus pecados. E quantas vezes poderiam eles ser purificados de todo o pecado? Se a resposta for até que pecassem de novo, então não eram purificados de todo o pecado. Da mesma forma, eles apenas poderiam ser purificados de toda a injustiça uma única vez (versículo 9). Isto é confirmado mais tarde quando se dirige aos crentes e lhes garante que os seus pecados já estão perdoados.

“Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo Seu nome vos são perdoados os pecados”. (I João 2:12)

A confissão de pecados estava intimamente relacionada com a religião de Israel. Confissão, bem como a sua equivalente grega (“homologia”), significa falar a mesma coisa, admitir, concordar, reconhecer. Moisés, escrevendo profeticamente, traçou o plano para a confissão sob a Lei.

“Então confessarão a sua iniquidade, e a iniquidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra Mim; como também eles andaram contrariamente para comigo. Eu também andei para com eles contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se então o seu coração incircunciso se humilhar, e então tomarem por bem o castigo da sua iniquidade, também eu me lembrarei da Minha aliança com Jacob, e também da Minha aliança com Isaac, e também da Minha aliança com Abraão Me lembrarei, e da terra Me lembrarei. (Levítico 26:40-42; comparar com Neemias 9:1-3).

É exactamente aqui que Israel se encontrava quando João Baptista entra em cena. Embora ainda estivesse numa relação do Concerto com Deus, eles tinham‑se tornado moral e espiritualmente corruptos. E assim João Baptista foi enviado como pregador da justiça para chamar a nação apóstata ao arrependimento. Isso fazia parte da preparação para receber o seu Messias, Jesus Cristo.

“E, naqueles dias, apareceu João Baptista pregando no deserto da Judeia, E dizendo: ‘Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus’… Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:1-2; 3:5-6).

“Apareceu João baptizando no deserto, e pregando o baptismo de arrependimento, para remissão dos pecados.” (Marcos 1:4).

Aqui está. Arrependimento, confissão de pecados e baptismo na água para a remissão (perdão) de pecados estavam juntos no evangelho do Reino anunciado a Israel (Mateus 4:23, 9:35). O nosso versículo chave de I João 1:9 é um versículo de salvação para o Israel que esperará o regresso de Cristo para estabelecer o seu reino milenial, davídico e terreno.

Poderá ser colocada a objecção que este versículo não pode referir-se a salvação, porque fé em Jesus Cristo não é mencionado. No entanto, outros versículos de salvação também não a mencionam. Alguns exemplos são Romanos 4:5-8, Gálatas 3:11, Efésios 2:8-9 e Tito 3:5. Quando isto acontece, todo o resto da epístola torna bastante claro (como em I João) que Jesus Cristo é o objecto da fé (I João 2:22-23, 3:23, 4:2,9-10, 4:14-15, 5:1,5,11-13).

A expressão “Se dissermos” repetida nos versículos 6, 8 e 10 refere-se à falsa profissão de comunhão, quando na verdade a pessoa em questão não possui a vida eterna. Estes eram judeus descrentes que tinham um problema espiritual duplo: acreditavam ser justos em si mesmo e rejeitavam o seu Messias. Eles justificavam‑se a eles mesmos perante os homens. Eles confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros. Pensavam que, como eram descendentes de Abraão, Deus era seu Pai. Ignorando a justiça de Deus e estabelecendo a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus (Mateus 9:10-13, 21:31-32, Lucas 16:15, 18:9, João 8:39-44, Romanos 10:1-4).

Numa graciosa demonstração de amor piedoso, João abre a sua epístola com um apelo evangelístico aos seus irmãos judeus para abandonar a falsa comunhão das trevas e vir ao Salvador e desfrutar da genuína comunhão da luz. Isto não aconteceria enquanto eles confiassem na sua genealogia, religião e méritos pessoais, e continuassem a rejeitar “a Luz do mundo”.

Como é possível um versículo, retirado de uma epístola que não de Paulo, ser deturpado em relação ao seu contexto e enquadramento dispensacional, ser torcido e transformado num sistema de bênçãos condicionais e depois ser usado pelo nosso Adversário para roubar o povo de Deus daquilo que faz a vida cristã valer a pena? A razão só pode ser tradição religiosa e o falhanço em “manejar [dividir] correctamente a Palavra da verdade” (Mateus 15:3,6,9, II Timóteo 2:15). 

Muitas vezes agimos como ovelhas e gostamos de seguir líderes. Quando um magnífico pregador ensina algo, muitos de nos temos a tendência de seguir sem uma mente crítica. Embora Deus tenha dado ensinadores para a Igreja, cada crente é responsável perante Deus para estudar os assuntos por si mesmo e desenvolver convicções pessoais em relação a eles. De outro modo estaremos firmes na opinião de outros. O homem, mesmo no seu melhor, é homem e portanto falível. Que sempre possamos ter o espírito do crentes de Bereia e “examinar cada dia nas Escrituras se estas coisas são assim” (Actos 17:10,11).

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