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Cristo e Este Crucificado Agosto 29, 2010

Posted by David Costa in Estudos.
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O nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso Redentor que foi “obediente até à morte, e morte de Cruz.” Ele não morreu uma morte qualquer; Ele morreu a morte de Cruz. Morte por crucificação nos tempos da Bíblia era uma das mais cruéis e vergonhosas formas de tortura possíveis. O historiador judeu Flávio Josefo, presenciou durante a sua vida incontáveis crucificações, pelo que as chamou das mais miseráveis mortes possíveis de se padecer. Cícero, referindo-se à morte por crucificação, afirmou que esta era uma morte “cruel e uma tortura horrorosamente feia”. Will Durant escreveu que “até os Romanos tinham alguma pena das vítimas.”

Ao começarmos um estudo sobre a Cruz de Cristo, estamos prestes a embarcar numa extraordinária e maravilhosa viagem pelo “mar” das Escrituras. A nossa jornada começa em águas proféticas com a “A Profecia da Cruz”. David será o nosso capitão, o qual nos guiará através dos sofrimentos que Cristo padeceu na Cruz do Calvário.

Um Salmo de David

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? por que Te alongas das palavras do meu bramido, e não me auxilias? Deus meu, eu clamo de dia, e Tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego.” (Salmos 22:1-2)

Quando meditamos neste Salmo 22, encontramos o que será talvez o relato mais pormenorizado acerca dos sofrimentos de Cristo em toda a Palavra de Deus. Nas Escrituras Hebraicas, o cabeçalho “Aijeleth-hash-Shaar” surge no topo deste Salmo, que é traduzido por: “O Messias sofre, mas triunfa”.

Os Salmos 22, 23, e 24 formam uma trilogia. Sobre o Senhor Jesus Cristo, no evangelho de João, é dito que Ele é o Bom Pastor que dá a Sua Vida pelas Suas ovelhas, tal como descrito no Salmo 22. De acordo com Hebreus 13, Cristo é chamado de Supremo Pastor, que foi trazido de novo dos mortos para guiar o Seu povo através do vale do pecado e morte. Este é o tema central do livro de Salmo 23. Finalmente, o Sumo Pastor de I Pedro 5 encontramos as suas raízes no Salmo 24 onde Cristo retorna com poder e grande glória para estabelecer o Seu Reino aqui na terra.

Umas das coisas mais marcantes acerca do capítulo 22 do livro de Salmos é que David descreve com vivacidade a crucificação de Cristo, aproximadamente 1000 anos antes de esta suceder. Outro facto extraordinário é o facto da morte por crucificação não tinha sido ainda introduzida na humanidade no tempo em que David escreveu este salmo. Crê-se que os Assírios foram os primeiros homens a usar esta forma de execução, pois eles eram bem conhecidos pelas suas torturas desumanas. Mas o que os Assírios criaram, podemos ter a certeza que os Romanos aperfeiçoaram. No tempo do Senhor Jesus Cristo, a morte por crucificação era a forma principal que era usada para executar criminosos contra o Império Romano.

O Salmo 22 é dividido em duas partes: os sofrimentos espirituais de Cristo e os Seus sofrimentos físicos. O Salmo começa com a expressão “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” e termina com “Porquanto Ele o fez” (versículo 31), ou em Hebraico, “Está terminado!” A frase “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” foi uma das últimas proferidas por Cristo enquanto pregado na Cruz. A palavra “desamparado” é uma das palavras na linguagem humana que mais fortemente transmite um sentido de abandono e tragédia. É difícil para nós compreender como, por exemplo, uma mãe pode abandonar o seu recém-nascido, mas infelizmente tal acto é comum nos nossos dias. Ficamos estupefactos quando ouvimos acerca de um homem que abandona a sua mulher depois de tantos anos juntos. Perguntamos “Porquê?”. Nós temos dificuldade em acreditar, mas muito menos conseguimos aceitá-las.

Mas quando o Filho de Deus afirmou na Cruz que tinha sido desamparado pelo Pai, de certeza isso nos deixa admirados. Uma das coisas que caracterizava sem qualquer dúvida a vida de Cristo aqui na terra era a inquebrável comunhão que Cristo gozava com o Pai. O silêncio do Céu foi quebrado mais do que uma vez, quando por exemplo o Pai disse: “Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo; escutai-O.” (Mateus 17:5). Mas agora, no momento e na hora mais negra pela qual o Senhor Jesus Cristo passou, o Pai desamparou o seu Filho. Porquê? Esta, com certeza, foi uma das perguntas que pesava no coração do Senhor Jesus Cristo, enquanto procurava entender o porquê de ter sido humanamente falando, abandonado.

Enquanto descia a escuridão desde a hora sexta até à hora nona no dia em que Cristo morreu, Ele afirmou, ” Deus meu, eu clamo de dia, e Tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego… Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.” (Salmos. 22:2,4). Aqui temos os pensamentos íntimos de Cristo, enquanto estava pregado naquela Cruz.

Este é o único lugar na Palavra de Deus onde nos é dito o que o nosso Salvador estava realmente pensando enquanto as trevas caíam sobre a Palestina. Apenas o Espírito de Deus podia dar-nos esta preciosa revelação por intermédio do profeta. O Senhor Jesus Cristo argumentou com o Pai, “Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.” Enquanto o Filho considerava a história de Seu povo, Ele recordou de como Sansão os libertou das mãos dos Filisteus; Daniel da boca de leões famintos; e Sadrach, Mesach, and Abed-nego do fogo da fornalha ardente. Mas para o Filho de Deus não haveria qualquer tipo de libertação, que foi predestinado a sofrer pelos pecados do Seu Povo; na realidade, pelos pecados do mundo!

O Filho respondeu à Sua própria questão do porquê do abandono por parte do Pai no versículo 3: “Porém Tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel.” O Pai é Santo, o que nos indica a sua perfeita moral. O pecado, sem qualquer tipo de excepção, é uma violação à Sua santidade. Os nossos pensamentos finitos nunca poderão alcançar a majestade e a perfeição da santidade de Deus. Ele é infinitamente puro. Isto ajuda-nos a compreender o propósito do véu no tabernáculo: separava um Deus Santo de Seu povo pecador. Isaías e o Rei Uzias ambos tiveram um encontro com a santidade de Deus, mas como vamos ver com resultados totalmente opostos.

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor, assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele, cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia de sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e casa se encheu de fumo” (Isaías 6:1-4).

Durante os anos em que Uzias reinou, ele conduziu Judá num programa de paz e prosperidade. Mas enquanto a nação prosperava materialmente, estava totalmente corrompida espiritualmente. Notemos que no ano em que Uzias morreu, Isaías viu o Senhor sentado no seu trono. Uzias também esteve exposto à santidade de Deus, mas com consequências catastróficas. Apesar de este rei ter feito o que era correcto aos olhos do Senhor, transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso. Uzias naquele preciso instante foi atingido com lepra e morreu seguidamente, devido à sua intrusão nas santas coisas de Deus (II Crónicas 26:16-23).

Um único pecado originou morte e baniu tanto Adão como Eva do jardim do Éden. Apenas um pecado impediu a entrada de Moisés na Terra Prometida. Um pecado terminou com as vidas de Ananias e Safira. Notemos que uma correcta compreensão da santidade de Deus conduz a um entendimento correcto do pecado. Quando Isaías estava na presença de Deus e ouviu os serafins clamando uns para os outros: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da Sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e casa se encheu de fumo. A reacção de Isaías foi: “Ai de mim, que vou perecendo! porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios.” Porque Isaías tinha a correcta compreensão da Santidade de Deus, ele viveu, e as suas iniquidades foram retiradas, e o seu pecado perdoado (no Hebreu kaòphar ou expiado—Isa. 6:5-7). 

Pelo facto de o pecado ser uma transgressão à santidade de Deus, o Pai não podia olhar para o Seu Filho pois estava a ser feito pecado por nós, e por esse acto singular somos justificados perante Deus. Absolutamente só, Jesus Cristo carregou o fardo dos nossos pecados. À medida que o desespero crescia, o Salvador afirmava: ” Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo”. Normalmente no Hebraico o termo “verme” refere-se no grego à palavra tola. A tola (coccus ilicis) é uma pequena larva, que pode ser encontrada em várias espécies de carvalhos perto do Mediterrâneo. Nos tempos antigos estas larvas eram esmagadas de forma a produzirem uma tinta escarlate. Tal como sabemos, Salomão vestiu a filhas de Israel em escarlate. O que estamos a tentar sugerir com esta analogia às tolas é que o peso dos nossos pecados (igualmente os de Israel) quebrantaram a vida do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual derramou o Seu precioso sangue para que agora possamos vestir as vestes da salvação.

O Sofrimento Físico de Cristo

“Muitos touros me cercaram; fortes touros de Bazan me rodearam. Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge. Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas. A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte. Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés. Poderia contar todos os meus ossos; eles vêem e me contemplam.” (Salmos 22:12-17).

É interessante contar o número de referências a animais encontrado no Salmo 22: o touro, leão, cão, unicórnio, etc. Aqueles que foram os responsáveis pela crucificação eram como as bestas dos campos. Eles eram astutos, perversos, e intimidavam as suas presas. Os fortes touros de Bazan, sem qualquer tipo de dúvida referem-se aos lideres de Israel, os quais buscavam ferir o Senhor Jesus com os cornos do ódio (Lucas 23:8-21). Tal como as bestas do campo que perseguem as suas presas antes de as matar, estes lideres ímpios zombaram: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele; confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.” (Mateus 27:42-43). Bem aventurados somos, pois o nosso Salvador permaneceu naquela Cruz, pois se tivesse descido de forma a satisfazer a santidade e a justiça de Deus, o mundo iria ser “varrido” para dentro do lago de fogo por toda a eternidade. A determinação de Cristo para completar a obra da nossa redenção nunca vacilou. O que foi dito anteriormente prova que os lideres religiosos eram ignorantes não apenas na predição da Cruz, mas igualmente desconhecedores do verdadeiro significado do Calvário.

A morte por crucificação era a morte das mortes. Os braços das vítimas eram estendidos e os pregos eram pregados nas palmas das mãos. De seguida, prendiam os pulsos de forma a que os pregos não rompessem as mãos da vítima. Depois disto, um pé era colocado sobre o outro em cima de uma cunha de madeira. Daí, “trespassaram-me as mãos e os pés.” Este foi apenas o começo das dores, porque a morte numa Cruz era lenta, dolorosa, que poderia durar dois a três dias. Três pregos enferrujados garantiram a nossa redenção: um pregou a lei à Cruz, outro os pecados do mundo e o terceiro pregou Jesus Cristo à Cruz. (Colossenses. 2:14; II Coríntios 5:14-19; Gálatas 2:20). 

Apesar de nenhum dos ossos do corpo de nosso Senhor ter sido quebrado, cremos que quando a Cruz foi colocada em terra os braços do Senhor Jesus Cristo foram deslocados dos seus ombros, baseados na frase “todos os meus ossos se desconjuntaram”. Estar suspenso pelos braços gerava uma tremenda pressão sobre os pulmões e gradualmente tornava-se mais complicado poder respirar. Para o poder fazer, a vítima era obrigada a impulsionar-se com ajuda dos seus pés para facilitar a inspiração. À medida que os níveis de dióxido de carbono aumentavam no interior do corpo, a vítima começava a padecer de edema pulmonar, e acabaria por morrer de paragem cardíaca ou de asfixia.

É interessante o facto de o nosso Senhor Jesus morrer passadas poucas horas de ter sido pregado na Cruz. Nas Suas próprias palavras: “o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas” (vs. 14). Poderá ser que o nosso Salvador morreu de coração partido devido aos pecados do mundo? À medida que o momento da Sua morte se aproximava, o Filho orava da seguinte forma ao Pai:
“Mas tu, Senhor, não te alongues de mim. Força minha, apressa-Te em socorrer-me.  Livra a minha alma da espada, e a minha predilecta da força do cão (gentios). (Salmos 22:19-20).

O Senhor Jesus Cristo desejou voluntariamente dar a Sua vida pelo pecados do mundo e esta não ser terminada pelos Gentios ao fio da espada. O Pai garantiu graciosamente o pedido de Seu Filho, pois lemos no evangelho de João que o Salvador já tinha rendido o Seu Espirito ao Pai antes de ter sido trespassado pela lança:

“Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (S. João 19:32-34) 

Lições práticas para cada um de nós

Enquanto a palavra do homem é instável como a água, a Palavra de Deus é sempre precisa e verdadeira, tal como vimos na predição da Cruz aproximadamente 1000 anos antes e no total cumprimento dos acontecimentos. A palavra de Deus é verdadeira. Então quando estamos a ler um passagem semelhante a esta: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa.” (I Cor. 15:33,34), podemos ter a certeza que é totalmente verdadeira.

O contexto desta passagem é um aviso para não adoptarmos as formas de vida deste mundo. Devido a o mundo ter rejeitado a ressurreição, a sua filosofia de vida é comer, beber, e ser feliz, pois amanhã morrerás. Aqueles que pertencem à família da fé ficam pasmados e horrorizados com este tipo de raciocínio. Mas Deus diz: “não vos enganeis, as más associações neste mundo destroem gradualmente a boa moral”. Por outras palavras, se pouco a pouco nos deixamos associar com este mundo, podemos ter a certeza de que em pouco tempo a sua influência irá criar em nós dúvidas, e começaremos a negar a Palavra de Deus. O pecado e consentimento de comportamentos pecaminosos são ambos desagradáveis a Deus. Os Coríntios são um dos principais exemplos de falha em ter atenção a este tipo de aviso; não sejamos nós também culpados do mesmo acto. (I Coríntios 5:1-13; 6:1-8,13-18; 11:20-22).

O Salmo 22 ensina-nos que há no mundo um conflito entre o bem e o mal existente no mundo. Cristo é a personificação de tudo o que é bom e justo. Os Seus inimigos, por outro lado, estavam cheio de mentira e hipocrisia. Eles O odiavam sem causa. Portanto, não devemos ficar surpreendidos quando o mundo nos odeia sem nenhum motivo, devido a sermos fiéis à verdade do evangelho.

(por Paul M. Sadler) 

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