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Epístola aos Romanos – Capítulo 4 Fevereiro 23, 2011

Posted by David Costa in Epístola aos Romanos.
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No capítulo 4 da Epístola aos Romanos, Paulo apresenta dois exemplos de como o princípio da justificação pela fé foi aplicado em relação a duas personagens notórias da história judaica. Paulo apresenta Abraão e David como exemplos. Ambos são personagens notórias, na medida em que Deus celebrou concertos com ambos, em períodos diferentes da história judaica.

O concerto que Deus realizou com Abraão prometia uma terra e uma grande nação (Génesis 12:1-3; 13:14-18). O concerto com David era diferente: Deus prometia-lhe um reino eterno e um rei da sua linhagem para sempre sobre esse reino.

Mas neste capítulo 4, Paulo não se refere a estes patriarcas da nação de Israel no tocante aos concertos que Deus celebrou com eles. Paulo usa as conhecidas histórias destas duas personagens para demonstrar a validade da nova mensagem de Deus, que ele proclamava. É como se Paulo quisesse dizer aos leitores judeus desta epístola para não ficarem confusos ou surpreendidos com o princípio da justificação pela fé, pois ele já estava activo nas vidas de Abraão e David, apesar de tal princípio ainda não ter sido revelado.

Abraão como exemplo

Paulo questiona então os seus leitores judeus acerca do que Abraão alcançou. Esta questão é feita aos judeus especificamente, pois Paulo refere-se a Abraão como pai segundo a carne, identificando os judeus como descendência de Abraão.

Abraão alcançou a justificação, como lemos no versículo 2. Paulo pergunta: Mas terá Abraão sido justificado pelas obras? Se assim foi, Abraão tem razão para se gloriar nas suas obras e esforços. Mas mesmo que se assim fosse, o princípio é que diante de Deus ninguém verdadeiramente se pode gloriar (tal como lemos em I Coríntios 1:29).

Paulo responde então à sua própria questão, citando uma passagem de Génesis (capítulo 15, versículo 6): “E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça”.

Na verdade, Abraão creu em Deus, na Sua Palavra, no tocante às promessas de uma descendência que não se pode contar. Esta descendência viria a partir da sua semente, de um filho que nasceria dele. E nós lemos que Abraão creu em Deus no tocante a esta promessa. E esta fé que ele colocou nas palavras e promessas de Deus foi contada para sua justificação (ou como diz na nossa tradução, “imputado isto por justiça”).

É de notar que Deus não explicou a Abraão que a sua fé seria contada (ou tomada) para sua justificação. Deus só lhe tinha prometido uma descendência inumerável a partir do filho que lhes (Abraão e Sara) iria conceder. Nem sequer Paulo, ao citar esta passagem, queria dizer que Abraão compreendeu e colocou a sua fé no Cristo que viria no futuro para ser salvo. Abraão somente creu nas promessas que Deus fez. Génesis foi escrito muito mais tarde por Moisés, após Abraão ter morrido, e ele não leu este versículo. Paulo usa-o agora como exemplo do princípio de Salvação pela Fé.

Nos versículos 4 e 5, Paulo tira a lição para o presente, tendo apresentado Abraão como exemplo. Compreendemos que a justificação unicamente pela Graça de Deus, tal como Paulo explicou em anteriormente Romanos 3:24. Se alguém (hipoteticamente) alcançasse a justificação por meio das obras, alcançá-la-ia porque Deus estaria em dívida para com ele (”segundo a dívida”), devido às suas obras e não porque Deus a concedia segundo a Sua Graça. Na prática, aqueles que buscam “comprar” (pelas suas obras) o favor de Deus, irão certamente receber a devida recompensa da Sua parte: a condenação, aquilo que o homem merece, visto que nenhuma obra (ou obras) pode cobrir os pecados do homem diante de Deus.

Por outro lado, não é suficiente ao homem não praticar obras para alcançar a justificação. Tal como lemos no versículo 5, só aqueles que não praticam obras para salvação e crêem em Deus, que é capaz de os justificar sem qualquer obra que possam fazer, alcançarão justificação. A esses, a sua fé em Deus será contada para justificação, tal como aconteceu com Abraão. E tal acontece não por causa de qualquer “dívida” ou recompensa que Deus tenha de conceder ao homem, mas sim unicamente pela Sua Graça.

David como exemplo

Nos versículos 6 a 8 , Paulo apresenta o exemplo de David. Tal como Abraão, podemos ver o princípio da justificação pela fé a operar em David. Ao contrário de Abraão, David vivia sob a Lei, segundo a qual os sacrifícios era requeridos por Deus para expiação de pecados cometidos, tal como podemos ler nos capítulos 4 a 6 de Levítico.

Paulo cita uma passagem de Salmos, nos versículos 7 e 8, que podemos encontrar em Salmos 32:1-2. Ao considerarmos todo o Salmo, podemos ver que David escreve sobre esconder ou encobrir o seu pecado, mas a disciplina de Deus (”a tua mão pesada”) estar sobre ele, até que ele reconhecesse e confessasse o seu pecado. E ao confessar o pecado a Deus, Ele perdoa-o (v. 5). E no resto do Salmo, David louva a Deus por este princípio de disciplina e perdão que ele viu a operar na sua vida.

Podemos também encontrar em Salmos 51:16-17 que primeiro Deus espera por um coração “quebrantado e contrito” (i.e., arrependido), o qual Ele não desprezará, e que não Se compraz unicamente com os sacrifícios.
David experimentou na sua vida o perdão de Deus antes de ele oferecer os sacrifícios (devidos), os holocaustos pelos pecados, requeridos pela lei. E é este princípio que David louva no Salmo 32. Ele não compreendia como ou porquê isto podia acontecer, mas ele foi perdoado por Deus após ter-se arrependido, ainda sem qualquer “obra de arrependimento”, isto é, os sacrifícios requeridos pela Lei. David somente dava louvores a Deus por tal, e chamava de bem-aventurado o homem a quem Deus justifica (declara justo) apesar dos seus pecados, sem as obras da Lei.

Uma Aparente Contradição

No seu comentário à Epístola aos Romanos, C. R. Stam faz um parêntesis quando chega a estes versículos 3 a 6 do capítulo 4. Nomeadamente, ele aborda uma (aparente) contradição entre estes versículos e Tiago 2:24. Em Romanos 4:5, lemos que Deus justifica o homem pela fé, sem as obras. Mas em Tiago 2:24 lemos: “Vede então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé”.

Cremos que a resposta a esta aparente contradição é uma resposta dispensacional, e com isto em vista tomemos em atenção as seguintes comparações.

O escritor da primeira passagem é Paulo; o escritor da segunda passagem é Tiago. Paulo escreve dirigindo-se a Gentios (Romanos 11:13), enquanto que Tiago escreve “às doze tribos (de Israel) que andam dispersas” (Tiago 1:1). Paulo refere-se a Abraão antes da sua circuncisão; Tiago refere-se a Abraão depois da sua circuncisão (enquanto pai da raça Hebraica). Paulo cita Génesis 15:6 para defender o seu argumento; Tiago cita Génesis 22:1-18. Paulo menciona apenas a aceitação de Abraão das boas novas em relação à sua semente (Génesis 15:4-6); Tiago refere-se à sua fé demonstrada sob uma prova severa (Génesis 22:16-18). Estas são as diferenças significativas. Tomando em atenção tais diferenças, consideremos os parágrafos seguintes.

A fé irá certamente chegar-se a Deus segundo o caminho que Ele estabeleceu em qualquer época; procurar ganhar aceitação por parte de Deus de outra fora seria, certamente, incredulidade e obstinação. Assim sendo, apesar de as obras em si nunca terem salvo ninguém na prática, e nunca mesmo poderem salvar ninguém, elas antes salvaram como expressões de fé.

Quando Deus diz “Oferece um animal em sacrifício e Eu te aceitarei”, o que faz a fé? A fé irá certamente oferecer o animal em sacrifício. Abel fez tal e foi aceite, não porque o sangue de animais pode tirar os pecados, mas porque ele se chegou a Deus da forma que Deus tinha estipulado. Isto é “a obediência da fé”.

No caso de Caim, temos uma indicação clara de que Deus não fica satisfeito com meras obras em si, pois Caim ofereceu um sacrifício muito mais atractivo do que o de Abel, mas foi rejeitado, porque ele não trouxe o sacrifício que Deus requeria (Génesis 4:5).

Quando Deus diz “Contrói uma arca e Eu te salvarei a ti e aos teus do dilúvio”, o que faz a fé? A fé irá certamente construir uma arca. E quando Noé fez isso, ele revelou a sua fé em Deus e “foi feito herdeiro da justiça, que é segundo a fé” (Hebreus 11:7).

Quando Deus diz “Obedece à minha voz completamente e serás Meu”, o que faz a fé? A fé tentará certamente obedecer. Mas alguns de nós podem dizer: Mas eles não podiam obedecer perfeitamente, e portanto seriam rejeitados por Deus. Mas recordemos que já provámos que as obras em si não podem salvar. Somente quando os Israelitas reconheciam a Lei como a Palavra de Deus para eles e portanto buscavam obedecer-lhe, é que eram salvos. O seu esforço em guardar a Lei representava a “obediência da fé”.

Quando Deus diz “Arrepende-te e sê baptizado para remissão de pecados”, o que faz a fé? Somente uma coisa: arrepender e ser baptizado. Nós compreendemos que rios de água não podem lavar um pecado que seja, mas quando João Baptista e Pedro pregavam arrependimento e baptismo para remissão, nem um sequer dos seus ouvintes poderia ter interpretado as suas palavras em que queriam dizer “Confia na morte de Cristo para salvação”. Certamente que quando Deus requeria o baptismo na água para salvação, o único meio de revelar fé era sendo baptizado, e aqueles que o recusassem ser, eram condenados pela sua incredulidade:

“Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por ele.” (Lucas 7:30)

Mas quando presentemente Deus diz “Mas agora se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus” (Romanos 3:21) e “àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Romanos 4:5)… o que faz a fé? A fé dirá certamente, “Esta é a dádiva mais maravilhosa que alguma vez Deus ofereceu ao homem. Eu não a posso recusar. Eu confiarei em Cristo como meu Salvador, e aceitarei a salvação como dádiva gratuita da Graça de Deus”.

A circuncisão e a justificação

De seguida Paulo explica (nos versículos 9 a 12) como a circuncisão (da qual Abraão é pai) e a Lei (nos versículos 13 a 25) estão relacionadas com a justificação pela fé.

No versículo 9 Paulo explica como a justificação é imputada ao homem sem a circuncisão. Assim, neste versículo, Paulo pergunta aos seus leitores (mais especificamente os Judeus) se a Justificação vem apenas sobre os que são circuncidados, ou também sobre os que nunca tomaram a marca da circuncisão sobre si.

Tomando o exemplo de Abraão, e de Deus o ter declarado justo, tal como lemos em Génesis 15:6, Paulo responde à sua questão com outra pergunta: Quando é que Abraão foi declarado justo? Terá sido enquanto estava na incircuncisão, quando não tinha recebido a marca do concerto de Deus, ou terá sido após ter sido circuncidado?

Voltemos a Génesis. No capítulo 15, versículo 6, lemos que Deus declarou Abraão justo, e só no capítulo 17, versículo 24, lemos que Abraão foi circuncidado. Pelo menos 13 anos terão passado entre os dois momentos. Se atentarmos para Génesis 16:16 e Génesis 17:24, vemos que Abraão tinha 86 anos quando Ismael nasceu e 99 quando foi circuncidado. Provavelmente ele tinha menos de 86 anos quando creu nas promessas de Deus e Ele o declarou justo devido à fé que revelou.

Assim sendo, o concerto da circuncisão que Deus celebrou com Abraão e a sua descendência, tal como lemos em Génesis 17:9-14, nada tem que ver com a Justificação, pois Abraão já tinha sido declarado justo muito tempo antes. Abraão foi justificado pela fé, a qual revelou ao crer nas palavras (i.e., nas promessas) de Deus.

A circuncisão era apenas um sinal, uma marca, “selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão” (Romanos 4:11), e assim Abraão tornou-se “pai de todos os que creêm, estando eles também na incircuncisão” (v. 11).
Abraão tornou-se pai de todos os que crêem mas que nunca se circuncidaram e também “pai da circuncisão” (v.12), daqueles que não só foram circuncidados, mas também revelaram a mesma fé que Abraão revelou (ao crer nas promessas de Deus) estando ainda na incircuncisão (v.12).

A Justificação do homem não depende de nenhum ritual (nem mesmo da Circuncisão) nem de nenhuma obra (mesmo os sacrifícios requeridos pela Lei de Moisés). A Justificação depende unicamente da fé que o homem revela ao crer nas palavras de Deus. Neste presente tempo, a fé em Deus baseia-se em crer naquilo que Ele disse sobre a Justificação através da obra da Redenção, efectuada por Cristo na cruz (Romanos 3:25).

A Lei e a Justificação

Depois de abordar a questão de a circuncisão contribuir ou não para a justificação do homem, Paulo demonstra que esta (a justificação) também não é alcançada pela Lei, usando Abraão mais uma vez como exemplo.
Assim, no versículo 13, Paulo refere que Deus fez uma promessa a Abraão e à sua descendência, a de ser herdeiro do mundo. Isto refere-se à promessa que lemos mais à frente no versículo 17, que também podemos ler em Génesis 12:2-3 (promessa a Abraão) e em Isaías 60:1-3 (promessa à nação de Israel). Esta promessa, de que através de Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas, não foi feita pela Lei, assim como a promessa feita mais tarde à nação de Israel de que todas as nações “caminhariam à sua luz”. De facto, ao pensarmos em Abraão, esta promessa não foi alcançada pelas obras de Lei, pois a Lei só foi dada a Israel muitos séculos mais tarde. Tal promessa simplesmente foi dada a Abraão, e ele confiou na palavra daquele que a prometeu (Deus), colocando a sua fé nEle.

No versículo 14, Paulo explica que se a nação de Israel é herdeira do mundo com base na Lei, passa a ser um contrato e não mais uma promessa, tomada como certa pela fé. Se fosse pela Lei, a nação de Israel esperaria ser “herdeira do mundo” com base num contrato entre Deus e a nação de Israel. Não havia lugar para a Fé para crer na promessa feita por Deus, pois estaria assente num contrato. Israel faria a sua parte e Deus faria a sua.

Podemos ler sobre este princípio mais claramente em Gálatas 3:18: “Porque, se a herança provém da Lei, já não provém da promessa; mas Deus, pela promessa, a deu gratuitamente a Abraão.”

Como já estudámos nos primeiros 3 capítulos de Romanos, a Lei não traz salvação ao homem, pois o homem não é capaz de a cumprir na perfeição, e assim, como Paulo refere no versículo 15, “a Lei opera a Ira”, isto é, a Lei produziu (trouxe) antes a Ira de Deus sobre o Homem. Se não houvesse Lei, o homem não teria uma “condenação legal” sobre si, pois só existindo Lei é que podia existir transgressão à mesma.

Podemos ler também em Colossenses 2:14 acerca da Lei que “nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária”, isto é, estava contra nós.

Abraão como pai de todos nós

No versículo 16, Paulo explica que a Justificação só podia ser pela fé, segundo a graça de Deus, para que a promessa seja certa (segura) para toda a “posteridade” de Abraão. Isto é, se dependesse do desempenho do homem, da sua perseverança ou de qualquer obra que o homem pudesse “esquecer-se” de fazer, ninguém teria a certeza da promessa de Justificação. Ninguém possuía segurança eterna. Mas se a Justificação é pela graça, a nossa segurança está em Deus, e Ele não pode faltar à Sua palavra. Ele declara-nos justos, pela fé, e podemos ter a certeza da Justificação.

Como a justificação é pela fé, Abraão é o pai da fé de todos nós, quer para os que estiveram sob a Lei, quer para aqueles que viveram antes da Lei, ou mesmo para nós agora que vivemos debaixo da Graça, desde que revelemos a mesma fé que existiu em Abraão, de tomar as palavras e promessas de Deus como dignas de confiança.

Mas que fé foi esta que Abraão revelou? Consideremos os próximos versículos.

No versículo 17 lemos acerca dAquele em quem Abraão creu e que compreensão ele tinha acerca dEle. Abraão creu em Deus, “o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem”. Abraão creu que Deus era capaz de ressuscitar pessoas (Hebreus 11:18), como o provou quando esteve pronto a sacrificar Isaac a Deus.

Abraão creu contra a própria esperança natural em que Deus lhe concederia um filho. Se um casal, ambos nos seus 30 ou 40 anos, tenham sido estéreis, ainda podem guardar alguma esperança de a sua limitação física ser ultrapassada, por exemplo através de um novo desenvolvimento na ciência médica. Mas se tal casal tiver a idade que Abraão e Sara tinham nessa altura, não só não há esperança como se torna fisicamente impossível conceber e gerar um filho.

Mas Abraão estava convencido que a sua idade e a idade de Sara, “o seu próprio corpo, já amortecido”, e “o amortecimento do ventre de Sara”, não seriam impedimentos para Deus conceder um filho a Abraão e Sara.
Abraão não duvidou da promessa de Deus (v. 20), questionando se Deus era capaz de cumprir a sua promessa perante impedimentos físicos naturais. Ao revelar tal fé, tal conhecimento de Deus e confiança, Abraão deu glória a Deus. É interessante que Abraão não trouxe glória sobre si, pois nenhuma obra ele fez. Ele somente creu que Deus era poderoso para fazer acontecer aquilo que Ele tinha prometido (v. 21).

Podemos pensar que a nossa justificação depende da “força” ou grau da nossa fé. Mas a nossa justificação não está assente na nossa fé. A nossa fé é meramente a condição. A nossa justificação está assente (firme) na Palavra de Deus, de que Cristo pagou o preço da nossa redenção na Cruz, para nossa Justificação. Consideremos o seguinte exemplo que C. S. Stam usa no seu comentário a Romanos.

Imaginemos dois homem de peso igual, sentados em cadeiras idênticas. Um deles parece nervoso e com medo de que a cadeira possa partir-se, enquanto o outro senta-se confortavelmente. Mas ambos, em fé, colocaram o seu peso sobre a cadeira, e isso é o que importa. Não é a força da nossa fé, mas antes o objecto da nossa fé que é o factor decisivo. Se a cadeira é forte suficiente, irá suster-te, não importando o quão fraca a tua fé possa ser.

Muitas vezes ouvimos no meio evangélico que para alcançarmos a Salvação precisamos de tomar um compromisso com Cristo, de que O vamos seguir. Mas isto é Salvação pelas obras. Atenção! Isto é doutrina errada! Nós precisamos de reconhecer a nossa condição de que somos pecadores e nada podemos fazer para nossa Justificação, e colocarmos a nossa confiança na obra completa da redenção que Cristo fez por nós na Cruz.

Chegado ao fim deste capítulo, no versículo 23, Paulo refere que na Palavra de Deus está escrito que a fé de Abraão lhe foi tomada para Justificação não só para benefício de Abraão, mas também para nosso benefício. Nós (v. 24), que colocamos a nossa fé em Deus, revelamos o mesmo tipo de fé de Abraão.

Mas porque Paulo refere que nós devemos crer “naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus” e não naquele que deu Seu Filho a morrer por nós? Porque temos que crer na ressurreição de Jesus Cristo para nossa Justificação, e não somente na Sua morte? Paulo explica este princípio no versículo 25.

Para sermos justificados, precisamos de crer que a morte de Cristo foi pelos nossos pecados. Mas, temos de crer que a sua morte é suficiente, completa e é uma obra terminada. Não há necessidade de sacrifícios ou de quaisquer outras obras. A morte de Cristo trouxe-nos Justificação completa, mas somente a ressurreição de Cristo prova que tal obra foi completada. Se Cristo não tivesse ressuscitado, Ele simplesmente tinha morrido a Sua morte como qualquer outro homem.

Tal como James McKendrick disse uma vez: “A Sua morte foi o pagamento pelos nossos pecados. A Sua ressurreição é o recibo.”

Por este capítulo da Epístola aos Romanos compreendemos que a Justificação do homem diante de Deus não é obtida por cumprir qualquer ritual religioso (como era a circuncisão) ou por observar a Lei, mas unicamente pela fé naquele que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa Justificação, Jesus Cristo.

(por David Costa)

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Comentários»

1. Carlos Melo - Setembro 5, 2012

Estamos estudando Romanos e caiu bem esse comentário, pois a meu ver são argumentos que expoem de forma didática e convincente que a justificação pela fé nas promessas de Deus é o instrumento legal de entrada para o rol dos verdadeiros justos segundo as Escrituras. Carlos Melo – São Luis-Ma. Brazil

2. francisco junior - Fevereiro 2, 2013

gloria á deus pelo comentário citado acima,q o sr. jesus possa estar sempre nos agraciando com esclarecimentos nestas qualidades,obrigada, q deus os abençôe sempre.

3. Adail soares da Silva - Janeiro 31, 2014

É verdade que não há necessidade de seguimos a Jesus, no que tange um compromisso, mas também é verdade que seu amor nos constrange a seguir seus passos, e dessa forma assumimos não um compromisso, e sim a nossa posição em Cristo. A sermos um com Ele.

Adail Soares.

4. Eduardo alves da Silva - Setembro 21, 2017

Muito obrigado pela reflexão aprendi que a justificação não vem só através das obras é necessário termos fé e certesa naquilo que homejamos nossa salvação não é porque muitas pessoas pensam que por ser bonzinho tá salvo vai ter que passar pela justificação de Deus amém obedecer é melhor do que sacrificar


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