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Verdadeira Espiritualidade – Capítulo 3 Fevereiro 23, 2011

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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Novidade de Vida – Ressurreição com Cristo

“De sorte que fomos sepultados com Ele pelo baptismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4).

Comparação entre o novo nascimento e a novidade de vida

Embora o Velho Testamento empregue a figura da ressurreição, relacionando-a com a conversão de Israel e futuras bênçãos na terra (por exemplo, Ezequiel 37:1-4), esta figura, tal como a do novo nascimento, é usada num sentido mais pleno e profundo na grande revelação dada a Paulo sobre Cristo e os membros do Seu Corpo.

Além disso, a doutrina da nossa ressurreição com Cristo para uma nova vida é um progresso relativamente ao que mesmo Paulo, pelo Espírito, tem a dizer sobre o novo nascimento.

O nascimento fala apenas de começo; não contempla o passado. Quando Nicodemos perguntou: “Pode (um homem) tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?”, o nosso Senhor rapidamente explicou que ao usar a expressão “nascer de novo” Ele não queria dizer nascer de novo da mesma maneira, mas nascer de novo de maneira diferente. Deus não se encarrega de melhorar a velha natureza ou de induzir o “velho homem” a começar tudo de novo porque, como vimos, “o que é nascido da carne é carne” e “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (João 3:6; Romanos 8:8). Por muito intelectual, culta ou religiosa que “a carne” possa ser, ela não deixa de ter sido gerada por alguém caído e portanto não pode agradar a Deus. Assim, “o que é nascido da carne” precisa não apenas de nascer de novo e começar de novo; precisa que uma natureza nova e diferente lhe seja concedida; uma vida completamente nova, gerada do Espírito Santo. Esta nova vida é independente e distinta daquela que foi gerada com o nascimento natural; na verdade, é-lhe contrária. O conflito que daqui resulta será abordado num capítulo posterior. Aqui enfatizamos apenas que o novo nascimento fala apenas de um novo começo e não contempla o passado.

O novo nascimento é a contrapartida espiritual do nascimento natural. Não é costume falarmos do passado de um recém-nascido. Como indivíduo, ele não tem passado. Ele mal começou a abrir os seus olhos e olhar à sua volta, sem conseguir focar a sua visão num objecto em particular. Deste modo, o novo nascimento fala do começo de uma nova vida.

Avançando um pouco mais, verificamos que recebemos esta nova vida pela identificação com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição, e que a doutrina da ressurreição com Cristo contempla o passado. Ressurreição pressupõe uma vida anterior e morte. A identidade do indivíduo é preservada em todo o processo. O indivíduo que viveu um determinado tipo de vida, morreu e é agora ressuscitado para viver uma nova vida. Agora, ressurrecto de entre os mortos, ele é a mesma pessoa, mas não é mais o mesmo. Assim o apóstolo Paulo pôde dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20).

É verdade que Efésios 2:1 ensina que estávamos “mortos em ofensas e pecados” antes de termos sido identificados com Cristo na Sua morte, mas isso não muda a situação, porque nessa mesma passagem lemos que “noutro tempo” andámos “segundo o curso deste mundo”… Tal como a viúva descrita em I Timóteo 5, os descrentes vivendo estão mortos, e podem ser vivificados da sua morte em ofensas e pecados apenas pela identificação com Cristo na Sua morte e ressurreição, pela simples razão de que Ele veio para Se identificar connosco na nossa morte para nos trazer com Ele na vida ressurrecta.

A ressurreição do crente com Cristo

Mas como pode alguém identificar-se com Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição? Como pode alguém morrer para a velha vida e ressuscitar para andar em novidade de vida?

A resposta é: pela graça por meio da fé. Aquilo que Cristo fez por nós pela graça, devemos aceitar e apropriar-nos pela fé. Ele, por um acto de infinita graça, identificou-Se connosco, morrendo a nossa morte. Nós, por um acto simples de fé, devemos-nos identificar com Ele, confessando: “Eu sou o pecador. É a minha morte que Ele está a morrer. Aceito a Sua graça e entrego-me a Ele para salvação.” No momento em que isto é feito, tornamo-nos um com o Cristo crucificado, mas vivo para sempre.

É muito importante notar que o Calvário é sempre o ponto de encontro, o local onde a identificação é realizada. Nenhum homem foi feito um com Cristo sem ter sido feito um com Ele na Sua morte. “Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte?” (Romanos 6:3). E é por esta razão que somos sepultados com Cristo, por esse mesmo baptismo, e ressuscitados com Ele para andar em novidade de vida (v. 4).

Que tragédia que a verdade sublime desta passagem tenha sido obscurecida com a injecção nela de um cerimonial de baptismo na água! Como se o baptismo na água pudesse trazer o crente de hoje a alguma relação com Cristo! Como se pudesse verdadeiramente sepultar o velho homem e ajudar-nos a revestirmo-nos do novo! Aqueles que caíram neste erro, pegaram numa cerimónia que nunca se relacionou com sepultamento, mas apenas de lavagens (Actos 22:16, entre outras passagens), e confundiram-na com o nosso verdadeiro baptismo pelo Espírito na morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Não é de admirar que o apóstolo exclame, em relação a este assunto: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua… Estais perfeitos nEle… No Qual também estais circuncidados com a circuncisão… Sepultados com Ele no baptismo, nEle também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos” (Colossenses 2:8-12).

Quão perfeito e maravilhoso é o plano divino! Pela graça, Cristo morreu a nossa morte. Pela fé, reconhecemos que era nossa a morte que Ele morreu e confiamos nisso para sermos salvos. E ali na Cruz tornamo-nos um. A resposta que a fé dá à graça uniu-nos de forma eterna e inseparável.

A realidade da nossa ressurreição com Cristo

O aspecto posicional desta verdade é claramente a mais importante. Lemos que o nosso Senhor “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25). Por outras palavras, a Sua morte pagou todo a punição pelos nossos pecados e adquiriu para nós plena justificação. Portanto, Ele ressuscitou dos mortos. E como a Sua morte era nossa (a punição pelos nossos pecados) e nos apropriámos disso pela fé, a justificação e vida ressurrecta também é nossa. Tal como reconhecemos a morte de Cristo como nossa, também Deus nos considera um com Ele, como já tendo morrido pelos pecados e para o pecado e tendo ressuscitado para andarmos em novidade de vida.

Este aspecto posicional da nossa identificação com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição está longe de ser apenas mera teoria. É um facto. É uma realidade vital. A justa condenação do pecado por parte de Deus é real. O sofrimento de Cristo e a sua morte por nós é real. E tivemos de exercer uma fé real na obra consumada de Cristo antes de Deus nos justificar e declarar-nos justos, considerando-nos como já tendo morrido pelos pecados e para o pecado. É com base nesta transacção que o apóstolo argumenta que não temos o direito de permanecer no pecado. Os pecados, que tanta tendência temos para cometer depois de termos sido justificados, pertencem à velha vida e não à nova que temos em Cristo. Portanto não temos o direito de permanecer no pecado. Paulo pergunta: “Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2). E referindo-se ao facto de que Cristo “uma vez morreu para o pecado”, mas “vive para Deus”, continua:

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tão-pouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6:11-14).

Mas as verdades posicionais que temos considerado são apenas parte da doutrina global do nosso baptismo em Cristo, porque embora estas realidades posicionais afectem a nossa experiência quando nos apropriamos delas pela fé, o nosso baptismo em Cristo é um assunto muito prático.

Quando o pecador reconhece a morte de Cristo como sua e confia em Cristo para salvação, não só ele recebe uma posição perante Deus como tendo sido crucificado, sepultado e ressuscitado com Cristo, mas também o Espírito sela a transacção, unindo-o numa relação viva com Cristo. Assim, o crente torna-se de facto participante da Vida ressurrecta de Cristo. Está aqui em consideração mais do que a justificação; há também a necessidade e a transmissão de vida, e esta vida, embora espiritual na sua natureza, não é por isso menos real.

Não foi a morte de Cristo real? Não foi a Sua morte realmente a nossa morte? Tão real é então a nossa vida ressurrecta! Em primeiro lugar, quando aceitamos a morte de Cristo como nossa e somos identificados com Ele, morremos de facto para a velha vida, no sentido em que não podemos mais voltar à condição de perdidos. Esse estado é para sempre passado. Além disso, agora tornamo-nos participantes da vida ressurrecta de Cristo, a qual não podemos perder (Romanos 6:9), visto que é a Sua vida. Tal como o Pai nos ressuscitou dos mortos do ponto de vista posicional, também o Espírito nos ressuscitou espiritualmente, no sentido em que de facto Ele nos transmitiu vida espiritual. Agora, é connosco apropriarmo-nos e desfrutarmos da plenitude dessa vida pela fé.

Em Romanos 8:2, Paulo fala desta transmissão de vida pelo Espírito como uma lei que opera em cada crente: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.”

E então o apóstolo continua a mostrar que aquilo que a lei de Moisés “não podia fazer” por causa do carácter “da carne”, Deus enviou o Seu próprio Filho para cumprir: “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:4).

Assim, para além da razão moral pela qual não devemos permanecer no pecado, há também uma razão muito prática: a nova vida que o Espírito gerou dentro de nós. É isto que o apóstolo enfatiza em Romanos 8:11-12, quando diz:

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita. De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne.”

Alguns supõe que esta passagem se refere à futura ressurreição dos mortos, mas convém notar que o Espírito que em nós habita vivifica os nossos corpos mortais (e não mortos). Assim, somos devedores, não ao pecado, mas a Deus. Não nos podemos desculpar com expressões como “Afinal, ainda sou humano”, ou “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”, porque temos o Espírito Santo em nós para fortalecer os nossos corpos mortais e ajudar-nos a andar em novidade de vida. No entanto, os aspectos posicionais e práticos da nossa ressurreição com Cristo estão intimamente ligados. Efésios 2:4-6 parece referir-se a ambos:

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.”

Assim, a posição do crente em Cristo é já no Céu, e pela fé e pelo poder do Espírito, ele pode ocupar essa posição e gozar na prática essas bênçãos. É por isso que Paulo abre a epístola aos Efésios com estas palavras de louvor:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3).

E é por isso que ele desafia os Colossenses:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à dextra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:1-3).

(por Cornelius R. Stam)

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