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Verdadeira Espiritualidade – Capítulo 4 Dezembro 11, 2013

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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A nova criação

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura [criação] é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17).

Tudo se fez novo

A estima pela verdade contida nesta passagem será uma das maiores ajudas possíveis para o crente que deseja viver uma vida verdadeiramente espiritual.

Considerámos até agora o nascimento e a ressurreição para descrever a transmissão de vida aos crentes pelo Espírito, mas mesmo estes dois conceitos não conseguem descrever a verdade de forma plena. Um terceiro conceito, o da criação, deve ser acrescentado de forma a completar a descrição.

Tal como com o novo nascimento e a ressurreição, o termo criação também é usado com mais do que um sentido. É usado, por exemplo, em relação aos novos céus e à nova terra (Isaías 65:17). Há também um sentido geral, no qual o salvo, em qualquer época, pode ser considerado nova criação, e ainda um sentido mais particular em que o futuro Israel remido é chamado nova criação (Salmos 102:16-18; Isaías 65:18); mas como com os outros dois termos considerados anteriormente, é dado a este termo um significado único na grande revelação dada a Paulo relativamente a Cristo e os membros do Seu Corpo. De facto, é apenas Paulo que, pelo Espírito, usa a expressão exacta “nova criatura”, e exclusivamente em relação a este assunto.

A nova criação é o Corpo de Cristo

A versão que costumamos utilizar, Almeida Revista e Corrigida, não traduz, na nossa opinião, da melhor forma esta passagem de II Coríntios 5:17. A ideia desta passagem não é apenas de que os crentes em Cristo se tornaram individualmente novas criaturas (embora isso também seja verdade), mas que eles agora pertencem a uma gloriosa e nova criação que Deus trouxe à existência em Cristo. Da mesma forma, a segunda parte do versículo não significa apenas que os velhos hábitos pecaminosos “passaram” na vida do crente em particular, para serem substituídos pelo novo modo de viver (embora isto possa, ou deva, ser verdade), mas que com a formação da nova criação uma ordem (ou programa) completamente nova foi introduzida.

Fica claro que este é o significado correcto desta passagem quando temos em conta as observações de Paulo em relação à nova criação, e também o contexto de II Coríntios 5, em particular o versículo anterior:

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já O não conhecemos desse modo” (v. 16).

Toda a passagem de II Coríntios 5 tem que ver com conhecermos Cristo daqui por diante de uma forma nova e diferente, não mais segundo a carne, mas como Cabeça de uma nova criação, e com conhecer os homens, não mais segundo a carne, mas como pertencendo ou à velha criação ou à nova criação em Cristo.

A epístola aos Efésios tem muito a dizer sobre esta importante verdade. Depois de nos lembrar, em Efésios 2:11-12, que como gentios éramos estranhos para com Deus e o Seu povo de concerto, ele continua, dizendo:

“Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque Ele é a nossa paz, O qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio… para criar em Si Mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Efésios 2:13-15).

No terceiro capítulo, o apóstolo, proclamando a revelação que “noutros tempos não foi manifestada”, afirma que agora os crentes gentios…

“… são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” (Efésios 3:6).

Esta “nova criação”, este “novo homem”, este “mesmo corpo”, formado de judeus e gentios feitos um em Cristo, é chamado “o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:23).

A nova criação, contrapartida da velha

A nova criação de Deus em Cristo é a contrapartida da criação do Adão de Génesis 5:2. Antes de Deus dar a mulher ao homem, o seu nome foi Adão (Génesis 2:18-20). Depois Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, tomou uma das suas costelas, formou dela uma mulher e deu-a de volta ao homem para serem “ambos uma carne”. “Macho e fêmea os criou, e os abençoou; e chamou o seu nome Adão” (Génesis 5:2).

Da mesma forma, a Igreja que é o Corpo de Cristo foi formada através da Sua morte e tomada do seu lado ferido, por assim dizer, para ser feita uma com Ele na sua vida ressurrecta. E, como aconteceu com Eva, foi-nos dado o Seu Nome. Falando dos membros do Corpo de Cristo, o apóstolo diz:

“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros… assim é Cristo também” (I Coríntios 12:12).

Relembremos que a “nova criação”, o “novo homem”, é a contrapartida do Adão de Génesis 5:2. Cristo não foi criado como Adão foi, porque lemos em I Coríntios 14:45,47:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante … O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do Céu.”

O seu início na História

Quando o falhanço total tanto de judeus como gentios se tornou evidente, Deus encerrou a ambos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11:32):

“E, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Efésios 2:16).

Assim, a nova criação, o corpo de Cristo, teve um começo definido na história humana. Historicamente, teve início com a queda de Israel e com a dispensação da graça de Deus através de Paulo.

As “coisas velhas” que “passaram” nessa altura (II Coríntios 5:17) eram as condições e requisitos da Velha Aliança. Tão completamente “passaram” estas “velhas coisas” da “Velha Aliança”, que Deus toma o requisito mais básico de todos, a circuncisão, e diz sobre ela:

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gálatas 6:15).

Deus não diz mais: “SE diligentemente ouvirdes a Minha voz… ENTÃO sereis a minha propriedade…” (Êxodo 19:5). “Tudo se fez novo” (versículo 17) e nesta nova ordem “tudo provém de Deus [i], que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo” (versículo 18). Connosco não há o condicional “se”. A nós, como membros do “Corpo de Cristo”, é garantido que somos o tesouro do coração de Deus porque fomos feitos um com Cristo, o Seu filho amado (Efésios 1:6). Logo que cremos, é-nos dada a posição de filhos adultos (Gálatas 4:1-7; Efésios 1:5-6) baseada na graça e não na lei (Romanos 6:14; Gálatas 3:23-25, 4:6-7). Esta é uma verdade que a figura do novo nascimento não transmite.

A sua origem nos propósitos de Deus

Embora a nova criação tenha começado na história humana com a queda de Israel e com a dispensação da graça de Deus através de Paulo, ela foi planeada por Deus muito antes disso.

Como vimos, a doutrina do novo nascimento contempla apenas um novo começo. A doutrina da nossa ressurreição com Cristo vai mais longe incluindo tanto o estado passado não regenerado do indivíduo como a nova vida que recebe quando crê, visto que ressurreição pressupõe uma vida anterior e morte. Mas a doutrina da nova criação com Cristo vai ainda mais longe do que o nosso passado não regenerado, mais longe do que a criação de Adão, mais longe do que a criação do velho universo arruinado pela pecado, até ao propósito eterno de Deus.

Foi na eternidade passada que Deus decidiu que quando o pecado dos filhos de Adão tivesse atingido o seu auge, quando Israel se tivesse juntado aos gentios em rebelião e ambos se colocassem “contra o Senhor e contra o Seu Ungido”, Ele formaria uma nova criação de judeus e gentios reconciliados, unidos entre si e com Cristo, o Segundo Homem, o Último Adão. É claramente ensinado nas epístolas de Paulo que este era o Seu propósito eterno, como veremos adiante.

A nova criação e a conduta cristã

O propósito eterno de Deus na nova criação era, entre outras coisas, que os pecadores, criados à imagem do Adão caído, possam ser conforme à imagem de Cristo, o impecável Filho de Deus; para que eles pudessem produzir boas obras em vez de más e viver para a glória da Sua graça. A concretização deste propósito será consumado, é claro, depois de esta vida terminar, mas é evidente destas passagens que abordam esse assunto que Deus quer que entremos na alegria e poder da nossa união com Cristo agora pela fé. Isso pode ser visto nas seguintes passagens:

“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho…” (Romanos 8:29).

“Como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor [ii], e nos predestinou para filhos de adopção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade (Efésios 1:4-5).

“Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10).

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a Si Mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:25-27).

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:22-24).

“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem dAquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3:9-11).

Talvez o leitor já tenha reparado que os crentes “vestiram” o novo homem e são exortados a afastarem-se do mal à luz deste facto. Deus quer que vistamos o novo homem experimentalmente, à luz do facto de que posicionalmente já o vestimos pela fé em Cristo. Note-se que na última passagem citada, a nossa posição no corpo é inquestionável, porque lemos: “onde não há grego nem judeu”.

A nova criação e o Espírito Santo

Quão útil deveria ser o conhecimento destas coisas na vida daqueles que desejam verdadeiramente viver para agradar a Deus! Pensar que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo! Pensar que Deus nos aceita inteiramente no Seu Filho amado! Pensar que Ele já nos uniu eternamente com Cristo! Pensar que a nossa unidade com Cristo nos fez também um uns com os outros! Pensar que Deus nos deu um lugar à Sua mão direita em Cristo, uma posição que podemos ocupar agora pela fé! Pensar que ele lida connosco como sendo filhos adultos, na base da graça e não da lei! Pensar que Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo, das quais nos podemos apropriar agora pela fé! O que poderia ser maior incentivo para “andarmos dignos da vocação com que fomos chamados” do que o conhecimento destas coisas?

Não se pretende aqui dizer que o mero conhecimento intelectual destes factos nos proporcionará maior ajuda para viver vidas verdadeiramente espirituais do que o mero conhecimento intelectual nos pode salvar. Tem de ser um conhecimento baseado na fé na Palavra de Deus, trabalhada pelo Espírito, que escreveu a palavra.

Para começar, não devemos esquecer que o Corpo de Cristo, a nova criação, é formada por judeus e gentios pela obra do Espírito:

“Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos” (I Coríntios 12:13).

Além disso, podemos compreender e desfrutar das gloriosas verdades da nossa posição em Cristo apenas pela fé, quando o Espírito abre os nossos olhos para compreender as Escrituras. É por isso que o apóstolo ora fervorosamente:

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação e quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos e qual a sobreexcelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder” (Efésios 1:17-19).

Certamente que o apóstolo fala aqui de saber estas coisas experimentalmente, não apenas intelectualmente. Deste modo, devemos olhar sempre para Deus como Quem pode tornar estas verdades reais para nós através do Seu Espírito, para que o conhecimento da fé possa tornar-se no conhecimento de bendita experiência.

(por Cornelius R. Stam)

[i] Na sua essência, “todas as coisas” necessárias para a salvação sempre foram “de Deus”, mas isso ainda não havia sido revelado. Sob a Velha Aliança e até Paulo, o homem sempre foi instruído a fazer algo para achar o favor de Deus. Agora, Deus diz que Ele mesmo realizou tudo o que é necessário e oferece a salvação “àquele que não pratica, mas crê” (Romanos 4:5).

[ii] A expressão “em amor” pertence, muito provavelmente, ao versículo seguinte. Não existe pontuação no original que determine isso.

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