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A Importância da Igreja Local Dezembro 13, 2013

Posted by David Costa in Estudos.
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Nos dias de hoje, muitos parecem procurar a Igreja perfeita. Um dia, certo homem foi ter com Charles Spurgeon, dizendo que procurava a Igreja perfeita. Este respondeu-lhe que na sua congregação havia muitos que pareciam santos, mas poderia estar um “Judas” entre eles. Afinal, até Jesus teve um traidor entre os Seus apóstolos. E continuou, dizendo que alguns poderiam estar a andar em desobediência, como foi o caso dos crentes de Roma, Corinto e Galácia. Spurgeon concluiu: “A minha Igreja não é a que procura. Mas se encontrar essa Igreja perfeita, peço-lhe que não se associe a ela, pois certamente a corromperá.”

Antes de chegar à glória, a Igreja local nunca será perfeita, simplesmente porque a desobediência e a carnalidade sempre conviverão com a graça e com o amor. Quando se assiste a um encontro onde lados opostos estão numa discussão acalorada sobre um assunto espinhoso, dá vontade de sair mais cedo para evitar o envolvimento na confusão. Assistir a este tipo de encontros não é para tímidos. Faz-nos lembrar o velho ditado: “Viver no Céu com os santos que amamos, será certamente glorioso. Mas viver na terra com os santos que conhecemos, isso já é outra história.” É interessante que este ditado foca o centro do problema. De facto, é por isso que a igreja local é tão essencial para os planos e propósitos Deus, como veremos.

A Igreja

“E sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:22-23).

“À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que, em todo o lugar, invocam o nome do nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (I Coríntios 1:2).

A palavra “Igreja” ou “assembleia” (do grego “ecclesia”) é um termo muito geral que define um grupo de homens e mulheres “chamados para algo”. Pode referir-se a um conjunto de incrédulos como os de Éfeso, sobre os quais lemos em Actos 19:38-41, ou também a um grupo de crentes no Senhor Jesus Cristo (I Tessalonicenses 1:1). O contexto determinará de que tipo de “Igreja” estamos a falar, sejam os Israelitas no deserto (Actos 7:38) ou a Igreja do Reino (Mateus 16:18). Neste estudo em particular, iremos restringir este conceito à Igreja desta presente dispensação, a Igreja Corpo de Cristo (Colossenses 1:18).

A Igreja, o Corpo de Cristo é uma nova criação formada por Judeus e Gentios que colocaram a sua fé na morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não interessa que tipo de raça somos, a denominação a que pertencemos, ou o estatuto social que temos; se tivermos confiado em Jesus Cristo como nosso Salvador pessoal, então somos membros deste místico Corpo de Cristo. Esta é a verdadeira Igreja! É importante clarificar que cada membro desta Igreja, que é o Seu Corpo, é verdadeiramente salvo, o que não é necessariamente verdade com os membros de uma Igreja local. A salvação é resultado de um encontro pessoal com Cristo, e não uma consequência de ter o nosso nome na lista de membros de uma assembleia local.

“E na Igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Niger, e Lúcio, cireneu, e Manaén, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a que os tenho chamado. E então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as suas mãos, os despediram” (Actos 13:1-3).

No princípio desta presente dispensação, Antioquia (da Síria) tornou-se a sede da Igreja dos Gentios. O que a cidade de Jerusalém era para os santos do reino, assim Antioquia era para os do Corpo de Cristo. Foi desta assembleia local em Antioquia que o Espírito Santo enviou o Apóstolo Paulo nas suas três primeiras viagens missionárias. Claro que foi o Senhor da glória que chamou o Apóstolo Paulo anos antes (Actos 26:16; Gálatas 1:1), mas foi o Espírito Santo que instruiu os santos de Antioquia a enviar Paulo nas suas viagens missionárias, as quais na realidade foram apostólicas na sua natureza. O Apóstolo Paulo foi o primeiro a apresentar o Evangelho da graça de Deus ao mundo conhecido de então.

O ministério apostólico de Paulo tinha três vertentes: Ele evangelizava os perdidos, procurando trazê- -los a Cristo, passava a revelação do Mistério aos que recebiam o Evangelho e levava a cabo um ministério contínuo de estabelecimento de Igrejas locais. No final da sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé voltaram às cidades de Listra, Icónio e Antioquia da Pisídia onde tinham pregado o Evangelho. É importante notar o porquê do regresso a estas cidades. De acordo com alguns relatos, voltaram as estas com objectivo de designar anciãos para estas mesmas Igrejas que tinham sido anteriormente estabelecidas.

Depois de isto ser feito, eles oraram com os santos dessas mesmas igrejas e “os encomendaram ao Senhor, em Quem haviam crido” (Acts 14:21-23). O estabelecimento de Igrejas, pertencente ao ministério de para o qual Paulo foi chamado pelo Espírito Santo, é uma clara indicação para nós de que a Igreja foi ordenada por Deus. É o veículo através do qual Deus dá a conhecer as riquezas da Sua graça. Tudo o que é feito na obra do Senhor é ou deveria ser directa ou indirectamente relacionada com a igreja local.

A igreja local é um grupo (grande ou pequeno) de homens e mulheres crentes em Cristo que se reúne num local específico sob o ministério dos anciãos, os quais providenciam liderança espiritual nas coisas do Senhor. Nos nossos dias, a superestrutura denominacional que vemos ao nosso redor, com a sua hierarquia e tradições, é apenas um monumento aos caminhos ambiciosos do homem. Embora estas coisas possam apelar à carne, não fazem parte do plano original para o Corpo de Cristo. De acordo com as Escrituras, quando o Apóstolo Paulo estabeleceu igrejas em Tessalónica, Corinto, Éfeso, e Filipos, todas essas assembleias eram independentes e autónomas (Filipenses 1:1). E isto era por boa razão: se uma destas assembleias se afastasse da fé, isso não deveria afectar as outras assembleias, uma vez que não estavam sujeitas a qualquer hierarquia.

Apesar do número de membros nas Igrejas em Corinto e Éfeso ser elevado, muitas das assembleias às quais Paulo ministrava eram relativamente pequenas. Frequentemente nas suas epístolas lemos sobre uma Igreja em casa de uma determinada pessoa. Um bom exemplo é Ninfa: “Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia, e Ninfa e à Igreja que está em sua casa” (Colossenses 4:15). Quer o trabalho fosse pequeno ou grande, é interessante notar que cada assembleia que Paulo estabeleceu ou à qual ministrou era naquela altura uma Igreja da dispensação da Graça. Todas elas receberam o ensino de Jesus Cristo de acordo com a revelação do Mistério e inicialmente cada uma delas se empenhou em permanecer no Evangelho revelado ao apóstolo Paulo (Romanos 16:25).

O propósito da igreja local

É essencial que aqueles com posições de responsabilidade na liderança e no ministério da Palavra sigam o exemplo de Paulo no seu ministério. Ele mesmo nos exorta:

“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco” (Filipenses 4:9).

O que “aprendemos” nós de Paulo? Se estudarmos cuidadosamente as três viagens missionárias, descobrimos que a proclamação da Palavra de Deus por Paulo tem as bases tanto para o estabelecimento como para o crescimento da Igreja local. Onde quer que Paulo fosse, ele apresentava as Escrituras, e as pessoas recebiam-na de bom agrado e com corações agradecidos. Sobre este assunto, deixamos que a Bíblia fale por si mesma:

Primeira viagem missionária. Antioquia de Pisídia: “E, no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus” (Actos 13:44); Icónio: “Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à sua palavra da Sua graça, permitindo que, por suas mãos, se fizessem sinais e prodígios” (Actos 14:3); Listra e Derbe: “ E ali pregavam o Evangelho” (Actos 14:7).

Segunda viagem missionária. Tessalónica: “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e, por três sábados, disputou com eles sobre as Escrituras. E expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo” (Actos 17:2-3); Corinto: “E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Actos 18:11).

Terceira viagem missionária. Éfeso: “E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira, que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra de Senhor Jesus, assim judeus como gregos” (Actos 19:19); Troas: “E, no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia-noite” (Actos 20:7).

Nos dias de hoje, a sã pregação da Palavra de Deus foi substituída, em muitas assembleias por reuniões de louvor e por esquemas de marketing, com o objectivo de “construir” uma igreja que todas as pessoas queiram frequentar. Infelizmente algumas Igrejas têm relegado a Palavra de Deus para um plano secundário, preferindo noites musicais, pequenas peças humorísticas, filmes e testemunhos. Este tipo de conceito tem apenas o objectivo de atrair público, com a ideia de “quantos mais, melhor.” Pensam que se oferecerem mais funções sociais e programas inovadores, estarão equipados de forma a ir ao encontro das necessidades da comunidade. É uma meta ambiciosa, mas um conceito errado!

O problema é o seguinte: Se numa cidade uma Igreja anuncia que vai construir um ginásio ou que planeiam ter um culto de adoração contemporânea, com músicos talentosos, provavelmente alguns membros de outras Igrejas de bom agrado responderão a este tipo de anúncio, assistindo, participando ou até mudando para essa Igreja. Não seria a primeira vez que uma assembleia local era abandonada por um punhado de pessoas e deixada com uma grande hipoteca por pagar. Infelizmente, tudo isto é feito em detrimento da Palavra de Deus, a única coisa que vai ao encontro das necessidades das pessoas.

É bem real a tentação para as Igrejas locais seguirem as tendências dos nossos dias, mas será o nosso desejo agradar aos homens ou a Deus? Muitas igrejas locais temem que ao se identificarem com o apóstolo Paulo e ensinar a sua mensagem em toda a sua plenitude poderão chocar e afastar os seus membros.

Há alguns anos, um jovem pastor, antes de me dar a palavra, passou dez minutos a pedir desculpa aos seus ouvintes pelo apostolado de Paulo. Ele sentia que precisamos de lhe dar menos destaque, senão acabaremos por ofender alguns. Certamente a maioria das suas palavras foram ditas com o intuito de me ajudar, mas eles estava a lidar com a pessoa errada. Agradeço a Deus sem cessar por me ter libertado do jugo da tradição e do denominacionalismo e irei dizer a todos os que quiserem ouvir que também eles poderão ser libertados se reconhecerem o evangelho de Paulo.

Amados, Paulo é o porta-voz de Deus para a Igreja de hoje. Portanto, falar com desprezo do apóstolo de Deus é rejeitar o conselho do próprio Deus. As epístolas de Paulo revelam a mente e a vontade de Deus para o Corpo de Cristo nesta dispensação. Devemos pedir desculpas por ensinar esta revelação que nos foi dada através do apóstolo Paulo? Claro que não! Apesar de devermos falar a verdade com amor, por vezes a verdade é ofensiva (Gálatas 5:11, Efésios 4:15). Não ficámos ofendidos quando pela primeira vez nos disseram que éramos pecadores e que merecíamos o inferno? Mas agora estamos agradecidos a Deus por nos terem “ofendido”, porque isso nos fez ver a necessidade da salvação. Devemos ser muito cautelosos para não apagarmos “o escândalo da Cruz de Cristo”, revestindo as nossas palavras com “açúcar” que podem condenar o homem à perdição.

Um dos propósitos da igreja local é providenciar um ambiente onde a Palavra de Deus possa ser recebida com gratidão. A pregação da Palavra deve ser a peça central na nossa adoração ao Deus Todo-Poderoso. A verdadeira adoração começa com Deus a ser glorificado no ensino da Sua Palavra. Em seguida, é realçada com cânticos, hinos, orações e testemunhos pessoais. Para a maior parte das Igrejas de hoje, esta ordem foi invertida, tornando o povo de Deus em “crianças” no conhecimento da Palavra de Deus.

Quando falamos da pregação da Palavra de Deus, não nos estamos a referir a uma mensagem devocional de dez minutos no domingo de manhã, pois pouco proveito isso terá isoladamente! Em vez disso, sempre que nos reunirmos para adorar a Deus, é preferível abrirmos as Escrituras e fazer uma exposição versículo a versículo de um determinado livro, Romanos por exemplo. Acreditamos que esta é a forma mais eficaz e proveitoso de ensinar as Escrituras. É importante recordar, que Paulo argumentou com os seus ouvintes, ensinando-lhes a Palavra da Vida. Seja qual for o formato que utilizemos, ao “pregar a Palavra” o povo de Deus responderá da mesma forma que os de Tessalónica:

“Pelo que, também, damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual, também, opera em vós, os que crestes” (I Tessalonicenses 2:13).
Pelo facto de os santos em Tessalónica terem de bom agrado recebido a Palavra da Sua graça, esta mesma palavra começou a trabalhar no seu interior, alterando a sua forma de vida. Os caminhos e atitudes do mundo que antes eram tão importantes para eles, gradualmente foram substituídos por um forte desejo de “caminhar” de uma forma que honrasse Aquele que os chamou, foram crescendo na graça e tornando-se mais e mais espirituais.

Não admira que o apóstolo diga: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10:25). Se o estimado leitor não frequenta regularmente uma igreja local, gostaríamos de o encorajar a fazer isso pelos seguintes motivos: Primeiro, quando participamos numa Igreja local é-nos dada a oportunidade de louvar a Deus com outros de fé igualmente preciosa. Segundo, a Palavra de Deus vai edificando a nossa fé, permitindo que dia após dia fiquemos mais eficientes no trabalho de Deus. Também ajudará a fortalecer a nossa relação com Cristo. Terceiro, os dons e os talentos que Deus nos deu podem ser usados para Sua honra e Seu louvor. Em quarto lugar, por vezes o mundo é um lugar muito desanimador; portanto, o companheirismo e interacção com outro crentes, será um grande incentivo para cada um de nós.

A Igreja local estável é aquela que é “construída e edificada” sobre a Palavra de Deus, onde o povo Deus sabe de antemão que vai ouvir o ensino são da Palavra e que vai desafiar a sua fé. Uma Igreja com estas características é uma Igreja que produz uma atmosfera familiar, e as famílias permanecem unidas. Quando vemos que uma assembleia está fundada na Palavra de Deus, quando vierem as tempestades de adversidade (e podemos estar certos de que elas virão), os membros da assembleia estarão equipados para enfrentar a tempestade, trazendo glória de Deus.

(por Paul M. Sadler)

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