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Verdadeira Espiritualidade – Capítulo 5 Dezembro 14, 2013

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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As Duas Naturezas do Crente

O velho homem e o novo

O crente que é verdadeiramente espiritual deve reconhecer o facto de que dentro de si existem agora duas naturezas. Para além da natureza decaída de Adão, existe agora a perfeita natureza de Cristo, nascida de Deus através do Espírito Santo.

Tão real é a presença de ambas as naturezas em todo o filho de Deus, que Paulo quando se refere à experiência do crente, os seus pronomes pessoais referem-se por vezes a uma e por outras vezes à outra.

Um bom exemplo de tal situação encontra-se em Romanos 7, onde o apóstolo escreve: “eu sou carnal, vendido sob o pecado” (v. 14), e um pouco mais abaixo escreve “sirvo à lei de Deus” (v. 25). Também escreve no versículo 18: “em mim… não habita bem algum”, e uns versículos depois escreve: “tenho prazer na lei de Deus” (v. 22), referindo-se numas expressões à velha natureza e em outras à nova natureza. Certamente o “eu” que tem prazer na lei de Deus não é o mesmo “eu” que é “carnal, vendido sob o pecado” (v. 14). Mesmo assim, em ambos os casos o apóstolo usa o primeiro pronome pessoal, associando ambas as condições consigo próprio.

De forma a tornar claro de que o apóstolo Paulo se refere a duas naturezas em uma pessoa, ele usa expressões que qualificam de qual natureza ele se refere em determinado momento neste capítulo. No versículo 18 ele escreve: “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”, enquanto que no versículo 22 ele escreve: “porque segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Assim, o “mim” no versículo 18 refere-se à venha natureza, enquanto que o “eu” implícito no versículo 22 refere-se à nova natureza. Na velha natureza não habita bem algum, enquanto que a nova deleita-se na lei de Deus.

A velha natureza no crente

O crente que busca ser verdadeiramente espiritual necessita reconhecer a presença da velha natureza dentro de si. Seria perigoso não reconhecer um perigo tão perto de si.

A velha natureza no crente é aquela que é “nascida da carne”. Também é chamada de “a carne”, “o velho homem”, “o homem natural” e “a mente carnal”.

Tal como “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:8), assim também aquilo que é da carne, no crente, não pode agradar a Deus. “A carne”, como já vimos, é totalmente depravada. Deus chama-a de “carne do pecado” (Romanos 8:3), avisa-nos de que ela busca “ocasião” de fazer o mal (Gálatas 5:13) e declara que todas as “obras da carne” são más (Gálatas 5:19-21).

Também é de notar que a velha natureza no crente não se aperfeiçoa pelo contacto com a nova natureza. Em relação “à carne” no crente, e em si próprio, o apóstolo Paulo declara que nela “não habita bem algum” (Romanos 7:18), que é “carnal, vendida sob o pecado” (Romanos 7:14), que “se corrompe pelas concupiscências do engano” (Efésios 4:22), que “é inimizade contra Deus” e que “não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade, o pode ser” (Romanos 8:7).

“A carne”, que ainda permanece dentro do crente após a sua salvação, é aquela natureza gerada por um progenitor decaído. É a velha natureza adâmica. É pecaminosa em si própria. Não pode ser aperfeiçoada. Não pode ser transformada. O nosso Senhor disse que “o que é nascido da carne é carne” (João 3:6), e é tão impossível aperfeiçoar o “velho homem” no crente, como é impossível o tornar aceitável diante de Deus em primeiro lugar.

“O velho homem” foi condenado e julgado na cruz. O crente nunca é instruído a tentar fazer alguma coisa com a sua velha natureza, ou mesmo a fazer alguma coisa por ela; apenas a “despojar-se” dela.

A velha natureza não é erradicada nesta vida

Alguns crentes, com boas intenções, buscam alcançar a erradicação completa da velha natureza na sua vida. Infelizmente tal não ajuda, mas, pelo contrário, impede o desenvolvimento da verdadeira espiritualidade.

Primeiramente, a doutrina da erradicação longe de tomar uma perspectiva séria do pecado, toma antes uma perspectiva muito superficial dela. Aqueles que a ensinam, pressupõem que se nós nos conseguíssemos livrar dos nossos pecados nos reconheceríamos como perfeitos. No entanto esquecem facilmente que no nosso melhor, todos nós, decaídos pelo pecado de Adão, encontramo-nos permanentemente “destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23) e continuaremos destituídos até o dia em que formos transformados “com Ele”. Assim, “nós, pelo espírito da fé, aguardamos a esperança da justiça” (Gálatas 5:5).

Em relação àqueles que pensam que atingiram a erradicação da velha natureza, a verdade é que outros testificam facilmente de que eles tal não alcançaram. E no geral, aqueles que proclamam estar sem pecado são culpados de um dos maiores pecados: orgulho espiritual.

Sem dúvida a doutrina da erradicação encontra-se em evidente contradição com as Escrituras. A primeira epístola de João declara enfaticamente: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (…) Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (I João 1:8,10).

Paulo também escreve da “lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:23) e persuade a depender constantemente do Espírito Santo para lhe resistir:

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne, para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” (Romanos 8:11-13)

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (…) Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gálatas 5:16,25).

Certamente se a doutrina da erradicação fosse confirmada pelas Escrituras, não haveria razão qualquer para Paulo instruir todos os crentes em como lidar com a velha natureza, usando termos fortes como “considerai-vos”, “não deis lugar”, “despojai-vos” e “mortificai”, etc..

Mas imaginemos por um momento que era possível alcançar a erradicação da carne. Será que tal nos livraria dos nossos outros dois inimigos, o mundo e Satanás? Certamente que não! E havendo nos livrado da natureza decaída de Adão, nós seriamos exactamente como Adão antes da queda, sujeitos a tentações exterior, e como ele, certamente cairíamos. Mas as Escrituras claramente ensinam que todos caíram uma vez em Adão: “… por um homem entrou o pecado no mundo, pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram” (Romanos 5:12).

A nova natureza no crente

Por vezes diz-se que se há algo de bom em qualquer homem é porque foi lá colocado por Deus. E algo bom, a nova e impecável natureza foi na verdade concedida por Deus a todo o crente.

É verdade que enquanto existe dentro de nós “aquele que é gerado da carne”, existe também “aquele que é nascido do Espírito”, e enquanto uma natureza é totalmente depravada e “não pode agradar a Deus”, a outra é absolutamente perfeita e sempre Lhe agrada.

Adão foi originalmente criado à imagem e semelhança de Deus, mas ele caiu em pecado e mais tarde “gerou um filho à sua semelhança” (Génesis 5:3). Não poderia ser de outra forma. O Adão decaído só poderia gerar descendência decaída, pecaminosa, que nem a própria Lei poderia mudar.

“Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito.” (Romanos 8:3-4).

Tal como Adão foi criado à semelhança de Deus, mas caiu, assim Cristo foi feito na semelhança da carne pecaminosa, para nos redimir da queda, pela graça, através da operação do Espírito, uma nova criação foi gerada, o “novo (homem) que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10), um “novo homem, que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

João, na sua primeira epístola, que não vai tão longe ao descrever a nova criação, não deixa de referir-se à nova natureza no crente quando escreve:

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (I João 3:9)

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (I João 5:18)

É evidente que “aquele” nesta passagem não se refere ao indivíduo em si, mas àquela parte no indivíduo que Paulo chama de “o novo homem”, pois já vimos que João, nesta mesma epístola, declara que “se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos (…) fazemo-lo (Deus) mentiroso”. É a nova natureza no crente que não pode pecar, pois foi esta natureza, e não a velha, que foi nascida de Deus.

Assim, para além da natureza decaída de Adão que possuímos, pela fé, fomos também tornados “participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Este é o “homem interior” de que Paulo fala em Efésios 3:16. E este “homem interior” deleita-se em fazer a vontade de Deus (Romanos 7:22).

Agradeçamos a Deus que a velha natureza está debaixo da condenação da morte, pois judicialmente Deus já tratou com ela. Ela foi crucificada com Cristo. Mas na prática, o seu fim só chegará quando “a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer” (2 Coríntios 5:1), quando formos “transformados” (1 Coríntios 15:52) e “arrebatados… a encontrar o Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4:17), mas a nova natureza, a que foi nascida de Deus, nunca morrerá. Em primeiro lugar, não está debaixo da condenação do pecado. Em segundo lugar, aquele que é gerado “não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pedro 1:23).

Paulo, segundo o Espírito Santo, dá uma ênfase especial a este facto, já que ele afecta os crentes nesta presente dispensação, não só porque fomos “gerados” do Espírito e nos foi dada a vida ressurrecta de Cristo, mas porque pertencemos também agora a uma “nova criação” (2 Coríntios 5:17; Efésios 2:10), a qual Deus irá glorificar “nos séculos vindouros” de forma a revelar “as abundantes riquezas da sua graça” (Efésios 2:7).

Desta forma abrimos caminho para agora considerarmos o conflito entre a velha e a nova natureza, e os meios à disposição para vencer a velha.

O conflito entre a velha e a nova natureza

As epístolas de Paulo falam muito do conflito que continuamente existe dentro do crente, entre a velha e a nova natureza. Deus tem um propósito gracioso em permitir tal conflito e este tem as suas verdadeiras vantagens para o crente. Também é verdade que provisão ampla foi feita para a nossa vitória espiritual em qualquer situação, mas antes de considerarmos tal, tratemos primeiramente com o facto do conflito em si.

No tocante a este conflito, o apóstolo Paulo escreve, por inspiração: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gálatas 5:17).

Sobre este conflito no sua experiência pessoal, ele escreve:

“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. (…) Porque segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha com a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:19,22-23).

Alguns ensinam que não necessitamos de viver esta luta contínua entre a velha e a nova natureza. Eles dizem: “sai do capítulo 7 de Romanos e vem para o 8”. A tais recordaríamos que o Apóstolo Paulo escreveu o capítulo 7 e 8 de Romanos na mesma ocasião, e na carta original nem interrupção existe, nem mesmo a divisão dos capítulos. Assim, o apóstolo que exclama “portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1), escreve na mesma carta, somente umas frases antes, “a lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:23), e livremente reconhece a operação presente de tal lei nos seus membros, como vimos antes. Como é que então podemos sair do capítulo 7 e ir para o 8? Paulo experimentou ambos ao mesmo tempo, e nós também, pois apesar de estarmos livres da condenação do pecado, o pecado continua mesmo assim a operar dentro de nós.

É verdade certamente que não há esforço ou sacrifício que possa melhorar a nossa natureza adâmica. Mas não é verdade que não devia existir luta entre as duas naturezas. De outra forma, as exortações a não darmos lugar à velha natureza, mas a nos despirmos das obras do velho homem, e mortificar, a dar como mortas, as nossas inclinações terrenas, não fariam qualquer sentido.

É um facto simples de que o conflito descrito em Romanos 7 é sentido na vida de todo o crente. Aqueles que afirmam que devemos sair de Romanos 7, que tentem provar o contrário. Se já chegaram a uma posição que conseguem consistentemente fazer as coisas que devem, onde a “lei do pecado” já não opera mais nos seus membros; se na sua experiência foram libertos do domínio da velha natureza; se até este dia não reconheceram na sua experiência que “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” e se não precisam de gritar como Paulo: “miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”; se eles não precisam de esperar com Paulo “pelo espírito da fé, aguardamos a esperança da justiça” (pessoal, perfeita); devem então juntar-se àqueles que ensinam perfeição sem pecado e erradicação da velha natureza. Se para tal não estão prontos, precisam de reconhecer as verdades claras de Gálatas 5:17 e Romanos 7:22-23.

Se perguntarem-nos se devemo-nos considerar culpados de não podermos fazer as coisas que queremos, responderemos que Gálatas 5:17 não foi escrito para ensinar-nos acerca da nossa incapacidade, mas antes revelar-nos a nossa depravação completa. O Espírito está sempre presente e pronto a conceder a ajuda necessária, mas somos tão inerentemente maus por natureza, que nunca conseguimos consistentemente fazer as coisas que devemos. Certamente a carne luta constantemente, numa guerra sem tréguas, prevenindo-nos de fazer as coisas que devemos.

É verdade que o crente foi “libertado do pecado” pela graça (Romanos 6:14,18), e assim ele não precisa, ou melhor, não deveria, entregar-se ao pecado em nenhuma situação (Romanos 6:12-13). Também é verdade que o crente está livre da “lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2), pois Cristo tomou sobre si a nossa condenação na cruz. Mas nenhum crente está livre da presença do que Paulo chama “a lei do pecado, que está nos meus membros”, isto é, a velha natureza, a nossa tendência natural de fazer o mal. Nem ele se encontra livre do conflito entre a velha e a nova natureza.

Se queremos ser verdadeiramente espirituais, e lidar de acordo com as Escrituras com o pecado que vive em nós, precisamos reconhecer a sua presença. Precisamos enfrentar o facto de que já não estamos “em pecado”, mas o pecado continua em nós, e que apesar de Deus ver como morto “o velho homem”, que morreu juntamente com Cristo, ele continua vivo e activo no tocante à nossa experiência no presente.

As bênçãos do conflito

Este conflito não nos deve desencorajar, porque ele é um dos sinais certos de verdadeira salvação. Tal conflito é desconhecido para o descrente, e somente a presença adicional da nova natureza, juntamente com a velha, causa este conflito, pois são contrárias uma à outra.

Se não experimentamos tal conflito totalmente, poderá apenas significar que não fomos salvos, pois as duas naturezas são tão incompatíveis, e vivendo ambas dentro de nós, que é inevitável que o conflito não rompa. Se pouco reconhecemos este conflito dentre de nós, só pode significar que a velha natureza, nas várias formas subtis e enganosas, atingiu o controlo pleno de nós. Quando a nova natureza se manifesta dentre de nós, como deve, a velha natureza certamente entra em guerra contra a nova de forma mais feroz.

Mas não só é o conflito sinal seguro de salvação, como cria também dentro de nós uma sensibilidade para com a nossa corrupção interior e a graça infinita de um Deus santo em nos salvar e em ministrar diariamente para connosco nos ajudando a conquistar o pecado. Assim também temos oportunidade de proclamar o evangelho da graça de Deus aos perdidos de uma forma mais compreensiva, já que possuímos a mesma que natureza que os perdidos.

Poder para vencer

Consideremos agora os meios que Deus providenciou para nos ajudar a vencer o pecado e viver vidas espirituais normais.

Mediante o que já referimos, é evidente que o Espirito Santo não toma possessão completa de nós no momento em que nos salva, e assim não nos força de forma sobrenatural a viver vidas que agradem a Deus. Pelo contrário, assim como é com a salvação, também o é com a vida cristã. Ele opera no crente “pela graça, mediante a fé”. Ajuda capaz e poderosa para vencer o pecado é-nos livremente oferecida gratuitamente, mas esta ajuda tem de ser apropriada pela fé em cada situação individual. Não existe provisão para uma vitória contínua e automática por todas as batalhas da nossa vida. Precisamos de olhar para Ele em fé e buscar a ajuda que precisamos, em cada batalha separadamente.

Assim compreendemos que as Escrituras nos ensinam que no tocante à vitória sobre o pecado, esta não se revela em que nos é impossível pecar, mas antes de que em qualquer situação é nos possível não pecar. A verdadeira questão em tempos de tentação é se verdadeiramente desejamos a vencer, pois o livramento é concedido gratuitamente, se o apropriarmos pela fé.

Mas como é que o livramento é providenciado? A resposta é: Pelo Espírito Santo.

O crente não necessita de continuar escravizado pelo pecado, pois o Espirito Santo que habita no seu interior, assim como Ele concedeu vida no momento da salvação, assim também concede a força para resistir ao pecado. Quando somos tentados e mesmo incapazes de orar como devemos, “o Espírito ajuda na nossas fraquezas” e “intercede por nós, com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26). Quando em franqueza e aflição, nós somos “corroborados, com poder, pelo Seu Espírito, no homem interior” (Efésios 3:16).

Na verdade, o Espírito até nos fortalece fisicamente para resistirmos ao pecado, como lemos: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Romanos 8:11)

Não devemos confundir tal com curas miraculosas. Somente se refere ao fortalecimento contra a tentação. Assim escreve o apóstolo: “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne, para viver segundo a carne.” (Romanos 8:12)

Somos então devedores para com o Espírito que habita em nós, e não para com a carne. Com o Espírito tão perto para nos ajudar, não há justificação para nos queixarmos acerca das nossas fraquezas, ou desculpa para os nossos pecados com base em que “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” ou “sou meramente humano”.

O Espírito usa um meio em particular, acima de qualquer outro para nos fortalecer contra a tentação: a Sua Palavra. Nela nós aprendemos o que Deus fez com a velha natureza e qual é a nossa posição em Cristo. É-nos necessário compreender tais factos e os apreciar, se quisermos aprender a lidar com a velha natureza e gozarmos da nossa posição em Cristo.

Em primeiro lugar Deus considera a nossa velha natureza como tendo morrido, com Cristo no Calvário. Nunca deveríamos cessar de agradecer a Deus por isto, pois no que diz respeito ao nosso relacionamento com Ele (e isto é o mais importante) a questão do pecado já foi resolvida. Mas tal implica que a velha natureza não possui mais o direito de viver ou se manifestar em nós. Desta forma Paulo argumenta: “Ou não sabeis que, todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?” (Romanos 6:3), e “Assim, também, vós, considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6:11).

Mas há mais! Não somente o “velho homem” morreu juntamente com Cristo na cruz, mas também um “novo homem” emergiu juntamente com Cristo da sepultura.

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:4-6)

“Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, em Cristo.” (Efésios 1:3).

Necessitamos tomar tal como verdade, e apropriarmo-nos de tal pela fé, com Paulo escreve:
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à dextra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus.” (Colosseses 3:1-3)

Assim temos motivação em viver de forma que agrade a Deus, já que a nossa velha natureza se encontra posicionalmente morta e possuímos agora uma nova natureza, tal como lemos em Romanos 6:

“Assim, também, vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado, no vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências. Nem tão-pouco apresenteis os vossos membros ao pecado, por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos de entre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:11-13)

Paulo escreve mais sobre a nossa posição em Cristo noutras epístolas, e também demonstra que não há nada que nos possa ajudar a viver de forma agradável a Deus, para além da compreensão e apreciação da nossa posição e bênçãos celestiais em Cristo. É quando nos ocupamos com estas “coisas do Espírito” que damos connosco a “caminhar no Espírito” e “andai no Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gálatas 5:16). Certamente enquanto andamos no Espírito iremos produzir “o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23).

Muito melhor é ter as nossas vidas transformadas por ocuparmo-nos com Cristo (2 Corintios 3:18), com a nossa posição e bênçãos nos lugares celestiais com Ele (Colossenses 3:1-3), do que embarcar na tarefa inútil de tentar melhorar a nossa velha natureza. Sempre ocupado com introspecção, sempre ocupado com a carne!

Resumindo, a nossa responsabilidade para com o “velho homem” é: considera-o verdadeiramente morto; não tentes o melhorar (Romanos 6:11; Gálatas 2:20; Colossenses 3:3); não faças provisão para ele (Romanos 13:14); “despoja-te” dela na prática, já que dele fomos despidos posicionalmente (Efésios 4:22; Colossenses 3:8-9). A nossa responsabilidade para com o novo homem é: “considerai-vos vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:11); “apresentai-vos a Deus, como vivos de entre os mortos” (Romanos 6:8); alimenta o novo homem (Colossenses 3:16; 1 Pedro 2:2); “andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4); veste o novo homem, na prática, já que dele foste vestido posicionalmente (Efésios 4:24; Colossenses 3:10); “buscai as coisas que são de cima” (Colossenses 3:1). Ocupa-te constantemente com as coisas de Deus, com aquilo que Ele fez por ti em Cristo, com aquilo que Ele fez em ti em Cristo, e com aquilo que Ele te deu em Cristo.

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne”. (Gálatas 5:16).

(por Cornelius R. Stam)

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