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O Apóstolo Paulo e os Filhos de Adão Dezembro 17, 2013

Posted by David Costa in Estudos, Salvação.
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O primeiro recém-nascido no mundo

Em Génesis 4:1 podemos ler que quando a primeira criança nasceu neste mundo Eva exclamou: “Alcancei do Senhor um varão!”, e o menino foi chamado de Caim, que significa aquisição, proveito ou conquista.

Alguns estudos hebraicos levam a crer que Eva na realidade afirmou: “Alcancei um varão – Jeová!” No entanto, apesar de não termos uma certeza absoluta disso, nos parece evidente que Eva tinha concluído que tinha acabado de dar à luz a semente prometida em Génesis 3:15.

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:15)

É possível que Eva tenha pensado que Caim seria o Senhor Jesus Cristo. Com um amoroso orgulho e enquanto olhava para este seu filho, ela, sem dúvida, disse para si mesma: “Um segundo Adão! A semente prometida! E de que forma bela foi enviado! Um homem de Deus nos meus próprios braços!”

Neste momento Eva seria de sangue frio e com coração de pedra se não lhe tivesse ocorrido tal pensamento. No entanto, ela estava totalmente errada, pois este seu filho Caim não era o Senhor Jesus Cristo. Pelo contrário, ele “era do maligno”, e muito em breve ele iria crescer e as suas obras seriam conhecidas: “Porque as suas obras eram más” (1 João 3:12).

Caim e Abel

Se tal é verdade ou não, Génesis 4:14 faz-nos pensar que os filhos de Adão já eram em grande número quando Caim foi expulso da presença de Deus. Está bem claro de que o registro nas Escrituras lidou apenas com Caim e Abel até ao nascimento de Seth, o qual ocupou o lugar de Abel.

“E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela deu à luz um filho, e chamou o seu nome Seth; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.” (Génesis 4:25)

Voltemos, agora então a Caim e a Abel, os primogênitos do mundo. Nos primórdios da história não havia distinções raciais, não havia judeu ou gentio, nem preto nem branco, apenas dois filhos de um único pai, Adão. No entanto, existia uma grande diferença entre os dois: a diferença entre a fé e a incredulidade.

É muito possível que se tivéssemos pessoalmente conhecido Caim e Abel, preferiríamos a companhia de Caim do que à de Abel. Caim era um trabalhador, “foi lavrador da terra”, enquanto que Abel foi um pastor de ovelhas. Caim pode ser considerado como o mais inclinado à religião, pois podemos ler que em primeiro lugar Caim “trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor”, e depois que Abel “também trouxe” (Génesis 4:3-4). Além disso, Caim pode muito bem ter possuído uma natureza mais refinada e sensível, pois ele trouxe perante o Senhor, não um cordeiro quase morto, sangrento e trémulo, mas uma oferta do “fruto da terra”. Mas o registro nas escrituras segue com a seguinte afirmação:
“…e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou…” (Génesis 4:4-5).

A razão porque isto sucedeu está perfeitamente clara na epístola aos Hebreus, onde podemos ler:
“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.” (Hebreus 11:4)

O facto de que Abel, ao contrário de Caim, pela fé ofereceu o seu sacrifício a Deus, deve significar que Deus tinha instruído os dois irmãos de quais sacrifícios deveriam eles trazer, pois “a fé vem pelo ouvir” (Romanos 10:17).

Incredulidade e Obstinação

Tal como a fé é mãe da obediência, então a incredulidade é a mãe da desobediência e obstinação.

Caim poderia ter-se aproximado de Deus, pelo caminho que Deus tinha-lhes instruído, tal como fez o seu irmão Abel. Se ele o tivesse feito, tal como Abel, a sua oferta também teria sido aceite por Deus e ele teria alcançado o “testemunho de que era justo.”

Foi despropositado, mas de alguma forma já o esperado, que quando a sua oferta não foi aceite, “irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante” (Génesis 4:5). Com grande é a graça de Deus, para Deus argumentar com ele, como Ele fez.

“E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” (Génesis 4:6-7)

A inconsistência da descrença

Mas Caim foi inflexível. Tinha sido ferido no seu orgulho. E foi assim que um dia “estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” (Génesis 4:8).

Pensemos agora na inconsistência deste acto brutal. O homem que tinha sido sensível e refinado a tal ponto de não trazer a Deus um animal morto por sacrifício pelos seus pecados, agora não era assim tão sensível e refinado, pois tinha acabado de matar o seu próprio irmão.

Como resultado desta sua obstinação brutal Caim foi expulso da presença de Deus, tornando-se um fugitivo e um vagabundo nesta terra. Chorando como um condenado ele afirma: “É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada” (Génesis 4:13).

O apóstolo Paulo e os filhos de Adão

Foi dado ao apóstolo Paulo o “cumprir (completar) a palavra de Deus” (Colossenses 1:25), não textualmente ou cronologicamente, mas doutrinariamente, pela revelação “do mistério” (Colossenses 1:26).

“O mistério” de Deus revelado ao apóstolo Paulo é a pedra angular da divina revelação, pois “o mistério” que lhe foi revelado é o segredo escondido de como Deus lida para com todos os homens, e é à sua luz que devemos considerar até mesmo o antigo relato acerca de Caim e Abel.

Aproximadamente durante quatro mil anos Deus fez sempre distinções entres os homens: distinções entre a linhagem de Seth e de Caim, entre a descendência de Abraão e o mundo pagão á sua volta, entre a descendência de Isaac e de Ismael, entre a nação de Israel e as outras nações.

Mas, a seu devido tempo, sob o ministério do apóstolo Paulo, Deus pôs de parte temporariamente a Sua aliança com o seu povo (judeus), e juntamente com os gentios, encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11:32-33).

Assim, é o apóstolo Paulo, que nos leva de volta, em sua teologia, não para David ou Abraão, com quem foram feitos os anteriores concertos, mas para Adão decaído. Ressaltando que:

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).

“Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” (Romanos 5:15).

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só acto de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Romanos 5:18).

Portanto nas epístolas do apóstolo Paulo as antigas distinções desaparecem. Na segunda carta aos Coríntios o apóstolo Paulo escreve:

“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2 Coríntios 5:16).

E na carta aos Romanos: “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10:12-13).

Distinções humanas entre os filhos de Adão com certeza ainda existem e são todavia ainda observadas, mas diante de Deus não há nenhuma diferença. A única excepção, é exactamente a mesma que encontramos entre os primeiros dois filhos de Adão, a diferença entre fé e incredulidade.

O sagrado mistério revelado por meio do apóstolo Paulo lançou agora uma luz sobre a história de Caim e de Abel. O sacrificio de sangue que, então, Deus exigia era símbolo do que Ele já tinha providênciado em Cristo, e pelo qual os crentes não só podem receber o testemunho de que são justos, mas tornam-se também participantes de todos os méritos do Calvário: união com Cristo, união uns com os outros em Cristo, uma posição celestial, bênçãos celestiais, uma perspectiva celestial e todas as “riquezas da sua graça”.

“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça; que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência” (Efésios 1:6-8).

“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:8).

Aqueles que rejeitam este perdão e estas riquezas de sua graça são muito parecidos com Caim. Eles podem ser muito trabalhadores, sensíveis e até refinados. Podem até de facto ser muito religiosos, mas em vez de se aproximarem de Deus por meio do sangue de Cristo, o único caminho que existe, eles vêm, tal como Caim, oferecendo o que lhes parece melhor aos seus olhos: o fruto do seu trabalho, ou o seu “bom” carácter ou, por exemplo, os seus esforços religiosos.

Experimentemos um dia dizer a essas pessoas boas e religiosas que só o sangue de Cristo os pode salvar, e tal como a Caim, os seus semblantes irão descair. Mas os líderes religiosos que protestam que a doutrina do sangue é “asquerosa aos sentidos mais subtis”, também têm sido os líderes da apostasia que têm incentivado a políticas erradas, a brutalidade e à impiedade que tem colocado as nossas nações em seus perigos. É de tal forma grande a inconsistência da incredulidade que Deus diz assim na sua palavra: “Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim…” (Judas 11).

A única distinção

Ao longo desta dispensação da graça, Deus não favorece uma raça, ou uma nação, ou até uma classe social particular quando a salvação está em causa. A única distinção básica que existe é igual aquela de que podemos encontrar entre os dois irmãos Caim e Abel. Esta distinção é agora, como então, que determina o nosso destino. “E atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.” Cada homem foi aceito ou rejeitado com base na sua oferta.

Nos dias de hoje, uma vez que o Senhor Jesus Cristo se deu a si mesmo em sacrifício por nós, podemos confiar na Sua obra realizada na Cruz e ser aceites por Deus ou trazer o nosso próprio sacrifício e sermos rejeitados.


Aqueles dos quais são rejeitados, um dia irão dizer com Caim: “É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada”. Aqueles que são aceites irão para sempre gozar “as abundantes riquezas da Sua graça… pela sua benignidade para connosco em Cristo Jesus.”

“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Actos 16:31).

(por Cornelius R. Stam) 

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