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É Hora de Despertar Dezembro 19, 2013

Posted by David Costa in Estudos.
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“E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13:12)

O dia e a noite nas escrituras

Alguns dos estudiosos e também conhecedores da Bíblia ensinam que o “dia” e a “noite” na passagem bíblica acima citada devem ser vistos do ponto de vista dispensacional. A noite do mundo, sugerem eles, veio com a queda do homem no jardim do Éden. Então, quando o nosso Senhor Jesus Cristo apareceu na terra o dia amanheceu, pois Ele era “a luz do mundo” (João 8:12). Mas o mundo, incluindo o “Seu próprio povo” o rejeitaram, e a noite caiu novamente no momento em que Ele deixou a terra e ascendeu aos céus. O mundo não tornará a conhecer a luz do dia até que Ele volte para reinar na terra.

Assim à primeira vista esta interpretação até soa-nos muito razoável, mas procurando nas Escrituras encontramos o que o Senhor Jesus Cristo disse ao seu povo: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).

Neste versículo das escrituras podemos ler que só os que verdadeiramente o seguiam é que não caminhavam nas trevas, e tinham também “a luz da vida”. Isto está de acordo com o testemunho inspirado do apóstolo João: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1:4).
Quanto ao mundo, que não quis participar desta vida, o apóstolo João continua a descrever o quão profunda era a escuridão da noite: “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:5).

A luz brilhou, mas não conseguiu penetrar a densa escuridão da noite; a escuridão não foi desfeita pela luz.

Na verdade, quando o Senhor Jesus Cristo veio a este mundo, a escuridão era tão densa que Deus enviou primeiro a João Baptista a apontar aos homens Cristo, a luz.

“Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.” (João 1:6-7)

Portanto agora é evidente, que o nosso Senhor Jesus Cristo não dissipou as trevas do mundo, na sua primeira vinda, e que, dispensacionalmente, não era dia enquanto Ele estava na terra. Acreditamos, sim, que a noite do mundo começou com a queda do homem e que a escuridão não será dissipada até à segunda vinda de Cristo para julgar e reinar. Então os ímpios serão julgados e queimados como “palha” (Malaquias 4:1), mas para aqueles que temem o Seu nome “nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas”.

“Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria.” (Malaquias 4:1-2)

Por isso é que Ele é chamado de “resplandecente estrela da manhã” nas escrituras que aplicam-se primeiramente à grande tribulação (Apocalipse 22:16; II Pedro 1:19).

Mas agora podemos colocar a seguinte questão: mas afinal o que pretenderia o apóstolo Paulo em Romanos 13:12, quando escreveu que a “noite é passada, e o dia é chegado”?

A nossa noite e dia

Nós acreditamos que a resposta a esta questão é a seguinte: o apóstolo Paulo aqui nos versículos 11 e 12, de Romanos, capítulo 13, não estava a falar dispensacionalmente. Certamente, se a “noite” da presente dispensação da graça seguiu o suposto “dia” do ministério terreno de nosso Senhor Jesus Cristo, o apóstolo Paulo não poderia ter escrito que a noite “é passada”. Quando ele escreveu, tinha ainda mal começado.

Preferencialmente, Romanos 13:11-12 deve ser comparado com outras passagens, como por exemplo, 2 Coríntios 4:6: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.”

Graças a Deus, pois o dia raiou para o crente no Senhor Jesus Cristo, apesar da noite ser escura sobre ele! E porque o dia já raiou “é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”.

A nossa salvação como crentes em Cristo é segura, mas todavia ainda não está completa. Não importa como nos regozijamos em Cristo, ou como gostamos de testemunhar da Sua graça, ou até como apreciamos estudar a sua Palavra; há ainda mais, muito mais para acontecer no porvir. O amanhecer da luz que nos trouxe alegria e tantas bênçãos, num abrir e fechar de olhos, irá ter toda a sua plenitude quando o nosso Amado vier-nos arrebatar para Si mesmo.

Não dormamos

É importante notar que nós não estamos à espera que amanheça o dia. Para nós, o dia já raiou e a sua plenitude está à mão. Será que existe um argumento melhor para nós “despertarmos do sono”?

Podemos encontrar com algum vigor este mesmo desafio em 1 Tessalonicenses, capítulo 5. Depois do apóstolo Paulo explicar em 1 Tessalonicenses 4:16-18 como “nós” seremos arrebatados para irmos ao encontro do nosso Senhor e estarmos com Ele por toda a eternidade, no capítulo 5, versículo 2, ele escreve que “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite”.

“Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.” (1 Tessalonicenses 5:1-3)

Mas o apóstolo Paulo continua escrevendo: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Tessalonicenses 5:4-5).

Este é o único argumento sobre o qual o apóstolo Paulo baseia o seu apelo para estarmos acordados e alertas. Não nos estimula a estarmos acordados para defendermo-nos contra o ladrão, porque antes de nosso Senhor vir como um ladrão, já teremos sido arrebatados. Antes o apóstolo Paulo escreve: o ladrão virá durante a noite, mas “vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas”.

“Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios” (1 Tessalonicenses 5:6).

Já é hora de despertarmos

Não deveríamos deixar de atentar para com a urgência que o apóstolo Paulo revela quando escreve: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13:11-12).

Grande vergonha deveria ser estarmos a dormir assim numa hora tão tardia, especialmente quando há batalhas a ser travadas e vitórias a ser conquistadas! Assim é forte o seu apelo para “rejeitarmos” as roupas da noite da insensibilidade e “vestirmos a armadura da luz.”

Esta armadura de luz é nada menos que o próprio Senhor Jesus Cristo, conforme indicado no versículo 14: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências”.

Os crentes já estão “em Cristo” posicionalmente, mas devemos nos “revestir dEle” na nossa experiência diária, tal como está escrito em Colossenses 3:8-14.

“Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos. E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.” (Colossenses 3:8-14)

Em Efésios 5:8, o apóstolo Paulo escreve: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz“. No momento em que nós “nos revestimos do Senhor Jesus Cristo” e “andamos como filhos da luz” descobrimos que esta luz é uma armadura para proteger-nos do pecado e para defender-nos contra Satanás, que busca derrotar-nos e colocar-nos em fuga.

Desperta e levanta-te

Finalmente, enquanto que em Romanos 13:11 o apóstolo Paulo nos convida a “despertarmos do sono”, em Efésios 5:14 ele roga “desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos”. Os crentes já ressuscitaram de entre os mortos com Cristo, pela graça (Efésios 2:4-6).

Algumas vezes, no entanto, ainda estamos adormecidos, dormindo nas nossas responsabilidades, nas oportunidades, nas necessidade e nos desafios do tempo em que estamos a viver. Com este nosso comportamento seremos nós diferentes dos outros homens que ainda estão “mortos em delitos e pecados”? Será que estamos a dar toda a liberdade a Deus para nos usar?

O apóstolo Paulo nos exorta: “Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios. Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Efésios 5:14-17)

(por Cornelius R. Stam)

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Discernimento Espiritual Dezembro 18, 2013

Posted by David Costa in Estudos.
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O remorso pode ser um fardo terrível de suportar. Mas tememos que alguns crentes, devido à sua negligência pelas coisas de Deus, terão muito que lamentar quando vierem diante do tribunal de Cristo. No caso do descrente, a negligência é compreensível porque o homem natural está em inimizade para com Deus. Mas o crente encontra-se sem desculpa pois ele recebeu o Espírito de Deus para que “pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Coríntios 2:12). É o mesmo Espírito que nos capacita a as conhecermos. Talvez não sejas estranho para com as bênçãos que Deus preparou para nós. Se assim é, vem connosco até a fonte da Palavra de Deus, onde muitas almas sedentas tem apagado a sua sede espiritual.

As coisas de Deus e o homem natural

“Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14)

Em mais de uma ocasião dei comigo a ler uma passagem da Escritura, como esta, para parar e dizer para comigo próprio: “Como isto é verdade!”. Diz a um perdido que Cristo derramou o Seu sangue pelos seus pecados e prepara-te para uma série de objecções antagónicas. Por exemplo, muitos afirmam mesmo que o Cristianismo é meramente uma religião bárbara e de violência, quando se discute o conceito da morte de Cristo na cruz, para remissão de pecados. Na verdade, “a palavra da cruz é loucura para os que perecem” (1 Coríntios 1:18).

O perdido é incapaz de receber o que a Palavra de Deus comunica. A título de exemplo, os sinais WiFi são transmitidos por todo o quarto onde te encontras lendo estas palavras. Mas se não possuíres um dispositivo electrónico apropriado, como um computador portátil ou um “smartphone”, tais sinais não podem ser recebidos. O mesmo acontece com o perdido. Até o momento em que o Espírito Santo o sintoniza na frequência da Palavra de Deus, ele nunca será capaz de receber as coisas de Deus. É importante recordarmos este princípio deveras importante: verdades espirituais não podem ser compreendidas por meios naturais. Por consequência todas as escolas de ensino elevado, todas os poderes de persuasão, todas as disciplinas de raciocínio humano nunca poderão trazer o homem natural a fazer a paz com Deus.

O Espirito Santo precisa de revelar ao homem perdido a palavra chave, que é a B-Í-B-L-I-A. Ele consegue tal ao suspender temporariamente a cegueira dos seus corações, permitindo assim que “a luz do evangelho da glória… lhes resplandeça” (2 Coríntios 4:3-4). Sob a convicção do Espírito, é dada ao descrente a oportunidade de crer ou de rejeitar o evangelho. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e ou ouvir a Palavra de Deus” (Romanos 10:17).

Desafiamos todo aquele que carrega a tocha da graça a porem de lado todos os programas vazios e inúteis do homem e se agarrem à Palavra da Vida que é o Poder de Deus para salvação. Deus sempre opera através da sua Palavra para trazer convicção ao perdido. Que possamos reconhecer humildemente que a soberania de Deus e a responsabilidade humana encontram-se eternamente ligadas.

As coisas de Deus são reveladas pelo Espírito

“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.” (1 Coríntios 2:10)

Por este versículo compreendemos que somente o Espírito Santo pode conhecer a mente de Deus. O apóstolo Paulo, a título de ilustração, questiona: “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?” (1 Coríntios 2:11a). Enquanto escrevo estas palavras, eu penso numa “coisa de valor”, mas será que a podes nomear? Não há nenhuma possibilidade de que possas saber que “coisa de valor” eu tenho em mente. Podes tentar adivinhar, mas mais que certo tu estarás errado. E mesmo que a adivinhasses, não terias forma de saber com 100% de certeza que estavas correcto. Como não és capaz de sondar os meus pensamentos, eu tenho de revelar-te o que é esta “coisa de valor” em que estou a pensar, ou continuará a ser um mistério.

“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (1 Coríntios 2:9).

Ao contrário da maioria de nós, o apóstolo Paulo possuía um conhecimento extraordinário do Velho Testamento, e usou-o efectivamente quando ministrava a Palavra de Deus. A passagem acima referida encontra-se escrita no livro de Isaías (64:4). Tal como um cirurgião que com todo o cuidado e perícia executa uma incisão, Paulo seleccionou meticulosamente estas palavras de Isaías para fazer uma aplicação para nós. O ponto principal é que nunca poderemos descobrir por intermédio de sabedoria humana as coisas que Deus tem preparado para aqueles que O amam. Nós damos graças a Deus que Ele nos deu a conhecer estas bênçãos por intermédio do Seu Espírito. Lê mais uma vez em espírito de adoração as palavras: “Mas Deus no-las revelou pelo Seu Espírito” (1 Coríntios 2:10). Não temos de esperar até chegar ao céu para aprendermos acerca das bênçãos que são nossas neste período da graça de Deus. Nós podemos, e devemos, ter conhecimento delas agora mesmo.

É lamentável que muitos santos se contentam com simplesmente serem salvos. Eles não possuem qualquer desejo de descobrir as coisas que Deus preparou para eles. O seu lema é: “eu aprenderei acerca disso tudo quando eu chegar ao céu”. Independente da causa de tal raciocínio, há duas coisas que estes santos falham em considerar: em primeiro lugar, eles entristecem o coração de Deus; e em segundo lugar, eles sofrerão perda terrível no tribunal de Cristo.

O que nos é dado gratuitamente por Deus

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Coríntios 2:12).

Quando entregamo-nos como instrumentos de justiça, o Espírito Santo revela ao nosso espírito as coisas de Deus. Ele o faz por intermédio das Escrituras. Com isto em mente, consideremos algumas das bnçãos espirituais que nos são dadas gratuitamente.

Coisas passadas:

Através da revelação entregue ao apóstolo Paulo, nós aprendemos que o nosso pai celestial tinha em mente um propósito secreto para este período da graça em que vivemos. Portanto, Deus tinha predeterminado a existência da Igreja, corpo de Cristo, antes da fundação do mundo (Efésios 1:4,9-10). Que privilégio é compreender que somos parte do propósito eterno de Deus em Cristo Jesus. Os Gentios, que antes viviam longe de Deus, são agora trazidos perto pelo sangue de Cristo (Efésios 2:11-13). Aqueles que são os recipientes da obra da redenção de Cristo são agora justificados gratuitamente pela Sua graça e conhecem o gozo de terem os seus pecados perdoados (Efésios 1:7).

Coisas presentes:

É interessante notarmos que Paulo fala no presente quando escreve sobre a verdade maravilhosa que Ele “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:6). Deus nos vê de uma forma diferente do que nós nos vemos a nós próprios posicionalmente. Ele nos vê em Cristo com todas as coisas congregadas nEle. Do ponto de vista prático, nós temos uma nova natureza que é santa e justa pela virtude do Espírito Santo que habita em nós. Mas precisamos de ter cuidado para não extinguir o Espírito. O pecado e falharmos em entregarmos a nossa vida a Ele pode ter tal consequência.

Quando a chama começa a extinguir-se, ela ainda está presente nas cinzas incandescentes das brasas. Se agirmos rapidamente, a chama ainda pode ser reacendida. O Espírito, na verdade, nunca pode ser completamente extinguido, mas é possível lhe resistir (Actos 7:51). Se resistirmos em seguir a direcção do Espírito Santo a estudar e aplicar as Escrituras, tal resulta frequentemente em nos entregarmos aos desejos da carne. Não é de admirar que a Igreja dos nossos dias seja tão espiritualmente superficial. Será que a chama da Palavra de Deus precisa ser reacendida na tua vida? (1 Coríntios 6:19-20; Efésios 4:23-29; 1 Tessalonicenses 5:19).

Após a nossa conversão, Cristo nos dá um propósito de vida. Imagina… temos uma vida inteira para considerar tudo aquilo que vamos gozar em Cristo. Antes de sermos salvos, vagueávamos loucamente por esta vida sem Deus e sem esperança. Antigamente, as coisas terrenas eram extremamente importantes para nós. “Temos que manter as aparências”, é o objectivo de vida de muitos. Agradeço a Deus que eu morri em Cristo e agora estou livre da servidão do pecado que antes me escravizava. Cristo é tudo o que Ele proclamou ser e muito mais. Ele é a nossa alegria, contentamento e satisfação.

Podemos sentir solidão, mas se temos Cristo, nunca seremos esquecidos. Podemos ser oprimidos pela tristeza, mas se temos o nosso Senhor, nunca estaremos sem esperança. Podemos nos encontrar sem quaisquer recursos, vivendo em completa pobreza, mas se temos Cristo, possuímos riquezas eternas sem par.

“Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Porque nela habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:3,9).

Coisas futuras:

Se existe algo que o crente possui é um futuro. Um dia a trombeta irá soar, e como se costuma dizer, “vamos daqui para fora”. A volta de Cristo no arrebatamento é a nossa expectativa com confiança. O pastor Win Johnson costumava contar de um velho pregador que costumava dizer à sua congregação: “é bom que nós vamos ser todos transformados, pois se tal não fosse, haveria um motim no momento do arrebatamento” (1 Coríntios 15:51-53). Imagina, o céu será o nosso lar. Quando chegarmos à glória, o nosso pai celestial vai-nos revelar a sua bondade. Isto, meu amigo, vai para além da nossa compreensão. Ele já justificou-nos, santificou-nos, e um dia irá glorificar-nos. Na glória, Ele irá pessoalmente mostrar-nos a nossa herança eterna que Ele teve o prazer de preparar para nós.

De pensar que Ele tomou um pobre, desprezível pecador como eu, salvou-me, lavou-me no sangue do Seu Filho Amado, perdoou-me, e um dia me levará para habitar juntamente com Ele no céu! E maravilha das maravilhas, Ele também planeia revelar-me a Sua bondade! Isto sim é graça no completo sentido da palavra!

Estas são apenas algumas das “coisas de Deus” com que Ele nos abençoou graciosamente. Concluímos com esta questão: “Quem conheceu a mente do Senhor?” (Romanos 11:34; 1 Coríntios 2:16). Nós cremos que a resposta se encontra naqueles que estudam o conselho completo de Deus à luz das epístolas de Paulo. Aí se encontra a mente de Cristo por ordem do Espírito Santo (1 Coríntios 2:16; Filipenses 2:5). É impossível extinguir a graça incomparável de Deus, mas aqueles que buscam a verdade encontram o favor de Deus. O desejo de nosso coração é que os nossos leitores não tenham qualquer remorso quando forem apresentados perante o tribunal de Cristo.

(por Paul Saddler)

O Apóstolo Paulo e os Filhos de Adão Dezembro 17, 2013

Posted by David Costa in Estudos, Salvação.
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O primeiro recém-nascido no mundo

Em Génesis 4:1 podemos ler que quando a primeira criança nasceu neste mundo Eva exclamou: “Alcancei do Senhor um varão!”, e o menino foi chamado de Caim, que significa aquisição, proveito ou conquista.

Alguns estudos hebraicos levam a crer que Eva na realidade afirmou: “Alcancei um varão – Jeová!” No entanto, apesar de não termos uma certeza absoluta disso, nos parece evidente que Eva tinha concluído que tinha acabado de dar à luz a semente prometida em Génesis 3:15.

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:15)

É possível que Eva tenha pensado que Caim seria o Senhor Jesus Cristo. Com um amoroso orgulho e enquanto olhava para este seu filho, ela, sem dúvida, disse para si mesma: “Um segundo Adão! A semente prometida! E de que forma bela foi enviado! Um homem de Deus nos meus próprios braços!”

Neste momento Eva seria de sangue frio e com coração de pedra se não lhe tivesse ocorrido tal pensamento. No entanto, ela estava totalmente errada, pois este seu filho Caim não era o Senhor Jesus Cristo. Pelo contrário, ele “era do maligno”, e muito em breve ele iria crescer e as suas obras seriam conhecidas: “Porque as suas obras eram más” (1 João 3:12).

Caim e Abel

Se tal é verdade ou não, Génesis 4:14 faz-nos pensar que os filhos de Adão já eram em grande número quando Caim foi expulso da presença de Deus. Está bem claro de que o registro nas Escrituras lidou apenas com Caim e Abel até ao nascimento de Seth, o qual ocupou o lugar de Abel.

“E tornou Adão a conhecer a sua mulher; e ela deu à luz um filho, e chamou o seu nome Seth; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.” (Génesis 4:25)

Voltemos, agora então a Caim e a Abel, os primogênitos do mundo. Nos primórdios da história não havia distinções raciais, não havia judeu ou gentio, nem preto nem branco, apenas dois filhos de um único pai, Adão. No entanto, existia uma grande diferença entre os dois: a diferença entre a fé e a incredulidade.

É muito possível que se tivéssemos pessoalmente conhecido Caim e Abel, preferiríamos a companhia de Caim do que à de Abel. Caim era um trabalhador, “foi lavrador da terra”, enquanto que Abel foi um pastor de ovelhas. Caim pode ser considerado como o mais inclinado à religião, pois podemos ler que em primeiro lugar Caim “trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor”, e depois que Abel “também trouxe” (Génesis 4:3-4). Além disso, Caim pode muito bem ter possuído uma natureza mais refinada e sensível, pois ele trouxe perante o Senhor, não um cordeiro quase morto, sangrento e trémulo, mas uma oferta do “fruto da terra”. Mas o registro nas escrituras segue com a seguinte afirmação:
“…e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou…” (Génesis 4:4-5).

A razão porque isto sucedeu está perfeitamente clara na epístola aos Hebreus, onde podemos ler:
“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.” (Hebreus 11:4)

O facto de que Abel, ao contrário de Caim, pela fé ofereceu o seu sacrifício a Deus, deve significar que Deus tinha instruído os dois irmãos de quais sacrifícios deveriam eles trazer, pois “a fé vem pelo ouvir” (Romanos 10:17).

Incredulidade e Obstinação

Tal como a fé é mãe da obediência, então a incredulidade é a mãe da desobediência e obstinação.

Caim poderia ter-se aproximado de Deus, pelo caminho que Deus tinha-lhes instruído, tal como fez o seu irmão Abel. Se ele o tivesse feito, tal como Abel, a sua oferta também teria sido aceite por Deus e ele teria alcançado o “testemunho de que era justo.”

Foi despropositado, mas de alguma forma já o esperado, que quando a sua oferta não foi aceite, “irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante” (Génesis 4:5). Com grande é a graça de Deus, para Deus argumentar com ele, como Ele fez.

“E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” (Génesis 4:6-7)

A inconsistência da descrença

Mas Caim foi inflexível. Tinha sido ferido no seu orgulho. E foi assim que um dia “estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” (Génesis 4:8).

Pensemos agora na inconsistência deste acto brutal. O homem que tinha sido sensível e refinado a tal ponto de não trazer a Deus um animal morto por sacrifício pelos seus pecados, agora não era assim tão sensível e refinado, pois tinha acabado de matar o seu próprio irmão.

Como resultado desta sua obstinação brutal Caim foi expulso da presença de Deus, tornando-se um fugitivo e um vagabundo nesta terra. Chorando como um condenado ele afirma: “É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada” (Génesis 4:13).

O apóstolo Paulo e os filhos de Adão

Foi dado ao apóstolo Paulo o “cumprir (completar) a palavra de Deus” (Colossenses 1:25), não textualmente ou cronologicamente, mas doutrinariamente, pela revelação “do mistério” (Colossenses 1:26).

“O mistério” de Deus revelado ao apóstolo Paulo é a pedra angular da divina revelação, pois “o mistério” que lhe foi revelado é o segredo escondido de como Deus lida para com todos os homens, e é à sua luz que devemos considerar até mesmo o antigo relato acerca de Caim e Abel.

Aproximadamente durante quatro mil anos Deus fez sempre distinções entres os homens: distinções entre a linhagem de Seth e de Caim, entre a descendência de Abraão e o mundo pagão á sua volta, entre a descendência de Isaac e de Ismael, entre a nação de Israel e as outras nações.

Mas, a seu devido tempo, sob o ministério do apóstolo Paulo, Deus pôs de parte temporariamente a Sua aliança com o seu povo (judeus), e juntamente com os gentios, encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11:32-33).

Assim, é o apóstolo Paulo, que nos leva de volta, em sua teologia, não para David ou Abraão, com quem foram feitos os anteriores concertos, mas para Adão decaído. Ressaltando que:

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).

“Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” (Romanos 5:15).

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só acto de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Romanos 5:18).

Portanto nas epístolas do apóstolo Paulo as antigas distinções desaparecem. Na segunda carta aos Coríntios o apóstolo Paulo escreve:

“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2 Coríntios 5:16).

E na carta aos Romanos: “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10:12-13).

Distinções humanas entre os filhos de Adão com certeza ainda existem e são todavia ainda observadas, mas diante de Deus não há nenhuma diferença. A única excepção, é exactamente a mesma que encontramos entre os primeiros dois filhos de Adão, a diferença entre fé e incredulidade.

O sagrado mistério revelado por meio do apóstolo Paulo lançou agora uma luz sobre a história de Caim e de Abel. O sacrificio de sangue que, então, Deus exigia era símbolo do que Ele já tinha providênciado em Cristo, e pelo qual os crentes não só podem receber o testemunho de que são justos, mas tornam-se também participantes de todos os méritos do Calvário: união com Cristo, união uns com os outros em Cristo, uma posição celestial, bênçãos celestiais, uma perspectiva celestial e todas as “riquezas da sua graça”.

“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça; que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência” (Efésios 1:6-8).

“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:8).

Aqueles que rejeitam este perdão e estas riquezas de sua graça são muito parecidos com Caim. Eles podem ser muito trabalhadores, sensíveis e até refinados. Podem até de facto ser muito religiosos, mas em vez de se aproximarem de Deus por meio do sangue de Cristo, o único caminho que existe, eles vêm, tal como Caim, oferecendo o que lhes parece melhor aos seus olhos: o fruto do seu trabalho, ou o seu “bom” carácter ou, por exemplo, os seus esforços religiosos.

Experimentemos um dia dizer a essas pessoas boas e religiosas que só o sangue de Cristo os pode salvar, e tal como a Caim, os seus semblantes irão descair. Mas os líderes religiosos que protestam que a doutrina do sangue é “asquerosa aos sentidos mais subtis”, também têm sido os líderes da apostasia que têm incentivado a políticas erradas, a brutalidade e à impiedade que tem colocado as nossas nações em seus perigos. É de tal forma grande a inconsistência da incredulidade que Deus diz assim na sua palavra: “Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim…” (Judas 11).

A única distinção

Ao longo desta dispensação da graça, Deus não favorece uma raça, ou uma nação, ou até uma classe social particular quando a salvação está em causa. A única distinção básica que existe é igual aquela de que podemos encontrar entre os dois irmãos Caim e Abel. Esta distinção é agora, como então, que determina o nosso destino. “E atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.” Cada homem foi aceito ou rejeitado com base na sua oferta.

Nos dias de hoje, uma vez que o Senhor Jesus Cristo se deu a si mesmo em sacrifício por nós, podemos confiar na Sua obra realizada na Cruz e ser aceites por Deus ou trazer o nosso próprio sacrifício e sermos rejeitados.


Aqueles dos quais são rejeitados, um dia irão dizer com Caim: “É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada”. Aqueles que são aceites irão para sempre gozar “as abundantes riquezas da Sua graça… pela sua benignidade para connosco em Cristo Jesus.”

“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Actos 16:31).

(por Cornelius R. Stam) 

Todas as Bênçãos Espirituais Dezembro 16, 2013

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“Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, com Cristo.” (Efésios 1:3)

Uma das mais interessantes publicações que eu li recentemente foi um livro para o qual pastores proeminentes escreveram um capítulo cada, expondo sobre um versículo bíblico que eles criam que tinha tido a maior influência nas suas vidas e ministérios. Se eu tivesse sido escolhido para escrever um desses capítulos, eu escolheria certamente o texto acima citado, devido ao seu potencial para transformar vidas.

Muitos passam por este versículo sem prestar grande atenção, de forma a chegarem às partes centrais da Epístola aos Efésios. Desta forma, eles privam-se de um versículo que, quando verdadeiramente compreendido, iria revolucionar o seu entendimento da vida cristã.

Já de há muito tempo que a Epístola aos Efésios é conhecida por mentes espirituais como o livro onde Deus revela as verdades mais profundas e sublimes em relação à igreja, corpo de Cristo. No capítulo 1, Paulo explica ao crente acerca da sua riqueza em Cristo. Sem uma compreensão da sua posição e possessões nEle, Paulo sabia que os crentes serão “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia, enganam fraudulosamente” (Efésios 4:14).

Paulo desejava que não só recebessem o dom da vida eterna, mas também que crescessem em Cristo (Efésios 4:15) e se tornassem nos santos maduros que o Senhor deseja que sejam. E assim é também connosco. Efésios 1:3 é o fundamento para o resto do capítulo, que por si, é o fundamento para as porções doutrinárias e práticas que se seguem. Resumindo, o nosso texto é o ponto central da Epístola aos Efésios.

Ao meditarmos neste versículo iremos encontrar respostas a cinco questões que são cruciais para a nossa compreensão de como Deus opera nesta presente dispensação da graça e de como podemos crescer em piedade e santidade.

1) Que tipo de bênçãos Deus nos deu?

Resposta: Espirituais.

Uma benção neste contexto refere-se a um benefício pelo qual quem o recebe é enriquecido ou suas possessões aumentadas. A palavra “espiritual” vem da palavra grega “pneumatikos”, referindo-se à esfera espiritual e denota a ideia de invisibilidade e poder. Das vinte e cinco ocorrências deste termo na Palavra de Deus só duas encontram-se fora dos escritos de Paulo. Como apóstolo da circuncisão, Pedro escreve aos judeus salvos acerca da dispersão judaica, para os recordar de que eles, como pedras vivas, edificados casa espiritual (em contraste com a casa física do templo de Jerusalém), para oferecerem sacrifícios espirituais (em contraste com os sacrifícios animais, físicos), em 1 Pedro 2:5. As escrituras identificam tais sacrifícios como sendo louvar a Deus, dando graças ao Seu Nome, fazendo o bem e partilhar com os outros (Hebreus 13:15-16).

Da mesma forma, Paulo usa a palavra “espiritual” em contraste com aquilo que é carnal, terrestre e material (Romanos 7:14; 1 Coríntios 3:1; 9:11; 10:3-4). Apesar de tudo, não devemos assumir que por algo ser espiritual é menos real ou que não afecta o mundo material. Pelo contrário, no futuro, os corpos glorificados de todos os crentes em Cristo serão espirituais, em contraste com naturais. Nós sabemos que eles não serão espíritos ou aparições, como algumas denominações ensinam, porque o termo “corpo” (no grego “soma”) é usado e denota substanciação física.

Paulo também revela que quando Cristo voltar, Ele transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o Seu corpo glorioso (Filipenses 3:21). Assim como Cristo apareceu fisicamente várias vezes após a sua ressurreição, assim também os nossos corpos glorificados, no futuro, serão físicos, celestiais (preparados para a vida nos lugares celestiais) e espirituais (preparados para a vida na esfera espiritual) (1 Coríntios 15:40,44). É interessante reparar que o Senhor usou os termos “terrestres” e “celestiais” com Nicodemos, em vez dos termos “carnais” e “espirituais” (João 3:12), provavelmente porque o Espírito Santo ainda não fora dado (João 7:39). Paulo é o primeiro revelador do “espiritual”.

Certamente alguém questiona-se: “mas que são estas bênçãos espirituais?”. O contexto de Efésios 1:4-14 concede-nos pelo menos sete exemplos em três categorias.

A vontade de Deus:

  • Deus nos elegeu nEle (v.4),
  • Deus nos predestinou para filhos de adopção (v. 5),
  • Deus nos fez agradáveis a si mesmo, no amado (v. 6).

A obra do Filho:

  • Nós temos redenção pelo seu sangue (v. 7),
  • Nós temos conhecimento do mistério da Sua vontade (seus planos em secreto) através da revelação por Paulo (v. 9),
  • Nós temos uma herança (v. 14).

O testemunho do Espírito:

  • Ele nos selou com o Espírito Santo (v. 13).

Esta lista de bênçãos espirituais não é exaustiva, pois aquele que estuda a Bíblia diligentemente encontra muitas mais. Atentemos para com o carácter espiritual destas bênçãos. Elas não podem ser sentidas ou experimentadas pelos nossos cinco sentidos. Elas não podem ser apreendidas por meios naturais. A única forma de as conhecermos é através de lermos acerca delas na Bíblia. O Espírito Santo ilumina a Palavra de Deus para com o crente que sabe que Deus é fiel e capaz de operar aquilo que prometeu. Somente através dos olhos da fé podemos ver as coisas espirituais que Deus nos deu liberalmente. É interessante compararmos e considerarmos o contraste entre as nossas bênçãos espirituais com as bênçãos físicas de Israel, debaixo do velho concerto da lei. Moisés, movido pelo Espírito Santo, lista uma série de bençãos que esperavam Israel quando eles entrassem na terra prometida, sob a liderança de Josué (Deuteronomio 28:1-4):

  • abundância de filhos (v. 4),
  • colheitas abundantes (v. 4),
  • criação de animais próspera (v. 4),
  • vitória sobre os inimigos de Israel (v. 7),
  • chuva para as suas terras em tempo certo (v. 12),
  • Israel seria a mais rica das nações (v. 12),
  • Israel seria líder sobre todas as nações (v. 13).

Tomemos em atenção o caracter físico de tais bênçãos. Não somente eram elas materiais e passíveis de ser experimentadas pelo corpo, como também eram condicionais no tocante à obediência do povo de Israel para com a Lei (Deuteronômio 28:1,9,13). Rebelião e desobediência levariam Deus a tornar as bênçãos em terríveis maldições (Deuterenômio 28:15-68).

Os crentes hoje são membros da Igreja, corpo de Cristo, e não deviam tentar apropriar-se das promessas e bênçãos que pertenciam à comunidade de Israel. Se tu, como crente em Cristo, foste confiado com uma boa medida de bens materiais, agradece a Deus por eles e usa-os sabiamente para Sua glória e para o bem, pois Ele não as promete a ti.

2) Quantas bênçãos espirituais nós possuímos?

Resposta: Todas!

Por muito difícil que seja para algumas pessoas acreditarem, Deus não reteve algo que pudesse ser benéfico para a nossa vida espiritual. Tal como avós abastados que querem providenciar o melhor para os seus netos, assim também Deus, o Pai, deleita-se em “esbanjar” em nós as riquezas excelentes da Sua graça. A eternidade parecerá curta para descobrirmos e gozarmos da extravagância com que Deus nos concedeu as suas bênçãos espirituais.

3) Onde estão localizadas estas bênçãos espirituais?

Resposta: Nos lugares celestiais com Cristo.

A expressão “lugares celestiais”, usada cinco vezes na Epístola aos Efésios, refere-se a onde Jesus Cristo se encontra presentemente na sua posição exaltada, acima de tudo e todos (Efésios 1:3,20; 2:6; 3:10). Também descreve os lugares de autoridade das potestades malignas e dos poderes (anjos decaídos) com os quais Deus nos chama a travar uma batalha espiritual (Efésios 6:12).

Pela fé, os filhos de Israel derrotaram gigantes que viviam na terra prometida. Assim nós também, os membros do corpo de Cristo, devemos ocupar pela fé a nossa herança nos lugares celestiais. Os governantes das trevas desse mundo não apreciam que pisemos em território que eles próprios conquistaram para si. Acima de tudo, eles procuram enganar, distrair e desencorajar os crentes de tomarem posse da herança que Deus lhes confiou. O recurso ao nosso alcance neste conflito espiritual é aquele que é a cabeça de todo o principado e potestade (Colossenses 2:10). Por isso é que Deus providenciou a armadura espiritual que é suficiente para proteger-nos de qualquer ataque do inimigo (Efésios 6:10-18).

A expressão que faz companhia a “nos lugares celestiais” é a expressão “em Cristo”. Esta expressão define a nossa posição em que fomos feitos um com Ele, através da obra do baptismo pelo Espirito Santo de Deus (1 Coríntios 12:13; Efésios 4:4-5; 2:6). Tal posição, sendo perfeita e inalterável, garante-nos que as nossas bênçãos espirituais são também posicionais e seguras. Cristo, a fonte da qual todas as bênçãos fluem, nos deu como mortos para o mundo e a nossa vida encontra-se escondida com Cristo, em Deus (Colossenses 3:3).

Lembremo-nos de que quando Deus esconde algo para si mesmo, ninguém o pode encontrar. Assim, Ele nunca será roubado da herança em nós conquistada pelo sangue de Cristo. Aleluia!

4) Quando é que fomos abençoados?

Resposta: No momento em que recebemos o Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador.

Já que todas as nossas bênçãos espirituais estão depositadas em Cristo, só precisamos de responder à questão “quando é que passamos a estar em Cristo?”. Não foi quando cremos no evangelho? O versículo diz “o Senhor Jesus Cristo… nos abençoou”; assim a recepção de todas essas bênçãos encontra-se no passado do crente.

Um recém-nascido em Cristo é tão rico em Cristo como aquele santo mais velho e mais venerável. Nós não conquistaremos qualquer benção espiritual agora ou no porvir que já não tenhamos recebido no momento em que cremos no evangelho. Que teologia radical!

Será que tal ideia, tal conceito é verdade? Para respondermos a tal questão basta referirmos ao nosso texto. Se pudéssemos adquirir mais bênçãos espirituais com base no nosso desempenho, devoção ou fidelidade, então o nosso versículo estaria incorrecto, pois ele afirma que Deus já nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo. Seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso (Romanos 3:4).

Recompensa ou perda de recompensa não é o assunto discutido aqui. Todas as bênçãos espirituais estão associadas com a nossa posição em Cristo. Recompensa para o crente pode ser conquistada ou perdida dependendo do grau de submissão à vontade de Deus. Asim sendo, tanto as recompensas no presente, como no futuro, não poderão ser designadas como “todas as bênçãos espirituais em Cristo” (conforme 1 Coríntios 3:10-15; 9:24-27; Filipenses 3:10-14; Colossenses 3:23-25).
Eu creio que a dificuldade que temos em compreender esta verdade tem a ver com uma questão anterior, “o que é uma benção espiritual?”.

O termo em si tem sido sujeito a um uso pelos crentes completamente desregrado e livre de cuidado algum. Quantas vezes assistimos a um reunião de edificação ou a um estudo bíblico que foram especialmente bons e no fim exclamamos “que benção espiritual recebemos hoje!”. Tal linguagem, enquanto comum entre os crentes, remove subtilmente as nossas bênçãos espirituais da nossa posição em Cristo e as trata como se elas fossem condicionais ou dependentes de situações por que passamos. Este é um exemplo comum de como as pessoas, sem se aperceberem, usam palavras ou frases bíblicas e sobre-impõem nelas um significado “estrangeiro”, contrário às Escrituras. Tal só pode contribuir para desfigurar e encobrir o verdadeiro intento da Palavra de Deus. Um forma mais correcta de exprimir a mesma ideia seria: “como nós aprendemos a apreciar e a apropriarmo-nos das nossas bênçãos espirituais em Cristo!”. Nós não recebemos mais bênçãos espirituais; nós só aprendemos mais sobre elas para as podermos gozar.

O benefício prático deste ensino deverá ser evidente para todo o crente. Tanta energia e tempo é perdido no ministério de crentes sinceros, mas mal instruídos, num vão esforço de alcançar aquilo que Deus já lhes concedeu livremente pela Sua graça. Se o homem mais rico do mundo morresse e tivesse te deixado por herança toda a sua fortuna, será que irias continuar a trabalhar para pagares a tua despesa semanal no supermercado? Em vez disso, não irias convocar os seus conselheiros financeiros, o mais cedo possível, para tomares conhecimento de tudo o que agora possuis? Quando finalmente compreendemos que Deus nos fez herdeiros de todas as coisas em Cristo, somos livres de explorar as riquezas em Cristo nas Epístolas de Paulo. Deus pode então usar a gratidão suscitada para nos motivar a O adorar e servir.

Tanta confusão e mágoa o mundo religioso tem sofrido ao longo dos anos em relação à doutrina da “segunda benção”. Muitos grupos carismáticos ensinam que o baptismo do Espírito Santo só é experimentado após a salvação. Não existem atalhos para a Espiritualidade nesta presente dispensação da graça de Deus. Como alguém habilmente afirmou: “nós possuímos todo o Espirito Santo que alguma vez teremos, mas Ele não nos possui totalmente!”. Somente ao crescermos no amor de Deus, através do estudo diligente da Sua Palavra e oração, pode a imagem de Cristo ser formada em nós (Filipenses 1:9-10; Gálatas 4:19; 1 Tessalonicenses 2:13).

5) Quem concede e quem recebe as bênçãos?

Resposta: Deus e o crentes em Jesus Cristo, respectivamente.

Deus é doador de todas as boas coisas. Se tal é tão evidente, porque é o homem tão preguiçoso em ser agradecido? “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” (Romanos 2:4). Quando Paulo escrevia aos Corintios, tão orgulhosos, ele teve que os repreender escrevendo, “… e que tens tu que não tenhas recebido? E se o recebeste, porque te glorias, como se não o houveras recebido?” (1 Coríntios 4:7). Assim como Abraão foi abençoado por Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, assim também o menor é abençoado pelo maior (Hebreus 7:7). “Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória pois a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:35-36).

A benção espiritual é unicamente concedida aos crentes em Jesus Cristo. O nosso texto em Efésios nos diz que Deus “nos abençoou”. O termos “nos” no versículo 3 refere-se àquele a quem Paulo se dirigia na sua epistola: “aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” (v.1). Não deixa de ser verdade que o “Pai… faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Mas o descrente encontra-se excluído de todas as bênçãos espirituais. Tal deveria ser evidente somente por considerarmos o que diz Efésios 2:11-12. Paulo traz em lembrança aos seus leitores as suas vidas passadas enquanto gentios perdidos. “Portanto, lembrai-vos de que vós, noutro tempo, éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que, na carne, se chamam circuncisão, feita pela mão dos homens; Que, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (Efésios 2:11-12).

Se porventura és alguém em busca da verdade, condescendeste em ler estas páginas, e gostarias de receber estas bênçãos espirituais, permite-nos recordar que: “Mas, Deus o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9).

Convidamos-te a reconhecer Cristo como teu Salvador pessoal sem demora. Só assim poderás te sentar à Sua mesa e gozar de um festim de coisas boas.

“Porque todos sois filhos de Deus, pela fé em Cristo Jesus… E, se sois de Cristo, estão sois descendência de Abraão, e herdeiros, conforme a promessa.” (Gálatas 3:26,29)

Resumo:

– Que tipo de bênçãos Deus nos concedeu?

– Espirituais.

– Quantas bênçãos espirituais possuímos?

– Todas.

– Onde se encontram estas bênçãos espirituais?

– Nos lugares celestiais em Cristo.

– Quando é que fomos abençoados com elas?

– Quando recebemos Cristo como Salvador.

– Quem concede e quem recebe as bênçãos?

– Deus as concede e os crentes em Jesus Cristo as recebem.

Efésios 1:3 tem revelado ser muito mais do que um relato grandioso de louvor pelo apóstolo dos gentios. Possui na verdade um grande impacto doutrinal. Usemos esta chave para descobrir os tesouros inesgotáveis presentes nesta epístola tão breve. Então regozijaremo-nos na graça de Deus, misericórdia e paz, e “conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:19). Que possamos conhecer a Sua plenitude agora e por toda a eternidade. Amém.

(por Ken Lawson) 

A Importância da Igreja Local Dezembro 13, 2013

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Nos dias de hoje, muitos parecem procurar a Igreja perfeita. Um dia, certo homem foi ter com Charles Spurgeon, dizendo que procurava a Igreja perfeita. Este respondeu-lhe que na sua congregação havia muitos que pareciam santos, mas poderia estar um “Judas” entre eles. Afinal, até Jesus teve um traidor entre os Seus apóstolos. E continuou, dizendo que alguns poderiam estar a andar em desobediência, como foi o caso dos crentes de Roma, Corinto e Galácia. Spurgeon concluiu: “A minha Igreja não é a que procura. Mas se encontrar essa Igreja perfeita, peço-lhe que não se associe a ela, pois certamente a corromperá.”

Antes de chegar à glória, a Igreja local nunca será perfeita, simplesmente porque a desobediência e a carnalidade sempre conviverão com a graça e com o amor. Quando se assiste a um encontro onde lados opostos estão numa discussão acalorada sobre um assunto espinhoso, dá vontade de sair mais cedo para evitar o envolvimento na confusão. Assistir a este tipo de encontros não é para tímidos. Faz-nos lembrar o velho ditado: “Viver no Céu com os santos que amamos, será certamente glorioso. Mas viver na terra com os santos que conhecemos, isso já é outra história.” É interessante que este ditado foca o centro do problema. De facto, é por isso que a igreja local é tão essencial para os planos e propósitos Deus, como veremos.

A Igreja

“E sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:22-23).

“À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que, em todo o lugar, invocam o nome do nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (I Coríntios 1:2).

A palavra “Igreja” ou “assembleia” (do grego “ecclesia”) é um termo muito geral que define um grupo de homens e mulheres “chamados para algo”. Pode referir-se a um conjunto de incrédulos como os de Éfeso, sobre os quais lemos em Actos 19:38-41, ou também a um grupo de crentes no Senhor Jesus Cristo (I Tessalonicenses 1:1). O contexto determinará de que tipo de “Igreja” estamos a falar, sejam os Israelitas no deserto (Actos 7:38) ou a Igreja do Reino (Mateus 16:18). Neste estudo em particular, iremos restringir este conceito à Igreja desta presente dispensação, a Igreja Corpo de Cristo (Colossenses 1:18).

A Igreja, o Corpo de Cristo é uma nova criação formada por Judeus e Gentios que colocaram a sua fé na morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não interessa que tipo de raça somos, a denominação a que pertencemos, ou o estatuto social que temos; se tivermos confiado em Jesus Cristo como nosso Salvador pessoal, então somos membros deste místico Corpo de Cristo. Esta é a verdadeira Igreja! É importante clarificar que cada membro desta Igreja, que é o Seu Corpo, é verdadeiramente salvo, o que não é necessariamente verdade com os membros de uma Igreja local. A salvação é resultado de um encontro pessoal com Cristo, e não uma consequência de ter o nosso nome na lista de membros de uma assembleia local.

“E na Igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Niger, e Lúcio, cireneu, e Manaén, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a que os tenho chamado. E então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as suas mãos, os despediram” (Actos 13:1-3).

No princípio desta presente dispensação, Antioquia (da Síria) tornou-se a sede da Igreja dos Gentios. O que a cidade de Jerusalém era para os santos do reino, assim Antioquia era para os do Corpo de Cristo. Foi desta assembleia local em Antioquia que o Espírito Santo enviou o Apóstolo Paulo nas suas três primeiras viagens missionárias. Claro que foi o Senhor da glória que chamou o Apóstolo Paulo anos antes (Actos 26:16; Gálatas 1:1), mas foi o Espírito Santo que instruiu os santos de Antioquia a enviar Paulo nas suas viagens missionárias, as quais na realidade foram apostólicas na sua natureza. O Apóstolo Paulo foi o primeiro a apresentar o Evangelho da graça de Deus ao mundo conhecido de então.

O ministério apostólico de Paulo tinha três vertentes: Ele evangelizava os perdidos, procurando trazê- -los a Cristo, passava a revelação do Mistério aos que recebiam o Evangelho e levava a cabo um ministério contínuo de estabelecimento de Igrejas locais. No final da sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé voltaram às cidades de Listra, Icónio e Antioquia da Pisídia onde tinham pregado o Evangelho. É importante notar o porquê do regresso a estas cidades. De acordo com alguns relatos, voltaram as estas com objectivo de designar anciãos para estas mesmas Igrejas que tinham sido anteriormente estabelecidas.

Depois de isto ser feito, eles oraram com os santos dessas mesmas igrejas e “os encomendaram ao Senhor, em Quem haviam crido” (Acts 14:21-23). O estabelecimento de Igrejas, pertencente ao ministério de para o qual Paulo foi chamado pelo Espírito Santo, é uma clara indicação para nós de que a Igreja foi ordenada por Deus. É o veículo através do qual Deus dá a conhecer as riquezas da Sua graça. Tudo o que é feito na obra do Senhor é ou deveria ser directa ou indirectamente relacionada com a igreja local.

A igreja local é um grupo (grande ou pequeno) de homens e mulheres crentes em Cristo que se reúne num local específico sob o ministério dos anciãos, os quais providenciam liderança espiritual nas coisas do Senhor. Nos nossos dias, a superestrutura denominacional que vemos ao nosso redor, com a sua hierarquia e tradições, é apenas um monumento aos caminhos ambiciosos do homem. Embora estas coisas possam apelar à carne, não fazem parte do plano original para o Corpo de Cristo. De acordo com as Escrituras, quando o Apóstolo Paulo estabeleceu igrejas em Tessalónica, Corinto, Éfeso, e Filipos, todas essas assembleias eram independentes e autónomas (Filipenses 1:1). E isto era por boa razão: se uma destas assembleias se afastasse da fé, isso não deveria afectar as outras assembleias, uma vez que não estavam sujeitas a qualquer hierarquia.

Apesar do número de membros nas Igrejas em Corinto e Éfeso ser elevado, muitas das assembleias às quais Paulo ministrava eram relativamente pequenas. Frequentemente nas suas epístolas lemos sobre uma Igreja em casa de uma determinada pessoa. Um bom exemplo é Ninfa: “Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia, e Ninfa e à Igreja que está em sua casa” (Colossenses 4:15). Quer o trabalho fosse pequeno ou grande, é interessante notar que cada assembleia que Paulo estabeleceu ou à qual ministrou era naquela altura uma Igreja da dispensação da Graça. Todas elas receberam o ensino de Jesus Cristo de acordo com a revelação do Mistério e inicialmente cada uma delas se empenhou em permanecer no Evangelho revelado ao apóstolo Paulo (Romanos 16:25).

O propósito da igreja local

É essencial que aqueles com posições de responsabilidade na liderança e no ministério da Palavra sigam o exemplo de Paulo no seu ministério. Ele mesmo nos exorta:

“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco” (Filipenses 4:9).

O que “aprendemos” nós de Paulo? Se estudarmos cuidadosamente as três viagens missionárias, descobrimos que a proclamação da Palavra de Deus por Paulo tem as bases tanto para o estabelecimento como para o crescimento da Igreja local. Onde quer que Paulo fosse, ele apresentava as Escrituras, e as pessoas recebiam-na de bom agrado e com corações agradecidos. Sobre este assunto, deixamos que a Bíblia fale por si mesma:

Primeira viagem missionária. Antioquia de Pisídia: “E, no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus” (Actos 13:44); Icónio: “Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à sua palavra da Sua graça, permitindo que, por suas mãos, se fizessem sinais e prodígios” (Actos 14:3); Listra e Derbe: “ E ali pregavam o Evangelho” (Actos 14:7).

Segunda viagem missionária. Tessalónica: “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e, por três sábados, disputou com eles sobre as Escrituras. E expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo” (Actos 17:2-3); Corinto: “E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Actos 18:11).

Terceira viagem missionária. Éfeso: “E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira, que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra de Senhor Jesus, assim judeus como gregos” (Actos 19:19); Troas: “E, no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia-noite” (Actos 20:7).

Nos dias de hoje, a sã pregação da Palavra de Deus foi substituída, em muitas assembleias por reuniões de louvor e por esquemas de marketing, com o objectivo de “construir” uma igreja que todas as pessoas queiram frequentar. Infelizmente algumas Igrejas têm relegado a Palavra de Deus para um plano secundário, preferindo noites musicais, pequenas peças humorísticas, filmes e testemunhos. Este tipo de conceito tem apenas o objectivo de atrair público, com a ideia de “quantos mais, melhor.” Pensam que se oferecerem mais funções sociais e programas inovadores, estarão equipados de forma a ir ao encontro das necessidades da comunidade. É uma meta ambiciosa, mas um conceito errado!

O problema é o seguinte: Se numa cidade uma Igreja anuncia que vai construir um ginásio ou que planeiam ter um culto de adoração contemporânea, com músicos talentosos, provavelmente alguns membros de outras Igrejas de bom agrado responderão a este tipo de anúncio, assistindo, participando ou até mudando para essa Igreja. Não seria a primeira vez que uma assembleia local era abandonada por um punhado de pessoas e deixada com uma grande hipoteca por pagar. Infelizmente, tudo isto é feito em detrimento da Palavra de Deus, a única coisa que vai ao encontro das necessidades das pessoas.

É bem real a tentação para as Igrejas locais seguirem as tendências dos nossos dias, mas será o nosso desejo agradar aos homens ou a Deus? Muitas igrejas locais temem que ao se identificarem com o apóstolo Paulo e ensinar a sua mensagem em toda a sua plenitude poderão chocar e afastar os seus membros.

Há alguns anos, um jovem pastor, antes de me dar a palavra, passou dez minutos a pedir desculpa aos seus ouvintes pelo apostolado de Paulo. Ele sentia que precisamos de lhe dar menos destaque, senão acabaremos por ofender alguns. Certamente a maioria das suas palavras foram ditas com o intuito de me ajudar, mas eles estava a lidar com a pessoa errada. Agradeço a Deus sem cessar por me ter libertado do jugo da tradição e do denominacionalismo e irei dizer a todos os que quiserem ouvir que também eles poderão ser libertados se reconhecerem o evangelho de Paulo.

Amados, Paulo é o porta-voz de Deus para a Igreja de hoje. Portanto, falar com desprezo do apóstolo de Deus é rejeitar o conselho do próprio Deus. As epístolas de Paulo revelam a mente e a vontade de Deus para o Corpo de Cristo nesta dispensação. Devemos pedir desculpas por ensinar esta revelação que nos foi dada através do apóstolo Paulo? Claro que não! Apesar de devermos falar a verdade com amor, por vezes a verdade é ofensiva (Gálatas 5:11, Efésios 4:15). Não ficámos ofendidos quando pela primeira vez nos disseram que éramos pecadores e que merecíamos o inferno? Mas agora estamos agradecidos a Deus por nos terem “ofendido”, porque isso nos fez ver a necessidade da salvação. Devemos ser muito cautelosos para não apagarmos “o escândalo da Cruz de Cristo”, revestindo as nossas palavras com “açúcar” que podem condenar o homem à perdição.

Um dos propósitos da igreja local é providenciar um ambiente onde a Palavra de Deus possa ser recebida com gratidão. A pregação da Palavra deve ser a peça central na nossa adoração ao Deus Todo-Poderoso. A verdadeira adoração começa com Deus a ser glorificado no ensino da Sua Palavra. Em seguida, é realçada com cânticos, hinos, orações e testemunhos pessoais. Para a maior parte das Igrejas de hoje, esta ordem foi invertida, tornando o povo de Deus em “crianças” no conhecimento da Palavra de Deus.

Quando falamos da pregação da Palavra de Deus, não nos estamos a referir a uma mensagem devocional de dez minutos no domingo de manhã, pois pouco proveito isso terá isoladamente! Em vez disso, sempre que nos reunirmos para adorar a Deus, é preferível abrirmos as Escrituras e fazer uma exposição versículo a versículo de um determinado livro, Romanos por exemplo. Acreditamos que esta é a forma mais eficaz e proveitoso de ensinar as Escrituras. É importante recordar, que Paulo argumentou com os seus ouvintes, ensinando-lhes a Palavra da Vida. Seja qual for o formato que utilizemos, ao “pregar a Palavra” o povo de Deus responderá da mesma forma que os de Tessalónica:

“Pelo que, também, damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual, também, opera em vós, os que crestes” (I Tessalonicenses 2:13).
Pelo facto de os santos em Tessalónica terem de bom agrado recebido a Palavra da Sua graça, esta mesma palavra começou a trabalhar no seu interior, alterando a sua forma de vida. Os caminhos e atitudes do mundo que antes eram tão importantes para eles, gradualmente foram substituídos por um forte desejo de “caminhar” de uma forma que honrasse Aquele que os chamou, foram crescendo na graça e tornando-se mais e mais espirituais.

Não admira que o apóstolo diga: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10:25). Se o estimado leitor não frequenta regularmente uma igreja local, gostaríamos de o encorajar a fazer isso pelos seguintes motivos: Primeiro, quando participamos numa Igreja local é-nos dada a oportunidade de louvar a Deus com outros de fé igualmente preciosa. Segundo, a Palavra de Deus vai edificando a nossa fé, permitindo que dia após dia fiquemos mais eficientes no trabalho de Deus. Também ajudará a fortalecer a nossa relação com Cristo. Terceiro, os dons e os talentos que Deus nos deu podem ser usados para Sua honra e Seu louvor. Em quarto lugar, por vezes o mundo é um lugar muito desanimador; portanto, o companheirismo e interacção com outro crentes, será um grande incentivo para cada um de nós.

A Igreja local estável é aquela que é “construída e edificada” sobre a Palavra de Deus, onde o povo Deus sabe de antemão que vai ouvir o ensino são da Palavra e que vai desafiar a sua fé. Uma Igreja com estas características é uma Igreja que produz uma atmosfera familiar, e as famílias permanecem unidas. Quando vemos que uma assembleia está fundada na Palavra de Deus, quando vierem as tempestades de adversidade (e podemos estar certos de que elas virão), os membros da assembleia estarão equipados para enfrentar a tempestade, trazendo glória de Deus.

(por Paul M. Sadler)