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As Evidências da Salvação Dezembro 15, 2013

Posted by David Costa in Salvação.
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“Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos; Por causa da esperança que vos está reservada nos céus…” (Colossenses 1:4-5).

É de alguma forma evidente que o apóstolo Paulo não tinha-se encontrado com os crentes de Colossos antes de escrever-lhes esta carta (Colossenses 2:1). Ele apenas tinha ouvido falar da sua conversão a Cristo (“porquanto ouvimos…”).

Mas do que tinha o apóstolo Paulo ouvido falar acerca deles, para ficar convencido de que foram genuinamente salvos? A nossa passagem de abertura dá-nos a resposta: “Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos; Por causa da esperança que vos está reservada nos céus…”.

Mas seria tal evidência suficiente de que Deus tinha trabalhado em seus corações? Será evidência suficiente nos dias de hoje também?

Talvez alguns podem responder: “Não! Nós temos que ter o dom do Espírito Santo e falar em línguas, ou realizar milagres”. E na verdade precisamos de reconhecer que tal fora no passado evidência de salvação. A grande comissão do nosso Senhor Jesus Cristo aos onze apóstolos afirma claramente:

“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demónios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16:17-18).
Isto é na verdade o que Palavra de Deus ensina sobre este assunto, e muitos crentes evangélicos andam em círculos ao tentar explicar tal princípio, ficando cada mais mais confusos.

Quando o apóstolo Pedro pregou a Cornélio e sua família, “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a Palavra” (Actos 10:44). Mas como é que Pedro e os seus companheiros sabiam que os da casa de Cornélio tinham recebido o Espírito Santo? O versículo 46 dá-nos a resposta: “Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus”. De acordo com este testemunho, Pedro ficou certo e sem dúvidas da salvação de Cornélio e sua família: “Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?” (Actos 11:17).

E foi isto que resolveu a questão para os outros apóstolos e presbíteros da Judéia, pois lemos no versículo seguinte: “E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.” Actos 11:18
Mas não devemos esquecer que ocorreu uma mudança de dispensações desde aquela época.

Na primeira carta aos Coríntios 13:8 podemos ler que: “O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá”.

Neste capítulo 13 da Primeira Epistola aos Coríntios lemos de outros sinais que iriam desaparecer com o tempo, e no versículo final do mesmo lemos o seguinte: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” (1 Coríntios 13:13).

Podemos então afirmar com toda a certeza que estas evidências (fé, esperança e amor) são as características de uma verdadeira igreja na presente dispensação da graça de Deus.

De uma forma geral, a confusão observada nos nossos amigos pentecostais e fundamentalistas não é devido a um problema de os seus ensinamentos não terem base nas escrituras, mas antes em não serem correctos dispensacionalmente. Eles falham em “dividir correctamente a Palavra da Verdade”.

A primeira destas três evidências de salvação é a . Esta evidência é talvez uma das mais importantes, porque “sem fé é impossível agradar-lhe” (Hebreus 11:6). E sabemos que a fé produz esperança. Num mundo sem esperança e medo, o crente pode “abundar em esperança”. E esta esperança não é um mero desejo, pois está fundada na Palavra de Deus, “como âncora da alma, segura e firme…” (Hebreus 6:19). Aqui e agora neste mundo podemos gozar, pela fé, das bênçãos que são já nossas em Cristo e que um dia serão realizadas em toda a sua plenitude.

E a esperança produz por sua vez amor. A passagem citada anteriormente, e que temos estado a estudar, fala sobre o “amor que tendes para com todos os santos; Por causa da esperança que vos está reservada nos céus.”. As bênçãos que agora são nossas em Jesus Cristo deveriam certamente convercer-nos a vivermos mais próximos uns dos outros. Pois quanto mais perto do nosso bendito Deus estamos, mais atraídos vamos ser a estarmos mais perto uns dos outros.

Fé, esperança e amor, então, são as três características ou evidências da salvação nesta presente dispensação. Qualquer igreja local onde estas três características estejam presentes, tal igreja encontra-se “completa”, mesmo que a igreja seja composta por apenas três ou quatro membros. Qualquer crente que possua estas três características em abundante medida experimenta uma vida cristã “plena”.

Anteriormente, o baptimo na água era exigido para a salvação, e os sinais miraculosos eram as evidências da salvação (Marcos 16:16-18; Actos 1:8; 2:38), mas não devemos criar confusão e divisão com os nossos esforços em continuarmos numa dispensação a qual Deus substituiu por algo muito melhor.

O crente nesta dispensação da graça é simplesmente “perfeito” em Cristo (Colossenses 2:10), “crucificado” (Galátas 2:20), “vivificado” (Colossenses 2:13), e encontra-se “assentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:6). E a autenticidade da sua conversão a Cristo Jesus é confirmada pela “fé, esperança, amor, estes três,” e não por sinais ou demonstrações miraculosas.

“E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” (Colossenses 2:10).

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas” (Colossenses 2:13).

“E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:6).

Devemos, então, de alguma forma tentar restaurar o que Deus “aniquilou”? Devemos fazer afirmações, como por exemplo, vamos ser baptizados com água como um testemunho e procurar sinais da renovação espiritual, mesmo depois de Deus ter providenciado algo muito melhor? Será que devemos voltar as costas à luz e voltar à escuridão? Claro que não! Deus diz assim na sua Palavra, na carta do apóstolo Paulo aos Coríntios:

“Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” (1 Coríntios 13:10-13).

Estas três evidências ou caracteristicas da salvação estão reunidas em 1 Coríntios 13:13; Galátas 5:5,6; 1 Tessalonicenses 1:3; 5:8; 2 Tessalonicenses 1:3; Hebreus 6:10-12 e em muitos outros versículos nas epistolas do apóstolo Paulo. Porque não procurar estas passagens, estudá-las em oração, e gloriarmo-nos nas riquezas da graça de Deus.

(por Cornelius R. Stam)

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Verdadeira Espiritualidade – Capítulo 5 Dezembro 14, 2013

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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As Duas Naturezas do Crente

O velho homem e o novo

O crente que é verdadeiramente espiritual deve reconhecer o facto de que dentro de si existem agora duas naturezas. Para além da natureza decaída de Adão, existe agora a perfeita natureza de Cristo, nascida de Deus através do Espírito Santo.

Tão real é a presença de ambas as naturezas em todo o filho de Deus, que Paulo quando se refere à experiência do crente, os seus pronomes pessoais referem-se por vezes a uma e por outras vezes à outra.

Um bom exemplo de tal situação encontra-se em Romanos 7, onde o apóstolo escreve: “eu sou carnal, vendido sob o pecado” (v. 14), e um pouco mais abaixo escreve “sirvo à lei de Deus” (v. 25). Também escreve no versículo 18: “em mim… não habita bem algum”, e uns versículos depois escreve: “tenho prazer na lei de Deus” (v. 22), referindo-se numas expressões à velha natureza e em outras à nova natureza. Certamente o “eu” que tem prazer na lei de Deus não é o mesmo “eu” que é “carnal, vendido sob o pecado” (v. 14). Mesmo assim, em ambos os casos o apóstolo usa o primeiro pronome pessoal, associando ambas as condições consigo próprio.

De forma a tornar claro de que o apóstolo Paulo se refere a duas naturezas em uma pessoa, ele usa expressões que qualificam de qual natureza ele se refere em determinado momento neste capítulo. No versículo 18 ele escreve: “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”, enquanto que no versículo 22 ele escreve: “porque segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Assim, o “mim” no versículo 18 refere-se à venha natureza, enquanto que o “eu” implícito no versículo 22 refere-se à nova natureza. Na velha natureza não habita bem algum, enquanto que a nova deleita-se na lei de Deus.

A velha natureza no crente

O crente que busca ser verdadeiramente espiritual necessita reconhecer a presença da velha natureza dentro de si. Seria perigoso não reconhecer um perigo tão perto de si.

A velha natureza no crente é aquela que é “nascida da carne”. Também é chamada de “a carne”, “o velho homem”, “o homem natural” e “a mente carnal”.

Tal como “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:8), assim também aquilo que é da carne, no crente, não pode agradar a Deus. “A carne”, como já vimos, é totalmente depravada. Deus chama-a de “carne do pecado” (Romanos 8:3), avisa-nos de que ela busca “ocasião” de fazer o mal (Gálatas 5:13) e declara que todas as “obras da carne” são más (Gálatas 5:19-21).

Também é de notar que a velha natureza no crente não se aperfeiçoa pelo contacto com a nova natureza. Em relação “à carne” no crente, e em si próprio, o apóstolo Paulo declara que nela “não habita bem algum” (Romanos 7:18), que é “carnal, vendida sob o pecado” (Romanos 7:14), que “se corrompe pelas concupiscências do engano” (Efésios 4:22), que “é inimizade contra Deus” e que “não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade, o pode ser” (Romanos 8:7).

“A carne”, que ainda permanece dentro do crente após a sua salvação, é aquela natureza gerada por um progenitor decaído. É a velha natureza adâmica. É pecaminosa em si própria. Não pode ser aperfeiçoada. Não pode ser transformada. O nosso Senhor disse que “o que é nascido da carne é carne” (João 3:6), e é tão impossível aperfeiçoar o “velho homem” no crente, como é impossível o tornar aceitável diante de Deus em primeiro lugar.

“O velho homem” foi condenado e julgado na cruz. O crente nunca é instruído a tentar fazer alguma coisa com a sua velha natureza, ou mesmo a fazer alguma coisa por ela; apenas a “despojar-se” dela.

A velha natureza não é erradicada nesta vida

Alguns crentes, com boas intenções, buscam alcançar a erradicação completa da velha natureza na sua vida. Infelizmente tal não ajuda, mas, pelo contrário, impede o desenvolvimento da verdadeira espiritualidade.

Primeiramente, a doutrina da erradicação longe de tomar uma perspectiva séria do pecado, toma antes uma perspectiva muito superficial dela. Aqueles que a ensinam, pressupõem que se nós nos conseguíssemos livrar dos nossos pecados nos reconheceríamos como perfeitos. No entanto esquecem facilmente que no nosso melhor, todos nós, decaídos pelo pecado de Adão, encontramo-nos permanentemente “destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23) e continuaremos destituídos até o dia em que formos transformados “com Ele”. Assim, “nós, pelo espírito da fé, aguardamos a esperança da justiça” (Gálatas 5:5).

Em relação àqueles que pensam que atingiram a erradicação da velha natureza, a verdade é que outros testificam facilmente de que eles tal não alcançaram. E no geral, aqueles que proclamam estar sem pecado são culpados de um dos maiores pecados: orgulho espiritual.

Sem dúvida a doutrina da erradicação encontra-se em evidente contradição com as Escrituras. A primeira epístola de João declara enfaticamente: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (…) Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (I João 1:8,10).

Paulo também escreve da “lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:23) e persuade a depender constantemente do Espírito Santo para lhe resistir:

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne, para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” (Romanos 8:11-13)

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (…) Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gálatas 5:16,25).

Certamente se a doutrina da erradicação fosse confirmada pelas Escrituras, não haveria razão qualquer para Paulo instruir todos os crentes em como lidar com a velha natureza, usando termos fortes como “considerai-vos”, “não deis lugar”, “despojai-vos” e “mortificai”, etc..

Mas imaginemos por um momento que era possível alcançar a erradicação da carne. Será que tal nos livraria dos nossos outros dois inimigos, o mundo e Satanás? Certamente que não! E havendo nos livrado da natureza decaída de Adão, nós seriamos exactamente como Adão antes da queda, sujeitos a tentações exterior, e como ele, certamente cairíamos. Mas as Escrituras claramente ensinam que todos caíram uma vez em Adão: “… por um homem entrou o pecado no mundo, pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram” (Romanos 5:12).

A nova natureza no crente

Por vezes diz-se que se há algo de bom em qualquer homem é porque foi lá colocado por Deus. E algo bom, a nova e impecável natureza foi na verdade concedida por Deus a todo o crente.

É verdade que enquanto existe dentro de nós “aquele que é gerado da carne”, existe também “aquele que é nascido do Espírito”, e enquanto uma natureza é totalmente depravada e “não pode agradar a Deus”, a outra é absolutamente perfeita e sempre Lhe agrada.

Adão foi originalmente criado à imagem e semelhança de Deus, mas ele caiu em pecado e mais tarde “gerou um filho à sua semelhança” (Génesis 5:3). Não poderia ser de outra forma. O Adão decaído só poderia gerar descendência decaída, pecaminosa, que nem a própria Lei poderia mudar.

“Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o espírito.” (Romanos 8:3-4).

Tal como Adão foi criado à semelhança de Deus, mas caiu, assim Cristo foi feito na semelhança da carne pecaminosa, para nos redimir da queda, pela graça, através da operação do Espírito, uma nova criação foi gerada, o “novo (homem) que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10), um “novo homem, que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

João, na sua primeira epístola, que não vai tão longe ao descrever a nova criação, não deixa de referir-se à nova natureza no crente quando escreve:

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (I João 3:9)

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (I João 5:18)

É evidente que “aquele” nesta passagem não se refere ao indivíduo em si, mas àquela parte no indivíduo que Paulo chama de “o novo homem”, pois já vimos que João, nesta mesma epístola, declara que “se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos (…) fazemo-lo (Deus) mentiroso”. É a nova natureza no crente que não pode pecar, pois foi esta natureza, e não a velha, que foi nascida de Deus.

Assim, para além da natureza decaída de Adão que possuímos, pela fé, fomos também tornados “participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Este é o “homem interior” de que Paulo fala em Efésios 3:16. E este “homem interior” deleita-se em fazer a vontade de Deus (Romanos 7:22).

Agradeçamos a Deus que a velha natureza está debaixo da condenação da morte, pois judicialmente Deus já tratou com ela. Ela foi crucificada com Cristo. Mas na prática, o seu fim só chegará quando “a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer” (2 Coríntios 5:1), quando formos “transformados” (1 Coríntios 15:52) e “arrebatados… a encontrar o Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4:17), mas a nova natureza, a que foi nascida de Deus, nunca morrerá. Em primeiro lugar, não está debaixo da condenação do pecado. Em segundo lugar, aquele que é gerado “não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pedro 1:23).

Paulo, segundo o Espírito Santo, dá uma ênfase especial a este facto, já que ele afecta os crentes nesta presente dispensação, não só porque fomos “gerados” do Espírito e nos foi dada a vida ressurrecta de Cristo, mas porque pertencemos também agora a uma “nova criação” (2 Coríntios 5:17; Efésios 2:10), a qual Deus irá glorificar “nos séculos vindouros” de forma a revelar “as abundantes riquezas da sua graça” (Efésios 2:7).

Desta forma abrimos caminho para agora considerarmos o conflito entre a velha e a nova natureza, e os meios à disposição para vencer a velha.

O conflito entre a velha e a nova natureza

As epístolas de Paulo falam muito do conflito que continuamente existe dentro do crente, entre a velha e a nova natureza. Deus tem um propósito gracioso em permitir tal conflito e este tem as suas verdadeiras vantagens para o crente. Também é verdade que provisão ampla foi feita para a nossa vitória espiritual em qualquer situação, mas antes de considerarmos tal, tratemos primeiramente com o facto do conflito em si.

No tocante a este conflito, o apóstolo Paulo escreve, por inspiração: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gálatas 5:17).

Sobre este conflito no sua experiência pessoal, ele escreve:

“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. (…) Porque segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha com a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:19,22-23).

Alguns ensinam que não necessitamos de viver esta luta contínua entre a velha e a nova natureza. Eles dizem: “sai do capítulo 7 de Romanos e vem para o 8”. A tais recordaríamos que o Apóstolo Paulo escreveu o capítulo 7 e 8 de Romanos na mesma ocasião, e na carta original nem interrupção existe, nem mesmo a divisão dos capítulos. Assim, o apóstolo que exclama “portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1), escreve na mesma carta, somente umas frases antes, “a lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:23), e livremente reconhece a operação presente de tal lei nos seus membros, como vimos antes. Como é que então podemos sair do capítulo 7 e ir para o 8? Paulo experimentou ambos ao mesmo tempo, e nós também, pois apesar de estarmos livres da condenação do pecado, o pecado continua mesmo assim a operar dentro de nós.

É verdade certamente que não há esforço ou sacrifício que possa melhorar a nossa natureza adâmica. Mas não é verdade que não devia existir luta entre as duas naturezas. De outra forma, as exortações a não darmos lugar à velha natureza, mas a nos despirmos das obras do velho homem, e mortificar, a dar como mortas, as nossas inclinações terrenas, não fariam qualquer sentido.

É um facto simples de que o conflito descrito em Romanos 7 é sentido na vida de todo o crente. Aqueles que afirmam que devemos sair de Romanos 7, que tentem provar o contrário. Se já chegaram a uma posição que conseguem consistentemente fazer as coisas que devem, onde a “lei do pecado” já não opera mais nos seus membros; se na sua experiência foram libertos do domínio da velha natureza; se até este dia não reconheceram na sua experiência que “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” e se não precisam de gritar como Paulo: “miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”; se eles não precisam de esperar com Paulo “pelo espírito da fé, aguardamos a esperança da justiça” (pessoal, perfeita); devem então juntar-se àqueles que ensinam perfeição sem pecado e erradicação da velha natureza. Se para tal não estão prontos, precisam de reconhecer as verdades claras de Gálatas 5:17 e Romanos 7:22-23.

Se perguntarem-nos se devemo-nos considerar culpados de não podermos fazer as coisas que queremos, responderemos que Gálatas 5:17 não foi escrito para ensinar-nos acerca da nossa incapacidade, mas antes revelar-nos a nossa depravação completa. O Espírito está sempre presente e pronto a conceder a ajuda necessária, mas somos tão inerentemente maus por natureza, que nunca conseguimos consistentemente fazer as coisas que devemos. Certamente a carne luta constantemente, numa guerra sem tréguas, prevenindo-nos de fazer as coisas que devemos.

É verdade que o crente foi “libertado do pecado” pela graça (Romanos 6:14,18), e assim ele não precisa, ou melhor, não deveria, entregar-se ao pecado em nenhuma situação (Romanos 6:12-13). Também é verdade que o crente está livre da “lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2), pois Cristo tomou sobre si a nossa condenação na cruz. Mas nenhum crente está livre da presença do que Paulo chama “a lei do pecado, que está nos meus membros”, isto é, a velha natureza, a nossa tendência natural de fazer o mal. Nem ele se encontra livre do conflito entre a velha e a nova natureza.

Se queremos ser verdadeiramente espirituais, e lidar de acordo com as Escrituras com o pecado que vive em nós, precisamos reconhecer a sua presença. Precisamos enfrentar o facto de que já não estamos “em pecado”, mas o pecado continua em nós, e que apesar de Deus ver como morto “o velho homem”, que morreu juntamente com Cristo, ele continua vivo e activo no tocante à nossa experiência no presente.

As bênçãos do conflito

Este conflito não nos deve desencorajar, porque ele é um dos sinais certos de verdadeira salvação. Tal conflito é desconhecido para o descrente, e somente a presença adicional da nova natureza, juntamente com a velha, causa este conflito, pois são contrárias uma à outra.

Se não experimentamos tal conflito totalmente, poderá apenas significar que não fomos salvos, pois as duas naturezas são tão incompatíveis, e vivendo ambas dentro de nós, que é inevitável que o conflito não rompa. Se pouco reconhecemos este conflito dentre de nós, só pode significar que a velha natureza, nas várias formas subtis e enganosas, atingiu o controlo pleno de nós. Quando a nova natureza se manifesta dentre de nós, como deve, a velha natureza certamente entra em guerra contra a nova de forma mais feroz.

Mas não só é o conflito sinal seguro de salvação, como cria também dentro de nós uma sensibilidade para com a nossa corrupção interior e a graça infinita de um Deus santo em nos salvar e em ministrar diariamente para connosco nos ajudando a conquistar o pecado. Assim também temos oportunidade de proclamar o evangelho da graça de Deus aos perdidos de uma forma mais compreensiva, já que possuímos a mesma que natureza que os perdidos.

Poder para vencer

Consideremos agora os meios que Deus providenciou para nos ajudar a vencer o pecado e viver vidas espirituais normais.

Mediante o que já referimos, é evidente que o Espirito Santo não toma possessão completa de nós no momento em que nos salva, e assim não nos força de forma sobrenatural a viver vidas que agradem a Deus. Pelo contrário, assim como é com a salvação, também o é com a vida cristã. Ele opera no crente “pela graça, mediante a fé”. Ajuda capaz e poderosa para vencer o pecado é-nos livremente oferecida gratuitamente, mas esta ajuda tem de ser apropriada pela fé em cada situação individual. Não existe provisão para uma vitória contínua e automática por todas as batalhas da nossa vida. Precisamos de olhar para Ele em fé e buscar a ajuda que precisamos, em cada batalha separadamente.

Assim compreendemos que as Escrituras nos ensinam que no tocante à vitória sobre o pecado, esta não se revela em que nos é impossível pecar, mas antes de que em qualquer situação é nos possível não pecar. A verdadeira questão em tempos de tentação é se verdadeiramente desejamos a vencer, pois o livramento é concedido gratuitamente, se o apropriarmos pela fé.

Mas como é que o livramento é providenciado? A resposta é: Pelo Espírito Santo.

O crente não necessita de continuar escravizado pelo pecado, pois o Espirito Santo que habita no seu interior, assim como Ele concedeu vida no momento da salvação, assim também concede a força para resistir ao pecado. Quando somos tentados e mesmo incapazes de orar como devemos, “o Espírito ajuda na nossas fraquezas” e “intercede por nós, com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26). Quando em franqueza e aflição, nós somos “corroborados, com poder, pelo Seu Espírito, no homem interior” (Efésios 3:16).

Na verdade, o Espírito até nos fortalece fisicamente para resistirmos ao pecado, como lemos: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Romanos 8:11)

Não devemos confundir tal com curas miraculosas. Somente se refere ao fortalecimento contra a tentação. Assim escreve o apóstolo: “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne, para viver segundo a carne.” (Romanos 8:12)

Somos então devedores para com o Espírito que habita em nós, e não para com a carne. Com o Espírito tão perto para nos ajudar, não há justificação para nos queixarmos acerca das nossas fraquezas, ou desculpa para os nossos pecados com base em que “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” ou “sou meramente humano”.

O Espírito usa um meio em particular, acima de qualquer outro para nos fortalecer contra a tentação: a Sua Palavra. Nela nós aprendemos o que Deus fez com a velha natureza e qual é a nossa posição em Cristo. É-nos necessário compreender tais factos e os apreciar, se quisermos aprender a lidar com a velha natureza e gozarmos da nossa posição em Cristo.

Em primeiro lugar Deus considera a nossa velha natureza como tendo morrido, com Cristo no Calvário. Nunca deveríamos cessar de agradecer a Deus por isto, pois no que diz respeito ao nosso relacionamento com Ele (e isto é o mais importante) a questão do pecado já foi resolvida. Mas tal implica que a velha natureza não possui mais o direito de viver ou se manifestar em nós. Desta forma Paulo argumenta: “Ou não sabeis que, todos quantos fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?” (Romanos 6:3), e “Assim, também, vós, considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6:11).

Mas há mais! Não somente o “velho homem” morreu juntamente com Cristo na cruz, mas também um “novo homem” emergiu juntamente com Cristo da sepultura.

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:4-6)

“Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, em Cristo.” (Efésios 1:3).

Necessitamos tomar tal como verdade, e apropriarmo-nos de tal pela fé, com Paulo escreve:
“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à dextra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus.” (Colosseses 3:1-3)

Assim temos motivação em viver de forma que agrade a Deus, já que a nossa velha natureza se encontra posicionalmente morta e possuímos agora uma nova natureza, tal como lemos em Romanos 6:

“Assim, também, vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado, no vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências. Nem tão-pouco apresenteis os vossos membros ao pecado, por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos de entre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:11-13)

Paulo escreve mais sobre a nossa posição em Cristo noutras epístolas, e também demonstra que não há nada que nos possa ajudar a viver de forma agradável a Deus, para além da compreensão e apreciação da nossa posição e bênçãos celestiais em Cristo. É quando nos ocupamos com estas “coisas do Espírito” que damos connosco a “caminhar no Espírito” e “andai no Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gálatas 5:16). Certamente enquanto andamos no Espírito iremos produzir “o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23).

Muito melhor é ter as nossas vidas transformadas por ocuparmo-nos com Cristo (2 Corintios 3:18), com a nossa posição e bênçãos nos lugares celestiais com Ele (Colossenses 3:1-3), do que embarcar na tarefa inútil de tentar melhorar a nossa velha natureza. Sempre ocupado com introspecção, sempre ocupado com a carne!

Resumindo, a nossa responsabilidade para com o “velho homem” é: considera-o verdadeiramente morto; não tentes o melhorar (Romanos 6:11; Gálatas 2:20; Colossenses 3:3); não faças provisão para ele (Romanos 13:14); “despoja-te” dela na prática, já que dele fomos despidos posicionalmente (Efésios 4:22; Colossenses 3:8-9). A nossa responsabilidade para com o novo homem é: “considerai-vos vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:11); “apresentai-vos a Deus, como vivos de entre os mortos” (Romanos 6:8); alimenta o novo homem (Colossenses 3:16; 1 Pedro 2:2); “andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4); veste o novo homem, na prática, já que dele foste vestido posicionalmente (Efésios 4:24; Colossenses 3:10); “buscai as coisas que são de cima” (Colossenses 3:1). Ocupa-te constantemente com as coisas de Deus, com aquilo que Ele fez por ti em Cristo, com aquilo que Ele fez em ti em Cristo, e com aquilo que Ele te deu em Cristo.

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne”. (Gálatas 5:16).

(por Cornelius R. Stam)

A Importância da Igreja Local Dezembro 13, 2013

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Nos dias de hoje, muitos parecem procurar a Igreja perfeita. Um dia, certo homem foi ter com Charles Spurgeon, dizendo que procurava a Igreja perfeita. Este respondeu-lhe que na sua congregação havia muitos que pareciam santos, mas poderia estar um “Judas” entre eles. Afinal, até Jesus teve um traidor entre os Seus apóstolos. E continuou, dizendo que alguns poderiam estar a andar em desobediência, como foi o caso dos crentes de Roma, Corinto e Galácia. Spurgeon concluiu: “A minha Igreja não é a que procura. Mas se encontrar essa Igreja perfeita, peço-lhe que não se associe a ela, pois certamente a corromperá.”

Antes de chegar à glória, a Igreja local nunca será perfeita, simplesmente porque a desobediência e a carnalidade sempre conviverão com a graça e com o amor. Quando se assiste a um encontro onde lados opostos estão numa discussão acalorada sobre um assunto espinhoso, dá vontade de sair mais cedo para evitar o envolvimento na confusão. Assistir a este tipo de encontros não é para tímidos. Faz-nos lembrar o velho ditado: “Viver no Céu com os santos que amamos, será certamente glorioso. Mas viver na terra com os santos que conhecemos, isso já é outra história.” É interessante que este ditado foca o centro do problema. De facto, é por isso que a igreja local é tão essencial para os planos e propósitos Deus, como veremos.

A Igreja

“E sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:22-23).

“À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que, em todo o lugar, invocam o nome do nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (I Coríntios 1:2).

A palavra “Igreja” ou “assembleia” (do grego “ecclesia”) é um termo muito geral que define um grupo de homens e mulheres “chamados para algo”. Pode referir-se a um conjunto de incrédulos como os de Éfeso, sobre os quais lemos em Actos 19:38-41, ou também a um grupo de crentes no Senhor Jesus Cristo (I Tessalonicenses 1:1). O contexto determinará de que tipo de “Igreja” estamos a falar, sejam os Israelitas no deserto (Actos 7:38) ou a Igreja do Reino (Mateus 16:18). Neste estudo em particular, iremos restringir este conceito à Igreja desta presente dispensação, a Igreja Corpo de Cristo (Colossenses 1:18).

A Igreja, o Corpo de Cristo é uma nova criação formada por Judeus e Gentios que colocaram a sua fé na morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não interessa que tipo de raça somos, a denominação a que pertencemos, ou o estatuto social que temos; se tivermos confiado em Jesus Cristo como nosso Salvador pessoal, então somos membros deste místico Corpo de Cristo. Esta é a verdadeira Igreja! É importante clarificar que cada membro desta Igreja, que é o Seu Corpo, é verdadeiramente salvo, o que não é necessariamente verdade com os membros de uma Igreja local. A salvação é resultado de um encontro pessoal com Cristo, e não uma consequência de ter o nosso nome na lista de membros de uma assembleia local.

“E na Igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Niger, e Lúcio, cireneu, e Manaén, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a que os tenho chamado. E então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as suas mãos, os despediram” (Actos 13:1-3).

No princípio desta presente dispensação, Antioquia (da Síria) tornou-se a sede da Igreja dos Gentios. O que a cidade de Jerusalém era para os santos do reino, assim Antioquia era para os do Corpo de Cristo. Foi desta assembleia local em Antioquia que o Espírito Santo enviou o Apóstolo Paulo nas suas três primeiras viagens missionárias. Claro que foi o Senhor da glória que chamou o Apóstolo Paulo anos antes (Actos 26:16; Gálatas 1:1), mas foi o Espírito Santo que instruiu os santos de Antioquia a enviar Paulo nas suas viagens missionárias, as quais na realidade foram apostólicas na sua natureza. O Apóstolo Paulo foi o primeiro a apresentar o Evangelho da graça de Deus ao mundo conhecido de então.

O ministério apostólico de Paulo tinha três vertentes: Ele evangelizava os perdidos, procurando trazê- -los a Cristo, passava a revelação do Mistério aos que recebiam o Evangelho e levava a cabo um ministério contínuo de estabelecimento de Igrejas locais. No final da sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé voltaram às cidades de Listra, Icónio e Antioquia da Pisídia onde tinham pregado o Evangelho. É importante notar o porquê do regresso a estas cidades. De acordo com alguns relatos, voltaram as estas com objectivo de designar anciãos para estas mesmas Igrejas que tinham sido anteriormente estabelecidas.

Depois de isto ser feito, eles oraram com os santos dessas mesmas igrejas e “os encomendaram ao Senhor, em Quem haviam crido” (Acts 14:21-23). O estabelecimento de Igrejas, pertencente ao ministério de para o qual Paulo foi chamado pelo Espírito Santo, é uma clara indicação para nós de que a Igreja foi ordenada por Deus. É o veículo através do qual Deus dá a conhecer as riquezas da Sua graça. Tudo o que é feito na obra do Senhor é ou deveria ser directa ou indirectamente relacionada com a igreja local.

A igreja local é um grupo (grande ou pequeno) de homens e mulheres crentes em Cristo que se reúne num local específico sob o ministério dos anciãos, os quais providenciam liderança espiritual nas coisas do Senhor. Nos nossos dias, a superestrutura denominacional que vemos ao nosso redor, com a sua hierarquia e tradições, é apenas um monumento aos caminhos ambiciosos do homem. Embora estas coisas possam apelar à carne, não fazem parte do plano original para o Corpo de Cristo. De acordo com as Escrituras, quando o Apóstolo Paulo estabeleceu igrejas em Tessalónica, Corinto, Éfeso, e Filipos, todas essas assembleias eram independentes e autónomas (Filipenses 1:1). E isto era por boa razão: se uma destas assembleias se afastasse da fé, isso não deveria afectar as outras assembleias, uma vez que não estavam sujeitas a qualquer hierarquia.

Apesar do número de membros nas Igrejas em Corinto e Éfeso ser elevado, muitas das assembleias às quais Paulo ministrava eram relativamente pequenas. Frequentemente nas suas epístolas lemos sobre uma Igreja em casa de uma determinada pessoa. Um bom exemplo é Ninfa: “Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia, e Ninfa e à Igreja que está em sua casa” (Colossenses 4:15). Quer o trabalho fosse pequeno ou grande, é interessante notar que cada assembleia que Paulo estabeleceu ou à qual ministrou era naquela altura uma Igreja da dispensação da Graça. Todas elas receberam o ensino de Jesus Cristo de acordo com a revelação do Mistério e inicialmente cada uma delas se empenhou em permanecer no Evangelho revelado ao apóstolo Paulo (Romanos 16:25).

O propósito da igreja local

É essencial que aqueles com posições de responsabilidade na liderança e no ministério da Palavra sigam o exemplo de Paulo no seu ministério. Ele mesmo nos exorta:

“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco” (Filipenses 4:9).

O que “aprendemos” nós de Paulo? Se estudarmos cuidadosamente as três viagens missionárias, descobrimos que a proclamação da Palavra de Deus por Paulo tem as bases tanto para o estabelecimento como para o crescimento da Igreja local. Onde quer que Paulo fosse, ele apresentava as Escrituras, e as pessoas recebiam-na de bom agrado e com corações agradecidos. Sobre este assunto, deixamos que a Bíblia fale por si mesma:

Primeira viagem missionária. Antioquia de Pisídia: “E, no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus” (Actos 13:44); Icónio: “Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à sua palavra da Sua graça, permitindo que, por suas mãos, se fizessem sinais e prodígios” (Actos 14:3); Listra e Derbe: “ E ali pregavam o Evangelho” (Actos 14:7).

Segunda viagem missionária. Tessalónica: “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e, por três sábados, disputou com eles sobre as Escrituras. E expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo” (Actos 17:2-3); Corinto: “E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Actos 18:11).

Terceira viagem missionária. Éfeso: “E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira, que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra de Senhor Jesus, assim judeus como gregos” (Actos 19:19); Troas: “E, no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia-noite” (Actos 20:7).

Nos dias de hoje, a sã pregação da Palavra de Deus foi substituída, em muitas assembleias por reuniões de louvor e por esquemas de marketing, com o objectivo de “construir” uma igreja que todas as pessoas queiram frequentar. Infelizmente algumas Igrejas têm relegado a Palavra de Deus para um plano secundário, preferindo noites musicais, pequenas peças humorísticas, filmes e testemunhos. Este tipo de conceito tem apenas o objectivo de atrair público, com a ideia de “quantos mais, melhor.” Pensam que se oferecerem mais funções sociais e programas inovadores, estarão equipados de forma a ir ao encontro das necessidades da comunidade. É uma meta ambiciosa, mas um conceito errado!

O problema é o seguinte: Se numa cidade uma Igreja anuncia que vai construir um ginásio ou que planeiam ter um culto de adoração contemporânea, com músicos talentosos, provavelmente alguns membros de outras Igrejas de bom agrado responderão a este tipo de anúncio, assistindo, participando ou até mudando para essa Igreja. Não seria a primeira vez que uma assembleia local era abandonada por um punhado de pessoas e deixada com uma grande hipoteca por pagar. Infelizmente, tudo isto é feito em detrimento da Palavra de Deus, a única coisa que vai ao encontro das necessidades das pessoas.

É bem real a tentação para as Igrejas locais seguirem as tendências dos nossos dias, mas será o nosso desejo agradar aos homens ou a Deus? Muitas igrejas locais temem que ao se identificarem com o apóstolo Paulo e ensinar a sua mensagem em toda a sua plenitude poderão chocar e afastar os seus membros.

Há alguns anos, um jovem pastor, antes de me dar a palavra, passou dez minutos a pedir desculpa aos seus ouvintes pelo apostolado de Paulo. Ele sentia que precisamos de lhe dar menos destaque, senão acabaremos por ofender alguns. Certamente a maioria das suas palavras foram ditas com o intuito de me ajudar, mas eles estava a lidar com a pessoa errada. Agradeço a Deus sem cessar por me ter libertado do jugo da tradição e do denominacionalismo e irei dizer a todos os que quiserem ouvir que também eles poderão ser libertados se reconhecerem o evangelho de Paulo.

Amados, Paulo é o porta-voz de Deus para a Igreja de hoje. Portanto, falar com desprezo do apóstolo de Deus é rejeitar o conselho do próprio Deus. As epístolas de Paulo revelam a mente e a vontade de Deus para o Corpo de Cristo nesta dispensação. Devemos pedir desculpas por ensinar esta revelação que nos foi dada através do apóstolo Paulo? Claro que não! Apesar de devermos falar a verdade com amor, por vezes a verdade é ofensiva (Gálatas 5:11, Efésios 4:15). Não ficámos ofendidos quando pela primeira vez nos disseram que éramos pecadores e que merecíamos o inferno? Mas agora estamos agradecidos a Deus por nos terem “ofendido”, porque isso nos fez ver a necessidade da salvação. Devemos ser muito cautelosos para não apagarmos “o escândalo da Cruz de Cristo”, revestindo as nossas palavras com “açúcar” que podem condenar o homem à perdição.

Um dos propósitos da igreja local é providenciar um ambiente onde a Palavra de Deus possa ser recebida com gratidão. A pregação da Palavra deve ser a peça central na nossa adoração ao Deus Todo-Poderoso. A verdadeira adoração começa com Deus a ser glorificado no ensino da Sua Palavra. Em seguida, é realçada com cânticos, hinos, orações e testemunhos pessoais. Para a maior parte das Igrejas de hoje, esta ordem foi invertida, tornando o povo de Deus em “crianças” no conhecimento da Palavra de Deus.

Quando falamos da pregação da Palavra de Deus, não nos estamos a referir a uma mensagem devocional de dez minutos no domingo de manhã, pois pouco proveito isso terá isoladamente! Em vez disso, sempre que nos reunirmos para adorar a Deus, é preferível abrirmos as Escrituras e fazer uma exposição versículo a versículo de um determinado livro, Romanos por exemplo. Acreditamos que esta é a forma mais eficaz e proveitoso de ensinar as Escrituras. É importante recordar, que Paulo argumentou com os seus ouvintes, ensinando-lhes a Palavra da Vida. Seja qual for o formato que utilizemos, ao “pregar a Palavra” o povo de Deus responderá da mesma forma que os de Tessalónica:

“Pelo que, também, damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual, também, opera em vós, os que crestes” (I Tessalonicenses 2:13).
Pelo facto de os santos em Tessalónica terem de bom agrado recebido a Palavra da Sua graça, esta mesma palavra começou a trabalhar no seu interior, alterando a sua forma de vida. Os caminhos e atitudes do mundo que antes eram tão importantes para eles, gradualmente foram substituídos por um forte desejo de “caminhar” de uma forma que honrasse Aquele que os chamou, foram crescendo na graça e tornando-se mais e mais espirituais.

Não admira que o apóstolo diga: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10:25). Se o estimado leitor não frequenta regularmente uma igreja local, gostaríamos de o encorajar a fazer isso pelos seguintes motivos: Primeiro, quando participamos numa Igreja local é-nos dada a oportunidade de louvar a Deus com outros de fé igualmente preciosa. Segundo, a Palavra de Deus vai edificando a nossa fé, permitindo que dia após dia fiquemos mais eficientes no trabalho de Deus. Também ajudará a fortalecer a nossa relação com Cristo. Terceiro, os dons e os talentos que Deus nos deu podem ser usados para Sua honra e Seu louvor. Em quarto lugar, por vezes o mundo é um lugar muito desanimador; portanto, o companheirismo e interacção com outro crentes, será um grande incentivo para cada um de nós.

A Igreja local estável é aquela que é “construída e edificada” sobre a Palavra de Deus, onde o povo Deus sabe de antemão que vai ouvir o ensino são da Palavra e que vai desafiar a sua fé. Uma Igreja com estas características é uma Igreja que produz uma atmosfera familiar, e as famílias permanecem unidas. Quando vemos que uma assembleia está fundada na Palavra de Deus, quando vierem as tempestades de adversidade (e podemos estar certos de que elas virão), os membros da assembleia estarão equipados para enfrentar a tempestade, trazendo glória de Deus.

(por Paul M. Sadler)

A Pregação da Cruz Dezembro 12, 2013

Posted by David Costa in Estudos, Salvação.
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O artigo “O ensino da Cruz” teve o seu início no mar, servindo-nos da embarcação do apóstolo Pedro; mas agora é de extrema importância abandonar este barco. Enquanto caminhamos pelo livro de Actos, o nosso guia será o apóstolo Paulo. Ele irá guiar-nos através da obra consumada de Cristo na Cruz, um território desconhecido antes da revelação do apóstolo Paulo. À medida que caminhamos, vamos conhecer que o apóstolo Paulo foi o primeiro a revelar-nos a importância e o significado da morte de Cristo. Ele proclamou a Cruz de Cristo como boas novas! Perante esta mensagem só existem duas possíveis reacções; ser recebida com louvor e de bom grado, ou rejeitada como um mero disparate!

A pregação da Cruz

“Porque a palavra da Cruz é loucura para os que perecem; mas, para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (I Cor. 1:18).

Algumas versões traduzem “pregação” em lugar de “palavra”. O termo “pregação” não é uma expressão típica usada pelo apóstolo Paulo quando se refere à proclamação da Cruz de Cristo. Por exemplo, em II Timóteo 4:2, Paulo instrui-nos a que cada um de nós “Pregue a Palavra”. Neste versículo Paulo utiliza a palavra grega kerusso, que significa “arauto”. Refere-se ao que anuncia claramente e de voz alta a entrada do Rei. Da mesma forma, é nosso dever apresentar o evangelho da salvação de uma forma clara. É interessante que em I Coríntios 1:18, Paulo emprega o termo Logos – a Palavra. Então, a Palavra da Cruz, é o poder de Deus para salvação. O objectivo do apóstolo Paulo é fazer o contraste entre a Palavra da Cruz e a palavra do homem.

Para o homem natural, a Cruz é uma mera loucura. Claro, é absurdo pensar que Deus tomaria a forma humana, seria crucificado e ressurgiria para redimir a humanidade! Para o homem natural isto está para além do que é racional. Perante isto, Paulo desafia o mundo tentar igualar a sua sabedoria e o seu conhecimento com a sabedoria e o conhecimento de Deus.

“Onde está o sábio [inteligente]? Onde está o escriba [doutor da lei]? Onde está o inquiridor [orador] deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” (I Coríntios 1:20).

O apóstolo Paulo convoca o mundo para responder às velhas questões, como: De onde veio o homem? Como pode o homem tornar-se justo perante Deus? Qual é o propósito desta vida? Qual é o fim do homem e o que vem depois da morte? O homem natural que tenta responder a todas estas questões excluindo Deus é semelhante a um homem cego, procurando num quarto escuro um gato preto que não existe. A filosofia do mundo pode ser apresentada da seguinte forma:

  1. Origem: Num passado imemorial, do nada surgiu algo, do qual acabou por surgir vida. Durante cerca de 5 milhões de anos, este algo, chamado ameba, evolui até chegar a uma forma complexa de milhões de células que veio a tornar-se no homem moderno.
  2. Justificação: Se as minhas boas acções igualarem ou superarem as minhas más acções, Deus vai aceitar-me no Céu quando eu morrer.
  3. Propósito: De um lado da moeda, a filosofia epicurista é: “Come, bebe, e sê feliz, porque amanhã morrerás.” No fim de contas, devemos experimentar tudo o que o mundo tem para dar. Mas do outro lado da moeda, o estóico diz que nos devemos privar dos prazeres mundanos para encontrar satisfação completa nesta vida.
  4. Destino Eterno: A maioria dos descrentes negam que haja vida para além da morte. Nas palavras de Carl Sagan, um famoso astrónomo, “A morte é o fim!”

De acordo com a Palavra de Deus, no princípio Deus criou o homem à Sua imagem (Génesis 1:26; 2:7). John Milton um dia disse: “A grandeza e o carácter sagrado da alma do homem é certificada por dois factos: primeiro, a criação da sua alma à imagem do eterno Deus; e segundo, o preço necessário que teve de ser pago para a redimir.” Nos dias de hoje, o homem é justificado pela graça por meio da fé na obra redentora de Cristo, e nunca pelas obras que o homem possa fazer (Romanos 3:24; I Coríntios 15:1-4). Após a conversão, o fim principal do homem é glorificar a Deus, com quem vai passar a eternidade nos céus (Apocalipse 4:11; Colossenses 1:5).

Através do conhecimento humano, o homem nunca poderá conhecer a Deus! Assim, “aprouve a Deus salvar os crentes, pela loucura da pregação” (I Coríntios 1:21). A expressão “loucura da pregação” é a lógica do céptico: para eles, nada mais do que loucura. Mas a pregação da Cruz é, para aqueles que estão salvos, uma demonstração do poder de Deus. Convence-nos dos nossos pecados e traz-nos a salvação. O poder de Deus transformou as nossas vidas!

Redenção sem limites

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador. Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade: Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (I Timóteo 2:3-6).

A pregação da Cruz ensina-nos claramente que Cristo morreu por cada um de nós. A expressão “que quer que todos” na passagem anterior tem o sentido de que Deus “deseja” que todo o homem seja salvo. Nestes versículos podemos constatar a interligação entra a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Deus, na Sua soberania, declara o homem culpado do seu pecado através da Sua Palavra, mas é importante notar que Deus nunca vai infringir a vontade do homem. O homem é responsável por crer nas boas novas de que Cristo Jesus morreu pelos seus pecados.

Paulo acrescenta “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.” Um mediador é alguém que serve de intermediário, que promove o acordo entre partes em conflito e que tecnicamente representa os dois lados. Que melhor representante pode haver entre a divindade e o homem do que a pessoa de Jesus Cristo? Ele é perfeitamente adequado para a obra da redenção, pelo simples facto de ser Deus manifestado em carne. Cristo é o único e perfeito Redentor!

Quando Cristo veio a este mundo, Ele deu-Se a Si mesmo em resgate de muitos. Nos tempos bíblicos, “resgate” era o preço a pagar pela libertação de um escravo. Da mesma forma, Cristo compareceu no mercado dos escravos do pecado para nos redimir e resgatar de volta para Deus. Esta salvação é de graça, mas teve um custo muito elevado. O resgate requerido por Deus era sangue, o precioso sangue de Seu amado e unigénito Filho, Jesus Cristo. Segundo o evangelho da graça, revelado pelo apóstolo Paulo, o alcance desta redenção é ilimitada. Cristo deu-se a Si mesmo “para” (do grego huper, que significa “em lugar de” resgate por todo o homem. A provisão foi realizada para cada um de nós, o qual é nos confirmado em II Coríntios 5:14: “que, se um morreu por todos, logo todos morreram.”

Certamente que o nosso leitor acreditará que todo o homem está morto em ofensas e pecados quando nasce neste mundo (Efésios 2:1-3). Se concorda com isto, da mesma forma estará de acordo que Cristo morreu por muitos porque este é o raciocínio da passagem.

De acordo com I Timóteo 2:6-7 todas estas coisas servem “de testemunho a seu tempo” através do apostolado de Paulo. Tal como ele diz, “fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios.” Podemos ver nestes versículos que foi dado a Paulo tornar claro o significado do Calvário. Ele foi o primeiro a revelar que Cristo era o único mediador entre Deus e os homens, o primeiro a ensinar de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, o primeiro a dar a conhecer que Cristo morreu por todos, o primeiro a revelar que Cristo é a propiciação para a remissão dos pecados passados (santos do Velho Testamento), através da paciência de Deus. Não reconhecer esta verdade é assumir como revelado algo que ainda não o tinha sido, o que é uma grande injustiça para com a Palavra de Deus.

A importância do sangue de Cristo

“O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor; em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a saber, a remissão dos nossos pecados” (Colossenses 1:13-14).

À medida que o apóstolo Paulo nos apresenta a glória dos Céus, compreendemos que a nossa passagem para o reino celestial foi adquirida e paga com o sangue precioso de Cristo. A Palavra de Deus deixa bastante claro que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22). Queridos leitores, nunca devemos menosprezar o valor do sangue de Cristo derramado para a nossa redenção. Há aqueles gostariam de roubar-nos esta maravilhosa verdade. Os liberais negam-na, os novos evangelistas tentam evitá-la, mas nós que procuramos defender a fé agradecemos a Deus pelo precioso sangue de Cristo. Declaramo-nos culpados de pregar um evangelho de sangue! A Bíblia é um livro de sangue; isso é claro ao longo das páginas do registo sagrado.

No dia 6 de Junho de 1944, vulgarmente conhecido como o Dia D, a maré da Segunda Guerra Mundial virou em favor dos aliados. O general Eisenhower montou uma das mais grandes invasões da história. Enquanto políticos e estrategas militares desempenhavam um papel na vitória na praia da Normândia, os jovens militares que lutavam corajosamente e morriam pela causa foram essencialmente aqueles que derrotaram o inimigo. Temos uma grande dívida de gratidão pelo seu acto de heroísmo. A Segunda Guerra Mundial foi ganha porque muitos daqueles homens pagaram um preço elevado.

Da mesma forma, na guerra de Deus contra o pecado, Ele conquistou o inimigo pelo precioso sangue de Cristo vertido na Cruz. Quando consideramos a vinda de Cristo a este mundo para redimir a humanidade, imediatamente somos confrontados com um problema que aparenta ser insuperável. Como pode o unigénito Filho de Deus ter vindo a este mundo em forma humana mas sem pecado? Sabemos que pais pecadores só podem gerar descendência pecaminosa. A resposta a esta pergunta pode ser encontrada em Hebreus 2:14: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.”

Aqui está um exemplo clássico da importância de consultar as versões originais, para conseguirmos compreender o sentido original que o Espírito Santo pretendia. Felizmente não precisamos de ser eruditos em hebraico ou grego, porque todo esse trabalho já foi feito para nós por pessoas dotadas nessas línguas. Deus nunca nos abandona sem auxílio!

Quando a Palavra de Deus afirma que “os filhos participam da carne e do sangue,” o termo “participam” é a tradução da palavra grega koinoneo, que significa “partilhar em comum ou partilhar na totalidade.” Assim, a raça humana partilha algo (carne e sangue) através do qual passou de homem para homem a natureza pecaminosa. Mas o Espírito Santo de Deus é cuidadoso em estabelecer a distinção entre a raça humana e a identificação humana de Jesus Cristo.

“Ele participou das mesmas coisas”

Notemos que é dito que Cristo participou “das mesmas coisas”. A palavra grega aqui é metecho, que significa que Cristo “participou das mesmas coisas, mas não na sua totalidade.” Ao ser gerado miraculosamente e nascendo de uma virgem, Cristo tomou a carne humana mas não herdou a natureza pecaminosa do homem. Uma vez que “a vida da carne está no sangue,” podemos supor com segurança que o sangue de Cristo não estava manchado com o pecado. O mesmo não pode ser dito de nós mesmos. A vida da carne está no nosso sangue, apenas no sentido em que o sangue que corre nas nossas veias mantém-nos vivos para o pecado dia após dia. Não é de admirar que o apóstolo Pedro refere-se ao “precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pedro 1:19). O sangue de Cristo é o antídoto para a doença dos nossos pecados.

Embora negado por alguns, nós cremos que Cristo derramou literalmente o Seu sangue na Cruz. Quando o sacerdote em Israel derramava o sangue na base do altar, simbolizava os pés da Cruz de Cristo, onde o sangue do Cordeiro seria derramado (Levítico 4:32-34). O sangue tem um interessante paradoxo: os criminosos tentam livrar-se dele, mas Deus limpa os nossos pecados através dele. A teia carmesim é tecida através das epístolas de Paulo, deixando uma tapeçaria de redenção.

“Mas, Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9)

No presente tempo Deus justifica os pecadores unicamente pelo sangue derramado de Cristo. Neste contexto, a justificação significa ser declarado por Deus justo por toda a eternidade. Justificação é um termo jurídico. Por exemplo, se um prisioneiro for levado perante o tribunal, há uma e uma só forma de ser justificado. Ele tem ser considerado como não culpado do crime. Se for provado que não é culpado, então é um homem justo aos olhos das leis humanas.
Consideremos outro caso. Um homem comete um determinado crime, considerado culpado e condenado à morte. O presidente pode perdoar este homem, mas nunca o pode justificar. Apesar de este homem ser perdoado, continua a ser um criminoso culpado do seu crime. Não há forma humana possível de o justificar e remover a culpa do seu crime.

Mas maravilha das maravilhas, embora achados culpados diante do tribunal da justiça de Deus, somos justificados pela graça de Deus. A Lei aponta o seu dedo na nossa direcção e diz: tu és pecador, culpado de todas as acusações, e portanto condenado a morrer. “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma carde será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Romanos 3:19-20). Quando a sentença dos nossos pecados está prestes a ser lida, Jesus Cristo diz ao Pai: “Eu vou pagar a sua culpa e sua punição.” Cristo deu-Se a Si mesmo em resgate por cada um de nós. Ele tomou o nosso lugar!

Deus não ignorou o castigo dos nossos pecados: a morte de Cristo na Cruz pagou-o na sua totalidade. Os nossos pecados e a nossa culpa foram colocados sobre Si e a Sua justiça foi imputada sobre nós. Em Cristo, somos totalmente inocentes diante de Deus, aceites no Amado e livres da ira futura. Esta é a ira de Deus que iríamos experimentar no grande trono branco do julgamento e consequentemente a sentença do lago de fogo. Pelo graça de Deus, estamos agora longe do alcance do justo juízo de Deus. Tal como o apóstolo Paulo declara em Romanos 8:1: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.”

Que haja em vós o mesmo sentimento

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Filipenses 2:5). À medida que o apóstolo Paulo examinava cuidadosamente o carácter de Cristo do ponto de vista do sacrifício “de uma vez por todas, ele ele escreveu “que haja em vós o mesmo sentimento”. Por outras palavras, o apóstolo exorta-nos para que sejamos compassivos, humildes, generosos, perdoadores, etc. Cristo amou os que não eram amados. Vejamos uma ilustração:

George Whitefield, numa das suas viagens, encontrava-se uma noite numa pousada. Para sua surpresa, no quarto ao lado havia um grupo de homens a jogar. A sua linguagem era terrível. Whitefield e o seu amigo passaram um pouco de tempo em oração e a ler a Palavra de Deus e então ele disse: “Antes de me deitar, eu devo ir à sala ao lado para testemunhar àqueles homens,” e fê-lo. Ele entrou naquele quarto e falou-lhes falou acerca de Deus. Eles ouviram-no, mas pouco tempo depois de ter voltado para o seu quarto, eles voltaram a comportar-se como dantes. O seu amigo perguntou-lhe: “Irmão Whitefield, o que ganhou com isto?” Whitefield respondeu: “Eu ganhei um travesseiro macio. Agora posso dormir descansado.”

George Whitefield tinha um fardo pelas almas perdidas. Ele amava os que não eram amados. Apesar de as suas palavras parecerem ter caído em saco roto, ele podia estar tranquilo naquela noite pois tinha partilhado o evangelho e advertido aqueles homens acerca do julgamento vindouro. Temo que enquanto os crentes estão ocupados em mostrar que têm razão num determinado assunto, deixem as almas perdidas escapar em direcção a uma eternidade sem Deus.

Que possamos aprender isto no Calvário: um coração humilde é aquele que pode ser usado grandemente por Deus. Tal como tem sido dito, “A pessoa humilde não é aquela que não pensa muito de si mesma; ela simplesmente não pensa em si! Humildade é aquele característica que, quando pensas que a tens, perdeste-a!”

(por Paul M. Sadler)

Verdadeira Espiritualidade – Capítulo 4 Dezembro 11, 2013

Posted by David Costa in Verdadeira Espiritualidade.
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A nova criação

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura [criação] é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17).

Tudo se fez novo

A estima pela verdade contida nesta passagem será uma das maiores ajudas possíveis para o crente que deseja viver uma vida verdadeiramente espiritual.

Considerámos até agora o nascimento e a ressurreição para descrever a transmissão de vida aos crentes pelo Espírito, mas mesmo estes dois conceitos não conseguem descrever a verdade de forma plena. Um terceiro conceito, o da criação, deve ser acrescentado de forma a completar a descrição.

Tal como com o novo nascimento e a ressurreição, o termo criação também é usado com mais do que um sentido. É usado, por exemplo, em relação aos novos céus e à nova terra (Isaías 65:17). Há também um sentido geral, no qual o salvo, em qualquer época, pode ser considerado nova criação, e ainda um sentido mais particular em que o futuro Israel remido é chamado nova criação (Salmos 102:16-18; Isaías 65:18); mas como com os outros dois termos considerados anteriormente, é dado a este termo um significado único na grande revelação dada a Paulo relativamente a Cristo e os membros do Seu Corpo. De facto, é apenas Paulo que, pelo Espírito, usa a expressão exacta “nova criatura”, e exclusivamente em relação a este assunto.

A nova criação é o Corpo de Cristo

A versão que costumamos utilizar, Almeida Revista e Corrigida, não traduz, na nossa opinião, da melhor forma esta passagem de II Coríntios 5:17. A ideia desta passagem não é apenas de que os crentes em Cristo se tornaram individualmente novas criaturas (embora isso também seja verdade), mas que eles agora pertencem a uma gloriosa e nova criação que Deus trouxe à existência em Cristo. Da mesma forma, a segunda parte do versículo não significa apenas que os velhos hábitos pecaminosos “passaram” na vida do crente em particular, para serem substituídos pelo novo modo de viver (embora isto possa, ou deva, ser verdade), mas que com a formação da nova criação uma ordem (ou programa) completamente nova foi introduzida.

Fica claro que este é o significado correcto desta passagem quando temos em conta as observações de Paulo em relação à nova criação, e também o contexto de II Coríntios 5, em particular o versículo anterior:

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já O não conhecemos desse modo” (v. 16).

Toda a passagem de II Coríntios 5 tem que ver com conhecermos Cristo daqui por diante de uma forma nova e diferente, não mais segundo a carne, mas como Cabeça de uma nova criação, e com conhecer os homens, não mais segundo a carne, mas como pertencendo ou à velha criação ou à nova criação em Cristo.

A epístola aos Efésios tem muito a dizer sobre esta importante verdade. Depois de nos lembrar, em Efésios 2:11-12, que como gentios éramos estranhos para com Deus e o Seu povo de concerto, ele continua, dizendo:

“Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque Ele é a nossa paz, O qual de ambos os povos [judeus e gentios] fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio… para criar em Si Mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Efésios 2:13-15).

No terceiro capítulo, o apóstolo, proclamando a revelação que “noutros tempos não foi manifestada”, afirma que agora os crentes gentios…

“… são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” (Efésios 3:6).

Esta “nova criação”, este “novo homem”, este “mesmo corpo”, formado de judeus e gentios feitos um em Cristo, é chamado “o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:23).

A nova criação, contrapartida da velha

A nova criação de Deus em Cristo é a contrapartida da criação do Adão de Génesis 5:2. Antes de Deus dar a mulher ao homem, o seu nome foi Adão (Génesis 2:18-20). Depois Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, tomou uma das suas costelas, formou dela uma mulher e deu-a de volta ao homem para serem “ambos uma carne”. “Macho e fêmea os criou, e os abençoou; e chamou o seu nome Adão” (Génesis 5:2).

Da mesma forma, a Igreja que é o Corpo de Cristo foi formada através da Sua morte e tomada do seu lado ferido, por assim dizer, para ser feita uma com Ele na sua vida ressurrecta. E, como aconteceu com Eva, foi-nos dado o Seu Nome. Falando dos membros do Corpo de Cristo, o apóstolo diz:

“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros… assim é Cristo também” (I Coríntios 12:12).

Relembremos que a “nova criação”, o “novo homem”, é a contrapartida do Adão de Génesis 5:2. Cristo não foi criado como Adão foi, porque lemos em I Coríntios 14:45,47:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante … O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do Céu.”

O seu início na História

Quando o falhanço total tanto de judeus como gentios se tornou evidente, Deus encerrou a ambos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11:32):

“E, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Efésios 2:16).

Assim, a nova criação, o corpo de Cristo, teve um começo definido na história humana. Historicamente, teve início com a queda de Israel e com a dispensação da graça de Deus através de Paulo.

As “coisas velhas” que “passaram” nessa altura (II Coríntios 5:17) eram as condições e requisitos da Velha Aliança. Tão completamente “passaram” estas “velhas coisas” da “Velha Aliança”, que Deus toma o requisito mais básico de todos, a circuncisão, e diz sobre ela:

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gálatas 6:15).

Deus não diz mais: “SE diligentemente ouvirdes a Minha voz… ENTÃO sereis a minha propriedade…” (Êxodo 19:5). “Tudo se fez novo” (versículo 17) e nesta nova ordem “tudo provém de Deus [i], que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo” (versículo 18). Connosco não há o condicional “se”. A nós, como membros do “Corpo de Cristo”, é garantido que somos o tesouro do coração de Deus porque fomos feitos um com Cristo, o Seu filho amado (Efésios 1:6). Logo que cremos, é-nos dada a posição de filhos adultos (Gálatas 4:1-7; Efésios 1:5-6) baseada na graça e não na lei (Romanos 6:14; Gálatas 3:23-25, 4:6-7). Esta é uma verdade que a figura do novo nascimento não transmite.

A sua origem nos propósitos de Deus

Embora a nova criação tenha começado na história humana com a queda de Israel e com a dispensação da graça de Deus através de Paulo, ela foi planeada por Deus muito antes disso.

Como vimos, a doutrina do novo nascimento contempla apenas um novo começo. A doutrina da nossa ressurreição com Cristo vai mais longe incluindo tanto o estado passado não regenerado do indivíduo como a nova vida que recebe quando crê, visto que ressurreição pressupõe uma vida anterior e morte. Mas a doutrina da nova criação com Cristo vai ainda mais longe do que o nosso passado não regenerado, mais longe do que a criação de Adão, mais longe do que a criação do velho universo arruinado pela pecado, até ao propósito eterno de Deus.

Foi na eternidade passada que Deus decidiu que quando o pecado dos filhos de Adão tivesse atingido o seu auge, quando Israel se tivesse juntado aos gentios em rebelião e ambos se colocassem “contra o Senhor e contra o Seu Ungido”, Ele formaria uma nova criação de judeus e gentios reconciliados, unidos entre si e com Cristo, o Segundo Homem, o Último Adão. É claramente ensinado nas epístolas de Paulo que este era o Seu propósito eterno, como veremos adiante.

A nova criação e a conduta cristã

O propósito eterno de Deus na nova criação era, entre outras coisas, que os pecadores, criados à imagem do Adão caído, possam ser conforme à imagem de Cristo, o impecável Filho de Deus; para que eles pudessem produzir boas obras em vez de más e viver para a glória da Sua graça. A concretização deste propósito será consumado, é claro, depois de esta vida terminar, mas é evidente destas passagens que abordam esse assunto que Deus quer que entremos na alegria e poder da nossa união com Cristo agora pela fé. Isso pode ser visto nas seguintes passagens:

“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho…” (Romanos 8:29).

“Como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor [ii], e nos predestinou para filhos de adopção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade (Efésios 1:4-5).

“Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10).

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a Si Mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:25-27).

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:22-24).

“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem dAquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3:9-11).

Talvez o leitor já tenha reparado que os crentes “vestiram” o novo homem e são exortados a afastarem-se do mal à luz deste facto. Deus quer que vistamos o novo homem experimentalmente, à luz do facto de que posicionalmente já o vestimos pela fé em Cristo. Note-se que na última passagem citada, a nossa posição no corpo é inquestionável, porque lemos: “onde não há grego nem judeu”.

A nova criação e o Espírito Santo

Quão útil deveria ser o conhecimento destas coisas na vida daqueles que desejam verdadeiramente viver para agradar a Deus! Pensar que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo! Pensar que Deus nos aceita inteiramente no Seu Filho amado! Pensar que Ele já nos uniu eternamente com Cristo! Pensar que a nossa unidade com Cristo nos fez também um uns com os outros! Pensar que Deus nos deu um lugar à Sua mão direita em Cristo, uma posição que podemos ocupar agora pela fé! Pensar que ele lida connosco como sendo filhos adultos, na base da graça e não da lei! Pensar que Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo, das quais nos podemos apropriar agora pela fé! O que poderia ser maior incentivo para “andarmos dignos da vocação com que fomos chamados” do que o conhecimento destas coisas?

Não se pretende aqui dizer que o mero conhecimento intelectual destes factos nos proporcionará maior ajuda para viver vidas verdadeiramente espirituais do que o mero conhecimento intelectual nos pode salvar. Tem de ser um conhecimento baseado na fé na Palavra de Deus, trabalhada pelo Espírito, que escreveu a palavra.

Para começar, não devemos esquecer que o Corpo de Cristo, a nova criação, é formada por judeus e gentios pela obra do Espírito:

“Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos” (I Coríntios 12:13).

Além disso, podemos compreender e desfrutar das gloriosas verdades da nossa posição em Cristo apenas pela fé, quando o Espírito abre os nossos olhos para compreender as Escrituras. É por isso que o apóstolo ora fervorosamente:

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da Sua vocação e quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos e qual a sobreexcelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder” (Efésios 1:17-19).

Certamente que o apóstolo fala aqui de saber estas coisas experimentalmente, não apenas intelectualmente. Deste modo, devemos olhar sempre para Deus como Quem pode tornar estas verdades reais para nós através do Seu Espírito, para que o conhecimento da fé possa tornar-se no conhecimento de bendita experiência.

(por Cornelius R. Stam)

[i] Na sua essência, “todas as coisas” necessárias para a salvação sempre foram “de Deus”, mas isso ainda não havia sido revelado. Sob a Velha Aliança e até Paulo, o homem sempre foi instruído a fazer algo para achar o favor de Deus. Agora, Deus diz que Ele mesmo realizou tudo o que é necessário e oferece a salvação “àquele que não pratica, mas crê” (Romanos 4:5).

[ii] A expressão “em amor” pertence, muito provavelmente, ao versículo seguinte. Não existe pontuação no original que determine isso.